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02 janeiro 2026

Festa da Humanidade (172/2026): esperança, altruísmo, acolhimento

No dia 1º de Moisés de 172 (1º de janeiro de 2026) celebramos a Festa da Humanidade, a mais importante comemoração possível.

Na celebração, como forma de homenagear a Humanidade e inspirar os seres humanos, sugerimos três coisas:

  1. substituir a raiva, esse sentimento tão disseminado atualmente e que consiste na violência estimulando o instinto destruidor, por algum outro, diretamente atruísta e construtivo: nossa proposta, na falta de melhor opção atual, é o lamento
  2. ao contrário do que os teológicos e os metafísicos afirmam, deixar para trás as noções das divindades não joga o ser humano em uma solidão cósmica: a Humanidade fornece apoio, companhia, conforto permanentes, não somente objetivamente e com seres humanos, mas acima de tudo subjetivamente e com os animais, as plantas e com o planeta Terra de modo geral; 
  3. a Humanidade fornece esperança - e, bem vistas as coisas, a Humanidade é o único ser que pode, realmente, satisfazer as nossas esperanças. 

A celebração foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtu.be/sjHUhE3Ftg4?si=jONvWUCk6KXzvc5d) e Igreja Positivista Virtual (Facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/888302053642657).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *

Festa da Humanidade

(1º de Moisés de 172/1º de janeiro de 2026) 

1.     Abertura

2.     Retomaremos hoje algumas observações que fizemos ontem, quando realizamos a celebração da Festa Universal dos Mortos

3.     Antes de mais nada, um lembrete e um aviso necessário: a celebração de hoje não é uma prédica, mas é um momento puramente cultual

3.1.   Assim, embora sempre estimulemos a participação ao vivo, hoje isso não será possível, pois não é adequada

4.     No dia de hoje realizamos a celebração anual da festa de todos os seres humanos convergentes, a Festa da Humanidade, que é a mais importante do ano

5.     O calendário não tem por função apenas – na verdade, nem prioritariamente – regular a passagem do tempo, mas regular os cultos religiosos; assim, todos os dias podem e devem ser consagrados a alguma coisa e faz todo o sentido que o dia que inicia o ano seja dedicado à mais importante das celebrações

5.1.   Essa celebração integra ao mesmo tempo um ciclo e um desenvolvimento contínuo

5.1.1. Na verdade, a realidade humana é ao mesmo tempo cíclica e cambiante ao longo do tempo

5.2.   Reconhecer esse duplo caráter não é fácil; mais uma vez: isso gera dificuldades para cada um de nós no dia a dia e mesmo os intelectuais têm grandes problemas para entendê-lo

5.3.   Na verdade, esse duplo aspecto integra a realidade cósmica:

5.3.1. Há fenômenos que se repetem ao longo do tempo: de modo específico e exemplar, os fenômenos astronômicos (os dias, as fases da Lua, os anos, as estações)

5.3.2. Da mesma forma há fenômenos que se desenvolvem ao longo do tempo: de maneira muito clara, aqueles que se acumulam com o tempo, ou seja, as questões históricas (o desenvolvimento da Terra, as mudanças biológicas, a história humana propriamente dita, o desenvolvimento individual)

5.4.   O caráter ao mesmo tempo cíclico e evolutivo da realidade e, por extensão, do ser humano, é consagrado pelo Positivismo nas noções de “Estática” e “Dinâmica” e, considerando a filosofia política, na fórmula “Ordem e Progresso”

5.5.   O desenvolvimento histórico ocorre ao longo do tempo, sendo marcado ao mesmo tempo e necessariamente pelos aspectos cíclicos: daí a necessidade imperiosa de, ao longo de nossas vidas e de nossas histórias, celebrarmos periodicamente alguns valores e algumas concepções – na data da hoje, a Festa da Humanidade

6.     Afirmamos e repetimos hoje que a Festa da Humanidade é a mais importante comemoração do ano: ela celebra o verdadeiro Grão-Ser, ao qual dedicamos e devemos nossas vidas

6.1.   Há muito para falar sobre a Humanidade; em certo sentido, tudo pode e deve ser dito a seu respeito, na medida em que ela resume todos os conhecimentos e, antes, todos os sentimentos e todas as ações humanas

6.2.   Ontem, ao encerrar o ano anterior na Festa Universal dos Mortos, lembramos a subjetividade e demos um pouco de ênfase à gratidão: hoje, ao falarmos da Humanidade, queremos comentar como o lamento é mais altruísta que a raiva e que a Humanidade dá-nos acolhimento e esperança

6.3.   Mas, para isso, temos que nos lembrar de qual a noção de Humanidade

7.     Nosso mestre é muito claro no Catecismo positivista, no qual dedica um capítulo (a segunda conferência) à noção de Humanidade (Catecismo, 2ª Conferência, p. 72-74):

