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26 março 2025

Proteção patrícia ao sacerdócio, parte 2

No dia 28 de Aristóteles de 171 (25.3.2025) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos Conservadores (em sua Primeira Parte, dedicada à doutrina própria aos verdadeiros conservadores).

Na parte do sermão continuamos e concluímos a leitura comentada da "Carta filosófica sobre a proteção patrícia ao sacerdócio".


As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *


A proteção patrícia ao sacerdócio

(28 de Aristóteles de 171/25.3.2025) 

1.       Abertura

2.       Exortações iniciais

2.1.    Sejamos altruístas!

2.2.    Façamos orações!

2.3.    Como somos uma igreja, ministramos os sacramentos: quem tiver interesse, entre em contato conosco!

2.4.    Precisamos de sua ajuda; há várias maneiras para isso:

2.4.1. Divulgação, arte, edição de vídeos e livros! Entre em contato conosco!

2.4.2. Façam o Pix da Positividade! (Chave pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

3.       Datas e celebrações:

3.1.    Nesta semana não registramos nenhuma data especial ou celebração

4.       Leitura comentada do Apelo aos conservadores

4.1.    Antes de mais nada, devemos recordar algumas considerações sobre o Apelo:

4.1.1. O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

4.1.1.1.             O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

4.1.1.2.             Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

4.1.2. A religião estabelece parâmetros morais, intelectuais e práticos para a existência humana e, portanto, orienta a política, estabelece as suas metas, as suas possibilidades e os seus limites

4.2.    Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

4.3.    Passemos, então, à leitura comentada do Apelo aos conservadores!

5.       Sermão: a proteção patrícia ao sacerdócio

5.1.    Em uma carta a John Stuart Mill, do final de 1845, Augusto Comte faz um balanço semiprivado das relações políticas, sociais, filosóficas e morais entre o patriciado e o sacerdócio

5.1.1. Dizemos “balanço semiprivado” porque era uma carta pessoal de nosso mestre a Stuart Mill, que ele (nosso mestre) autorizou a divulgar conforme o destinatário julgasse adequado, sem a tornar totalmente pública

5.2.    A tradução que leremos é de Raimundo Teixeira Mendes, presente em O ano sem par, entre as páginas 567 e 579

5.2.1. Um primeiro volume da correspondência de Augusto Comte a John Stuart Mill foi publicado em 1877, sob o título Lettres d’Auguste Comte à John Stuart Mill – 1841-1846. Com 462 páginas, esse volume contém 45 cartas e quatro anexos. A carta abaixo corresponde à de n. XL desse volume, publicada entre as páginas 374 e 392; foi a partir dessa edição que Teixeira Mendes traduziu o texto abaixo. Já na coletânea da correspondência completa de Augusto Comte, organizada por Paulo Berredo Carneiro e Pierre Arnaud, a carta abaixo está no volume III, dedicado ao período entre abril de 1845 e abril de 1846 (o “ano sem par”), entre as páginas 238 e 248; no conjunto do epistolário comtiano, ela corresponde à missiva CCCLXVI.

5.3.    O que importa nessa carta?

5.3.1. Essa missiva apresenta, como é característico do Positivismo, inúmeros temas e aspectos estreitamente vinculados entre si, ainda que alguns sejam apenas citados enquanto outros sejam longamente desenvolvidos

5.3.2. O tema principal é a apreciação de nosso mestre a respeito do apoio, falho, do patriciado em favor do sacerdócio positivo

5.3.2.1.             O patriciado, como notamos há pouco, são os líderes políticos e industriais, ou seja, são os responsáveis pela gestão do poder e da riqueza

5.3.2.2.             A crítica principal de Augusto Comte é em relação ao patriciado inglês, que habitualmente era mais liberal e mais pródigo em protetorados desse tipo

5.3.2.3.             Mas, de qualquer maneira, a idéia principal aí é que o patriciado tem o dever – moral, pelo menos – de sustentar, de apoiar, o sacerdócio

