10 agosto 2026

Por uma política republicana sociocrática - orientações para as eleições

Igreja Positivista Virtual

 

O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim

Ordem e progresso – Viver às claras – Viver para outrem

 

Por uma política republicana sociocrática

Orientações para as eleições de 4 de outubro de 2026

 

Em 28 de agosto de 2024 a Igreja Positivista Virtual lançou um manifesto intitulado “Programa republicano mínimo – orientações para o voto no dia 6 de outubro” (disponível aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2024/08/programa-republicano-minimo-orientacoes.html). Nesse manifesto, após indicarmos os parâmetros gerais em políticos, filosóficos e morais – em uma palavra, religiosos – que devem orientar a conduta dos cidadãos brasileiros, apresentamos indicações específicas para a escolha de candidatos nas eleições que ocorreriam algumas semanas depois; essas orientações eram positivas e negativas, apresentando critérios afirmativos (o que os candidatos deveriam afirmar, fazer e representar) e critérios restritivos (o que se deveria rejeitar nos discursos, no comportamento e na representação dos candidatos).

Passados quase dois anos daquelas orientações, o seu conjunto mantêm-se, mas cremos que algumas reflexões adicionais são necessárias, seja porque o âmbito do pleito é outro (agora serão eleições gerais e estaduais, enquanto antes foram eleições locais), seja porque há elementos novos na conjuntura social, política e moral, seja, por fim, porque alguns aspectos precisam ser reafirmados e outros, enfatizados.

Em vez de redigirmos todo um novo documento – a respeito do qual teríamos que fingir um pleno ineditismo que não é possível nem faz sentido –, retomaremos o documento anterior, fazendo as alterações que julgamos necessárias. A mudança de título – de “Programa republicano mínimo” para “Por uma política republicana sociocrática” – já sugere essa ampliação.

1. Introdução: a necessidade de critérios para escolher candidatos

Neste ano, no dia 4 de outubro, teremos eleições estaduais e nacionais, em que a população brasileira elegerá seus novos governadores, senadores, deputados e Presidente da República; a partir do 16 de agosto haverá campanha eleitoral. Os partidos políticos, a Justiça Eleitoral, os meios de comunicação e vários grupos da sociedade civil afirmam que é importante “votar com consciência”, “votar de maneira esclarecida”, “buscar os melhores candidatos”, mas muito raramente, para não dizer nunca, são apresentados com clareza os critérios que definem a “consciência”, o “esclarecimento”, os “melhores”. No máximo há a afirmação de que os candidatos escolhidos devem “representar” os eleitores, com isso querendo dizer que os candidatos devem pensar e agir de maneira semelhante aos eleitores – o que, dizendo com clareza, está muito distante dos verdadeiros interesses sociais.

Com o objetivo de auxiliar a reflexão pública e, na medida do possível, orientar nossos concidadãos eleitores na escolha de candidatos, apresentaremos neste documento alguns critérios positivos e critérios negativos – ou seja, opiniões e comportamentos que os candidatos devem apresentar  efetivamente para serem escolhidos, bem como opiniões e comportamentos que são motivos para rejeitar candidatos.

Este manifesto é dirigido a todos e todas os brasileiros e brasileiras, nossos concidadãos eleitores e nossas concidadãs eleitoras. Como se verá, à primeira vista talvez o programa abaixo pareça muito exigente: mas, por um lado, isso não é motivo para desconsiderá-lo; por outro lado, isso indica o quanto estamos distantes do republicanismo no Brasil.

Antes, porém, é importante expor os fundamentos políticos, sociais e morais dos critérios que apresentaremos.

2. A política positiva e a república sociocrática

Desde 15 de novembro de 1889 o Brasil é uma República. Embora à primeira vista o conceito de “república” pareça pouco, na verdade ele é um dos mais densos e importantes na vida de qualquer cidadão, especialmente quando entendemos o sentido profundo da república, que é o da sociocracia. As noções de república e de sociocracia são ideais: nem sempre esses ideais realizam-se na prática, mas, ao contrário do que tem ocorrido com triste freqüência, isso não é motivo para desvalorizá-los, nem para rejeitá-los. Vejamos, então, quais são os elementos desses ideais.

O sentido fundamental da república é o bem comum: efetivamente se dedicar ao bem-estar coletivo, superando o individualismo, o egoísmo, os particularismos, isso é ser republicano. Além disso, a república também se opõe à monarquia e, portanto, à sociedade de castas; em outras palavras, na república o valor de uma pessoa é dado pelo mérito individual, em vez de ser pelas condições em que nasceu (pelo “berço”).

Mais importante do que isso, a dedicação ao bem comum significa a subordinação da política à moral, ou seja, a subordinação da política aos princípios e valores maiores da Humanidade, em que a família subordina-se à pátria e a pátria subordina-se à Humanidade. Somente assim a atividade política pode ser entendida como a dedicação ao bem comum e, a partir disso, ser fiscalizada e responsabilizada. De modo mais específico, subordinar a política à moral significa reconhecer que a política tem que se pautar pela fraternidade universal e pela atividade pacífica, convergente e construtiva, contra a violência, a guerra, os egoísmos e as mesquinharias.

Disso se seguem várias conseqüências. A primeira delas é que o conjunto da sociedade deve sempre ser levado em consideração. Já indicamos que a fraternidade universal é um valor básico: como todos devem orientar suas condutas para a melhoria de vida de todos, o respeito mútuo e a afirmação da dignidade fundamental de todos são pilares da vida coletiva. Daí se segue também que as relações sociais têm que ser pacíficas: qualquer forma de violência degrada as relações humanas e o ambiente social. O pacifismo e a fraternidade universal impõem, por seu turno, o repúdio ao racismo e às discriminações de “gênero”; da mesma forma, eles exigem o respeito ao meio ambiente e, claro, aos animais.

Uma segunda conseqüência é que, embora toda sociedade moderna seja composta por patrícios e proletários, a maior parte da sociedade é composta pelo proletariado (ou seja, pelos trabalhadores) e os esforços sociais têm que se orientar para a melhoria das suas condições de vida: é esse o objetivo que deve orientar a ação dos patrícios. Qualquer política que ignore ou menospreze os interesses do proletariado é uma política antirrepublicana, ou melhor, antissociocrática.

Uma terceira conseqüência é que a preocupação com o bem comum implica também as vistas gerais. Todos devemos ter preocupações com as localidades em que residimos; mas, ao mesmo tempo, devemos sempre estar atentos aos ambientes mais amplos (estaduais, nacionais, internacionais). A ênfase excessiva ou exclusiva nas questões locais é uma forma de egoísmo e de alienação e, portanto, é contrária ao altruísmo e à fraternidade universal. Esse princípio deve ser generalizado; a subordinação das famílias às pátrias, das pátrias à Humanidade presente e da Humanidade presente à Humanidade histórica é o único antídoto contra os bairrismos, os provincianismos, os nacionalismos xenofóbicos, os etnocentrismos.

Um caso particular de afirmação das vistas gerais e da fraternidade contra a violência, o ódio e os particularismos é a rejeição das concepções e das práticas baseadas no ressentimento e no facciosismo. Isso inclui não apenas os nacionalismos xenofóbicos como também os identitarismos, todos eles produtores de violências e agressões entre e dentro dos vários países.

A regra republicana básica é o “viver às claras”: cada um deve adotar valores em sua vida que sejam publicamente defensáveis; cada um deve, de fato, viver conforme esses valores. No caso dos governantes e das figuras públicas, o viver às claras também significa que todos os seus atos são responsabilizáveis, ou seja, são passíveis de acompanhamento, avaliação e cobrança públicas. A publicidade dos atos e das motivações é a regra, nunca a exceção. Como conseqüência do viver às claras, todos devem sempre falar a verdade e cumprir o prometido – ou, em outras palavras, não se deve mentir nem se deve trair.

A instituição republicana básica é a separação entre igreja e Estado: o aconselhamento não precisa da violência do Estado para fazer-se valer, nem pode o Estado condicionar os seus serviços à aceitação de crenças oficiais. Isso é o que se chama vulgarmente de “laicidade”. Uma de suas conseqüências é que sacerdotes devem manter-se afastados do Estado a fim de garantirem sua dignidade, assim como o Estado deve recusar sacerdotes para não ser usado como instrumento de opressão. O afastamento dos sacerdotes em relação à política não quer dizer alienação nem indiferença; quer dizer que os sacerdotes devem manter sua autonomia moral e não podem trabalhar para o Estado.

