Academicismo e preconceito
contra o Positivismo
Gustavo Biscaia de
Lacerda
1.Carlos Magno.172 (18.6.2026)
Introdução
1.
Antes de mais nada, agradeço à Profª Fernanda H.
Cupertino Alcântara pelo convite para participar do evento internacional “História,
editoração e ensino em Ciências Sociais”, neste “Painel Virtual 03 – Autores
clássicos e canonizados das Ciências Sociais”
2.
Fomos convidados para falar sobre Augusto Comte
e sua sociologia; além de nossa tese de doutorado versar justamente sobre esse
tema (em particular, sobre sua teoria política), somos positivistas e também
sacerdote da Humanidade
2.1.
Citamos nossa condição de sacerdote não por
vaidade, mas porque isso será relevante para nossa exposição, mais adiante
3.
Temos que indicar que se apresentam algumas
dificuldades para a nossa exposição sobre a sociologia comtiana
3.1.
A primeira dificuldade, evidentemente, é a limitação do tempo: o tema é amplíssimo,
o tempo é muito curto
3.2.
Em segundo lugar, a ignorância a respeito do tema é generalizada e profunda, o que exigiria
uma exposição bastante elementar; isso por si só não apresenta problemas, é
claro, mas por um lado exige que se faça uma ampla série de considerações
preliminares (que, diga-se de passagem, já integram a sociologia comtiana,
embora ultrapassam-na muito) e, por outro lado, dificulta que aprofundemos
questões específicas, cuja apresentação seria em tese um dos objetivos deste
belo evento
3.3.
Mas, em terceiro lugar, de maneira tão ou até
mais importante que a limitação do tempo e a ignorância generalizada, uma dificuldade
central na exposição da sociologia de Comte são os inúmeros, incoerentes e profundos preconceitos ativamente mantidos
contra ele: antes e durante a exposição sobre Comte, é sempre necessário adotar
uma postura sistemática de “contra-crítica”, o que é tanto cansativo e
desgastante como demorado
3.3.1.
Evidentemente, esse muro de preconceito – muro da vergonha, da humilhação, da
degradação – é, estreitamente em conjunto com as modinhas acadêmicas e
políticas, um dos motivos para a ignorância generalizada que pesa sobre Comte
3.3.2.
Os preconceitos e as modinhas também resultam em
que Augusto Comte, embora tenha sido verdadeiramente o fundador da Sociologia –
no livro de 1822 Plano dos trabalhos
científicos necessários para reorganizar a sociedade, bem como nas obras Sistema de filosofia positiva
(1830-1842) e Sistema de política
positiva (1851-1854) –, com freqüência é destituído desse belo e importante
título, em favor de esquemas arbitrários e incoerentes, criados para a
autojustificação de acadêmicos ambiciosos (em particular, Talcott Parsons e
Anthony Giddens, com seus esquemas ultrassimplificadores dos “três porquinhos”)
3.3.3.
Vale notar que foi devido a esses problemas que
decidimos nomear inicialmente a nossa fala com o título meio prepotente de “A atualidade
da sociologia de Augusto Comte, o fundador”, a fim de afirmar com clareza a
importância histórica e intelectual de Comte
4.
Em virtude dos aspectos acima, tomamos a decisão
de não apresentar diretamente a sociologia de Comte, que é o tema para o qual
fomos convidados, mas, em vez disso, resolvemos, por um lado, fazer uma
exposição apofática (ou seja, definir por meio das negações) e, por outro lado,
fazer uma pequena sociologia da academia brasileira, com algo como um relato
etnográfico, enfatizando os vícios academicistas contra o Positivismo
4.1.
Para deixar clara nossa perspectiva: nossa
exposição será sobre a obra de Comte, mas não a encaramos como “comtismo”: a
proposta, a inspiração de Comte resultou no Positivismo e não é redutível a
“comtismo”; inversamente, contra as
ampliações feitas pelos críticos, o Positivismo consiste nas concepções e
nas práticas inspiradas por A. Comte (e, mais uma vez, não o que os críticos
chamam de “positivismo”)
4.2.