5.4.    A situação específica que motivou toda essa reflexão foram as sucessivas manobras acadêmicas, políticas e administrativas feitas na Escola Politécnica, entre 1840 e 1852, para impedir que Augusto Comte assumisse o cargo de professor efetivo de lá e, depois, para demiti-lo de suas funções subalternas (repetidor e examinador de admissão)

5.4.1. Essas manobras mantiveram Augusto Comte com salários baixíssimos e, cada vez mais, à sombra da miséria e da fome

5.5.    Passemos, então, à leitura da carta!

6.       Exortações finais

6.1.    Sejamos altruístas!

6.2.    Façamos orações!

6.3.    Como somos uma igreja, ministramos os sacramentos: quem tiver interesse, entre em contato conosco!

6.4.    Precisamos de sua ajuda; há várias maneiras para isso:

6.4.1. Divulgação, arte, edição de vídeos e livros! Entre em contato conosco!

6.4.2. Façam o Pix da Positividade! (Chave pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

7.       Término da prédica

19 março 2025

Sobre a proteção dos ricos e poderosos ao sacerdócio

No dia 21 de Aristóteles de 171 (18.3.2025) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em particular, iniciando a Primeira Parte - "Doutrina apropriada aos verdadeiros conservadores").

Na parte do sermão começamos a leitura de uma carta filosófica de Augusto Comte a John Stuart Mill, datada de 18 de dezembro de 1845, em que aborda a obrigação moral e social dos patrícios de sustentarem materialmente o sacerdócio. (Inicialmente tínhamos a pretensão de ler toda essa carta; mas como ela é longa, com nove páginas, tivemos que dividir essa leitura entre duas prédicas.)


As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *


A proteção patrícia ao sacerdócio

(21 de Aristóteles de 171/18.3.2025) 

1.       Abertura

2.       Exortações iniciais

2.1.    Sejamos altruístas!

2.2.    Façamos orações!

2.3.    Como somos uma igreja, ministramos os sacramentos: quem tiver interesse, entre em contato conosco!

2.4.    Precisamos de sua ajuda; há várias maneiras para isso:

2.4.1. Divulgação, arte, edição de vídeos e livros! Entre em contato conosco!

2.4.2. Façam o Pix da Positividade! (Chave pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

3.       Datas e celebrações:

3.1.    Dia 23 de Aristóteles (20.3): início do outono

4.       Ultrapassamos a marca de 500.000 visitas no blogue Filosofia Social e Positivismo (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/) em 21 de Aristóteles de 171 – ou seja, hoje!

4.1.    As outras marcas foram atingidas nas seguintes datas:

4.1.1. 400.000 visitas: 16 de São Paulo de 169 (5.6.2023)

4.1.2. 300.000 visitas: 7 de Dante de 165 (22.7.2019)

4.1.3. 200.000 visitas: 27 de Aristóteles de 163 (24.3.2017)

4.1.4. 100.000 visitas: 8 de Dante de 161 (23.7.2015)

4.1.5. Criação em 4 de janeiro de 2007

5.       Leitura comentada do Apelo aos conservadores

5.1.    Antes de mais nada, devemos recordar algumas considerações sobre o Apelo:

5.1.1. O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

5.1.1.1.             O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

5.1.1.2.             Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

5.1.2. A religião estabelece parâmetros morais, intelectuais e práticos para a existência humana e, portanto, orienta a política, estabelece as suas metas, as suas possibilidades e os seus limites

5.2.    Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

5.3.    Passemos, então, à leitura comentada do Apelo aos conservadores!

6.       Sermão: a proteção patrícia ao sacerdócio

6.1.    Em uma carta a John Stuart Mill, do final de 1845, Augusto Comte faz um balanço semiprivado das relações políticas, sociais, filosóficas e morais entre o patriciado e o sacerdócio

6.1.1. Dizemos “balanço semiprivado” porque era uma carta pessoal de nosso mestre a Stuart Mill, que ele (nosso mestre) autorizou a divulgar conforme o destinatário julgasse adequado, sem a tornar totalmente pública