A separação entre igreja e Estado é a base das liberdades fundamentais: são as liberdades de crença, de manifestação e de associação, assim como o direito de ir e vir, o habeas corpus e o devido processo legal. Adicionalmente, os órgãos do Estado – especialmente os que são responsáveis diretos pelo atendimento à população – e os servidores públicos devem ser valorizados, mantendo-se sempre também a dignidade da chamada iniciativa privada.

Finalmente, as instituições sociais fundamentais devem ser valorizadas, a começar pela família. Entre a família e a sociedade política (as pátrias) as relações são de complementaridade, não de oposição. O papel da família é o de desenvolvimento afetivo e de educação moral, preparando os cidadãos para a vida na sociedade mais ampla; o papel da sociedade política é o de realizar os trabalhos práticos necessários para manter e desenvolver a vida de todos. Como é mais ampla, a sociedade política regula e protege a família. As pátrias, por sua vez, devem todas unir-se em prol da Humanidade. Assim como os proletários devem ser valorizados e respeitados, as mulheres devem ser valorizadas e ter sua dignidade mantida e afirmada; a violência contra as mulheres é inaceitável.

Esses valores e essas práticas constituem, sem esgotar, muito do que é a república, ou melhor, do que é a sociocracia. Tudo isso almeja a realização dos um dos supremos ideais dos brasileiros e de todos os seres humanos, que é a união da ordem com o progresso. Como dissemos em outro manifesto[1], quando a ordem e o progresso ficam separados, eles tornam-se antagônicos um em relação ao outro, de tal maneira que a ordem transforma-se em ordem retrógrada e opressiva e o progresso torna-se caótico e também opressivo. Apenas a união das duas perspectivas, em que ambas sejam simultaneamente respeitadas e valorizadas, torna possível que cada uma delas seja cumprida. A ordem consiste na consolidação do progresso, ao passo que o progresso é o desenvolvimento da ordem; o vínculo entre ambos é o amor, que, em termos políticos, deve ser entendido em termos de fraternidade, respeito mútuo e tolerância. O respeito à ordem não equivale à submissão cega ou servil ao poder político; da mesma forma, a verdadeira relação entre o poder e os cidadãos não é a de um soldado que se submete ao seu comandante.

3. Recomendações positivas: votar em candidatos com este perfil

Considerando os valores e os princípios indicados acima, recomendamos que se vote em candidatos que apresentem estas características:

-      respeitem e façam valer a separação entre igreja e Estado (a chamada “laicidade do Estado”)

-      respeitem a dignidade humana e a fraternidade universal

-      respeitem a dignidade do espaço público e das instituições republicanas

-      respeitem a soberania nacional e a paz entre os povos

-      respeitem a dignidade e valorizem as condições de vida da população brasileira, em particular dos trabalhadores e dos mais pobres, além dos povos indígenas

-      respeitem a dignidade e valorizem a família, independentemente da orientação sexual de cada família

-      respeitem e valorizem a dignidade das mulheres

-      tenham histórico de combate ao racismo e a outras discriminações

-      tenham histórico de defesa da dignidade e das condições de vida dos animais

-      tenham histórico de defesa do meio ambiente

4. Recomendações negativas: recusar candidatos com este perfil

Considerando os valores e os princípios indicados na seção 2, acima, recomendamos que não se vote em candidatos que tenham um histórico pessoal e intelectual contrário à república sociocrática. De modo específico, rejeitamos candidaturas que apresentem estas características:

-      sejam membros de cleros, ou seja, sacerdotes, padres, pastores ou equivalentes

-      promovam o clericalismo nas funções públicas (o uso do Estado para promover cultos e/ou doutrinas)

-      desvalorizem os problemas sociais e/ou criminalizem a pobreza

-      promovam a cultura da violência, em particular estimulando a difusão e o uso de armas de fogo pela população civil

-      promovam a intromissão ou a intervenção estrangeira em assuntos especificamente brasileiros

-      promovam valores e práticas bairristas, provincianas, exclusivistas e excludentes, incluindo aí nacionalismos xenofóbicos e as chamadas pautas identitárias

-      neguem os problemas ambientais (os “negacionistas climáticos”)

-      promovam a “cultura do cancelamento”

-      tenham histórico de ligação com o crime, na forma de apoio ou participação em milícias; de apoio ou participação no crime organizado; de irresponsabilidade pessoal

-      promovam o racismo, a misoginia e preconceitos diversos

 

Curitiba, 26 de Dante de 172 (10 de agosto de 2026).

 



[1] Abaixo-assinado A bandeira nacional republicana não é fascista, de 26 de outubro de 2022, disponível em: https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR127657.