Além disso, nossa exposição será bastante dura,
especialmente na última parte, em que comentaremos a postura
acadêmica/academicista a respeito do Positivismo
5.
Antes de seguirmos adiante, é importante afirmarmos
com todas as letras e com o máximo de clareza que uma importantíssima exceção ao
comportamento que descreveremos e criticaremos daqui a pouco é, justamente, a da
Fernanda Alcântara, que, embora mantendo divergências conosco, de maneira muito
honesta reconhece a importância de conhecer diretamente a obra de Augusto Comte
e dos positivistas e de conversar com os positivistas para conhecê-los e
entendê-los
Os preconceitos como postura e
procedimentos básicos contra Comte e o Positivismo
6.
A postura básica a respeito de Comte e do
Positivismo é a postura de “crítica”
6.1.
Qualquer “crítica”, para ser verdadeira e,
talvez, frutífera, tem que se basear no mínimo no conhecimento efetivo daquilo
que se critica, bem como tem que se basear na boa fé de quem critica a respeito
de quem e do que é criticado
6.2.
Todavia, o que se verifica no Brasil (e nos
Estados Unidos, na Inglaterra e na Alemanha – e daí para o mundo) é que a
crítica precede, enviesa e impede o conhecimento, resultando pura e
simplesmente em preconceitos, que retroalimenta a crítica e mais preconceitos
6.2.1.
Esse tipo de crítica, portanto, não consiste em
apreciações morais, intelectuais e práticas a partir de parâmetros expostos com
clareza; as críticas preconceituosas são puramente destrutivas, encarando a má
fé sistemática como um procedimento legítimo no curso de guerras intelectuais
(luta de classes, luta de raças, luta de sexos etc.)
6.3.
Vemos esse comportamento a respeito do
Positivismo, mas não somente em relação a ele – comportamento que é chocante e
que deveria ser escandaloso – tanto da parte de marxistas quanto de liberais, tanto
de teológicos quanto de pós-modernos, tanto há 60 anos (e muito antes), quanto
há 30 anos, quanto atualmente: Sérgio Buarque (cf. Lacerda, 2019), Zilberman
(2003), Rosenfield (2026)
7.
Comte e o Positivismo são o bode expiatório, a
Geni, o “outro”: eles são o alvo preferencial contra o qual todos põem-se e
todos precisam pôr-se; para que o Positivismo torne-se realmente um alvo, não
se hesita em mentir e em falsear as opiniões, (1) seja com mentiras pura e
simples, (2) seja com o sofisma do espantalho, (3) seja com a aplicação de dois
pesos e duas medidas (ou seja, com hipocrisia)
7.1.
A esse respeito, um rápido comentário pessoal: eu
disse antes que sou positivista e também sacerdote da Humanidade; além disso,
também sou servidor da UFPR: não sou professor, sou sociólogo da instituição,
ou seja, servidor técnico-administrativo de nível superior
7.2.
Os preconceitos político-intelectuais e o academicismo
atuam agressivamente aí: somente professores podem falar e ser ouvidos e, ainda
mais, somente professores de “programas de pós-graduação”; quem não é
professor, quem não é professor de pós-graduação e quem não integra as modinhas
acadêmicas é sumariamente excluído; a minha condição de sacerdote da Humanidade
hipocritamente intensifica tudo isso
8.
É importante insistir em que a hipocrisia atua
agressivamente: marxistas, feministas, liberais, pós-modernos; padres,
pastores, pais/mães de santo, monges budistas; líderes sindicais, membros de
ONGs etc.: todos esses são cuidadosamente e cada vez mais ouvidos nos meios de
comunicação e na academia; mas não os positivistas, a quem se aplica uma censura
consciente, seja em termos acadêmicos, seja em termos religiosos, seja em
termos filosóficos
8.1.
Tal censura eu pessoalmente já sofri em inúmeras
ocasiões, bem como inúmeros outros positivistas que sofreram tratamentos
idênticos em inúmeras ocasiões
8.2.