6.2.    A tradução que leremos é de Raimundo Teixeira Mendes, presente em O ano sem par, entre as páginas 567 e 579

6.2.1. Um primeiro volume da correspondência de Augusto Comte a John Stuart Mill foi publicado em 1877, sob o título Lettres d’Auguste Comte à John Stuart Mill – 1841-1846. Com 462 páginas, esse volume contém 45 cartas e quatro anexos. A carta abaixo corresponde à de n. XL desse volume, publicada entre as páginas 374 e 392; foi a partir dessa edição que Teixeira Mendes traduziu o texto abaixo. Já na coletânea da correspondência completa de Augusto Comte, organizada por Paulo Berredo Carneiro e Pierre Arnaud, a carta abaixo está no volume III, dedicado ao período entre abril de 1845 e abril de 1846 (o “ano sem par”), entre as páginas 238 e 248; no conjunto do epistolário comtiano, ela corresponde à missiva CCCLXVI.

6.3.    O que importa nessa carta?

6.3.1. Essa missiva apresenta, como é característico do Positivismo, inúmeros temas e aspectos estreitamente vinculados entre si, ainda que alguns sejam apenas citados enquanto outros sejam longamente desenvolvidos

6.3.2. O tema principal é a apreciação de nosso mestre a respeito do apoio, falho, do patriciado em favor do sacerdócio positivo

6.3.2.1.             O patriciado, como notamos há pouco, são os líderes políticos e industriais, ou seja, são os responsáveis pela gestão do poder e da riqueza

6.3.2.2.             A crítica principal de Augusto Comte é em relação ao patriciado inglês, que habitualmente era mais liberal e mais pródigo em protetorados desse tipo

6.3.2.3.             Mas, de qualquer maneira, a idéia principal aí é que o patriciado tem o dever – moral, pelo menos – de sustentar, de apoiar, o sacerdócio

6.3.3. Augusto Comte sugere aí um tema que foi desenvolvido mais tarde em diversas ocasiões: o patriciado como uma “cavalaria industrial”

6.3.3.1.             A noção de “cavalaria industrial” à primeira vista dá a impressão de que se trata de nostalgia pela Idade Média, mas é muito superior a uma tolice dessas

6.3.3.2.             A cavalaria medieval era constituída por militares em uma sociedade guerreira, violenta e “machista”; esses militares decidiam de vontade própria limitarem sua violência e, em vez de serem prepotentes, atuarem em defesa dos fracos e dos subordinados; além disso, submetiam-se ao protetorado moral das mulheres

6.3.3.3.             Isso não teve efeitos sistêmicos de grande envergadura, mas foi bastante grande para difundir-se e, além disso, produziu exemplos duradouros

6.3.3.4.             A cavalaria industrial, portanto, é a idéia de uma corporação de líderes industriais que promovam o exemplo e a prática do que se chama atualmente de “responsabilidade social” – entendendo que a responsabilidade social não é pelo lucro, mas pelo bem-estar público

6.3.3.5.             A responsabilidade social do patriciado, a ser estimulada e exemplificada pela cavalaria industrial, não impede nem substitui medidas políticas: entretanto, o Positivismo sempre afirmou que tais medidas políticas só podem vir depois das mudanças de sentimentos e de idéias (em caso contrário, as medidas políticas serão autoritárias, superficiais e efêmeras)

6.3.3.5.1.                   De modo geral, as filosofias políticas da nossa época desprezam as mudanças morais (como no caso do marxismo e do liberalismo) ou querem que essas mudanças aconteçam juntamente ou após as mudanças políticas (como o socialismo comum e a democracia); o catolicismo com freqüência deseja apenas as mudanças morais

6.4.    Outros aspectos expostos ou desenvolvidos na carta:

6.4.1. Afirmação dos deveres sociais e morais

6.4.2. Afirmação da necessidade de o patriciado manter materialmente, de maneira direta e indireta, o sacerdócio

6.4.3. Afirmação de que, como a riqueza é produzida sempre socialmente, ela deve necessariamente ter uma destinação social