Relato da prepotência militar

No dia 26 de Dante de 172 (10.8.2026) o jornal carioca Monitor Mercantil publicou o meu artigo "Relato da prepotência militar". O texto original encontra-se disponível aqui: https://monitormercantil.com.br/relato-da-prepotencia-militar/.

Reproduzimos abaixo o nosso artigo.

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Militares marchando (foto domínio público via Rawpixel).


Relato da prepotência militar

Para militares, civis devem respeitar ‘autoridade’ com base em autoritarismo e em submissão servil. Por Gustavo Biscaia de Lacerda

Nesta coluna eu apresento reflexões sociais, políticas e morais, sempre com um caráter geral; raras vezes (se é que o fiz em qualquer ocasião) fiz comentários especificamente pessoais. Mas toda regra tem exceções; assim, aproveito esta coluna para expor um lamentável episódio que recentemente aconteceu comigo. Julgo que este artigo será mais eficaz que denúncias junto ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Militar e/ou à Ouvidoria Pública Federal.

Na noite de 29 para 30 de julho, pouco depois da meia-noite, eu viajava de ônibus de Foz do Iguaçu para Curitiba. Na altura de Cascavel, o ônibus foi parado por uma blitz do Exército. Minha estada em Foz tinha sido ruim, eu estava cansado, com sono, de mau humor e ainda fui acordado por um tapa na perna dado por um “reco”. (“Reco” é a gíria depreciativa que se refere aos soldados recrutas. Como tal sujeito foi prepotente e recusou-se a dizer seu nome e patente, é justo que eu trate-o por “reco”.)

O “reco” que me acordara com um tapa foi perguntando a cada passageiro para onde viajava, o que fizera em Foz do Iguaçu, o que fazia da vida; todos respondendo com temerosa submissão. Novamente: cansado, com sono, irritado, acordado com um tapa. Além disso, como se diz, “quem não deve não teme”.

Quando eu fui inquirido pelo “reco”, respondi com firmeza e clareza: “Fui [a Foz do Iguaçu] gastar dinheiro”. O “reco” não gostou e tomou minha resposta por uma insolência; imediatamente me mandou descer do ônibus, indicar minha bagagem, abri-la e submeter-me a quaisquer outras ordens que ele e sua tropa de brucutus decidissem impor-me. Claro: todos devidamente armados, com fuzis e pistolas preparados para disparar. Respeito sob a mira da baioneta não tem muito valor.

Quem não deve não teme: fiz questão de apressar as coisas e de mostrar minha bagagem (uma mochila de 60 litros); na verdade, como a maior preocupação do “reco” era com a minha “insolência”, tive que insistir que ele fosse, de fato, ver minha mochila. Como eu estava sendo submetido a um exame invasivo, perguntei a outro “reco” o motivo da inspeção; a resposta, de má vontade: “Faça o que mandam; eu não responderei nada”.

Fiquei olhando o brucutu que se recusara a responder esvaziar minha mochila e intrometer-se em minha privacidade. O primeiro “reco” resolveu voltar à carga: “Que exemplo você quer dar ao desafiar uma autoridade?”.

Ora, o porte de fuzil e de pistolas não faz de ninguém uma autoridade. Ou melhor, fuzil e pistola não fazem de ninguém autoridade no Estado de Direito; com fascismo, comunismo e milícias/facções, a situação é outra.

Mas o fato é eu sou servidor civil público federal e, ainda mais, se isso tem algum valor, eu sou cidadão brasileiro no Estado de Direito; se havia alguma “autoridade” ali, era eu, não um “reco” prepotente. Foi o que eu disse – mais uma vez, com clareza e firmeza, mas agora escandalizado com a desfaçatez de ouvir uma carteirada de fuzil misturada com uma despropositada “lição de moral”.

A essa altura, já estando claro que eu não tinha nada a esconder, aproximou-se de mim um outro soldado – aliás, o único identificado com nome e patente: sargento ***. Talvez em uma versão militar do “tira bom, tira mau”, ele começou a conversar e esclarecer com calma a situação.

O que ele me perguntou foi o que o “reco” inicial perguntara; a minha resposta inicial foi a mesma: “Fui [a Foz do Iguaçu] gastar dinheiro”. Ora, Foz é uma cidade cara, organizada de maneira a explorar ao máximo os turistas, com uma infraestrutura precária e com atendimento sofrível; para quem quer fazer turismo sem gastar rios de dinheiro, é uma cidade que exaure.

O sargento *** ouviu minha resposta; em vez de entendê-la como uma insolência, deu uma leve risada e continuou a conversa; perguntou-me onde trabalho, o que faço da vida etc., ao que eu fui respondendo. Vale notar: eu afirmei e reiterei que conversava com calma, firmeza e sem medo. (Qual criminoso de estrada argumentaria assim?)

O “reco” inicial voltou mais uma vez à carga, ameaçando-me e dizendo que fazia questão de “redigir o relatório” a meu respeito. Suponho que fosse um relatório de crimes, mas, como tudo até ali, isso não foi explicado, embora o tom adotado de ameaça agressiva fosse evidente.

O sargento ***, em seu papel de “tira bom”, convenceu-se de que eu não tinha nada a esconder; conduziu-me de volta ao ônibus e até me explicou do que se tratava (combate a tráfico de armas, drogas e pessoas).

Agradeci e dei boa-noite; mas faltava o documento de identificação. Com quem estava? Com o “reco” inicial. Ele não me entregou o documento: jogou-o no colo (eu estava de braços cruzados); em face da ameaça de “relatório” contra mim, já cansado, eu perguntei em desafio se ele faria esse tal relatório; resposta: “Não tem relatório e não incomode”. Por fim, eu perguntei: “Qual sua patente?”; sua resposta foi a cereja do bolo: “Não tem patente, não tem nome, não tem nada e não incomode”.

Certamente me perguntarão: "por que, desde o começo, você não respondeu ao militar do jeito que ele queria?". Essa pergunta não faz sentido; ou melhor, até faz sentido, mas é profundamente degradante. Essa pergunta pressupõe que, mesmo no Estado de Direito, os cidadãos têm que temer os militares e devem tomar o máximo de cuidado para não ferirem as suscetibilidades dos recos.

Se no Brasil estivéssemos em situações excepcionais, mantidas pela arbitrariedade dos fuzis, a minha resposta inicial teria sido fatal. Mas não vivemos nem no fascismo, nem no comunismo, nem o percurso da BR-277 (que é a rodovia que atravessa o Paraná e liga Foz do Iguaçu a Curitiba) está submetido a milícias e/ou facções.

No setor privado e no serviço público civil, a minha resposta inicial não teria absolutamente nada de excepcional; o bom senso indica que bastaria um pouco de boa vontade para seguir a conversa. Mas por que ela não foi aceitável para os militares?

O motivo é tanto simples quanto, como já indicamos, é degradante. Minha resposta inicial foi inaceitável para os militares porque eles consideram que (1) as relações entre civis e militares devem espelhar as relações entre os próprios militares e, ainda mais, que (2) os civis devem respeitar os militares pura e simplesmente porque estes andam com fuzis e pistolas.

Em outras palavras, ainda (ou novamente) em 2026, para os militares a autoridade não consiste em respeito inspirado em serviços verdadeiros e bem prestados; para os militares, os civis devem respeitar a sua “autoridade” com base em autoritarismo prepotente e em submissão servil.

O comportamento do “reco” inicial foi apoiado por sua tropa e pelo “tira bom” sargento ***; dessa forma, não foi um comportamento excepcional. O problema não foi a frágil suscetibilidade do “reco” inicial; o problema é os militares considerarem que os civis, ou melhor, que os cidadãos devem temer, com servilismo, os fuzis e as pistolas. Em tal ambiente, pura e simplesmente não há e não é possível qualquer “cidadania”.

Gustavo Biscaia de Lacerda é sociólogo da UFPR e doutor em sociologia política.

04 agosto 2026

Participação no programa Rhema

Participação no programa Rhema, da TV Evangelizar e sob a condução do Padre Joãozinho: https://youtu.be/hqssEMjP5-4.

O programa foi ao ar no dia 11 de junho de 2026.

O original encontra-se disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=M1MUOsrwbPA.