Ora, a proposta de “inclusão” é defendida (pelos
marxistas, pelos pós-modernos, pelas pessoas ligadas ao “Sul Global” etc.), mas
faz-se questão de rejeitar sistematicamente o Positivismo
8.3.
Da mesma forma, afirma-se atualmente com
estridência o “lugar de fala”, mas o Positivismo é impedido de falar: somente
os críticos podem falar a seu respeito, em total desprezo para com os
positivistas
9.
Na prática de considerar o Positivismo a partir
de preconceitos, os seus críticos atribuem-lhe os próprios vícios, bem como todos
os defeitos possíveis; inversamente, fazem questão de negar ao Positivismo suas
características próprias, suas virtudes e, claro, os traços compartilhados com
os próprios críticos (o que, vale notar, corresponde a uma combinação de
preconceito, má fé e falta de relativismo
e de generosidade)
9.1.
Vários exemplos de preconceitos, que servem
tanto para recordarmos o que sempre se ouve e lê e para apresentar alguns
conceitos do Positivismo:
9.1.1.
Seguindo uma das modas atuais, repete-se o
preceito de Donald Davidson de que a interpretação e as conversas devem ser
pautadas pela boa fé e pela vontade; mas atribui-se ao Positivismo a má fé e o
mecanicismo, desprezando-se a afirmação positivista do altruísmo e a lei-mãe da
Filosofia Primeira (“formular a hipótese mais simples, mais estética e mais
simpática que comporte os dados”), que estabelece que se deve partir sempre da
boa fé
9.1.2.
Afirma-se que o Positivismo seria “burguês”, mas
desprezam-se as sistemáticas valorização e defesa positivista do proletariado e
as conexas e duríssimas críticas positivistas contra a burguesia, contra o
liberalismo econômico, contra o mesquinho egoísmo burguês, contra a
irresponsável e criminosa proposta de “Estado mínimo” etc., além das atuações
práticas dos positivistas em favor da inclusão social do proletariado e dos
povos indígenas, da criação de bancos populares, de cooperativas de crédito, de
sindicatos e de centrais sindicais etc.
9.1.3.
Outro exemplo: afirma-se que o Positivismo seria
estritamente racionalista, que seria colonialista, que seria eurocêntrico, que
seria “capitalista”, que seria pela exploração predatória da natureza, que
seria alienante, que seria anti-histórico etc. e, ao mesmo tempo, nega-se,
recusa-se e despreza-se a valorização e a defesa positivista dos povos
indígenas, do neofetichismo, dos animais, do “reencantamento do mundo” (ou
melhor, da manutenção do “encantamento
do mundo”), da noção afirmativa da Humanidade, da noção historicizante de
continuidade etc.
9.1.4.
Afirma-se que o Positivismo seria reducionista,
materialista, cientificista, “naturalista”, contra a dignidade humana, contra a
particularidade das ciências humanas, mas ao mesmo tempo, nega-se, recusa-se e
despreza-se a valorização e a defesa positivista do método subjetivo, da
superioridade das ciências humanas, da afirmação das ciências humanas como “ciências
superiores” e “ciências sagradas”, da afirmação moral, intelectual e prática da
Moral etc.
9.1.5.
Afirma-se que o Positivismo seria reducionista,
que não reconheceria a “complexidade”, que seria radicalmente materialista, que
negaria a espontaneidade, que seria intelectualista e estritamente
racionalista, que reduziria o ser humano ao intelecto e à ciência etc., mas ao
mesmo tempo, nega-se, recusa-se e despreza-se a afirmação positivista clara,
constante e fundamental da visão de conjunto, da perspectiva de totalidade, da
noção de tríplice natureza humana, das múltiplas relações abstratas e concretas
entre sentimentos, inteligência e atividade prática, da superioridade dos
sentimentos sobre a inteligência, sobre o papel necessariamente regulador dos
sentimentos e da atividade prática sobre a inteligência, da importância da arte
e da complementaridade necessária entre arte e filosofia, da superioridade da
filosofia sobre a ciência etc.
A crítica positivista ao
academicismo
10.
A sociologia comtiana e a prática positivista são
radicalmente contrárias ao academicismo
10.1.
Mas o que podemos entender como sendo o
academicismo? Podemos defini-lo a partir do Positivismo como sendo a tendência
a considerar que somente na academia, isto é, nas universidades, é possível ser
inteligente, produzir ciência e, de modo geral, produzir conhecimento
10.2.
Inversamente, o academicismo estabelece que
qualquer produção intelectual que se desenvolva fora das universidades não tem
valor intelectual
10.2.1.
O academicismo chega a tal ponto que muitas
vezes nem mesmo instituições de pesquisa que não sejam “universidades” não são
respeitadas
10.3.
Em virtude disso, o academicismo considera que,
se alguém não possui um diploma, não tem valor intelectual
10.3.1.
Assim, o academicismo estabelece que o valor
intelectual de alguém está vinculado à posse de algum(ns) pedaço(s) de papel
11.
Um cuidado que temos que adotar: é necessário
termos clareza a respeito de um aspecto central: o vício
moral-intelectual-institucional do academicismo é muito diferente da
valorização da instrução e da busca de conhecimentos teóricos e práticos; em
outras palavras, ao criticarmos o academicismo, não criticamos os esforços
coletivos e individuais em prol do esclarecimento e do conhecimento
12.
Uma outra manifestação do academicismo é julgar
que, se algum corpo doutrinário não foi elaborado
nas universidades, ou não foi ensinado
nas universidades, ele não tem existência efetiva e/ou não tem valor
12.1.
Esse vício tem aplicação geral, mas refere-se
especificamente ao Positivismo: como a Sociologia foi fundada por Augusto Comte
fora das universidades e ela só
passou a ser ensinada nas universidades a partir dos anos 1890 (com uma outra
geração de pensadores, que eram não positivistas e estreitamente vinculados a
universidades), o academicismo pretende que a Sociologia só teria surgido a
partir dos anos 1890
12.2.
Ou, inversamente: como Augusto Comte elaborou
suas reflexões fora das universidades, a sua Sociologia não seria científica,
não seria uma “verdadeira Sociologia”
12.3.
Essas concepções são aplicadas atualmente, mas é
claro que sempre foram autoaplicadas pelo, ao e para o público universitário
12.3.1.
Além da aplicação à realidade atual, essas
concepções também são ampliadas e exageradas para considerar que as
universidades em geral, desde sempre, foram sempre bastiões do conhecimento
verdadeiro
12.4.
O academicismo, dependendo da sua versão (ou dos
seus exageros), pode ser cientificista ou não: ele pode fingir que as
universidades durante séculos não foram bastiões conservadores ou retrógrados
da metafísica e da teologia
13.
Pelo que falamos até agora, deve estar claro,
mas convém repetir: ao contrário do que propõe mais um mito preconceituoso, o Positivismo
é antiacademicista – e anticientificista
13.1.
Embora não possamos apresentá-la, importa
afirmarmos que a concepção de ciência do Positivismo realmente valoriza a
ciência, mas ao mesmo tempo, e mais importante, reconhece e estabelece limites para
a ciência e, ao coordenar a existência humana, estabelece que a ciência ocupa
uma posição necessariamente limitada e subordinada
13.1.1.
Para usar conceitos atuais: o Positivismo tem
uma concepção reflexiva, profunda e densa da ciência e do conhecimento humano;
dessa forma, sua concepção da ciência não é simplista e não a considera
todo-poderosa
13.2.
Assim, o Positivismo é antiacademicista por si
só, mas o anticientificismo do Positivismo reforça o antiacademicismo
13.3.
Além disso, o antiacademicismo do Positivismo também
se vincula a um respeito pela sabedoria popular
14.
Devemos notar que um traço adicional do
academicismo consiste em sua profunda ambigüidade – consciente e proposital,
diga-se de passagem – a respeito de sua atuação como poder espiritual
14.1.
