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27 setembro 2026

Orientações para as eleições de 4 de outubro

No dia 18 de Shakespeare de 172 (27 de setembro de 2026) lemos o documento "Por uma política republicana sociocrática - orientações para as eleições de 4 de outubro" originalmente publicado aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/08/por-uma-politica-republicana.html.

Fizemos essa leitura tendo em vista que as eleições ocorrerão daqui a uma semana (no dia 25 de Shakespeare de 172 - 4.10.2026), de modo que, mais do que nunca, as orientações que modestamente oferecemos são necessárias.

A leitura foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/Ujoq3q0s1Cg) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/2262448640963489/).









23 setembro 2026

A espiritualidade positiva

No dia 13 de Shakespeare de 172 (22.9.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua "Conclusão - missão peculiar aos verdadeiros conservadores").

No sermão abordamos a espiritualidade positiva.

A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/H5wmmuILZsY) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/4556000391314329).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *


A espiritualidade positiva

(13 de Shakespeare de 172/22.9.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 12 de Shakespeare (21.9): nascimento de Luís Lagarrigue (1854 – 172 anos)

2.2.   Dia 13 de Shakespeare (22.9): início da primavera (equinócio da primavera)

3.     Apóiem a Igreja Positivista Virtual!

3.1.   Colaborem com o que puderem; com boa fé e boa vontade, toda e qualquer colaboração é necessária e bem-vinda!

3.1.1. Inscrevam-se no canal, compartilhem, divulguem nossas atividades!

3.2.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

4.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

5.     Exortações

5.1.   Esta talvez seja a seção mais importante das prédicas!

5.2.   Sejamos altruístas!

5.2.1. Sejamos generosos, tolerantes etc.

5.2.2. Devemos orientar toda a nossa vida pelo altruísmo: quando o altruísmo regula e orienta a vida, o resultado é que o altruísmo (a dedicação para os demais) e o egoísmo (a satisfação das necessidades pessoais) não são incompatíveis, pois só o altruísmo permite unir o bem comum à felicidade pessoal

5.3.   Façamos orações!

5.3.1. A oração positiva é a base do culto íntimo; assim, é tanto a base do aperfeiçoamento pessoal quanto da espiritualidade positiva de modo geral

5.4.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

5.4.1. Em um total de nove, os sacramentos são a celebração de momentos centrais na vida de todos nós – momentos que devem ser celebrados, afirmados, compartilhados (o nascimento/a adoção, o casamento, a aposentadoria, a transformação (a morte) etc.)

6.     Sermão: a espiritualidade positiva

6.1.   O tema do sermão desta semana é a espiritualidade positiva

6.1.1. Indiscutivelmente, esse tema é algo... diferente

6.1.1.1.          No senso comum, o tema da espiritualidade está intimamente vinculado a formas de misticismo ou, em todo caso, à teologia

6.1.1.2.          O comum do povo valoriza bastante a espiritualidade, seja como afirmação de crenças (e, a partir daí, da concepção de que somente quem “crê” merece confiança), seja como sinal de sanidade

6.1.1.3.          Já os acadêmicos são bastante ambíguos: a partir do amálgama institucional e semioficial de tradicionalismo católico com materialismo marxista, de modo geral os acadêmicos desprezam a “espiritualidade” quando ela refere-se a si próprios (misticismo, afinal de contas), embora supostamente a valorizem quando ela refere-se ao povo, aos “outros” e aos “dominados”

6.1.2. Creio que vale a pena indicar por que decidi abordar esse tema; isso foi devido a dois motivos:

6.1.2.1.          Por um lado, devido a compromissos acadêmicos, nas últimas semanas redigi anotações sistemáticas sobre o tema da moral no Positivismo; essas anotações levaram-me a considerar outras, agora sobre a espiritualidade

6.1.2.2.          Por outro lado, também nas últimas semanas li um livro sobre o Tradicionalismo, que é uma concepção particularmente retrógrada e mística de teologia, que apresenta os graves problemas adicionais de ser contra o progresso e a racionalidade e que, em virtude disso, aproxima-se ativa e passivamente do fascismo e de concepções sociopolíticas autoritárias (e teocráticas); entretanto, os adeptos do Tradicionalismo falam convictamente em “espiritualidade”, buscando satisfazer algumas necessidades humanas reais (embora, claro, por vias irreais)

6.1.3. Augusto Comte falava correntemente em “espiritualidade” e em “espiritualidade positiva” (por exemplo, no Catecismo positivista); considerando a importância da subjetividade e a defesa da concepção positiva de religião, não há porque não usarmos essa expressão e não definirmos a concepção positiva de espiritualidade

6.1.3.1.          Em si mesmo, o tema da espiritualidade positiva é muito o da religião positiva; apenas a ênfase é um pouco mais pessoal (e doméstica)

6.1.3.1.1.              Usaremos aqui a expressão “pessoal” no lugar de “individual” para deixar claro, na medida do possível, o aspecto relacional do ser humano, ou seja, seu aspecto social e histórico, evitando assim a mentalidade egoísta e “isolante” própria ao individualismo