Lançamento do COMTE – Grupo Clotilde

Grupo de Estudos COMTE-Grupo Clotilde

(Círculo Ordem, Moral, Trabalho e Educação)



Regras e funcionamento:

-      Direção positivista ortodoxa explícita

-      Reuniões virtuais

-      Metodologia de sala de aula invertida

-      Reuniões a cada duas, três ou quatro semanas (em todo caso, não menos que a cada duas semanas)

-      Leitura e discussão de textos selecionados

-      Temas em rodízio (ou seja, variáveis), a partir de sugestões da coordenação e dos participantes

-      Ingresso de novos membros: via convite, mediante entrevista e aprovação minha

-      Reuniões às quintas-feiras, às 19h

-      Reuniões via Google Meet

 

-      Início: 13 de agosto

-      Primeiros textos: “Considerações sobre o poder espiritual” e “Reorganizar a sociedade”


01 agosto 2026

Ano Teixeira Mendes

Em 173 (2027) ocorrerá o centenário de transformação do grande Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), vice-Diretor e fundador da Igreja Positivista do Brasil e autor da bandeira nacional republicana brasileira. 

Para celebrarmos essa data, lançamos o Ano Teixeira Mendes!




800.000 visitas!

No dia 17 de Dante de 172 (1.8.2026) o nosso blogue Filosofia Social e Positivismo atingiu a marca de 800.000 visitas!



Essa é uma data a ser comemorada, pois somos um blogue pequeno e dedicado a questões políticas, sociais e filosóficas.

 

Ele foi criado há quase 20 anos, em 4 de janeiro de 2007, e as sucessivas marcas de 100.000 visitas foram atingidas nas seguintes datas:

 

-      100.000 visitas: 8 de Dante de 161 (23.7.2015) (8,5 anos desde o início)

 

-      200.000 visitas: 27 de Aristóteles de 163 (24.3.2017) (1,66 ano desde a marca anterior)

 

-      300.000 visitas: 7 de Dante de 165 (22.7.2019) (2,25 anos desde a marca anterior)

 

-      400.000 visitas: 16 de São Paulo de 169 (5.6.2023) (3,83 anos desde a marca anterior)

 

-      500.000 visitas: 21 de Aristóteles de 171 (18.3.2025) (1,75 ano desde a marca anterior)

 

-      600.000 visitas: 21 de Frederico de 171 (25.11.2025) (0,67 ano desde a marca anterior)

 

-      700.000 visitas: 16 de César de 172 (8.5.2026) (0,5 ano desde a marca anterior)

 

-      800.000 visitas: 17 de Dante de 172 (1.8.2026) (0,25 ano desde a marca anterior)

 

Repetimos aqui, mais uma vez, o que dissemos quando atingimos a marca de 400.000 visitas (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2023/06/400-mil-visitas.html):

 

Este blogue foi criado para apresentar notícias e reflexões baseadas no Positivismo, inspiradas por ele e/ou sobre ele, expondo a positividade e o espírito positivo, o pacifismo e as liberdades públicas e individuais, o relativismo e o altruísmo, contra o absolutismo teológico-metafísico, o autoritarismo e o militarismo.

 

Neste blogue buscamos expor concepções reais e úteis, para esclarecer, orientar, aconselhar o público leitor; são informações, relatos, dados expostos gratuitamente, para a correta e necessária livre circulação de idéias. O objetivo, em última análise, é colaborar na constituição de um novo poder Espiritual e, com isso, auxiliar na constituição de uma opinião pública renovada conforme os parâmetros indicados (relativa, altruísta, orgânica).

 

Esse programa – “real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático” – vai contra o espírito de nossa época, que se caracteriza pelo absolutismo, pela crítica, pela visão fragmentária e de detalhe, pelo egoísmo disseminado; assim, o programa da Religião da Humanidade atualmente é de difícil difusão. Mesmo com essa dificuldade, ou mesmo devido a ela, é necessário persistir, tendo certeza de que, em meio às tormentas morais, intelectuais e políticas de nossa época e de nossa sociedade, a positividade triunfará.


22 julho 2026

Busto de Teixeira Mendes foi furtado

A notícia abaixo foi publicada em 26 de agosto de 2025, ou seja, há quase um ano. O busto do grande Apóstolo da Humanidade Raimundo Teixeira Mendes que ficava em frente à Igreja Positivista do Brasil, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, foi furtado; nesse período de um ano, não se recuperou a peça.

O texto original foi publicado aqui.

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Busto histórico do filósofo Raimundo Teixeira Mendes é furtado na Glória

Caso escancara problema de segurança na região e vira desafio para as autoridades

Ladrões roubam busto histórico na Glória (Foto: Reprodução Informe Gloriano)

O bairro da Glória voltou a ser vítima da ação de vândalos. Dessa vez, os criminosos roubaram o busto do filósofo Raimundo Teixeira Mendes, que ficava localizado na Rua Benjamim Constant. A obra estava situada nas dependências do prédio neoclássico da Igreja Positivista do Brasil, instituição que ele ajudou a fundar junto com o também filósofo Miguel de Lemos.