O que é o poder espiritual? O poder espiritual é
um dos dois poderes fundamentais da sociedade; ele corresponde aos órgãos que
modificam a conduta dos indivíduos a partir do aconselhamento, ou seja,
subjetivamente, com base na educação, nos valores e idéias compartilhados, a
partir da confiança pública; ao poder espiritual contrapõe-se de maneira
complementar o poder temporal, que é o que chamamos de Estado e que modifica a
conduta de maneira objetiva e impositiva, sempre com a possibilidade de emprego
da violência
14.2.
A noção de poder espiritual, em contraposição
complementar com a noção de poder temporal, estabelece condições de atuação e
regras de funcionamento; impõe obrigações morais, intelectuais e práticas para
os membros do poder espiritual e impõe estruturas institucionais para seu
funcionamento
14.3.
A condição institucional básica é a separação
entre o poder temporal e o poder espiritual, que vulgarmente é chamada de
laicidade do Estado mas que é muito mais ampla: geralmente a laicidade é
dirigida contra os teológicos (não raro com um viés anticlericalista), mas é
claro que ela deve considerar também as universidades e os acadêmicos (e os
próprios positivistas!)
15.
Os acadêmicos/academicistas não se vêem como
membros do poder espiritual; não por acaso, com freqüência eles não têm pudor
em empregar o Estado para imporem suas crenças
15.1.
Isso é mais notável no caso dos marxistas e dos
pós-modernos/identitários – para quem tudo na sociedade é político e disputa de
poder e, portanto, tudo é recurso mobilizável nos conflitos – e menos intenso
no caso dos liberais
15.2.
Assim, o academicismo é a versão metafísica (e
corrompida) do poder espiritual, da mesma forma que a igreja católica é um
exemplo de poder espiritual teológico
15.3.
Quando convém, os acadêmicos/academicistas assumem-se
como poder espiritual; quando convém, recusam essa postura; quando convém, são
engajados; quando convém, são “científicos”: em tal oscilação há uma enorme hipocrisia
– daí um dos aspectos que ilustram a degradação do poder temporal
acadêmico/academicista
15.4.
Um dos aspectos da ambigüidade e da hipocrisia
acadêmica/academicista é a manutenção intencional da “mente dividida”, ou da duplicidade
mental e de comportamentos: na academia são “críticos” (secularistas, embora de
modo geral sejam materialistas, ateus e anticlericalistas), mas fora da
academia assumem teologias e metafísicas variadas
15.5.
Mais uma vez: em nome de supostos pluralismo e
inclusão, os acadêmicos/academicistas ouvem e fazem questão de ouvir os mais
variados grupos sociais, desde os mais grotescos, aberrantes e místicos até os
mais razoáveis e aceitáveis; mas ao mesmo
tempo fazem questão de rejeitar, ironizar e desprezar os positivistas, a
Religião da Humanidade, a sociocracia, o neofetichismo etc.
16.
Como resumo e síntese dos inúmeros problemas que
vimos indicando, os acadêmicos dizem desejar auxiliar a renovar a sociedade,
mas suas atividades com frequência não têm objetivos claros além de pesquisas
infindáveis e de críticas destruidoras sistemáticas; nisso, a ausência de
completude e a precariedade filosófica são vistas como virtudes
16.1.
Tudo isso gera instabilidades moral e social
imensas, que não por acaso são preenchidas pelas teologias e pelas concepções
absolutas; os acadêmicos respeitam ou esnobam essas concepções, mas ao mesmo
tempo e de maneira mais importante desprezam e combatem ativamente o
Positivismo, que reconhece que a instabilidade é ruim, que a concepção de
pesquisas acadêmicas infindáveis é pueril ou daninha e que propõe com clareza a
sistematização e a disciplina positiva da existência humana
17.
Em face da ambigüidade acadêmica/academicista
como poder espiritual, não causa nenhum espanto o Positivismo ser o alvo
preferencial das críticas destrutivas e dos preconceitos
acadêmicos/academicistas: o Positivismo é combatido por inveja, por mesquinhez
e porque se percebe que o êxito do Positivismo corresponde ao fim da
irresponsabilidade, da mediocridade e da mesquinhez academicista
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