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16 março 2026

Darcy Ribeiro e positivistas indigenistas

Darcy Ribeiro (in: Cândido Mariano da Silva Rondon, Rio de Janeiro, Global, 2017, p. 29-30) faz o seguinte comentário indicando os positivistas – militares e civis – que, inspirando-se no belíssimo exemplo de Rondon, dedicaram-se a estabelecer e manter as melhores relações entre a civilização ocidental e os índios brasileiros, seguindo sempre a fórmula rondoniana “Morrer se for preciso, matar nunca”. (Aliás, a respeito dessa fórmula, Darcy Ribeiro comenta que se trata do “ponto mais alto do humanismo brasileiro”). 

Muitos oficiais do exército, depois de participarem das missões comandadas por Rondon no interior do país, orientaram-se para a carreira indigenista.

Queremos destacar os nomes de Antônio Martins Estigarríbia, capitão de engenharia que abandonou a carreira militar para dedicar-se inteiramente ao Serviço de Proteção aos Índios, no qual exerceu todas as funções. Vicente de Paula Teixeira da Fonseca Vasconcelos, que dirigiu durante vários anos o SPI e a quem coube reorganizá-lo depois do colapso que sofreu em 1930. Nicolau Bueno Horta Barbosa, que foi um dos principais auxiliares de campo de Rondon e, numa das expedições, tendo o pulmão vazado por uma flecha, ainda conseguiu manter o controle sobre a tropa para impedir que revidassem ao ataque. Mais tarde devotou-se inteiramente aos índios do sul de Mato Grosso como chefe da Inspetoria local do SPI. Alípio Bandeira, que se tornaria a mais eloquente expressão literária da causa indígena e que, em colaboração com Manoel Miranda, procedeu aos estudos preliminares para a elaboração da legislação indigenista brasileira. Júlio Caetano Horta Barbosa, que teve os primeiros contatos amistosos com os índios Nambikuara. Boanerges Lopes de Souza, um dos colaboradores mais assíduos de Rondon, tanto na construção das linhas telegráficas de Mato Grosso (1910-1922) como na Inspetoria de Fronteiras, e Manoel Rabelo, organizador dos planos de pacificação dos índios Kaingang, de São Paulo – foram todos, mais tarde, membros do Conselho Nacional de Proteção aos Índios.

Aos militares se juntaram desde a primeira hora colaboradores civis como o dr. José Bezerra Cavalcanti, que respondeu pela direção executiva do SPI desde sua criação até 1933, quando faleceu. O professor Luiz Bueno Horta Barbosa, que abandonou a cátedra da Escola Politécnica para dedicar-se exclusivamente ao Serviço de Proteção aos Índios e que foi o principal formulador dos princípios básicos da política indigenista brasileira. O dr. José Maria de Paula, que, ingressando no SPI quando de sua criação, nele exerceu todos os cargos, desde a chefia das inspetorias de índios dos estados do Sul até a diretoria. José Maria da Gama Malcher, que serviu ao SPI com invulgar devotamento e capacidade, tanto chefiando as inspeções do Pará e Maranhão como na função de diretor, de 1950 a 1954.



30 julho 2024

Moysés Westphalen: "Fracassada política indigenista do Brasil"

No recorte abaixo o positivista gaúcho Moysés Westphalen, em artigo publicado no jornal gaúcho Zero Hora de 12.2.1978, aprecia a política indigenista brasileira, qualificando-a, àquela época, de "fracassada". 

É importante salientar que Moysés Westphalen era ele mesmo indigenista e que seguia a secular tradição de indigenismo e de respeito aos índios brasileiros, iniciada com Miguel Lemos e Teixeira Mendes e que teve no grande Marechal Rondon um de seus mais belos e importantes representantes.




12 maio 2013

"Por que sou rondoniano", de Mércio Pereira Gomes


Há várias décadas a Antropologia brasileira despreza Rondon e sua atuação como indigenista; seu projeto, seus resultados, seus valores são desvalorizados, a que se soma o fato de ele ter sido positivista ortodoxo, membro da Igreja Positivista. 

É claro que há muito, muito de moda, de modismo, nisso, além de preconceito e ignorância. Pois bem: há alguns anos um antropólogo carioca, ex-Presidente da Funai, publicou um artigo defendendo Rondon e sua atuação - o que, por tabela, consiste também em uma defesa do projeto indigenista e civilizatório do Positivismo.

O texto, da autoria de Mércio Pereira Gomes, está disponível aqui:


Ou aqui: