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27 maio 2026

Cientificismo e epistemologia

No dia 6 de São Paulo de 172 (26.5.20026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Terceira Parte - postura dos positivistas em relação aos revolucionários).

No sermão abordamos algumas questões gerais prévias à exposição de leis naturais, em particular: 

(1) o Positivismo teria começado como uma filosofia das ciências? 

(2) Por que ele não é um cientificismo? 

(3) Há espaço ou necessidade de considerações prévias à exposição das leis naturais?

Também lemos a postagem "Comentário pessoal/confissão: três cuidados que tomo" (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/reflexao-pessoalconfissao-tres-cuidados.html)

Da mesma forma, divulgamos a publicação no Internet Archive das músicas positivistas compostas por Luiz Gustavo Mota:

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*    *    *


Leis científicas básicas – I

(6 de São Paulo de 172/26.5.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 8 de São Paulo de 172 (28.5): Live AOP com Luciano Alves: o Movimento Brasil Laico

2.1.1. Como de hábito, a transmissão será exclusiva no canal Positivismo do Youtube (Youtube.com/ThePositivism), a partir das 19h

2.2.   Mês de São Paulo: de 21 de maio a 17 de junho teremos o mês de São Paulo, sexto mês do ano, dedicado ao catolicismo

3.     Comentário pessoal/confissão: três cuidados que tomo

3.1.   Postagem feita em 21.5.2026 (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/reflexao-pessoalconfissao-tres-cuidados.html)

3.2.   Em minhas prédicas e, de modo geral, em minha atuação como positivista, procuro desde sempre tomar três cuidados, na forma de comportamentos que evito:

3.2.1. evito falar sobre o que desconheço e não finjo saber o que ignoro

3.2.2. evito apresentar-me como a única pessoa capaz de falar sobre o Positivismo ou (na medida em que não sou o Sumo Pontífice da Religião da Humanidade) em nome de todos os positivistas

3.2.3. evito personalizar as minhas manifestações e de apresentá-las como se fossem exercícios de vaidade pessoal

3.3.   Assim, ao evitar a arrogância, o orgulho e a vaidade, creio que posso dizer que exercito a humildade

3.4.   Um sacerdote da Humanidade (e mesmo um apóstolo da Humanidade) não pode ter medo de expor-se e de afirmar-se perante os demais; mas isso é muito diferente de ser sistematicamente ignorante, pretensioso e muito vaidoso. Esses defeitos são inaceitáveis em qualquer pessoa que pretenda ser apóstolo ou sacerdote da Humanidade

3.5.   Em oposição a esses comportamentos reprováveis, procuro desde sempre adotar as seguintes práticas:

3.5.1. conhecer sobre o que falo, assumir que desconheço muita coisa e buscar conhecer (ou informar-me sobre) o que é importante para os outros

3.5.2. respeitar as perspectivas alheias e, em particular, as várias iniciativas pessoais e coletivas dos positivistas

3.5.3. reconhecer os esforços realizados pelos outros (especialmente pelos que vieram antes de mim) e manifestar-me sempre me referindo aos esforços coletivos.

3.6.   As indicações acima simplificam bastante as possibilidades; mas como queremos que estas reflexões sejam curtas, neste caso aceitamos tal simplificação

4.     Publicação das músicas compostas por Luiz Gustavo Mota

4.1.   Em uma bela e importante iniciativa que retoma uma antiga mas – até agora – abandonada tradição, nosso correligionário Luiz Gustavo Mota compôs músicas positivistas. Luiz Gustavo redigiu as letras e solicitou à inteligência artificial que compusesse a melodia e que interpretasse as canções. Os resultados estão abaixo.

4.2.   São duas músicas, disponíveis abaixo, a partir da coleção “Positivism” do Internet Archive (https://archive.org/details/positivism-collection):

4.2.1. “Canção ao Positivismo Religioso”: https://archive.org/details/luiz-gustavo-mota-cancao-ao-positivismo-religioso

4.2.2. “Hino a Clotilde, anjo da Humanidade”: https://archive.org/details/luiz-gustavo-mota-hino-a-clotilde-anjo-da-humanidade

4.3.   A letra do Hino a Clotilde está disponível aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/musicas-positivistas.html

5.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

6.     Exortações

6.1.   Sejamos altruístas!

6.2.   Façamos orações!

6.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

6.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

7.     Sermão: leis científicas básicas

7.1.   O tema de hoje é um daqueles que podemos chamar de “polêmicos”, especialmente no âmbito do Positivismo: afinal, ele refere-se diretamente a um dos preconceitos mais disseminados sobre o Positivismo (e, talvez, o primeiro deles, o cientificismo)