O SACERDOTE — Para o conseguirdes [uma noção mais clara da Humanidade], deveis, minha filha, definir em primeiro lugar a humanidade como o conjunto dos seres humanos, passados, futuros e presentes. Esta palavra conjunto indica-vos bastante que não se deve compreender aí todos os homens, mas só aqueles que são realmente assimiláveis, por efeito de uma verdadeira cooperação na existência comum. Posto que todos nasçam necessariamente filhos da humanidade, nem todos se tornam seus servidores, e muitos permanecem no estado parasitário, que só foi desculpável durante a sua educação. Os tempos anárquicos fazem sobretudo pulular, e demasiadas vezes florescer, esses tristes fardos do verdadeiro Grande Ser. [...]

Vedes assim que, a este como a qualquer outro respeito, a inspiração poética antecedeu muito a sistematização filosófica. Seja como for, se esses parasitas não fazem realmente parte da humanidade, uma justa compensação vos prescreve de agregardes ao novo Ente Supremo todos os seus dignos auxiliares animais. Toda útil cooperação habitual nos destinos humanos, quando exercida voluntariamente, erige o ser correspondente em elemento real dessa existência composta, com um grau de importância proporcional à dignidade da espécie e à eficácia do indivíduo. Para avaliar este complemento indispensável, basta imaginar que ele nos falta. Ninguém hesitará, então, em considerar tais cavalos, cães, bois, etc., como mais estimáveis que certos homens.

Nesta primeira concepção do concurso humano, a atenção volta-se naturalmente para a solidariedade, de preferência à continuidade. Mas, conquanto esta seja a princípio menos sentida, por exigir um exame mais profundo, é a noção dela que deve finalmente prevalecer, porquanto o surto social pouco tarda em depender mais do tempo que do espaço. Não é só hoje que cada homem, esforçando-se por apreciar o que deve aos outros, reconhece uma participação muito maior no conjunto de seus predecessores do que no de seus contemporâneos. Semelhante superioridade manifesta-se em menores proporções nas épocas mais remotas, como o indica o culto comovente que sempre nesses tempos se rendeu aos mortos [...].

Assim, a verdadeira sociabilidade consiste mais na continuidade sucessiva do que na solidariedade atual. Os vivos são sempre, e cada vez mais, governados necessariamente pelos mortos: tal é a lei fundamental da ordem humana.

7.1.   Resumindo de maneira muito grosseira as observações acima, podemos entender a Humanidade como o conjunto dos seres humanos convergentes passados, futuros e presentes, em que há uma realidade subjetiva (os seres humanos mortos e os ainda não nascidos) e uma realidade objetiva (os seres humanos atualmente vivos), em que a continuidade histórica subjetiva é mais importante e relevante que a solidariedade objetiva; além disso, o aspecto de “convergência” refere-se às ações altruístas, construtivas, relativistas etc. É importante indicar que os animais úteis incluem-se na Humanidade e, por vezes, merecem mais essa inclusão que muitos seres humanos

7.1.1. Na medida em que é objetiva e subjetiva, a Humanidade é também um ser abstrato e concreto: ela existe realmente, ela atua de verdade, mas sua existência e sua atividade dependem dos seres humanos concretos, vivos; sua existência e sua atividade tornam-se mais claras em termos subjetivos, isto é, abstratos, quando examinamos essa atuação ao longo do tempo

7.1.2. A idéia de um grande ser que se desenvolve ao longo do tempo e que, ao mesmo tempo, atualiza-se e realiza-se apenas por meio dos seres humanos vivos – uma deusa real que “é filha de seu filho” – exige, necessariamente, um conceito claro e, mais ainda, uma representação física: é por isso que a Humanidade tem um conceito claro e uma imagem igualmente clara

7.1.3. A Humanidade não são as ficções teológicas (politeístas, monoteístas, panteístas, deístas), nem são as abstrações metafísicas (“Natureza”, “Povo”, “Sociedade”, “Raça”, “Classe”, “Patriarcado”), nem é um ser sem rosto e sem forma: a Humanidade é uma deusa verdadeira, real, que existe concretamente mas que depende de seus filhos para manter-se e desenvolver-se; ela não é puramente abstrata, suas qualidades não são atributos arbitrários necessariamente impossíveis de serem verificados e provados; inversamente, ela não é uma abstração genérica sem sede, sem agentes, sem nome, sem representação física; por fim, a Humanidade, ao idealizar todos os nossos melhores traços (a começar pelos nossos aspectos morais), é representada necessariamente por u’a mulher para englobar todos os seres humanos

7.2.   A noção de Humanidade não se esgota nessas características que apresentamos; daqui a pouco veremos outras características tão importantes quanto belas; mas, de qualquer maneira, é importante lembrarmos que a Humanidade realiza os atributos da positividade, da mesma forma que ela constitui o clímax de cada uma das leis dos três estados:

