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20 janeiro 2023

Celebração do aniversário de Augusto Comte (19.1.2023)

No dia 19 de Moisés de 169 (19.1.2023) realizamos uma prédica extraordinária, a fim de celebrar o aniversário de nascimento de Augusto Comte (1798), fundador da Religião da Humanidade e do Positivismo.

Nessa ocasião lemos um breve texto; também celebramos a memória de Rosália Boyer (1764-1833), mãe de Augusto Comte, e da transformação de Cândido Rondon (1958).


O texto preparado para a ocasião pode ser lido abaixo.

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Comemoração do aniversário de Augusto Comte (19.Moisés.169 – 19.1.2023)

 

- Conforme o colendário de celebrações da Igreja Positivista do Brasil: Festa de Rosália Boyer (28.1.1764-3.3.1837)

- Transformação de Cândido Rondon (19.1.1958)

 

-        Augusto Comte é o fundador da monumental Religião da Humanidade

o   Afirmar a fundação da Sociologia, da História das Ciências; as suas reflexões sobre filosofia e sociologia da religião, sobre filosofia e sociologia das ciências; sobre epistemologia; sobre filosofia política e social – tudo isso é importante, mas, francamente, tudo isso é secundário em face da fundação da Religião da Humanidade

-        Ele nasceu Isidoro Augusto Maria Francisco Xavier Comte, em 19 de janeiro de 1798, em Montpellier, no Sul da França

o   Cedo foi para Paris estudar na Escola Politécnica, onde viveu um ambiente de patriotismo-com-internacionalismo, fraternidade, generosidade, ciência e progresso; lá combinou estudos das ciências inferiores com estudos sobre Sociologia e Moral

o   Como sabemos, sua carreira divide-se em duas fases: a do Aristóteles moderno, da filosofia positiva, e a do São Paulo moderno, da Religião da Humanidade: o vínculo entre elas é o amor profundo que se desenvolveu entre ele e Clotilde de Vaux, nos anos de 1845 e 1846

-        Sua obra é intelectual, mas seus objetivos são políticos, sociais e morais: a fundação da Religião da Humanidade é condição necessária para o estabelecimento da “sociedade normal”, que se baseia nos princípios do altruísmo, do relativismo, da história (e da continuidade histórica), tendo em vista a busca da harmonia coletiva e individual

-        Celebrar Augusto Comte é não apenas celebrar o fundador da Religião da Humanidade, o nascimento do gigantesco gênio que fundamentou o pensamento positivo e criou a síntese que abarca o conjunto da existência humana; mas:

o   A presente celebração é também a realização das mais profundas propostas da Religião da Humanidade, em que afirmamos que nós, agentes da Humanidade vivos, membros objetivos do presente, devemos sempre e cada vez mais tudo o que temos aos nossos predecessores, já transformados, muitas vezes incorporados à Humanidade, mas em todo caso subjetivos, com vistas ao legado que deixaremos para o futuro

o   Ao realizarmos a presente celebração, não somos somente positivistas: mais do que tudo, com ela afirmamo-nos humanos

-        Como sabemos, embora Augusto Comte tenha lançado os fundamentos da Religião da Humanidade em sua colossal obra Sistema de política positiva (1851-1854) e em inúmeras posteriores, menores ou não, quando ocorreu sua transformação em 1857 ele deixou sua obra inconclusa: a Religião da Humanidade já estava fundada, mas inúmeras instituições e reflexões complementares ainda estavam por serem lançadas e/ou desenvolvidas

o   Entre essas instituições e reflexões complementares estão suas considerações sobre a moral teórica (que se chama atualmente, a partir da tradição metafísica, de “Psicologia”), a moral prática (a pedagogia), sobre a sociedade industrial (em que ele abordaria, entre outras coisas, o que se chama de “economia política”), além de obras poéticas sobre a Humanidade e sobre sua querida cidade de Paris

-        O Positivismo afirma a possibilidade e a necessidade de unir e, por meio dessa união, superar cada um deles individualmente, a ordem e o progresso, por meio do vínculo, do fundamento e objetivo do amor

o   Da mesma forma, Augusto Comte fundou a Sociologia e, depois, a Moral para estender a cientificidade aos âmbitos mais difíceis, mais complicados, mas mais urgentes e mais nobres: os âmbitos próprios ao ser humano, seja coletivamente, seja individualmente

o   A moralidade defendida por Augusto Comte substitui o individualismo pela coletividade, ao substituir o absoluto teológico-metafísico pelo relativismo sociológico (ou humano)

-        Após o incrível sucesso do Positivismo no Ocidente e nas áreas por ele influenciadas entre meados do século XIX e início do século XX, o avanço da metafísica revolucionária e mesmo da retrogradação revolucionária a partir pelo menos de 1914 fizeram diminuir a importância do Positivismo e da Religião da Humanidade

o   Simplesmente não é casual ou fortuita essa diminuição de importância: o absolutismo retrógrado e/ou revolucionário tornou-se a tônica da vida política, social e intelectual do Ocidente a partir de então (e, com base no Ocidente, do resto do mundo): marxismo, comunismo soviético, nazifascismo, autoritarismos variados; mais recentemente a política identitária

o   Mesmo os impulsos generosos e de renovação da política mundial foram em maior ou menor medida contaminados por essas metafísicas retrógradas e/ou revolucionárias, resultando cada vez mais em conflitos desnecessários e evitáveis (conflitos fratricidas, como dizia Teixeira Mendes)

o   Vale lembrar que, para o Positivismo, a metafísica é um conceito intelectual completamente secundário: mas, em termos políticos e sociais, atualmente ela é da maior importância prática:

§  A metafísica é dissolvente, é crítica, é destruidora; seu objetivo é destruir todas as instituições humanas, assumindo como permanente o que é temporário e como representante da regra o que evidentemente é a exceção

o   O alastramento dessa metafísica retrógrada e/ou revolucionária tem como resultado também o combate sistemático ao Positivismo e à Religião da Humanidade: assim, não é por acaso que os políticos fazem o possível para manter as sociedades no âmbito da estreita oposição “direita-esquerda” e que os autodenominados intelectuais, com suas práticas academicistas e cientificistas, fazem o possível para desprezar o Positivismo e torná-lo a palavra-síntese de tudo o que seria ruim

-        Assim, mais do que nunca, o Positivismo, ou melhor, a Religião da Humanidade tem que ser afirmada e difundida: o amor, o relativismo, a fraternidade, o pacifismo são os parâmetros maiores dessa grande elaboração; quem se opõe ao Positivismo opõe-se, no fundo, a esses parâmetros

-        É motivo da maior e mais profunda alegria podermos realizar a presente celebração do aniversário de Augusto Comte: com isso, não apenas celebramos a memória do fundador da Religião da Humanidade, mas celebramos todos os grandes valores que essa instituição promove