7.1.1. O que nos interessa no sermão de hoje (e no da semana que vem) é apresentar algumas leis naturais básicas, seguindo para isso o que nosso mestre apresentou na sétima conferência do Catecismo positivista, na parte do dogma dedicada à “ordem exterior, primeiro material, depois vital”

7.1.2. Por que queremos (re)apresentar essas leis? Porque com certa freqüência falamos do mundo, da realidade cósmica, das ciências inferiores etc. mas não temos clareza a respeito das leis próprias a cada ciência, ao âmbito de cada uma, nem mesmo dos principais nomes de cada uma delas

7.1.3. Mas, antes de apresentarmos essas leis, algumas considerações elementares são necessárias, ou pelo menos convenientes; por ora, considero pelo menos as seguintes: (1) o Positivismo teria começado como uma filosofia das ciências? (2) Por que ele não é um cientificismo? (3) Há espaço ou necessidade de considerações prévias à exposição das leis naturais?

7.2.   Comecemos entendendo por que o Positivismo teria começado com um estudo das ciências inferiores

7.2.1. Em primeiro lugar, isso se relaciona à vida de nosso mestre e às etapas que ele, pessoalmente, tinha que percorrer para constituir sua obra e, de qualquer maneira, para amadurecer

7.2.1.1.          O exame histórico-filosófico das ciências desenvolveu-se ao longo dos vários volumes do Sistema de filosofia positiva, em particular dos volumes 1 a 3, dedicados à matemática, à astronomia, à física, à química e à biologia, escritos entre 1830 e 1838 (os volumes 4 a 6 foram dedicados à sociologia e escritos entre 1839 e 1842)

7.2.2. Em particular, duas necessidades urgentes e convergentes apresentavam-se a ele:

7.2.2.1.          Por um lado, ele percebia as urgentes necessidades sociais da sua época, em particular no sentido de reorganizar a sociedade em bases humanas, pacíficas, relativas e demonstráveis, ultrapassando a teologia e a guerra

7.2.2.2.          Por outro lado, ele percebia o alto poder explicativo e o grande poder prático das ciências, limitadas até então às ciências inferiores mas dirigindo-se com celeridade para a constituição das ciências superiores

7.2.3. O exame das ciências inferiores foi necessário não como u’a medida em si mesma, para cultivo das ciências por si sós, mas como instrumento e como passo prévio para inúmeros objetivos de longo prazo (e de longo prazo tanto para nosso mestre como para a sociedade):

7.2.3.1.          Definir e entender o que o ser humano conhece da realidade

7.2.3.2.          Entender em que consiste a cientificidade e como ela manifesta-se progressivamente em cada uma das ciências

7.2.3.2.1.              Isso, aliás, tem a importantíssima conseqüência, que os comentadores e os críticos do Positivismo fazem questão de ignorar, que cada ciência tem procedimentos próprios e que suas características necessariamente mudam com a variação de abstração, generalidade, empirismo

7.2.3.3.          Definir a positividade – inicialmente restrita e confundida com a mera cientificidade –, seja em termos de relativismo (oposto ao absolutismo), seja em oposição à teologia e à metafísica

7.2.3.4.          Delimitar e distinguir o que é real e o que é útil no conhecimento científico, bem como investigar o que havia, há e pode haver de absoluto/metafísico na prática científica (em particular, na forma do que chamamos hoje de cientificismo e de academicismo e que já eram duramente criticados por nosso mestre, desde o início de sua carreira)

7.2.3.5.          Tudo isso como elementos para definir o que seria a cientificidade da ciência social, seus aspectos e seus limites teóricos, suas metodologias específicas, suas possibilidades de atuação prática

7.2.3.5.1.              É importante notar que isso consiste no que se chama atualmente, conforme o academicismo, de “perspectiva crítica” da e sobre a ciência

7.2.3.6.          Determinar as mudanças sociais ocorridas devido ao desenvolvimento da ciência e, antes, as mudanças que resultaram na constituição da ciência

7.2.3.7.          Elaborar a sociologia como um instrumento superior (às ciências inferiores, ou ciências “naturais”) para o entendimento da realidade pelo ser humano