6.4.4. Caracterização do comunismo e da possibilidade de revolução se e quando os patrícios não cumprem suas responsabilidades sociais

6.4.5. Afirmação da responsabilidade social e da noção de que os detentores do capital não são “donos” do capital, mas seus gestores; a riqueza é uma função, não uma condição

6.4.6. Crítica à divisão absoluta entre o público e o privado

6.4.7. Afirmação do caráter complementar e sucessivo das medidas morais e políticas para regulação social

6.4.8. Forte denúncia da mesquinhez acadêmica

6.4.9. Afirmação do dever – moralmente banal, mas importantíssimo em termos práticos – de o Estado defender seus servidores

6.4.10.   Argumento a favor da estabilidade dos servidores públicos

6.5.    A situação específica que motivou toda essa reflexão foram as sucessivas manobras acadêmicas, políticas e administrativas feitas na Escola Politécnica, entre 1840 e 1852, para impedir que Augusto Comte assumisse o cargo de professor efetivo de lá e, depois, para demiti-lo de suas funções subalternas (repetidor e examinador de admissão)

6.5.1. Essas manobras mantiveram Augusto Comte com salários baixíssimos e, cada vez mais, à sombra da miséria e da fome

6.6.    Passemos, então, à leitura da carta!

7.       Exortações finais

7.1.    Sejamos altruístas!

7.2.    Façamos orações!

7.3.    Como somos uma igreja, ministramos os sacramentos: quem tiver interesse, entre em contato conosco!

7.4.    Precisamos de sua ajuda; há várias maneiras para isso:

7.4.1. Divulgação, arte, edição de vídeos e livros! Entre em contato conosco!

7.4.2. Façam o Pix da Positividade! (Chave pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

8.       Término da prédica

01 janeiro 2025

Celebração da Festa da Humanidade - 171/237 (2025)

No dia 1º de Moisés de 171 (1.1.2025) realizamos a celabração da Festa da Humanidade

Aproveitando o ensejo dessa importantíssima comemoração, apresentamos alguns dos que consideramos serem os desafios do Positivismo no século XXI.

A celabração foi transmitida nos canais Positivismo (aqui: https://youtube.com/live/RnXVQPQ87XE) e Igreja Positivista Virtual (aqui: https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/571441322456943/).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *

Celebração da Festa da Humanidade – 171/237 (2025)

 


1.      Início:

1.1.   Invocação inicial

1.2.   Leitura de poemas de Generino dos Santos (Vergine Madre) e Martins Fontes (O poema da Humanidade, O homem Humanidade)

2.      Hoje é dia 1º de Moisés, dia da Festa da Humanidade

2.1.   O dia de hoje inicia o ano 171 da era normal, ou 237 da transição revolucionária

2.2.   A Festa da Humanidade é a mais importante celebração positivista, pois é quando celebramos o verdadeiro ser supremo, o ser supremo que dá nome à religião real, humanista, relativa, pacífica, altruísta, fraterna: a Religião da Humanidade

2.2.1.Assim, é motivo da mais profunda alegria e satisfação percebermos que é um hábito universal (ou melhor, cada vez mais universal) a celebração da fraternidade universal justamente neste dia, em que iniciamos um novo ciclo

2.3.   No calendário positivista, a Festa da Humanidade segue-se sempre à Festa Geral dos Mortos e, nos anos bissextos, também à Festa das Mulheres Santas

2.3.1.Essa seqüência permite-nos ao mesmo tempo nos lembramos dos nossos entes queridos, recuperarmos nossas energias e retomarmos nossos esforços em favor de nossos familiares, nossos compatriotas, nossos amigos, nossos colegas e a todos os seres humanos

2.3.2.Na noite de ontem tivemos a felicidade de ouvirmos e assistirmos a uma belíssima celebração da Festa das Mulheres Santas por nosso amigo Hernani Gomes da Costa (aqui: https://www.youtube.com/watch?v=O8t7kh4jS8U&t=11s)