7.2.1. A partir da positividade, a Humanidade é real, útil, certa, precisa, relativa, orgânica e simpática

7.2.2. A partir das leis dos três estados, a Humanidade (1) é positiva (ou seja, é relativa); (2) é pacífica, construtiva, convergente; (3) é universal, tanto no espaço quanto, principalmente, no tempo, nas concepções filosóficas e na fraternidade

8.     A noção de Humanidade orienta-nos claramente para o altruísmo, para o amor e para a paz; mas a nossa época é cada vez mais caracterizada pelas denúncias de crimes, de injustiças, de violências: em tal situação, a resposta mais comum – e é a mais comum porque é a mais difundida e é a mais estimulada – é a raiva em face de tais problemas

8.1.   Ora, como lidar com isso? Isto é, como lidar com a raiva?

8.2.   Em face das injustiças, é muito comum que as crescentes quantidade e intensidade das denúncias contra elas conduzam a um pessimismo generalizado em relação ao ser humano, resultando em que se considera que o ser humano “não prestaria”, ou que as coisas “não teriam salvação” etc.

8.2.1. Em outras palavras, embora nominalmente busquem a melhoria das condições humanas, o fato é que a quantidade e a intensidade das denúncias conduzem, contraditoriamente, à desesperança, o que não faz o menor sentido

8.2.2. O que está em questão aqui, evidentemente, não são as denúncias por si sós: o problema consiste em ficar apenas nas denúncias e não se preocupar com as soluções, pois isso por um lado estimula o pessimismo e, por outro lado, afasta a busca de concepções gerais (logo, de soluções gerais)

8.3.   Associada às denúncias contra as injustiças e resultado direto dessas denúncias, temos o sentimento da raiva, que, segundo a lógica afetiva, torna-se por sua vez o móvel de novas denúncias (bem entendido: denúncias desesperançadas)

8.3.1. Mas a raiva, por mais poderosa que seja – e todos sabemos como ela de fato é poderosa – consiste apenas em uma reação violenta e destruidora em face de alguma situação que consideramos ruim ou problemática; em outras palavras, a raiva é uma reação profunda e violenta do instinto destruidor

8.4.   A raiva e o pessimismo com freqüência andam de mãos dadas e retroalimentam-se, da mesma forma que eles afastam a serenidade e a esperança; aliás, a raiva, em particular, sendo a manifestação (1) violenta do (2) instinto egoísta destruidor, afasta também o altruísmo e o amor

9.     O que propomos aqui é que, em vez de estimularmos e promovermos a raiva, em vez de propormos a raiva como o sentimento fundamental ante situações que julgamos ruins, degradantes, injustas etc., procuremos sentimentos que sejam ao mesmo tempo diretamente altruístas e que reconheçam o aspecto problemático das situações que denunciamos

9.1.   Neste momento, propomos então o lamento no lugar da raiva

9.1.1. Eu sugiro aqui o lamento porque é o sentimento que me vem à mente agora; entretanto, tenho clareza de que ele tem, ou pode ter, um déficit de energia e que, portanto, talvez outro sentimento seja mais adequado para ser proposto: estou ansiosamente aberto a sugestões

9.2.   É certo que a raiva conduz-nos diretamente para a ação, ou seja, tem um aspecto ativo muito evidente, ao passo que o lamento tem um aspecto mais passivo; isso nos parece realmente uma dificuldade, ainda que não seja uma dificuldade insuperável

9.3.   Mas, de qualquer maneira, a questão que nos parece central aqui é que, embora seja extremamente ativa, o ativismo próprio à raiva não compensa a violência que ela mobiliza, nem a destruição que ela busca realizar; em outras palavras, os aspectos negativos da raiva superam muito os seus aspectos positivos

9.4.   Mantendo o lamento como uma sugestão (portanto, com um caráter provisório), o fato é que o lamento reconhece as injustiças, os problemas, as situações degradantes, mas não conduz à violência nem nos submerge no egoísmo destruidor: o lamento é o altruísmo mantendo-se altruísta e reconhecendo uma situação injusta e que deve mudar

9.5.   O lamento apresenta um outro aspecto importante, ao rejeitar a violência e a destruição: ele mantém a esperança – a esperança de que as coisas podem melhorar e a esperança de que as coisas têm condições reais de melhorarem

9.6.   A substituição da raiva como sentimento padrão em face dos problemas que vivemos por sentimentos realmente altruístas não é algo secundário: na verdade, é uma necessidade urgente, em vista do altruísmo, da paz, da fraternidade, da esperança

10.   Falamos em esperança: a única verdadeira esperança que podemos ter é a dada pela Humanidade

10.1.               A Humanidade dá-nos esperança de múltiplas formas:

10.1.1.   Ao ser a única e verdadeira providência humana, ou seja, o único e verdadeiro ser que realiza as coisas e que, portanto, é capaz de melhorar as coisas