7.2.3.8.          Elaborar a sociologia como um instrumento para lidar (e resolver) os problemas sociais

7.2.4. É importante indicar que todas essas reflexões prévias sobre as ciências inferiores são, ao mesmo tempo, filosóficas e sociológicas, por um lado, e estáticas e dinâmicas, por outro lado; em outras palavras, ao mesmo tempo em que refletia sobre a cientificidade em geral e a cientificidade de cada uma das ciências em particular, nosso mestre levava em consideração a história de cada uma das ciências e como ela contribuiu (e contribui) para o desenvolvimento humano em geral

7.2.4.1.          O exame histórico-filosófico presente no Sistema de filosofia positiva é um exame sociológico: não se trata de fazer como fazem os historiadores profissionais de modo geral (e os metafísicos em particular), que reduzem a história à mera sucessão de eventos (com alguma interligação entre eles): a historicidade para o Positivismo é sociológica, em que uma determinada conjuntura social prepara as seguintes, assim como é preparada pelas anteriores; essa maneira de encarar a realidade social foi chamada por nosso mestre de “filiação histórica”

7.2.5. O exame das ciências inferiores serviu então, ao mesmo tempo, como (1) preparação para a ciência social, (2) aplicação prática da nascente ciência social e (3) aplicação do método subjetivo (que só seria desenvolvido mais tarde, a partir do v. 1 do Sistema de política positiva, de 1851)

7.2.5.1.          Deveria ser mais notado que o exame sociológico-filosófico das ciências (no Sistema de filosofia positiva, de 1830 a 1842) ocorreu depois da publicação dos Opúsculos de filosofia social (escritos entre 1819 e 1828), em particular após as duas edições do Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade (1822 e 1824): em outras palavras, a filosofia das ciências desenvolveu-se depois (e bem depois) da fundação da sociologia

7.2.6. Sem esgotar as possibilidades de entendimento do Sistema de filosofia positiva, devemos ter clareza então de que ele não é e jamais se buscou ser um “resumo” da ciência da época de Augusto Comte: é simplesmente por isso que ele não é “datado”

7.3.   Vejamos agora, mais uma vez, por que o Positivismo não é um cientificismo

7.3.1. O cientificismo pode ser entendido como uma série de posturas e de comportamentos que mitificam a ciência, e/ou que a entendem de maneira absoluta

7.3.1.1.          A absolutização da ciência ocorre (1) quando a ciência investiga questões absolutas, ou seja, quando persegue objetivos metafísicos (ou melhor, objetivos teológicos), disfarçados de científicos, (2) quando a ciência recusa-se a submeter-se a apreciações morais e sociais e/ou (3) quando a ciência assume a postura de ser um fim em si mesma

7.3.1.1.1.              É importante notar que a idéia da “ciência pura” (em oposição à “ciência aplicada”) é tipicamente uma concepção que justifica a ciência pela ciência

7.3.1.2.          Quando se afirma que somente os procedimentos analíticos, materialistas, intelectualistas correspondem à verdade, está-se diante do cientificismo

7.3.1.3.          Uma outra possibilidade de cientificismo é a afirmação das ciências inferiores sobre as ciências superiores e sobre a realidade humana em geral (trata-se, portanto, de uma combinação de imperialismo filosófico com reducionismo e materialismo e também com prepotência política)

7.3.1.4.          De maneira mais específica, o cientificismo afirma a superioridade moral, intelectual e prática da inteligência sobre os sentimentos e sobre a atividade prática

7.3.1.4.1.              Esse é o mito da “Razão”, que todos aqueles que alimentam venenosos, cômodos e convenientes preconceitos contra o Positivismo atribuem a nós

7.3.1.4.2.              O Positivismo não endeusa a “Razão” nem atribui ao racionalismo (ou à inteligência) a superioridade na organização geral do ser humano (bem ao contrário, a inteligência está abaixo dos sentimentos e da atividade prática, sendo instrumentos deles)

7.3.1.5.          O cientificismo também é altamente intelectualista e analítico e põe-se contra uma série de recursos e possibilidades humanas que o Positivismo desenvolve: as apreciações filosóficas; as elaborações artísticas; a aplicação do método subjetivo; a definição, incorporação e aplicação do neofetichismo, com a elaboração da Trindade Positiva

7.3.2. Associado ao cientificismo com enorme freqüência está o academicismo, que são as posturas e os comportamentos que mitificam os comportamentos próprios à academia

7.3.2.1.          Assim, quando se afirma (ou quando se considera) que somente o que se faz na academia é aceitável, ou correto, ou verdadeiro, isso é tanto academicista quanto cientificista

7.3.2.2.          A combinação da prepotência teórica cientificista com a prepotência prática do academicismo conduz à pedantocracia, que nos dias atuais é chamada, de maneira limitada, de “tecnocracia”