2.4.   A renovação periódica de nossos votos e de nossas energias não é somente uma coincidência astronômica, devida à volta anual do nosso belo e querido Grão Fetiche – o planeta Terra – ao redor do Sol, na translação, mas é uma necessidade moral e social

2.4.1.Com certeza que a translação importa-nos muito e influencia poderosamente a vida de cada um de nós, mas é em termos superiores que a renovação cíclica é importante, ou seja, em termos biológicos, sociológicos e morais

2.4.2.Em termos biológicos, trata-se de que alternamos sempre períodos de atividade e de descanso, diária, semanal e anualmente; a vida humana é atividade, mas precisamos parar com freqüência para descansar e recuperar as energias

2.4.3.Em termos morais, além do descanso físico necessário, precisamos com freqüência parar também para refletirmos se nosso comportamento é adequado, ou seja, se é convergente, se é útil e também se é eficiente; se os sentimentos que inspiram e orientam nossas ações são altruístas e se estimulam o altruísmo de nossos irmãos na Humanidade

2.4.3.1.           A necessidade de pausas para reflexão é tão grande que nosso mestre, Augusto Comte, recomendava que nos ocupássemos de tais reflexões três vezes por dia (na forma da oração positiva), uma vez por semana (no culto semanal) e várias vezes por ano (na forma dos cultos doméstico e público)

2.4.4.Indo diretamente ao ponto: a necessidade moral do culto deve-se a que os impulsos egoístas em si mesmos são tantos e tão intensos e as dificuldades práticas da vida são também tantas, tão intensas e tão propensas ao egoísmo que é necessário reafirmar constantemente o altruísmo, por todos os meios possíveis e disponíveis – e mesmo todos esses meios são com freqüência insuficientes para nossas necessidades

2.4.5.Daí também a necessidade sociológica de renovações cíclicas de nossas forças, de nossos sentimentos altruístas e de nossas reflexões convergentes: a celebração coletiva por um lado orienta o conjunto da sociedade e, a partir disso, por outro lado, orienta e reforça em cada um de nós nosso altruísmo e nossa convergência

2.5.   A Festa da Humanidade, então, a partir da lembrança agradecida de nossos antepassados e nossos antecessores, retomadas nossas forças morais, intelectuais e práticas, é uma festa de esperança, alegria e altruísmo

3.      Justificada a importância do culto à Humanidade, passemos à celebração da própria Humanidade

4.      A Humanidade é o verdadeiro ser supremo; é ao mesmo tempo uma idealização intelectual e artística que estimula e orienta nossos sentimentos, nossos pensamentos e nossas atividades práticas, e uma realidade que se desenvolve ao longo do tempo, que nos fornece tudo o que temos e que permite que sejamos tudo o que somos

4.1.   A Humanidade, portanto, é a verdadeira providência: ela dá-nos alimentos, valores, idéias e orientação; ela dá-nos acolhimento, pertencimento e todas as possibilidades de que gozamos; ela dá-nos alegria, felicidade, metas; ela dá-nos palavras, imagens, riquezas; ela dá-nos nossas famílias, nossos amigos, nossos trabalhos, nossas pátrias, nossos concidadãos; ela dá-nos os meios de conhecer e utilizar o Grão Fetiche, nosso lar comum, e também o Grão Meio, o espaço abstrato que nos permite pensar para agir conforme o altruísmo

4.2.   As tendências metafísicas prevalecentes em nossa época, ou seja, as tendências destrutivas e críticas estabelecem como algo próprio dos “bens pensantes” a consideração de que a Humanidade não presta, de que os seres humanos são desprezíveis: alegadamente esse exercício dos “bens pensantes” teria por objetivo a valorização do ser humano e o progresso!