6.2.   Adiantando bastante o tema, é importante notarmos que um aspecto central da espiritualidade positiva, que fica tanto implícito quanto explícito, é o fato de que ela implica a mudança de mentalidade e de sensibilidade

6.2.1. Essa mudança de mentalidade e de sensibilidade corresponde ao mesmo tempo à mudança de entendimento intelectual e à mudança afetiva e prática da forma geral como nos relacionamos com o mundo e as demais pessoas

6.2.2. Em termos um pouco mais específicos, essa mudança de mentalidade e de sensibilidade corresponde (1) à afirmação do relativismo em substituição ao absolutismo, (2) à afirmação do altruísmo em substituição ao egoísmo e (3) à afirmação da atividade construtiva e pacífica em substituição à atividade destruidora e/ou violenta

6.3.   É necessário termos clareza de que o senso comum atual do Ocidente, caracterizado pela anárquica combinação de monoteísmo, de politeísmo e de metafísica, tudo isso com elementos variados de misticismo, considera que a espiritualidade refere-se apenas e estritamente à relação do “espírito” (ou seja, de uma entidade etérea, distinta do corpo e oposta a ele) com o “além”

6.3.1. Essa relação é individual e alheia à existência material e à realidade social: a concepção atualmente em voga consiste, portanto, em algo profundamente egoísta, seja porque se refere apenas a cada indivíduo, seja porque se separa do mundo e da sociedade

6.3.2. Além disso, como conseqüência do aspecto estritamente individual e antissocial dessa espiritualidade teológica (e/ou mística), a espiritualidade é divorciada da moralidade: não importa se essa espiritualidade é correta ou não; aliás, em si mesma nem há esse tipo de consideração

6.4.   Não temos como afirmar a espiritualidade positiva sem nos lembrarmos de algumas concepções básicas, em particular (1) o relativismo, (2) a tríplice natureza humana, (3) o caráter social e histórico do ser humano e, por fim, (4) o aspecto ao mesmo tempo objetivo e subjetivo do ser humano

6.4.1. O relativismo consiste em que o ser humano vive sempre em relação com o ambiente, seja objetivamente, seja subjetivamente, seja com o mundo, seja com outros seres humanos: nós não existimos e não apreendemos nada que não seja por meio de relações; assim, para o ser humano não existem coisas “puras”, “em si mesmas”, supostamente independentes de qualquer outra coisa: as pretensões de que tais “coisas em si” existem e de que seria possível ao ser humano apreendê-las correspondem ao absolutismo, isto é, às concepções teológicas e metafísicas

6.4.1.1.          O relativismo pode ser entendido então como “relacionismo” e antiabsolutismo

6.4.2. A tríplice natureza humana corresponde ao fato de que o ser humano é, ao mesmo tempo, sentimentos, inteligência e atividade prática: nossos impulsos elementares são a origem e o destino de nossa existência e são satisfeitos por meio das nossas relações práticas com o mundo e com os demais seres humanos; a inteligência corresponde ao entendimento desse mundo e dessas relações, indicando como o mundo constitui-se e, daí, como é possível atuar nele; dos impulsos elementares, os egoístas (os estritamente individuais) são os mais intensos, mas são os altruístas (os que estabelecem as relações afetivas e sociais) que permitem o equilíbrio e a verdadeira satisfação humana

6.4.2.1.          Buscando a síntese no sentido específico da reunião de várias idéias em conceitos gerais, Augusto Comte reuniu na expressão “sentimentos” os instintos egoístas e os instintos altruístas; o egoísmo é composto por sete impulsos elementares, ao passo que o altruísmo é composto por três impulsos elementares

6.4.2.2.          Nesse total de dez instintos, do primeiro ao último ocorre um enfraquecimento da força e um aumento do caráter social (ou coletivo, ou não estritamente individual) dos instintos, de tal sorte que o primeiro (a nutrição) é o mais forte e o mais individual, ao passo que o último (a bondade) é o mais fraco e o menos individual

6.4.3. Uma conseqüência específica do relativismo (ou do relacionismo) e da tríplice natureza humana é o caráter histórico e social do ser humano, em que, por um lado, somente existimos em sociedade, ao vivermos em conjunto e, por outro lado, exatamente ao vivermos em conjunto nossos atributos desenvolvem-se com o passar do tempo (em particular nas direções de estímulo do altruísmo, compressão do egoísmo, aumento da compreensão da realidade e diminuição da violência)

6.4.3.1.          O desenvolvimento humano é apresentado e explicado por meio das três leis dos três estados, cada uma correspondente a um aspecto da natureza humana

6.4.3.2.          A lei afetiva é a que nos importa mais aqui; ela estabelece que a sociabilidade humana amplia-se das relações domésticas para as relações cívicas e daí para as universais, cada um desses âmbitos correspondendo a um dos instintos altruístas – respectivamente veneração, apego e bondade