7.3.3. O cientificismo é intelectualista, estritamente racionalista, recusa a superioridade sobre si dos sentimentos e da atividade prática: tudo isso é o oposto do que afirma e pratica o Positivismo; logo, não faz sentido nem é justo atribuir-nos o caráter de cientificista

7.3.3.1.          Essa acusação só faz algum sentido devido a dois motivos: (1) o sucesso da primeira grande obra de nosso mestre, o Sistema de filosofia positiva, que para o conhecimento (acadêmico) vulgar parece apenas um longo resumo e um longo elogio das ciências (em particular das ciências inferiores); (2) o sucesso da propaganda de Émile Littré, que era realmente cientificista (por exemplo, ele negava e desprezava o método subjetivo), e que disseminou uma versão caricata do Positivismo (Stuart Mill também colaborou nesse sentido, difundindo sua própria versão caricata do Positivismo)

7.4.   Devemos agora considerar se há necessidade e/ou espaço para considerações prévias às leis naturais

7.4.1. No início de sua carreira, como parte de seu amadurecimento, nosso mestre foi um tanto ambíguo a respeito: por um lado ele criticava as exposições científicas precedidas por apreciações filosóficas; mas, por outro lado, ele sempre fez considerações histórico-filosóficas sobre as ciências, sobre seu desenvolvimento e seu papel na sociedade; essas considerações, aliás, tornaram-se cada vez maiores, passando de prefácios e capítulos introdutórios (o “Prefácio” ao Curso de astronomia popular, os dois primeiros capítulos do Sistema de filosofia positiva) para volumes inteiros (o Discurso sobre o espírito positivo, o Discurso sobre o conjunto do Positivismo)

7.4.1.1.          Mas o fato é que nosso mestre, aprofundando suas reflexões históricas, filosóficas e morais, com o passar do tempo deu-se conta de que era realmente necessário sistematizar uma preparação filosófica para o estudo das ciências

7.4.1.2.          Tal sistematização, para além dos livros filosóficos, realizou-se na forma da “Filosofia Primeira”, que nosso mestre apenas esboçou

7.4.2. Em que consiste a Filosofia Primeira e por que ela foi apenas “esboçada”?

7.4.2.1.          A Filosofia Primeira corresponde às leis gerais de todos os fenômenos: são os princípios válidos para todas as leis científicas e, bem vistas as coisas, para o entendimento humano em geral

7.4.2.2.          As leis da Filosofia Primeira consistem em princípios descritivos (o que é) e prescritivos (como deve ser), objetivos (relativos às coisas) e subjetivos (relativos ao ser humano), morais e históricos

7.4.2.3.          A título de exemplos, consideremos duas leis, as de n. 1 e n. 7:

7.4.2.3.1.              A primeira é a mais importante e, por isso, é chamada de “lei-mãe”: “Formar a hipótese mais simples e mais simpática que comporta o conjunto dos dados a representar”

7.4.2.3.2.              A sétima é a lei intelectual dos três estados: “Cada entendimento oferece a sucessão dos três estados, fictício, abstrato e positivo, em relação às nossas concepções quaisquer, mas com uma velocidade proporcional à generalidade dos fenômenos correspondentes”

7.4.2.4.          Em termos contemporâneos, pode-se dizer que a Filosofia Primeira apresenta a “epistemologia” do Positivismo, embora essa expressão não seja muito adequada nem muito correta (por ser muito academicista, muito cientificista e porque a “epistemologia” positivista não está toda ela contida na Filosofia Primeira)

7.4.3. A Filosofia Primeira é composta por 15 princípios, ou leis; nosso mestre organizou essas leis, mas não redigiu nenhuma obra explicando-as ou aplicando-as; o primeiro trabalho nesse sentido foi de Pierre Laffitte (Curso de filosofia primeira, de 1889), mas, francamente, o de Teixeira Mendes (As últimas concepções de Augusto Comte, de 1898) é muito superior

7.4.3.1.          A exposição de Teixeira Mendes é superior à de Laffitte não apenas porque a compreensão do nosso apóstolo era realmente superior à do autointitulado “diretor do Positivismo”, como porque Teixeira Mendes integrou o neofetichismo à Filosofia Primeira, em particular no sentido de indicar que o Grão-Meio (o Espaço) é o âmbito abstrato no qual têm lugar as leis da Filosofia Primeira