10.1.2.   Ao definir-se pelo altruísmo, pela paz, pela fraternidade, pela realidade e pela utilidade, ou seja, ao dispor dos meios e dos sentimentos capazes de melhorar as coisas

10.1.3.   Ao afirmar sempre, com clareza, que os melhoramentos são sempre, antes de mais nada, melhoramentos morais, depois intelectuais e somente por fim melhoramentos materiais/físicos (ou seja, melhoramentos do amor, da ordem e do progresso)

10.1.4.   Ao evidenciar que, por mais problemática que com freqüência seja a existência humana, o progresso ocorre de verdade e que, ao longo do tempo, nossos antepassados legaram-nos melhoramentos efetivos, que podem e devem ser agora e sempre utilizados, aprofundados e ampliados

10.2.               A metafísica dissolvente, o pessimismo próprio ao denuncismo incessante, a violência destruidora própria à raiva – tudo isso converge de maneira tão intensa no mundo atual que mesmo pessoas que se dizem positivistas, ou que estão na órbita do Positivismo, muitas vezes repetem esse pessimismo e são incapazes de entender e de sentir a efetividade da esperança dada pela Humanidade

11.   Se falamos da esperança no sentido de correção de injustiças, a Humanidade também nos dá esperança em outro sentido: não vivemos sozinhos no mundo

11.1.               O espírito metafísico, sendo a negação da teologia, considera que a existência humana começa e termina ao tratar das divindades; da mesma forma, a metafísica, ao negar os deuses, consegue apenas afirmar o individualismo egoísta e/ou afirmar uma “solidão cósmica

11.1.1.   Só o fato de limitar-se à teologia evidencia o quanto a metafísica é restrita e superficial; entretanto, infelizmente, como já indicamos em muitas vezes anteriores, a nossa época é profundamente metafísica (em particular devido à influência daninha dos Estados Unidos e, de modo geral, dos protestantismos), de modo que a crítica à teologia mantém como resultados o individualismo, a anarquia e/ou a “solidão cósmica”

11.1.2.   Essas três conclusões metafísicas da crítica à teologia (individualismo, anarquia, solidão cósmica), que não esgotam as possibilidades metafísicas, são bastante claras nos ambientes anglossaxões, como Nietzsche e Max Weber exemplificam de maneira gritante (o que, aliás, é mais que motivo para deixar-se de lado tais autores)

12.   Afirmamos há pouco que a noção de Humanidade é esperançosa: como dissemos, não se trata apenas da esperança de melhorias, mas de esperança também no sentido de conforto, ou melhor, de acolhimento; em outras palavras, com a Humanidade os vícios morais, intelectuais e práticos decorrentes da metafísica não se verificam

12.1.               Sem nos determos nos vícios do individualismo e da anarquia, podemos perguntar com clareza: como é possível falarmos em “solidão cósmica”, em “isolamento”, em falta de apoio, quando, na, pela e com a Humanidade todos nós vivemos em meio aos outros seres humanos, que nos dão apoio, conforto, estímulo? Como podemos com sinceridade falar em “solidão” quando vivemos cercados da memória constante dos mortos?

12.2.               O sentido positivo da religião já deixa claro que não somos nunca sozinhos, mesmo que estejamos eventualmente isolados: a religião é o religare, é o “religar”, é o ligar duas vezes – ligar-nos internamente pelo amor, ligar-nos externamente pela fé

12.3.               A Humanidade, como vimos antes, é acima de tudo os mortos e quem ainda não nasceu; assim, a Humanidade é acima de tudo subjetiva: como é possível estarmos subjetivamente sozinhos, em solidão, se subjetivamente estamos cercados de fraternidade, de apoio, de afeto?

12.3.1.   Nesse sentido, por exemplo, a oração positiva é um instrumento poderosíssimo para relacionar-nos uns aos outros: os nossos anjos da guarda estão sempre conosco, enriquecendo, aquecendo e melhorando nossas vidas

12.4.               Mas a Humanidade não é somente os seres humanos: ela incorpora necessariamente também os animais úteis, muitos dos quais se sacrificam por nós, além dos animais domésticos: quem pode dizer, com sinceridade, que o seu cão de estimação, ou seu gato, ou seu papagaio, ou até seu cavalo ou porco, não faz parte da família? Apenas de maneira arbitrária, cruel e irracional rompem-se os vínculos que ligam o ser humano ao conjunto dos seres vivos; apenas de maneira arbitrária, cruel e irracional os teológicos, mas também muitos metafísicos, afirmam que só o ser humano é “racional”, é “verdadeiramente sociável”, que o planeta Terra é para usufruto exclusivo dos humanos