6.4.3.2.1.              A bondade, em particular, é afirmada subjetivamente em relação à Humanidade, que é o Grande Ser e que atua como intermediária entre o ser humano individual e o mundo

6.4.4. A existência humana é ao mesmo tempo objetiva e subjetiva: relacionamo-nos com coisas e pessoas que existem de verdade e que exercem pressões sobre nós (assim como nós exercemos pressão sobre essas coisas e pessoas); mas, ao mesmo tempo, entendemos subjetivamente o mundo, compartilhamos valores, temos idéias, temos sentimentos e imaginamos

6.4.4.1.          Em graus variados, que mudam conforme a pessoa, o momento, o contexto histórico e social específico, os elementos objetivos e subjetivos combinam-se

6.4.5. O equilíbrio humano só é possível quando os esforços pessoais são conjugados e compatibilizados com o benefício coletivo; em outras palavras, quando se afirma o altruísmo e quando o egoísmo é comprimido e orientado em favor do altruísmo; com isso, a felicidade individual coincide com o devotamento ao bem-estar coletivo

6.4.5.1.          A dedicação ao bem-estar coletivo tem que considerar cada país e a Humanidade como um todo, mas ela começa sempre, necessariamente, com a dedicação à própria família (cônjuge, filhos, pais, agregados etc.)

6.4.6. Essa é a base da moralidade humana – em que o que estimula e aumenta o altruísmo é moral e o que aumenta o egoísmo, ou diminui o altruísmo, ou aumenta a violência e a destruição, é imoral –; da mesma forma, essa é a base necessária da espiritualidade positiva

6.5.   A partir dos elementos acima, podemos entender que a espiritualidade positiva refere-se a cada ser humano individualmente, mas ela não isola esse indivíduo do resto da sociedade, ou melhor, a espiritualidade positiva não isola os indivíduos da Humanidade: bem ao contrário, a espiritualidade positiva integra, sempre e cada vez mais, os indivíduos na Humanidade

6.5.1. Em um primeiro momento, a integração do indivíduo na Humanidade ocorre objetivamente, nas famílias e nas pátrias, sob a tutela geral da Humanidade; mas a integração de fato ocorre mesmo subjetivamente, com a satisfação das necessidades pessoais de cada um a partir da orientação altruísta dos seus esforços

6.5.2. A integração dos indivíduos na Humanidade não é um encontro místico, indefinido, em que a subjetividade individual é estimulada fora e contra a realidade objetiva e contra a vida em sociedade; bem ao contrário, a integração positiva na Humanidade reconhece a realidade, reconhece a sociedade e busca tanto a melhoria social quanto o aperfeiçoamento individual: se esses aspectos não ocorrerem, não apenas tendemos ao misticismo e ao absolutismo como nossos esforços serão desperdiçados

6.6.   Todos esses comentários serviram, como servem, para entender o que é o ser humano e como ele pode desenvolver-se; são, portanto, aspectos científicos, filosóficos e morais básicos; eles indicam os fundamentos da espiritualidade humana e sugerem alguns aspectos, mas não correspondem exatamente a essa espiritualidade

6.6.1. A passagem desses fundamentos para a constituição efetiva de uma espiritualidade positiva corresponde precisamente, na obra de Augusto Comte, à constituição da Religião da Humanidade

6.6.2. A recusa em aceitar a necessidade de satisfazer as necessidades humanas, em empregar os recursos que há muito tempo já estão à disposição do ser humano e a insistência no mito de que ainda (e sempre) seriam necessários “mais conhecimentos” para tal satisfação: a isso correspondem o academicismo e o cientificismo

6.6.3. Não por acaso, tais mitos são empregados ativamente contra o Positivismo, contra a espiritualidade positiva e, portanto, a favor da permanência da espiritualidade teológica

6.7.   Como é a espiritualidade positiva? Dito de outra maneira, como satisfazemos os indivíduos e vinculamo-los mais à Humanidade?

6.7.1. A espiritualidade positiva ocorre basicamente por meio do culto e do regime, mas também por meio do dogma

6.7.2. O culto positivo é o meio básico da nossa espiritualidade, em particular por meio da oração positiva; a oração positiva integra o culto íntimo, isto é, o culto estritamente individual

6.7.2.1.          O culto doméstico e o culto público também constituem a nossa espiritualidade

6.7.2.2.          Embora a espiritualidade teológica tenda a desprezar, de um ponto de vista intelectual, a importância do compartilhamento público de sentimentos, todas as grandes religiões na prática sempre reconhecerem que os cultos públicos estimulam profunda e intensamente a espiritualidade

6.7.2.2.1.              A música, em particular, é um dos grandes instrumentos da espiritualidade no culto público

6.7.2.3.          O estímulo orientado da imaginação, com a leitura de grandes obras-primas – e, desde o século XX, também com a assistência de grandes filmes, séries e até novelas –, desde sempre é reconhecido com integrando a espiritualidade

6.7.3. O Positivismo tem os seus nove sacramentos, que podem e devem ser entendidos como ritos de passagem; em certo sentido, são ritos de iniciação