7.4.4. A Filosofia Primeira é a primeira de três “filosofias”:

7.4.4.1. A Filosofia Primeira contém as leis gerais a todos os fenômenos

7.4.4.2. A Filosofia Segunda apresenta as leis específicas aos graus de abstração (são as leis naturais habituais)

7.4.4.3. Por fim, há a Filosofia Terceira, que consiste na aplicação prática dos princípios abstratos e nas regras práticas – grosso modo, são as “tecnologias”

7.4.4.3.1.          Colocamos entre aspas a palavra “tecnologia”, acima, porque essa expressão é aceitável apenas para as ciências inferiores (da Matemática à Química, mais a Biologia); no que se refere às ciências superiores (a Sociologia e a Moral), a mera noção de tecnologias derivadas das ciências é inadequada, incorreta e imoral

7.4.4.3.2.              A aplicação prática (ou a Filosofia Terceira) correspondente à Sociologia é a política positiva: o Positivismo rejeita a concepção de aplicações técnicas, “tecnológicas”, da Sociologia; a Sociologia é um guia geral para a política, não um conhecimento a ser aplicado com planilhas e pranchetas

7.4.4.3.3.              Já a aplicação prática da Moral são a pedagogia e o aconselhamento – e a respeito de ambos o Positivismo também rejeita a concepção de aplicações “técnicas”

7.5.   Na próxima prédica daremos continuidade à presente exposição, passando a tratar das leis naturais das ciências particulares (ou seja, trataremos da Filosofia Segunda)

8.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”).

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up

20 maio 2026

Escala 5x2 e Abolição da Escravidão

No dia 27 de César de 172 (19.5.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Terceira Parte - Postura dos positivistas em relação aos revolucionários).

No sermão celebramos a data do 13 de Maio e defendemos a escala 5x2.


As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *


A escala 5x2 à luz da Religião da Humanidade

(27 de César de 172/19.5.2026) 

1.     Abertura da prédica

1.1.   No dia 20 de César de 172 (12.5.2026) não tivemos prédica devido a uma enxaqueca (causada, por sua vez, por excesso de trabalho, incluindo aí, evidentemente, o trabalho dedicado ao Positivismo e à Religião da Humanidade); retomamos hoje, portanto, a programação normal

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 16 de César de 172 (8.5.2026): o blogue Filosofia Social e Positivismo atingiu a marca de 700.000 visitas!

2.2.   Dia 19 de César (11.5): fundação da Igreja Positivista do Brasil (1881 – 145 anos)

2.3.   Dia 21 de César (13.5): abolição da escravidão no Brasil (1889 – 138 anos): celebração da fraternidade entre os brasileiros

2.4.   Dia 24 de César (16.5): nascimento de Luís Lagarrigue (1864 – 162 anos)

2.5.   Mês de São Paulo: de 21 de maio a 17 de junho teremos o mês de São Paulo, sexto mês do ano, dedicado ao catolicismo

3.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

4.     Exortações

4.1.   Sejamos altruístas!

4.2.   Façamos orações!

4.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

4.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

5.     Sermão: a escala 5x2 (e celebração do 13 de Maio)

5.1.   Um aviso inicial: como indicamos no início da prédica, o sermão de hoje deveria ter sido feito na semana passada; mas, devido a excesso de trabalho, padecemos de enxaqueca na semana passada; assim, o que deveria ter sido feito na semana passada será feito hoje

5.2.   O sermão de hoje celebra o dia 13 de Maio e, a partir disso, afirma a correção da proposta da escala 5x2

5.2.1. Várias das idéias abaixo foram apresentadas no artigo “Da abolição da escravidão à escala 5x2”, publicado no jornal carioca Monitor Mercantil de 11.5.2026

5.3.   Comecemos com o 13 de Maio

5.3.1. O feriado do 13 de Maio há muito tempo não é mais celebrado, mas o 13 de Maio com justiça já foi feriado nacional, que comemorava a fraternidade dos brasileiros, a partir da abolição da escravidão

5.3.1.1.          Esse feriado foi estabelecido pelo Decreton. 155-B, de 14 de janeiro de 1890 – um monumento belíssimo de celebrações cívicas

5.3.1.2.          Estabelecido a partir das sugestões positivistas (como, de resto, todo o Decreto n. 155-B), o nome do feriado já indicava que tal celebração não tinha nada a ver com a mistificação monarquista, antinacional e antirrepublicana em favor da Princesa Isabel

5.3.2. A celebração da fraternidade dos brasileiros, celebrada durante a I República no dia 13 de maio, conjuga de maneira impressionante inúmeros elementos:

5.3.2.1.          a valorização do trabalho e dos trabalhadores, contra as concepções de que o trabalho é degradante, que é um castigo e que os trabalhadores têm que ser tratados como escravos