12.5.               A Humanidade, na generosa e genial elaboração de nosso mestre, amplia-se radicalmente, ao estabelecer o neofetichismo, no qual a síntese inicial é incorporada à síntese final

12.5.1.   Com o neofetichismo foi possível a nosso mestre estabelecer a Trindade Positiva, ultrapassando de maneira radical os desrespeitos teológico-metafísicos pelo planeta e por nossa existência; com a Trindade Positiva, o ser humano finalmente voltou a viver em um ambiente terno, aconchegante, afetivo, no qual a luta pela existência, embora ainda exista, torna-se subjetivamente menos dura e, ao mesmo tempo, mais recompensadora

12.5.2.   A Trindade Positiva é composta pelas seguintes entidades: o Grão-Meio, o Espaço, que é apenas afetivo e no qual têm lugar os fenômenos naturais abstratos; o Grão-Fetiche, a Terra, caracterizada pelos sentimentos e pela atividade, mas não pela inteligência, na qual nossas existências têm lugar e ao qual devemos diversos cultos; por fim e acima de tudo, o Grão-Ser, a Humanidade, dotada de sentimentos, atividade e inteligência, capaz de orientar sua ação com vistas à melhoria da realidade

13.   Na Festa da Humanidade, em meio a tantas possíveis homenagens e reflexões, creio que as duas que apresentei – o abandono da raiva como sentimento-padrão e a afirmação do caráter aconchegante do Grande Ser – permitem entendermos e valorizarmos um pouco mais e melhor a nossa deusa verdadeira

14.   Para terminar estas reflexões, recitaremos um belo poema de Generino dos Santos, Ato de fé positivista 

*   *   * 

ATO DE FÉ POSITIVISTA 

Credo quia demonstrandum[1]. 

Creio em Ti, Grande Ser, Mãe carinhosa,

Que, em teu fecundo seio imaculado,

Engendraste o presente do passado

Conformado o porvir que Te endeusa.

 

             Tudo que sou, t’o devo – És bondadosa

Providência Moral que me há guiado;

Pois, sem Ti, todo amor fora pecado,

Toda ciência egoística e vaidosa;

 

             Eu que, outrora, sem Ti, lutava a esmo,

Por Ti me agito – e teu sofrer partilho,

Partilho teu destino afortunado.

 

Ó Virgem Mãe! Ó Filha do teu Filho!

Que eu ame mais a Ti do que a mim mesmo,

E nem a mim, senão por ter-Te amado! 

*   *   * 

15.   Término



[1]Creio porque pode ser demonstrado”. 

01 janeiro 2026

Festa Universal dos Mortos (171-2025): gratidão, humildade, esperança

No dia complementar do ano de 171 (31.12.2025) celebramos a Festa Universal dos Mortos, em um momento puramente cultual.

A celebração foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/OmourC0bxdU) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/841465818712249).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

* * *

Festa Universal dos Mortos (171-2025)

 

Quem deixa um nome pode morrer?

O olvido é o nada; a glória é a outra vida!

A pedra do sepulcro é seu primeiro altar.

(Eliza Mercoeur) 

1.     Abertura

2.     Antes de mais nada, um lembrete e um aviso necessário: a celebração de hoje não é uma prédica, mas é um momento puramente cultual

2.1.   Assim, embora sempre estimulemos a participação ao vivo, hoje isso não será possível, pois não é adequada

3.     O dia de hoje, como sabemos, é o último dia do ano

3.1.   No calendário positivista, ele não integra nenhum mês; ele corresponde a um dia complementar, necessário a que, do ponto de vista matemático-astronômico, o ano tenha de fato 365 dias (nos anos bissextos temos mais um dia complementar)

3.1.1. Trezes meses, cada um com 28 dias, dá um total de 364 dias: falta um dia

3.2.   Como o calendário não tem por função apenas – na verdade, nem prioritariamente – regular a passagem do tempo, mas regular os cultos religiosos, a consagração do dia complementar a alguma função religiosa seria uma necessidade: daí ele ser dedicado à Festa Universal dos Mortos

4.     O dia de hoje encerra o ano lembrando-nos dos que já se foram e prepara-nos para, no dia seguinte, realizarmos a festa de todos os seres humanos convergentes, a Festa da Humanidade

4.1.   Assim, é uma celebração que integra ao mesmo tempo um ciclo e um desenvolvimento contínuo

4.2.   Esse comentário – sobre o ciclo e o desenvolvimento contínuo – pode parecer curioso, talvez mesmo intelectualista, mas na verdade é uma reflexão necessária, tanto em termos só intelectuais quanto para preocupações do dia a dia: afinal de contas, todos nós dizemos, em diferentes momentos, que “nada nunca muda” (logo, tudo é igual, tudo é repetitivo, ou seja, tudo é cíclico) e também que “tudo muda o tempo todo” (logo, nada se mantém, ou seja, tudo altera-se ao longo do tempo)