6.7.3.1.          É claro que o aprendizado, com as relações entre mestre e discípulo, também é um rito de iniciação e integra a espiritualidade

6.7.4. Já a dedicação prática ao bem comum oferece por si só uma satisfação toda própria, além de permitir o aperfeiçoamento concreto do ser humano

6.7.4.1.          É a dedicação prática ao bem comum que evita o misticismo e que, portanto, na prática reafirma aspectos fundamentais do ser humano (em particular o relacionismo, a existência gregária e o desenvolvimento histórico)

6.7.5. Em termos intelectuais, a leitura de obras filosóficas, de tratados morais, de relatos históricos, de dramas e epopéias literárias também estimula e desenvolve a espiritualidade positiva – na verdade, esses procedimentos também sempre foram entendidos como integrantes e estimulantes da espiritualidade

6.7.5.1.          Dito isso, repetidas vezes criticamos a ciência e o cientificismo; mas a verdade é que a compreensão filosófica do desenvolvimento histórico da ciência integra, e tem que integrar, a espiritualidade positiva

6.7.5.2.          Além dos aspectos indicados antes – aspectos que foram afirmados pela observação prática dos proletários, pela síntese feminina e comprovados pelos cientistas: o relacionismo, a tríplice natureza humana etc. –, cada ciência abstrata ofereceu elementos intelectuais que alimentam a reflexão filosófica e moral, ou seja, que integram a espiritualidade positiva

6.7.5.2.1.              Primeiro exemplo: a Astronomia estabeleceu a observação sistemática e regular de fenômenos que são irresistíveis e completamente fora da capacidade de manipulação humana, forçando-nos à submissão

6.7.5.2.2.              Segundo exemplo: já o conjunto das ciências fundamentais desenvolve os procedimentos e os princípios da classificação, além de revelar um espetáculo cada vez mais nobre e mais subjetivo, bem como cada vez mais complexo e, portanto, mais modificável

6.8.   Para concluir esta exposição:

6.8.1. Os aspectos indicados aqui não esgotam a questão e, na verdade, apenas a apresentam de maneira sumária

6.8.2. Uma exposição sistemática da espiritualidade positiva consistiria, no final das contas, na exposição da própria Religião da Humanidade, ainda que a partir de uma perspectiva específica

6.8.3. Além disso, parece claro que é possível – talvez seja mesmo desejável – que se criem muitos outros elementos e instrumentos da espiritualidade positiva, seja a partir da pura criatividade dos positivistas, seja a partir da inspiração ou dos exemplos fornecidos por outras religiões e filosofias

7.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”).

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Positivismo, Augusto Comte e epistemologia das ciências humanas e naturais (Marília, Poiesis, 2022).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up. 

15 setembro 2026

Ordem E progresso só com república progressista e laica

No dia 6 de Shakespeare de 172 (15.9.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua "Conclusão - missão peculiar aos verdadeiros conservadores").

A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://www.youtube.com/watch?v=PmlDx0CL-fc) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/1407492244682719).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

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Leitura comentada do Apelo aos conservadores

(6 de Shakespeare de 172/15.9.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 5 de Shakespeare (14 de setembro): nascimento de Sofia Bliaux (1804 – 222 anos)

2.2.   Dia 6 de Shakespeare (15 de setembro): transformação de Paulo de Tarso Monte Serrat (2014 – 12 anos)

2.3.   Dia 8 de Shakespeare (17 de setembro): transformação de Rodolfo Paula Lopes (1984 – 42 anos)

2.4.   Mês de Shakespeare (10 de setembro a 7 de outubro): décimo mês do ano, dedicado ao drama moderno (teatro, romance histórico, pintura, música)

3.     Apóiem a Igreja Positivista Virtual!

3.1.   Colaborem com o que puderem; com boa fé e boa vontade, toda e qualquer colaboração é necessária e bem-vinda!

3.1.1. Inscrevam-se no canal, compartilhem, divulguem nossas atividades!

3.2.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

4.     Exortações

4.1.   Esta talvez seja a seção mais importante das prédicas!

4.2.   Sejamos altruístas!

4.2.1. Sejamos generosos, tolerantes etc.

4.2.2. Devemos orientar toda a nossa vida pelo altruísmo: quando o altruísmo regula e orienta a vida, o resultado é que o altruísmo (a dedicação para os demais) e o egoísmo (a satisfação das necessidades pessoais) não são incompatíveis, pois só o altruísmo permite unir o bem comum à felicidade pessoal

4.3.   Façamos orações!

4.3.1. A oração positiva é a base do culto íntimo; assim, é tanto a base do aperfeiçoamento pessoal quanto da espiritualidade positiva de modo geral

4.4.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

4.4.1. Em um total de nove, os sacramentos são a celebração de momentos centrais na vida de todos nós – momentos que devem ser celebrados, afirmados, compartilhados (o nascimento/a adoção, o casamento, a aposentadoria, a transformação (a morte) etc.)