5.3.2.2.          a libertação dos escravos, ocorrida em 1888 em relação aos descendentes dos africanos, trazidos à força ao Brasil, e em 1758 em relação aos índios, autóctones

5.3.2.3.          o necessário concurso das várias etnias para a constituição do Brasil – concurso que, de qualquer maneira, tem que ser pacífico e voluntário

5.3.3. É importante reforçar desde já um aspecto central: a celebração do 13 de Maio não era apenas pelo fim da escravidão negra, mas era principalmente pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, bem como da fraternidade nacional, ou seja, do aspecto altruísta e generoso que a vida coletiva necessariamente tem que ter

5.3.4. Apesar de belas, importantes e necessárias, essas concepções foram e têm sido degradadas ao longo do tempo

5.3.4.1.          Não nos parece casual que isso ocorra ao mesmo tempo em que a própria noção de “república” seja desprezada e corrompida cada vez mais, nos últimos 140 anos

5.3.4.2.          No caso da celebração da fraternidade dos brasileiros, essa degradação começou logo após o 13 de maio de 1888, a partir de uma intensa mistificação monarquista, em favor da Princesa Isabel

5.3.4.3.          Essa mistificação, aliás, foi apoiada por movimentos sociais negros que, liderados por José do Patrocínio e baseados em uma equivocada gratidão, constituíram a lamentável milícia da “Guarda Negra”, que espancava os republicanos em defesa da monarquia

5.3.4.4.          Como se sabe, a mistificação monarquista foi no sentido de caracterizar a abolição como uma generosa concessão da monarquia (em vez de uma conquista verdadeiramente nacional e popular), em particular da Princesa Isabel, a fim de legitimá-la e tentar reverter a profunda repulsa de que ela era objeto (era ultracarola, seu marido era estrangeiro e, seguindo as ordens do próprio Dom Pedro, foi o responsável por dar caça a Solano López até o matar)

5.3.5. Assim, ao longo do tempo, em vez de investir-se nas noções de que a abolição da escravidão foi uma vitória do conjunto do país, de que ela valoriza os brasileiros descendentes de africanos e de que ela celebra a dignidade do trabalho e dos trabalhadores; em vez de investirmos no republicanismo em geral e na celebração da fraternidade em particular, os brasileiros praticamos o desprezo pela república (que se torna desculpa para golpes e revoluções, do fascismo, do comunismo, do clericalismo, do monarquismo etc.) e o estímulo ao mito monarquista

5.3.5.1.          Essa dupla degradação tem sido reafirmada nas últimas décadas mesmo pelo movimento identitário negro, contrário às noções de república e de fraternidade universal

5.3.5.2.          Aliás, o identitarismo negro finge que a Guarda Negra não existiu e estimula a mistificação monarquista contra a celebração republicana: isso em favor de um novo feriado nacional, que lamentavelmente mas não por acaso é particularista, contrário à fraternidade e, para piorar, que celebra uma figura que lutava contra a escravidão mantendo o seu próprio plantel de escravos

5.3.5.3.          Este é um caso exemplar que indica que, mesmo que um grupo social afirme defender uma determinada perspectiva e os interesses desse grupo, não é por isso que suas concepções são corretas, adequadas, altruístas e com efeitos positivos (no presente e/ou no futuro): o movimento identitário negro não apenas defende de maneira equivocada os interesses dos “negros” como sua defesa é daninha para eles e para o conjunto do país, ao ser particularista, faccioso e, como todo identitarismo, estimular o ressentimento e o ódio coletivos

5.3.6. É importante termos claro que a rejeição do 13 de Maio tem graves efeitos sociais e políticos:

5.3.6.1.          A rejeição rompe a continuidade histórica, tornando a história do
Brasil (e a história humana de modo geral) algo misterioso e irracional

5.3.6.2.          O rompimento da continuidade histórica apóia e reforça o desprezo pela República, ou seja, por seus ideais e seus esforços

5.3.6.3.          Apesar de supostamente se ser contra a mistificação monarquista, o desprezo pelo 13 de maio atinge a celebração republicana da fraternidade dos brasileiros, reforçando indiretamente o mito monarquista

5.3.6.4.          A rejeição despreza os esforços coletivos, de caráter nacional, em favor da abolição da escravidão e, depois, os esforços para a integração dos libertos e de seus descendentes

5.3.6.5.           A rejeição despreza o sentido altruísta e, literalmente, fraterno do feriado estabelecido pela República (e, deve-se notar: estabelecido pela República e não pela monarquia)