5.     A realidade humana é ao mesmo tempo cíclica e cambiante ao longo do tempo

5.1.   Reconhecer esse duplo caráter não é fácil; mais uma vez: isso gera dificuldades para cada um de nós no dia a dia e mesmo os intelectuais têm grandes problemas para entendê-lo

5.2.   Na verdade, esse duplo aspecto integra a realidade cósmica:

5.2.1. Há fenômenos que se repetem ao longo do tempo: de modo específico e exemplar, os fenômenos astronômicos (os dias, as fases da Lua, os anos, as estações)

5.2.2. Da mesma forma há fenômenos que se desenvolvem ao longo do tempo: de maneira muito clara, aqueles que se acumulam com o tempo, ou seja, as questões históricas (o desenvolvimento da Terra, as mudanças biológicas, a história humana propriamente dita, o desenvolvimento individual)

5.3.   O caráter ao mesmo tempo cíclico e evolutivo da realidade e, por extensão, do ser humano, é consagrado pelo Positivismo nas noções de “Estática” e “Dinâmica” e, considerando a filosofia política, na fórmula “Ordem e Progresso”

5.4.   O desenvolvimento histórico ocorre ao longo do tempo, sendo marcado ao mesmo tempo e necessariamente pelos aspectos cíclicos: daí a necessidade imperiosa de, ao longo de nossas vidas e de nossas histórias, celebrarmos periodicamente alguns valores e algumas concepções – na data da hoje, a Festa Universal dos Mortos

6.     O culto aos mortos ocorre desde que o ser humano existe; ele é uma forma de respeito e gratidão

6.1.   Quando pensamos no fetichismo, o culto aos mortos é uma conseqüência imediata dessa forma de entender o mundo: afinal de contas, se tudo é vivo, quando uma pessoa – ou, de modo mais amplo, quando um ser vivo – deixa de viver, ou seja, quando ele morre, essa morte corresponde não à cessação da vida, mas a uma transformação da vida; o culto aos mortos, nesse caso, corresponde a um diálogo e a um comércio contínuos,

6.2.   No politeísmo e, ainda mais, no monoteísmo, os corpos deixam de ser animados por si sós; seu movimento é dado pela vontade divina, pelo “sopro” dos deuses que insere nos corpos as “almas” (essa é a explicação teológica da respiração e da consciência): os corpos, assim, são meramente pedaços de carne, sem valor nenhum (é essa a mentalidade brutal que justifica a prática da cremação): o culto aos mortos, nesses casos, corresponde por um lado a uma inconfessada e inconfessável permanência do fetichismo no politeísmo e, ainda mais inconfessável, no monoteísmo e, por outro lado, a uma tentativa de obter a intermediação dos mortos para os pedidos feitos pelos vivos às divindades

7.     Na Religião da Humanidade, o culto aos mortos é entendido de maneira subjetiva

7.1.   Enquanto na teologia a vida é entendida sempre e apenas de uma perspectiva objetiva (seja nesta realidade, seja em um irreal “além” ), no Positivismo a vida é entendida ao mesmo tempo como objetiva e subjetiva:

7.1.1. A troca simultânea, constante e permanente entre o corpo e o ambiente é a vida propriamente dita, entendida de maneira objetiva; já a memória que temos dos mortos é a vida subjetiva – e é aí, subjetivamente, que realizamos o culto aos mortos

8.     A fórmula positiva que resume o caráter objetivo e subjetivo do culto aos mortos e que, no fundo, resume a existência humana, é esta: “Os vivos são sempre e cada vez mais, necessariamente, governados pelos mortos”

8.1.   Eis um trecho de nosso mestre em que a fórmula acima é exposta e explicada (Catecismo, 2ª Conferência, p. 74-75):

Assim, a verdadeira sociabilidade consiste mais na continuidade sucessiva do que na solidariedade atual. Os vivos são sempre, e cada vez mais, governados necessariamente pelos mortos: tal é a lei fundamental da ordem humana.

Para se conceber melhor esta lei, cumpre distinguir, em cada verdadeiro servidor da humanidade, duas existências sucessivas: uma, temporária, mas direta, constitui a vida propriamente dita; a outra, indireta, mas permanente, só começa depois da morte. Sendo a primeira sempre corporal, pode ser qualificada de objetiva; sobretudo por contraste com a segunda, que, não deixando subsistir a cada um senão no coração e no espírito de outrem, merece o nome de subjetiva. Tal é a nobre imortalidade, necessariamente imaterial, que o positivismo reconhece à nossa alma, conservando este termo precioso para designar o conjunto das funções intelectuais e morais, sem nenhuma alusão à entidade correspondente.