5.     Explicações gerais sobre o Apelo aos conservadores

5.1.   Que tipo de documento é o Apelo e a quem ele dirige-se?

5.1.1. O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

5.1.2. O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

5.1.3. Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

5.1.4. É necessário reforçar que, na medida em que a “conservação” consiste na manutenção da sociedade como base necessária para o aperfeiçoamento, a política “conservadora” proposta por Augusto Comte é progressista, de tal sorte que ela corresponde à união e à realização do ideal de “Ordem E Progresso”

5.1.4.1.          A noção positiva de “conservador” e de “conservadorismo” opõe-se à noção inglesa de “conservador” (conforme definida originalmente por Edmund Burke, em 1794) e que se aproxima de ausência de movimento, de movimento muito lento ou, em todo caso, de rejeição de mudanças sociais racionais e intencionais

5.1.4.2.          Assim, a expressão “apelo aos conservadores” (em francês: “appel aux conservateurs”) não significa, nem quer significar, “defesa do conservadorismo” (ou, como querem alguns, de maneira alucinada, “defesa do reacionarismo”)

5.2.   Outras observações:

5.2.1. Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

5.2.2. O capítulo em que estamos é a “Conclusão”, cujo subtítulo é “Conduta própria aos verdadeiros conservadores”

6.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

7.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”).

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up. 

08 setembro 2026

7 de Setembro, Independência do Brasil e José Bonifácio

No dia 27 de Gutenberg de 172 (8.9.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Conclusão - missão peculiar aos verdadeiros conservadores).

No sermão celebramos a independência do Brasil e, em particular, a figura de José Bonifácio.

A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtu.be/U0ZiaZ0tAvo?si=0zeR33cvLMJmwBp8) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/1648714833541743).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

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Celebração do 7 de Setembro

(27 de Gutenberg de 172/8.9.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 23 de Gutenberg (4 de setembro): nascimento de Richard Congreve (1818 – 208 anos)

2.2.   Dia 24 de Gutenberg (5 de setembro): transformação de Augusto Comte (1857 – 169 anos)

2.3.   Dia 24 de Gutenberg (5 de setembro): celebração de Sofia Bliaux

2.4.   Dia 25 de Gutenberg (6 de setembro): nascimento de Henrique Oliveira (1906 – 120 anos)

2.5.   Dia 26 de Gutenberg (7 de setembro): Independência do Brasil (1822 – 204 anos)

2.6.   Dia 26 de Gutenberg (7 de setembro): Glorificação de José Bonifácio

3.     Apóiem a Igreja Positivista Virtual!

3.1.   Colaborem com o que puderem; com boa fé e boa vontade, toda e qualquer colaboração é necessária e bem-vinda!

3.1.1. Inscrevam-se no canal, compartilhem, divulguem nossas atividades!

3.2.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

4.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

5.     Exortações

5.1.   Esta talvez seja a seção mais importante das prédicas!

5.2.   Sejamos altruístas!

5.2.1. Sejamos generosos, tolerantes etc.

5.2.2. Devemos orientar toda a nossa vida pelo altruísmo: quando o altruísmo regula e orienta a vida, o resultado é que o altruísmo (a dedicação para os demais) e o egoísmo (a satisfação das necessidades pessoais) não são incompatíveis, pois só o altruísmo permite unir o bem comum à felicidade pessoal

5.3.   Façamos orações!

5.3.1. A oração positiva é a base do culto íntimo; assim, é tanto a base do aperfeiçoamento pessoal quanto da espiritualidade positiva de modo geral

5.4.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

5.4.1. Em um total de nove, os sacramentos são a celebração de momentos centrais na vida de todos nós – momentos que devem ser celebrados, afirmados, compartilhados (o nascimento/a adoção, o casamento, a aposentadoria, a transformação (a morte) etc.)

6.     Sermão: celebração do 7 de Setembro e Glorificação de José Bonifácio

6.1.   Esta exposição baseia-se em algumas fontes:

6.1.1. Em primeiro lugar, ela baseia-se em importante medida em uma postagem feita em 7.9.2015, chamada justamente “7 de setembro – Independência do Brasil e comemoração de José Bonifácio”

6.1.2. Além disso, usamos aqui como referência as publicações do Apostolado Positivista do Brasil (como o opúsculo A pátria brasileira, de 1881, e a bela biografia de Benjamin Constant, escrita por Teixeira Mendes em 1891) e o livro de David Carneiro, A vida gloriosa de José Bonifácio de Andrada e Silva e sua atuação na Independência do Brasil (de 1977)

6.2.   O Positivismo celebra a Independência do Brasil e a memória de José Bonifácio porque o Brasil é uma pátria e, assim, uma das associações humanas fundamentais

6.2.1. Como sabemos, os três níveis normais de associações humanas são a família (baseada nos sentimentos), a pátria (ou melhor, a mátria, baseada na atividade prática) e a Humanidade (baseada na inteligência)

6.3.   Ao celebrar cada pátria, o Positivismo constitui-se como uma religião cívica

6.3.1. Para entendermos o que isso quer dizer, e embora o Positivismo, como regra geral, rejeite as distinções sutis, temos que estabelecer a diferença entre “religião cívica” e “religião civil”