5.3.6.6.          A rejeição despreza o esforço concreto de constituição de uma pátria fraterna e altruísta, ao mesmo tempo em que reforça consciente e constantemente o discurso de um país agressivo e cruel

5.3.6.7.          A rejeição atua no sentido de afirmar o Brasil como a justaposição – violenta, ainda por cima – de etnias que não têm nada a ver uma com a outra, que não podem contribuir uma com a outra e cuja manutenção em conjunto seria uma balela violenta e hipócrita criada pelos dominadores

5.3.6.8.          Por fim, mas não menos importante, o conjunto dos problemas acima reforma a noção de que o trabalho é degradante, próprio à escravidão e que é “coisa de escravo”

5.4.   Passemos agora à escala 5x2

5.4.1. Como se pode ver pelos comentários que acabemos de fazer, o desprezo pelo feriado do 13 de Maio resulta no desprezo pelo trabalho e pelos trabalhadores, no desprezo pela fraternidade nacional e no desprezo pela luta nacional e popular que resultou na abolição da escravidão

5.4.1.1.          Esses múltiplos desprezos têm conseqüências morais, intelectuais e práticas de longo prazo, ao tornar desvincular a proposta da jornada 5x2 do esforço em prol da dignificação do trabalho e dos trabalhadores

5.4.2. Passando diretamente para a proposta da escala 5x2: ela surgiu como uma iniciativa da esquerda que, após décadas, finalmente apresentou uma proposta que não é exclusivista, particularista, facciosa e, ao contrário, beneficia todo o conjunto da população brasileira

5.4.2.1.          Mais importante que as disputas partidário-ideológicas, a proposta da escala 5x2 celebra uma concepção generosa e universalista da vida em sociedade, afirmando a fraternidade de todos os brasileiros, a dedicação dos trabalhadores para suas famílias, a dignidade humana em geral e a valorização do trabalho como atividade produtiva compartilhada

5.4.2.2.          Além disso, a escala 5x2 sacramenta o hábito ocidental de dois dias para o trabalhador dedicar-se à vida doméstica (sábado) e à vida coletiva (domingo) – o que, convenhamos, é o mínimo para uma vida digna e para uma justa retribuição pela atividade produtiva

5.4.3. Na verdade, a idéia de dois dias de descanso dedicados à vida doméstica e social dos trabalhadores foi proposta pelo Positivismo

5.4.3.1.          Originalmente, os dois dias de descanso foram tentados por Oliver Cromwell, ao longo de seu governo republicano na Inglaterra do século XVII

5.4.3.2.          Miguel Lemos chama a atenção exatamente para isso, em uma nota do Catecismo positivista:

Aproveitamos esta alusão incidente ao descanso semanal para dizer que meditações ulteriores levaram Augusto Comte a estabelecer dois dias consecutivos de folga por semana (domingo e lunedia[1]), votados um à vida pública e o segundo à vida privada, como já o havia tentado uma lei de Cromwell (V. Lettres à Edger, p. 69). Todos sabem, aliás, da tendência universal a não se trabalhar no lunedia (Miguel Lemos, Notas ao, Catecismo positivista, edição apostólica de 1934, p. 492)

5.4.3.3.          O trecho indicado acima das cartas de Augusto Comte a Henry Edger é este:

[...] O uso espontâneo do proletariado ocidental, para os dois dias de descanso consecutivos de cada semana, universalmente dedicados um à vida pública, o outro à vida privada: uma lei de Cromwell já o tentara [instituir]” (Lettres d’Auguste Comte à Henry Edger e à John Metcalf, Paris, Apostolat Positiviste, 1889, p. 69)

5.4.4. Em oposição à dignificação do trabalho e dos trabalhadores, consideremos as críticas à escala 5x2

5.4.4.1.          Podemos organizar as críticas em dois grandes grupos: (1) os argumentos economicistas e (2) os argumentos que degradam a vida coletiva e o trabalho – argumentos convergentes, aliás.