8.2.   Enquanto os fetichistas e, nós, positivistas celebramos com alegria o culto aos mortos, os teológicos – em particular os cristãos – vêem como algo ruim esse culto e, especialmente, a fórmula “Os vivos são sempre...”:

8.2.1. Para teológicos, essa fórmula tem um aspecto lúgubre, assim como os cemitérios: em vez de entenderem o culto de maneira subjetiva, eles consideram-no como algo objetivista, cujo resultado seria reviver os mortos, que se levantariam dos túmulos como seres humanos “desmortos”, em boas condições ou como zumbis

8.2.2. Por outro lado, os metafísicos, especialmente os materialistas, rejeitam totalmente o culto aos mortos, encarando-o como algo sem sentido – e, mais recentemente, temos alguns metafísicos liberais particularmente ignorantes do Positivismo (e, não por acaso, adeptos do “não li, não conheço, faço questão de não ler mas não gosto de nada do que estou falando”) querendo negar a historicidade e a subjetividade presente na fórmula “Os vivos são sempre....”

9.     Mas o que importa notarmos é que é uma celebração acima de tudo de gratidão

9.1.   Ao celebrarmos os mortos, o que fazemos é agradecer-lhes tudo o que recebemos e, daí, tudo o que torna possível a nossa vida

9.2.   Nossa triste época metafísica rejeita o culto aos cultos e a gratidão por seus serviços afirmando que tais serviços não existiriam ou que seriam muito menores do que parecem, em virtude dos graves problemas que enfrentamos no mundo: guerras, fome, violência atual e anteriores

9.3.   Certamente que o mundo atual tem muitos problemas e que muita gente sofre bastante, seja devido à crueldade de outrem, seja também devido à falta de condições materiais, intelectuais e morais para viverem bem e com dignidade

9.4.   Ainda assim, o fato é que, ao longo do tempo (que está no âmbito das centenas de milhares de anos), o ser humano foi trabalhando, acumulando, sacrificando-se, sofrendo, mas também buscando melhorar, realizar coisas boas – enfim, buscando legar para o futuro, para seus descendentes, melhores condições de vida em termos morais, intelectuais e práticos

9.5.   Se hoje consideramos que muita gente sofre e sofreu de maneira injusta – e concordamos totalmente com essa apreciação –, o fato é que essa forma de entender o mundo, os sentimentos envolvidos e mesmo os meios técnicos de remediar tais problemas – tudo isso se desenvolveu ao longo do tempo, graças aos esforços de nossos antepassados

9.6.   Além disso – e este é um aspecto fundamental, que a metafísica desconhece ou que finge desconhecer –, a sensação de injustiça tem que ser necessariamente complementada, quando não ultrapassada, pelo sentimento de gratidão, pois, do contrário, não caminharemos para a efetiva solução dos problemas, mas ficaremos apenas na revolta, não caminharemos para o altruísmo, a fraternidade e a paz, mas ficaremos na raiva e na violência

9.7.   O que a fórmula “Os vivos são sempre e cada vez mais, necessariamente, governados pelos mortos” indica é que o que chamamos de “ser humano”, ou melhor, a Humanidade é acima de tudo a massa de seres humanos passados, ou seja, dos mortos, cuja atuação acumulada permite que nós, vivos, atuemos e preparemos as condições de vida de nossos descendentes, do futuro

10.   Resumindo o que dissemos: em face da atuação dos antepassados, o sentimento que devemos ter é o de gratidão: essa é a única forma de reconhecermos e valorizarmos o que eles fizeram e que nos legaram; ao mesmo tempo, é a única forma de reconhecermos que devemos tudo a eles e que, em comparação com eles, somos poucos, somos inferiores e que, de qualquer maneira, somos tão imperfeitos quanto a nossa arrogância atual – a nossa vergonhosa arrogância metafísica atual – insiste em fingir que não somos

11.   Nossa gratidão para com os mortos não precisa e não pode ser só com os mortos “em geral”; na verdade, ela pode e deve começar com os mortos de nossas famílias, estender-se para os grandes mortos de nossas pátrias e então se estender para os mortos universais: nossos pais, irmãos, avós, tios, sobrinhos, mesmo filhos; depois amigos, compatriotas, líderes, chefes, subordinados; finalmente, os grandes seres humanos a quem devemos o desenvolvimento coletivo

11.1.               Dito isso, há alguns nomes em que podemos e devemos inverter a seqüência acima: pensamos em particular em nossos pais espirituais, Augusto Comte e Clotilde de Vaux, bem como nos grandes apóstolos Miguel Lemos, Teixeira Mendes, Jorge e Luís Lagarrigue e muitos outros

12.   Para concluir este culto, desejamos ler alguns poemas de positivistas, que realizam de maneira direta ou indireta outra o culto aos mortos:

12.1.               Oração no campo-santo, de Martins Fontes

12.2.               Viver para outrem, de Martins Fontes

12.3.               O Coro invisível, de George Eliot 

*   *   * 

ORAÇÃO NO CAMPO-SANTO 

No Dia das Santas Mulheres 

Santa Mônica – Santa Pulquéria – Santa Genoveva – Santa Clotilde – Santa Batilde – Santa Matilde de Toscana – Heloísa – Beatriz – Branca de Castela – Santa Isabel da Hungria – Maria de Molina – Santa Catarina – Joana d’Arc – Isabel de Castela – Marina – Santa Teresa – Sofia Germain – Elisa Mercoeur – Rosália Boyer – Clotilde de Vaux – Sofia Bliaux. 