6.3.1.1.          Essa diferença espelha a diferença entre a teoria política absoluta (teológico-metafísica) e a teoria política relativa (positiva), especialmente no que se refere à divisão entre teoria e prática, ou, o que equivale em termos políticos, a divisão entre a igreja e o Estado

6.3.2. A religião cívica celebra valores cívicos, mas faz questão de não se impor sobre os cidadãos nem de usar o apoio estatal para sua difusão: por definição, é a Religião da Humanidade

6.3.2.1.          Vale lembrar que o Positivismo, como religião cívica, tem clareza de que as pátrias na sociedade normal serão denominadas de “mátrias”, organizadas em regimes sociocráticos e que isso implica, desde já (na verdade, desde o começo do século XIX), que todas as mátrias baseiem-se na fraternidade e na paz universal e, portanto, também na rejeição da violência, da guerra e do militarismo (e do nacionalismo imperialista e/ou xenofóbico)

6.3.3. A religião civil é a religião imposta pelo Estado (ou seja, é obrigatória) e que tem a sua igreja sustentada pelo Estado: são as religiões teológicas e é a proposta da democracia de Rousseau

6.3.3.1.          Rousseau, em sua proposta democrática, afirmava com todas as letras que o Estado tem que ter religião oficial, imposta a todos os cidadãos; inversamente, os cidadãos que rejeitassem essa religião oficial seriam presos ou, no limite, expulsos do país

6.4.   No dia 7 de setembro celebramos a Independência do Brasil e, por isso mesmo, comemoramos a figura de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), o grande “Patriarca da Independência”

6.5.   Para realizarmos essa celebração, temos antes que lembrar, ou afirmar, as condições e as exigências da política moderna

6.5.1. A política moderna baseia-se na existência de pátrias livres; essas pátrias têm que ser menores do que costumam ser ainda hoje, mas, de qualquer maneira, a liberdade é uma condição fundamental e insuperável

6.5.2. O que significa essa “liberdade”?

6.5.2.1.          Significa a possibilidade de decidir com autonomia os rumos a tomar, sem imposições externas e de acordo com os parâmetros específicos de cada país

6.5.2.2.          Assim, ao mesmo tempo em que cada pátria deve poder decidir o que deseja fazer, sua conduta deve caracterizar-se pelo respeito a todas as outras nações, no que se refere à sua dignidade e às suas condições de existência, e ao desenvolvimento de ações pacíficas e coordenadas com vistas à melhoria material e moral de todas.

6.5.3. Em outras palavras, a política moderna não pode ser definida pela “soberania absoluta”, entendendo-se a soberania absoluta como a consideração de que cada país é o juiz único e último de suas ações, em desrespeito e desconsideração aos demais países

6.5.4. Ao mesmo tempo, devemos afirmar a necessária interdependência política, material e moral entre todas as nações – e em um duplo sentido

6.5.4.1.          Por um lado, devemos ter clareza de que a interdependência ocorre, é boa e é fonte de paz, segurança e estabilidade; os países que buscam afastar-se da interdependência rejeitam as cooperações, a paz e a estabilidade

6.5.4.2.          Por outro lado, a interdependência não pode ser entendida nem usada como desculpa para intromissões e invasões de uns países sobre os outros, nem pode ser usada como arma de um país sobre os demais

6.5.5. Em termos internos, cada país deve buscar a integração social, a redução e o fim da miséria, o combate e o fim das discriminações sociais, o desenvolvimento técnico, científico e moral etc.

6.5.6. No caso do Brasil do início do século XIX, José Bonifácio tinha clareza desses objetivos e dessas condições; foi por isso que tratou de organizar as condições propícias para a independência do Brasil – e que, sendo a eminência parda por detrás do então Príncipe Regente, obteve de fato a independência nacional no 7 de setembro de 1822.

6.6.   Ao falarmos da Independência do Brasil, celebramos José Bonifácio: mas por que ele?

6.6.1. O príncipe regente Pedro de Alcântara – depois chamado no Brasil de “(dom) Pedro I” –, embora tenha sido necessariamente o executor concreto da independência, não era uma pessoa preparada politicamente nem em termos intelectuais, morais e práticos

6.6.2. Apesar disso, considerando a situação política, social e institucional do Brasil na época, somente d. Pedro poderia realizar o “grito do Ipiranga”

6.6.2.1.          Evidentemente, se por um lado faltavam em geral condições morais, intelectuais e práticas a Pedro de Alcântara, por outro lado isso não o impedia de que ele tivesse sentimentos de simpatia pela população brasileira, assim como ele não tinha preconceitos de casta e ele soube reconhecer o valor da pessoa e dos conselhos de José Bonifácio

6.6.3. Por outro lado, quem tinha o preparo e a estatura moral, intelectual e prática era o conselheiro de Pedro de Alcântara, José Bonifácio

6.6.3.1.          José Bonifácio, além de ser um homem com a preparação própria e a atividade prática do Iluminismo, tinha o enorme fator de ser brasileiro