Nem mesmo o monitoramento das câmeras de segurança da região, as grades do edifício e até o peso do busto intimidou a ação dos delinquentes, que levaram também a base de mármore que sustentava o monumento. Os indivíduos também tentaram, mas não conseguiram, levar os bustos de Miguel de Lemos e do Marechal Rondon, engenheiro e sertanista militar, que dividem espaço na mesma área. 

Denúncias apontam que o destino dessas peças históricas seria o comércio ilegal, sobretudo em ferros-velhos, sobretudo dos próximos à Central do Brasil, onde as obras subtraídas são frequentemente encontradas em fiscalizações.

Criminosos furtam busto de Raimundo Teixeira Mendes na Glória (Foto: Reprodução Informe Gloriano)

Teixeira Mendes foi quem idealizou a inclusão da frase “Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil. A expressão remete a um dos princípios do positivismo, corrente filosófica fundada pelo francês Auguste Comte no início do século XIX, que diz: O amor por princípio, a Ordem por base, o Progresso por fim”.

A Igreja Positivista do Brasil, onde estava o busto furtado, teve papel fundamental na difusão do positivismo no país. Fundada no final do século XIX, foi ponto de encontro de intelectuais e políticos que influenciaram a formação da República. Além de abrigar cerimônias e debates filosóficos, a instituição também defendia ideais de progresso, educação e ordem social inspirados na obra de Auguste Comte, deixando um legado que marcou profundamente a história política e cultural brasileira.

Região central na mira dos ladrões

Conforme amplamente noticiado pelo DIÁRIO DO RIO, moradores de rua e usuários de drogas tem se associado a ferros-velhos irregulares da cidade para repassar as obras roubadas.

Os casos mais chocantes têm acontecido no Passeio Público, no Centro do Rio, local que já perdeu vinte esculturas nos últimos anos. Dez foram furtadas. As outras dez, retiradas pela própria Prefeitura após atos de vandalismo ou tentativas de roubo.

Entre os monumentos desaparecidos, estão bustos de nomes como Júlia Lopes de Almeida, Francisco Braga, Olegário Mariano, Raymundo Correia e Paulo Silva. Já entre as obras recolhidas estão o busto de Castro Alves, a “Fonte do Menino” — criada por Mestre Valentim — e esculturas das estações Verão e Primavera. Segundo a Secretaria Municipal de Conservação, todas essas obras estão previstas para restauração e posterior devolução ao parque, mas ainda sem data definida.

Outras obras como a estátua em homenagem a vereadora Marielle Franco, no Buraco do Lume, e o monumento que celebra o ativista indiano Mahatma Gandhi, na praça homônima, também viraram alvo dos infratores e já tiveram suas placas de identificação roubadas na região central da cidade.

Além de bustos e estátuas, grades de áreas públicas também somem e vão parar nos ferros-velhos. Espaços públicos como o Campo de Santana e Praça Paris sofrem com os furtos. Os criminosos retiram grades e peças metálicas para venda ilegal. Em muitos casos, a depredação acontece à noite, diante da ausência de vigilância e policiamento.

As igrejas também não escapam dessa triste realidade. No fim do ano passado, uma das poucas relíquias de São Benedito ainda existentes foi furtada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, na Rua Uruguaiana, no Centro do Rio

Em nota enviada ao DIÁRIO DO RIO, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e de outras delegacias da instituição, informou “que realiza ações diárias e contínuas para combater o furto de materiais metálicos.

Segundo a polícia, desde setembro de 2024, mais de 310 ferros-velhos foram fiscalizados, com cerca de 100 responsáveis pelos estabelecimentos presos nestas ações. Neste mesmo período, mais de 267 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos foram apreendidas pela especializada.

A DRF tem diversos inquéritos em andamento que investigam toda a cadeia criminosa, desde o furtador até as metalúrgicas, e as diligências seguem para responsabilizar criminalmente todos os envolvidos. Além disso, as ações visam também descapitalizar financeiramente os braços operacionais do tráfico, responsáveis por fomentar esse tipo de crime.

A Polícia Civil informou que também atua também em conjunto com a Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo, para reprimir as práticas delituosas”.