4.2.1.Essa consideração “crítica” – que não é, como se deseja e como se propagandeia, crítica no sentido de “consciente” e “realista”, mas apenas e cinicamente destruidora – desvaloriza o ser humano, nega o altruísmo, afirma apenas o egoísmo e também nega o progresso, isto é, o desenvolvimento histórico do ser humano

4.2.2.Se, por um lado, fazemos celebrações cíclicas, temos que nos lembrar que o desenvolvimento ao longo do tempo é verdadeiro, é real: embora nossas celebrações sejam cíclicas, a história da Humanidade não é a repetição cíclica das mesmas tendências – e, em particular, não é a repetição cíclicas das mesmas más tendências

4.3.   A Humanidade, além disso, é um ser composto, que por sua vez é objetivo e subjetivo:

4.3.1.A Humanidade existe e age por meio de seus órgãos vivos, os servidores da Humanidade, que também foram chamados por Augusto Comte de “agentes” da Humanidade, com isso querendo indicar que cada um de nós, a partir das condições sociais em que surgimos e vivemos, temos agência, ou seja, capacidade de ação

4.3.2.Cada um de nós existe concretamente, de maneira objetiva; ao mesmo tempo, nossas ações, bem como nossos sentimentos e nossas idéias, são condicionados e orientados pelo conjunto do que recebemos de nossos antepassados e de nossos antecessores; isso implica a subordinação sociológica das nossas vidas e evidencia o aspecto subjetivo de nossas existências

4.3.3.Se, durante nossas vidas objetivas, somos servidores da Humanidade, nem por isso a integramos: devemos tudo a ela e todos os nossos esforços são em seu favor, mas a incorporação à Humanidade implica o merecimento, ou seja, um esforço ativo e consciente, ao longo de nossas vidas, considerando as situações objetivas e subjetivas, sociológicas e individuais de cada um: apenas sete após a transformação individual de cada um, em que passamos da vida objetiva para a imortalidade subjetiva, é que se decide se cada servidor da Humanidade pode ser efetivamente incorporado a ela e, assim, se merece ou não um culto público específico

4.4.   Como dissemos antes, a Festa da Humanidade, então, é e deve ser uma celebração de paz, alegria, felicidade, esperança e altruísmo

4.4.1.Nossa época metafísica e crítica infelizmente entende manifestações de alegria, esperança, altruísmo como formas de alienação, de autoengano, de negação dos problemas e das dificuldades: essa é uma forma lamentável, triste e degradante de entender o ser humano

4.4.2.A Festa da Humanidade não finge nem nega as dificuldades próprias ao ser humano; mas, ainda assim, a celebração clara, direta, pura dos sentimentos generosos é necessária: são o amor, a esperança, a alegria que tornam a vida digna de ser vivida e compartilhada e que, assim, justificam os esforços que realizamos para enfrentar as dificuldades e os problemas; além disso, como comentamos antes, em face da maior energia do egoísmo e do estímulo que a vida prática dá ao egoísmo, precisamos sempre reafirmar constantemente os sentimentos generosos – máxime quando celebramos diretamente o verdadeiro Grande Ser

5.      Após celebrarmos a Humanidade, queremos aproveitar a ocasião para tratarmos de uma outra ordem de reflexões; celebrar a Festa da Humanidade inclui também considerar o que o futuro reserva-nos, seja em termos de previsões cosmológicas, sociológicas e morais, seja, a partir disso, em termos de projetos futuros

5.1.   Há algumas semanas, um rapaz que tem estudado o Positivismo, em um grupo do Whattsapp fez uma pergunta, talvez como uma questão sincera, talvez como uma crítica disfarçada; quaisquer que tenham sido os motivos, a questão tem que ser enfrentada: quais são os desafios que o Positivismo deve enfrentar no século XXI?

5.1.1.Essa questão tem a ver com o equívoco tema da “atualização” do Positivismo

5.1.1.1.           Esse tema é equívoco porque quem afirma a necessidade de atualização – algo com que qualquer positivista de modo geral concorda sem dificuldade nenhuma – com freqüência pressupõe que quem é novo na Religião da Humanidade e/ou jovem, apenas porque é novo e/ou jovem, saberia o que é o Positivismo, saberia o que é adequado para o Positivismo e saberia em que deveria consistir essa atualização – todas essas assunções de uma arrogância escandalosa

5.1.1.2.           Tratamos dos sentidos possíveis da atualização do Positivismo e da arrogância demonstrada por muitos novos e/ou jovens respectivamente em nossas prédicas dos dias 10 de São Paulo de 169 (30.5.2023) (aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2023/05/sobre-comtismo-e-atualizacao-do.html) e 3 de Gutenberg de 169 (15.8.2023) (aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2023/08/orgulho-no-estudo-do-positivismo.html)

5.2.   Para tratarmos dos “desafios do Positivismo no século XXI”, devemos considerar os desafios dos séculos XIX e XX; se não o fizermos, perderemos a historicidade da reflexão e a ação política não fará sentido

5.3.   Na pág. 480 do cap. 5 (“Apreciação sistemática do presente, a partir da combinação do futuro com o passado, donde quadro geral da transição extrema”) do vol. IV (“Contendo o quadro sintético do futuro humano”) da Política positiva Augusto Comte propôs sete medidas políticas gerais que a Religião da Humanidade e os positivistas deveriam perseguir

5.3.1.Essas medidas foram inspiradas pelo conjunto da história do Ocidente, em particular dos séculos XVIII e XIX

5.3.2.De qualquer maneira, todas essas metas mantêm-se atualíssimas, com as devidas mudanças devidas à alteração de contextos (ou seja, mutatis mutandis):

 

Medidas

Âmbito das medidas

Comentários

1

Liberdade especulativa com o fim dos orçamentos teóricos

Temporal

Necessários em todos os lugares

2

Substituição das Forças Armadas pela polícia

3

Instituição do triumvirato sistemático

4

Desenvolvimento do culto histórico

Espiritual

5

Estabelecimento das escolas positivistas

6

Ascendente do Positivismo sobre o comunismo

7

Decomposição dos grandes estados

Resume as duas séries anteriores

 

5.3.3.Essas medidas, claro, são precedidas e acompanhadas pela difusão do Positivismo, o que significa que são precedidas e acompanhadas pela propaganda da Religião da Humanidade, com a elaboração de materiais diversos, com a aplicação prática de nossas concepções, com a participação em debates públicos – e também com a formação de sacerdotes e apóstolos qualificados moral, intelectual e praticamente

5.3.3.1.           Bem vistas as coisas, a exigência de difusão do Positivismo está pressuposta nas metas 4 a 6 acima, em particular talvez na de n. 5 (escolas positivas)

5.3.4.Além disso, de maneira mais ampla e mais difusa, parece-nos que o objetivo de todas essas metas consiste em realizar e em dar concretude às características gerais do espírito positivo: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático, além de fraterno, histórico e objetivo-subjetivo

5.3.5.Assim, como uma sugestão pessoal nossa, poderíamos acrescentar itens 8, 8.1 e 9 à lista acima, ambos no âmbito do poder Espiritual, da seguinte forma:

-           Item 8: Constituição de um sacerdócio positivo

-           Item 8.1: Difusão e aplicação da Religião da Humanidade

-           Item 9: Realização e aplicação concreta do espírito positivo

5.4.   Considerando o conjunto do século XX, podemos considerar os seguintes desafios concretos, temporais e espirituais, que nos foram legados:

-           Temporais:

·                Afirmação radical do pacifismo e proscrição das guerras de conquista

·                Garantia das liberdades civis e política

·                Afirmação e defesa da dignidade humana

·                Apoio aos processos de descolonização, autonomia nacional e desenvolvimento nacional

·                Promoção da cooperação internacional pacífica, fraterna e construtiva

·                Combate aos fascismos e aos sovietismos

-           Espirituais:

·                Combate ao absolutismo academicista e ao cientificismo

·                Moralização urgente da ciência

·                Afirmação geral da positividade e combate geral à metafísica (moral, sócio-política)

5.4.1.Não é difícil de perceber que os desafios acima não medidas específicas; são, propriamente, “desafios”, isto é, problemas que nos exigem soluções

5.4.2.Da mesma forma, não é difícil perceber que os desafios acima podem e devem ser enfrentados por meio de aplicações práticas e específicas, ou até alternativas, dos objetivos indicados por Augusto Comte para o século XIX