6.6.3.2.          A primeira carreira de José Bonifácio desenvolveu-se totalmente na Europa, com suas longas viagens de estudos e de pesquisas (em que se revelou um grande pesquisador) e, depois, com sua atuação na burocracia pública portuguesa (em que ocupou simultaneamente inúmeros cargos importantes)

6.6.3.3.          A atuação propriamente política de José Bonifácio ocorreu quando ele já era idoso (com cerca de 60 anos de idade) e voltara ao Brasil buscando aproveitar sua aposentadoria

6.7.   A independência do Brasil era uma necessidade na época e, de qualquer maneira, seria uma necessidade política do país

6.7.1. Na época era uma necessidade porque, com o término das Guerras Napoleônicas, a permanência da monarquia no Brasil não tinha mais sua justificativa inicial (evitar a submissão à tirania militar de Napoleão)

6.7.2. Devemos lembrar que a família real e a corte portuguesa fugiram em 1808 para o Brasil, transformando a antiga colônia em sede do império

6.7.3. Depois, em 1815, o Brasil tornou-se membro equivalente do império, que passou a ser o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves

6.7.4. Além disso, havia os exemplos republicanos e americanos dos Estados Unidos (1776), do Haiti (1798) e da América hispânica, do México até a Argentina e o Chile (décadas de 1800 a 1820)

6.7.5. Desde o fim do período colonial o Brasil já contava com uma sociedade ativa, organizada, conhecedora dos seus interesses, com projetos nacionais cada vez mais claros e disposta a realizar a independência para isso

6.7.6. A independência nacional era vista sempre como acompanhada da república

6.7.7. A vinda da família real em 1808 deu um fortíssimo impulso à vida política, social e intelectual do país, reforçando as condições para a autonomia e/ou a independência nacional

6.7.8. Ao mesmo tempo em que o Brasil desenvolvia-se, as Cortes Gerais de Lisboa, reunidas após a Revolução Liberal do Porto, de 1820, apesar de afirmarem-se “liberais”, queriam retrogradar a situação do Brasil para a condição colonial, o que implicaria necessariamente uma violenta opressão sobre o país

6.7.8.1.          A Revolução Liberal do Porto e as Cortes Gerais de Lisboa (criadas após a revolução do Porto) seguiram o impulso da Revolução Francesa mas adotaram o modelo inglês, em que a crítica ao Antigo Regime assumiu a forma da aberração político-intelectual que é a chamada “monarquia constitucional”

6.7.8.2.          De maneira bastante representativa desse movimento foi a exigência das Cortes Gerais de retorno de d. João VI a Portugal, mantendo Pedro de Alcântara no Brasil como Príncipe Regente

6.7.9. A regressão do Brasil à condição de colônia seria opressiva por si só, como a conjuntura própria à Inconfidência Mineira deixava claro; mas, em face do desenvolvimento político, econômico e social do Brasil ocorrido desde o século XVIII e fortemente estimulado pela vinda da família real em 1808, a imposição do status colonial ao Brasil implicaria, necessariamente, redobradas opressões e violências

6.7.9.1.          Vale a pena notar que tanto a instituição da monarquia constitucional quanto o projeto de regressão do Brasil à condição de colônia são exemplares do caráter dissolvente, absolutista e anti-histórico da metafísica

6.7.10.   De qualquer maneira, considerando a distância entre os dois países, a disparidade de tamanho e as realidades sociais e políticas, a independência do Brasil teria que acontecer cedo ou tarde

6.7.11.   Sendo d. João VI obrigado a voltar a Portugal e sendo públicas as pretensões das Cortes Gerais a respeito do Brasil, logo percebeu José Bonifácio que seria necessário agir e com grande rapidez

6.7.12.   A partir daí, ele procurou acercar-se de Pedro de Alcântara, que soube reconhecer o valor do ancião

6.7.13.   José Bonifácio soube preparar Pedro de Alcântara para a independência; mas, ao mesmo tempo, teve que enfrentar resistências inesperadas, totalmente retrógradas e mesquinhas, como a de Domitila de Castro, a famosa amante de Pedro de Alcântara tornada “Marquesa de Santos”, que apoiava o projeto “recolonial”

6.7.14.   O episódio do “Dia do Fico” (9.1.1822), em que Pedro de Alcântara rejeitou a ordem de retorno a Portugal, emitido pelas Cortes Gerais, preparou o 7 de Setembro

6.8.   Exemplares das superiores condições morais, intelectuais e práticas de José Bonifácio são as suas propostas para o Brasil

6.8.1. José Bonifácio tinha extrema clareza a respeito dos problemas e das condições brasileiras de então

6.8.2. Para ele, cumpria integrar o imenso território nacional, assim como permitir e realizar a integração dos três grandes elementos étnicos nacionais, o português, o africano e o indígena

6.8.3. A integração social implicava, necessariamente, a abolição da escravidão, a miscigenação e, depois, o estímulo à alfabetização e à indústria