5.4.5. O economicismo considera apenas os aspectos econômicos da medida são os importantes; ele reduz o ser humano a u’a máquina de trabalhar e de produzir

5.4.5.1.          Há no economicismo um duplo cinismo: finge-se (1) que o trabalhador não é apenas um número que tem a obrigação de gerar riqueza e (2) que essa desumanização não é dirigida apenas contra os trabalhadores

5.4.5.2.          Entretanto, é mais do que evidente que nenhum capitalista aceitaria submeter a si próprio e à sua família aos raciocínios morais e às condições de trabalho envolvidos no argumento economicista; mas eles não têm pudor em exigir tal submissão aos “outros”

5.4.5.3.          Se isso não fosse pouco, argumenta-se também que os “custos” aumentarão e o “lucro” diminuirá com a escala 5x2: ora, cada vez mais temos à disposição (1) tecnologias que aumentam a produtividade, (2) o conhecimento de que qualidade de vida e satisfação aumentam a produtividade; (3) o aumento geral da renda com o aumento de trabalhadores no mercado de trabalho

5.4.6. Os argumentos que degradam o trabalho são mais diretos em sua rejeição ao maior tempo disponível para os trabalhadores

5.4.6.1.          São argumentos francamente reacionários, com enorme freqüência teológicos e todos são contra a dignidade do trabalho e da vida humana e a favor da ganância

5.4.6.2.          Por exemplo: deputados-pastores afirmam que a escala 5x2 deixará muito tempo livre para os trabalhadores, tempo ocupado pelo Diabo (!): assim, os trabalhadores devem trabalhar sem cessar para que se esgotem e não possam aproveitar a vida nem refletir a respeito dela

5.4.6.3.          Outros críticos da escala 5x2 são diretamente bíblicos: o trabalho é a punição divina pela traição de Adão (causada, aliás, pela suposta mesquinhez de Eva); assim, não seria correto aliviar o fardo humano que, afinal, teria sido imposto pela própria divindade

5.4.6.4.          É claro que, assim como no caso das críticas economicistas, os reacionários (teológicos) rejeitam para os outros a escala 5x2, mas fazem questão de mantê-la para si mesmos

5.4.7. Versões secularizadas disso consideram que o trabalho incessante e exaustivo seria a única forma de dignificar a vida: de acordo com essa concepção, viver-se-ia apenas para trabalhar, em vez de dignificar-se o trabalho como uma atividade entre outras que integra a vida

5.4.7.1.          Conseqüências imediatas disso: o salário deve ser o menor possível (forçando os trabalhadores a manterem-se em trabalhos ruins) e as condições de vida não podem ser muito boas (incluindo aí as longas horas entre a casa e o trabalho e o acúmulo com o trabalho doméstico)

5.4.7.2.          Essa concepção, que no fundo é apenas uma versão um pouco secularizada da concepção teológica do castigo divino, tem sido afirmada pelo bilionário sul-africano Elon Musk

5.4.8. Um aspecto que subjaz a todas as críticas à proposta de escala 5x2 e que os críticos não fazem muita questão de esconder é que a boa vida cabe apenas a alguns poucos – aos ricos –; em outras palavras, as críticas consideram que o trabalho serve apenas para o enriquecimento alheio, em vez de ser um esforço coletivo para a manutenção e a melhoria da sociedade

5.4.8.1.          Essa mentalidade prevalece nos Estados Unidos, onde a ganância é um valor fundamental (“Greed is good”, vemos Gordon Gekko dizer no filme Wall Street, de 2010)

5.4.8.2.          Entretanto, no fundo, ela tem uma origem mais antiga e insidiosa: ela não distingue o trabalho da escravidão

5.4.8.3.          Assim, não é casual que os monarquistas – que retornaram à ribalta na onda reacionária da última década – sejam críticos da escala 5x2: a monarquia no Brasil foi implantada exatamente para manter a escravidão. O antirrepublicanismo é pró-escravismo.

5.4.8.4.          Assim, a celebração do 13 de Maio tem tudo a ver com a defesa da escala 5x2 – e, inversamente, a defesa da escala 5x2 recupera (e exige a recuperação de) o feriado de 13 de Maio

5.5.   Em suma:

5.5.1. Celebremos, então, o 13 de Maio: o fim da escravidão, a fraternidade dos brasileiros e o republicanismo. Celebremos a dignidade do trabalho e dos trabalhadores: que venha a escala 5x2!

5.5.2.  

6.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”).

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Da Abolição da Escravidão à escala 5x2 (Curitiba, 11.5.2056): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/da-abolicao-da-escravidao-escala-5x2.html.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.



[1] “Lunedia” é o neologismo criado por Miguel Lemos para substituir no português a expressão “segunda-feira”, aproximar o português das demais línguas neolatinas (que usam, por exemplo, lunes em espanhol e lunedie em francês) e lembrar a evolução histórica do Ocidente (lunedia é o “dia da Lua”). Neologismos equivalentes foram criados para os demais dias úteis (ver Catecismo positivista, edição apostólica, 1934, notas de Miguel Lemos, p. 475).