Recebei, acolhei, almas cheias de graça,

A oferenda floral de um jardineiro inculto,

E desça, como um luar, de piedade e de indulto,

A Vossa proteção sobre o pobre que passa.

 

Eu, entre meus irmãos, a adorar-Vos exulto,

Sem achar o louvor com que me satisfaça,

Tanto a expressão humana é volátil e escassa,

Para bem traduzir ou conter o meu culto.

 

Seja a crença qual for, ou quais forem as seitas,

Viva e perpetuamente os Vossos fiéis proclamem

Vossa sublimidade, ó Mulheres Perfeitas!

 

Ergam-se as mãos em preces e os que sofrem Vos chamem

Lírios do eterno Amor, Milagrosas Eleitas!

Amem-nos sempre em Vós e só por Vós nos amem. 

*   *   * 

VIVER PARA OUTREM 

Amem te plus quam me,

nec me nisi propter te[1]. 

Ama. Por teus pendores afetivos

Alcançarás a bem-aventurança.

E aqui mesmo na Terra os lenitivos

Hás de ter da doçura e da esperança.

 

Multiplica-te. Em beijos subjetivos,

Consola, como quem nunca se cansa

De legar e acrescer os donativos

Inesgotáveis de uma eterna herança.

 

Bem amar, é tão bom, meu confidente,

Que é melhor do que sermos bem amados,

Como demonstra a vida transcendente.

 

Pensa, evocando os teus antepassados,

Que os vivos, pelos mortos, moralmente,

Sempre, e cada vez mais, são governados. 

*   *   * 

Ó, que eu possa juntar-me ao coro invisível 

Longum illud tempus, quum non ero, magis me movet, quam hoc exiguum[2].—CICERO, ad Att., xii, 18. 

Ó, que eu possa juntar-me ao coro invisível

Desses imortais mortos que vivem novamente

Em mentes feitas por suas presenças: vivem

Em pulsos agitados pela generosidade

Em feitos de desafiadora retidão – que desprezam

Os objetivos mesquinhos que se encerram em si mesmos –,

Em sublimes pensamentos que perfuram a noite como estrelas

E com sua meiga persistência persuadem os homens a buscarem

Temas mais vastos


             Assim, o paraíso é viver:

Para fazer música imorredoura no mundo,

Respirando como a bela ordem que controla

Com crescente balanço a crescente vida do homem.

Assim, nós herdamos essa doce pureza

Pela qual lutamos, falhamos e agonizamos

Com retrospecto que se amplia aquele desespero criado.

Carne rebelde que não seria subjugada,

Um genitor vicioso ainda infamando sua criança,

Pobre e ansiosa penitência, é rapidamente dissolvida;

Suas discórdias, extintas por harmonias reunidas,

Morrem no amplo e caritativo ar

E todos os nossos mais raros, mais verdadeiros e melhores âmagos,

Que choraram religiosamente em canção ansiosa,

Que vigiou para minorar o fardo do mundo,

Laboriosamente traçando o que deve ser,

E o que deve ainda ser melhor – viram dentro

Uma imagem mais valorosa para o santuário,

E moldaram-no adiante, antes da multitude

Divinamente humana, elevando a adoração

Para tão mais alta reverência, mais misturada com o amor –

Que melhor âmago viverá até que o Tempo humano

Dobre suas pálpebras e o céu humano

Seja unido como um rolo no seio da tumba

Não lida para sempre.


             Essa é a vida que virá,

Que homens martirizados tornaram mais gloriosa

Para nós que nos esforçamos para seguir. Possa eu alcançar

Esse paraíso mais puro, ser para outras almas

A taça de força em alguma grande agonia,

Acender o ardor generoso, alimentar o puro amor,

Procriar os sorrisos que não têm crueldade,

Ser a doce presença de um difundido bem

E que se difunde sempre mais intensamente.

Assim, que eu junte-me ao invisível coro

Cuja música é a alegria do mundo. 

*   *   * 

13.   Término



[1] “Que eu te ame mais do que a mim mesmo, e a mim somente por ti”.

[2] Aquele longo tempo em que não existirei comove-me mais do que este pequeno momento”.