6.8.4. Todavia, ao mesmo tempo, percebendo que o país tinha sua economia baseada na escravidão, em um regime que naquele momento não tinha perspectivas para desaparecer, José Bonifácio entendeu que só seria possível manter o Brasil unido por meio da monarquia: afinal de contas, para ele, a escravidão era inimiga da República

6.8.5. Em outras palavras, a monarquia foi instituída para garantir (pelo menos por algum tempo) a permanência da escravidão – o que equivale a dizer que a monarquia foi implantada no Brasil como um regime explicitamente escravista e escravocrata

6.8.6. A monarquia apresentava algumas vantagens adicionais de caráter momentâneo: por um lado, assegurava a continuidade institucional por meio da manutenção da dinastia reinante; por outro lado, José Bonifácio temia que a república no Brasil seguisse os passos da América espanhola, com a fragmentação política (e territorial)

6.9.   Essas propostas foram expostas com grande beleza pelo pintor positivista Eduardo de Sá, na famosa tela “José Bonifácio, a fundação da pátria brasileira”

6.9.1. Também importa notar que, assim como com Tiradentes, a figura de José Bonifácio foi eternizada e celebrizada por nós, positivistas

6.9.2. Mas, não por acaso, a historiografia brasileira, com um pé (ou os dois pés) no monarquismo e/ou no marxismo, despreza essa nossa importância, ainda que mais ou menos aceite os resultados de nossa atuação

6.9.2.1.          Esse desprezo da historiografia atual pela importante atuação dos positivistas em favor da memória de José Bonifácio segue o impulso destruidor da metafísica marxista desde a década de 1960 (ainda que a historiografia atual não seja marxista) e revela, no final das contas, uma profunda mesquinhez

6.10.               Considerando que o Positivismo é uma religião cívica e pacifista, importa afirmar com toda as letras: os desfiles militares não representam os ideais cívicos, nem a pátria brasileira, nem muito menos a República

6.10.1.   Nesse sentido, nem a proposta cívica de José Bonifácio nem o caráter pacífico-industrial da política moderna aceitam as demonstrações usuais de “civismo”

6.10.2.   Desde pelo menos o século XIX – portanto bem antes do regime inaugurado em 1964 –, as comemorações do 7 de Setembro resumem-se a paradas militares. Os desfiles de pelotões, tanques e armamentos acabam concentrando nas Forças Armadas as idéias de “civismo” e “patriotismo” e desvirtuando a convergência pacífica dos cidadãos em prol do bem comum – que é o fundamento e o objetivo da política republicana

6.10.3.   Já em 1881 os positivistas dizíamos exatamente isso, repetindo-o desde então

6.11.               O 7 de Setembro resume-se na imponente máxima de José Bonifácio, segundo quem “A sã política é filha da moral e da razão”

6.11.1.   É devido a concepções como essas que, juntamente com a Independência do Brasil, no dia 7 de setembro comemoramos também a imponente figura do grande santista que foi José Bonifácio

6.11.2.   Embora não seja de origem positivista, essa máxima evidentemente está totalmente de acordo com os mais elevados princípios morais, intelectuais e políticos propostos pelo Positivismo

6.11.2.1.       A fórmula de José Bonifácio antecipa e indica com clareza a máxima positivista “agir por afeição e pensar para agir”

6.11.3.   A concordância com o Positivismo ocorre também porque essa máxima corresponde aos melhores valores da política moderna

7.     Término da prédica

 

Referências

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- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”).

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- David Carneiro (port.), A vida gloriosa de José Bonifácio de Andrada e Silva e sua atuação na Independência do Brasil (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1977).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “7 de setembro – Independência do Brasil e comemoração de José Bonifácio” (Blogue Filosofia Social e Positivismo, 7.set.2015): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2015/09/7-de-setembro-independencia-do-brasil-e.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), A “teoria do Brasil” dos positivistas ortodoxos brasileiros: composição étnica e independência nacional (Política & Sociedade, Florianópolis, v. 16, n. 35, p. 271-298, 2017).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), O momento comtiano (Curitiba, UFPR, 2019).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Miguel Lemos & Raimundo Teixeira Mendes (port.), Bases de uma Constituição política ditatorial federativa para a república brasileira. (2ª ed.: 1934.) Série da Igreja Positivista do Brasil, n. 82. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1890. Disponível em: http://bd.camara.leg.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/15236/bazes_constituicao_politica.pdf?sequence=3. Acesso em: 25.jun.2014.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), Benjamin Constant. Esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do fundador da República Brasileira. Série da Igreja Positivista do Brasil, n. 120. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1936. 

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- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O império brasileiro e a república brasileira perante a regeneração social. A propósito do “Manifesto de S. A. I. o sr. d. Luiz de Bragança”, publicado no Diário do Congresso Nacional, de quarta-feira, 27 de agosto de 1913. Série da Igreja Positivista do Brasil, n. 350. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1913.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O Positivismo e a questão social. A propósito da questão anarquista. Série da Igreja Positivista do Brasil, n. 383. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1915.