5.5.   Considerando o quarto de século já transcorrido neste século XXI, podemos considerar os seguintes desafios temporais e espirituais:

-           Temporais:

·                Afirmação urgente da paz e da fraternidade universais

·                Apoio convicto à transição energética

·                Afirmação e estímulo à coordenação internacional e aos esforços nacionais para controlar e reverter a crise climática

-           Espirituais:

·            Afirmação e defesa da dignidade humana

·            Combate aos racismos e às discriminações

·            Combate aos identitarismos

5.5.1.Como dissemos a respeito do item anterior, não é difícil de perceber que os desafios acima não medidas específicas; são, propriamente, “desafios”, isto é, problemas que nos exigem soluções

5.5.2.Também não é difícil perceber que os desafios acima podem e devem ser enfrentados por meio de aplicações práticas e específicas, ou até alternativas, dos objetivos indicados por Augusto Comte para o século XIX

5.6.   Os tópicos que sugerimos acima, nos itens 3.3 a 3.5, por um lado são cumulativos de problemas que surgiram ao longo do tempo (por exemplo, a crise climática, a transição energética, o combate aos fascismos e aos identitarismos); mas, por outro lado, são formas atuais de desafios e necessidades antigos (a defesa das liberdades, a afirmação do altruísmo, do pacifismo, do relativismo)

5.7.   Como observamos antes, reconhecemos claramente que os tópicos acima de modo geral não são medidas específicas, mas são desafios a serem enfrentados; assim, eles apresentam um caráter menos específico que as medidas indicadas por Augusto Comte

5.7.1.Ainda que sejam menos específicas essas indicações, parece-nos que elas ainda assim permitem conjugar uma ampla possibilidade de atuação concreta dos positivistas com preocupações específicas em nossas vidas

5.8.   Por outro lado, importa insistir muito em que a centralidade da (1) reconstituição de um sacerdócio positivista (1.1) convergente, (1.2) bem formado, (1.3) atuante e (1.4) responsável impõe-se e antepõe-se a todas as metas acima: tal sacerdócio é condição preliminar para qualquer atuação posterior

5.8.1.Não foi por acaso que, no Apelo aos conservadores, nosso mestre afirmou com clareza e com todas as letras que a preocupação fundamental de todos os positivistas religiosos deve ser não a tomada do poder, mas a difusão do Positivismo

5.8.2.Um sacerdócio bem formado exige muitos aspectos sucessivos e, a partir disso, concomitantes: (1) ler Augusto Comte e os positivistas ortodoxos; (2) entender Augusto Comte e os ortodoxos; (3) viver as prescrições, orientações e concepções de Augusto Comte; além disso, é necessário conhecer o mundo e a sociedade em que se vive (mas, sendo bem franco, essa exigência nem precisaria ser lembrada, na medida em que ela com freqüência é afirmada mesmo para negar as exigências anteriores)

5.8.2.1.           Uma frase que era usada na Igreja Positivista do Brasil resume, pela negativa, o conjunto das indicações acima: como se dizia lá, “muitas pessoas entram no Positivismo, mas o Positivismo não entra nelas”, ou seja, são pessoas que passam a freqüentar o ambiente positivista, até passam a conhecer a doutrina, mas não a aplicam em suas próprias vidas, não sabem aplicá-la ao mundo e muitas vezes a distorcem sem o menor pudor (seja para justificar o injustificável, seja mesmo para o cúmulo de negar a Religião da Humanidade!)

5.9.   Os desafios do Positivismo são muitos, como, de resto, são os desafios que se impõem à Humanidade: a solução para uns e outros passa pelo mesmíssimo caminho, que é a difusão do Positivismo e do espírito positivo, com a reconstituição do sacerdócio positivo, convergente, altruísta e instruído

6.      Com essas reflexões, queremos concluir esta Festa da Humanidade, não apenas pela lembrança e pela reafirmação de seu amor, mas também pela indicação de que devemos amá-la e conhecê-la para sempre e melhor servi-la

6.1.   Invocação final