01 outubro 2026

Crítica à República e desistência de uma utopia

A Revista Antígona, que está sendo lançada, publicou o nosso artigo "Crítica à Repúbica e desistência de uma utopia".


O resumo do texto é este:

A República foi proclamada em 1889, tendo amplo apoio. Após a proclamação, muitos intelectuais republicanos passaram a desiludir-se com o regime, pois esperavam mudanças imediatas. Esses intelectuais passaram a criticar os limites, as falhas e as promessas não cumpridas da República. Todavia, com essas críticas os intelectuais passaram a abandonar a República. Em vez de persistirem na utopia republicana, passaram a deixá-la de lado. Aos desiludidos republicanos associaram-se novos intelectuais, com cada vez menos compromisso com o republicanismo. Desde os anos 1930 a desistência do republicanismo é estudada como crítica à república ou ao liberalismo, não como desistência. Mas, ao desistir-se da utopia republicana, também se desistiu de entender a desilusão dos republicanos como uma etapa de aprendizado intelectual. Se a desilusão-desistência é a perspectiva atualmente vista como correta, os intelectuais que persistiram na utopia republicana são vistos como alienados, tolos, idealistas – ou defensores da exclusão social, do elitismo, das oligarquias. O presente artigo apresentará os argumentos de alguns intelectuais que atuaram na I República: favoráveis à República, os positivistas; de maneira ambivalente, Alberto Torres; por fim, contra a República, Oliveira Vianna. O que propomos é que o caráter utópico da República perde-se ao longo do tempo; a sequência de intelectuais indica uma ordem cronológica e do enfraquecimento da utopia republicana.