Este blogue é dedicado a apresentar e a discutir temas de Filosofia Social e Positivismo, o que inclui Sociologia e Política. Bem-vindo e boas leituras; aguardo seus comentários! Meu lattes: http://lattes.cnpq.br/7429958414421167. Pode-se reproduzir livremente as postagens, desde que citada a fonte.
01 outubro 2026
Crítica à República e desistência de uma utopia
14 setembro 2026
Sandro Gomes: "A Igreja Positivista e o Brasil de hoje"
Em 10 de março de 2017, o professor carioca Sandro Gomes publicou um belo artigo sobre o Positivismo e os positivistas brasileiros, intitulado "A Igreja Positivista e o Brasil de hoje". Contrariamente ao que se costuma publicar a respeito, esse artigo é correto e justo, respeitando e valorizando a atuação, os valores, as propostas.
O original está disponível aqui: https://www.appai.org.br/a-igreja-positivista-e-o-brasil-de-hoje/.
Reproduzimos o texto abaixo.
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A Igreja Positivista e o Brasil de hoje

Quando se estuda o Brasil da segunda metade do século XIX um item não pode deixar de ser destacado: o Positivismo. Filosofia desenvolvida na França por Auguste Comte, marcaria profundamente as visões políticas e principalmente os conceitos de ciência e conhecimento no Ocidente. Mas a despeito de todo o conteúdo de razão e saber filosófico ali presente, há uma faceta pouco mencionada do sistema criado por Comte, que é a sua dimensão religiosa. A chamada última fase da carreira intelectual do criador do positivismo acabaria por desembocar numa incursão pelo campo do místico-religioso. Profundamente influenciada pelo pensamento francês nesse período, a intelectualidade brasileira mergulharia fundo nas conceituações positivistas e alguns não deixariam de fora a religiosidade daí proveniente.
Assim, a Igreja Positivista, como acabaria ficando conhecida, alcançou entre nós uma considerável repercussão e, mais que isso, estaria ligada a muitos fatos fundamentais na história brasileira no limiar entre os séculos XIX e XX. Dois simpatizantes do positivismo, os então estudantes Miguel Lemos e Teixeira Mendes, após temporada na França, se encantaram com as visões religiosas que encontram em pleno processo de propagação. Ao retornarem ao Brasil, estabeleceram os primeiros marcos da instituição religiosa inspirada nas ideias de Comte. Foi aqui que esse conceito ganhou ares eclesiásticos, com a fundação de templos e a propagação sistemática da sua doutrina.
A religião positivista se caracterizava por alguns conceitos muito diferentes do que estava estabelecido no cristianismo dominante. Pra começar, proclama uma divindade feminina, a Humanidade, a sua grande musa, entendida como a maior expressão possível da dignidade. A mulher aliás seria extremamente valorizada pelos religiosos positivistas, sendo apontada como superior ao homem por ser capaz de conduzir-se prioritariamente pelo amor, sentimento a que a cultura do positivismo atribuía grande valor, como ficaria expresso na emblemática frase de Comte, que acabaria sendo em parte adotada na bandeira do Brasil: “O amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”.
Mas não foi apenas com relação ao gênero que os adeptos da Igreja Positivista se confrontaram com o tradicionalismo dominante na sociedade brasileira da época. Na questão racial os religiosos seriam ainda mais ousados ao afirmarem a supremacia da raça negra sobre as demais, pelo fato de nela predominar o sentimento em detrimento da razão. Chegaram a colocar entre suas figuras de culto – cívico, como chamavam – Toussaint Louverture, o líder da rebelião escrava no Haiti que culminaria da independência desse país. Isso diante de uma classe dominante brasileira que tinha na possibilidade de revolta dos cativos seu maior fantasma. Consequentemente, os religiosos positivistas estiveram entre as mais combativas vozes a se levantar a favor da abolição da escravatura. Chegaram mesmo a expulsar adeptos que se recusassem a se desfazer de seus cativos.
Os seguidores da Igreja Positivista também se mostraram preocupados com um tema que em geral era colocado no ostracismo pelos intelectuais e formadores de opinião do período: a situação dos indígenas, que julgavam um grupo injustiçado no Brasil e ao mesmo tempo um modelo a ser seguido em virtude da sua ligação com a natureza. Não espanta que tenha vindo de um dos religiosos positivistas, o marechal Cândido Rondon, uma das mais brilhantes iniciativas de integração dos índios ao todo da sociedade brasileira, sendo até hoje considerada um paradigma universal de aproximação com os chamados “povos originários”, sobretudo pelo pacifismo do método.
A causa pacifista, aliás, seria um dos pilares da Igreja Positivista. Eram frontalmente contrários a guerras e regimes militares, e também não apoiavam os movimentos revolucionários, que acreditavam ineficientes por contrariarem o caráter de encadeamento gradual que marcava a dinâmica da natureza. Assim, apoiaram a república no Brasil, mas criticaram o totalitarismo com que ela foi instalada, sobretudo no regime mão de ferro imposto por Floriano Peixoto. Mesmo assim, não deixaram de apresentar no pós-monarquia contribuições provenientes de suas crenças. A mais conhecida foi a adoção da Bandeira Nacional, que lutaram para que se mantivesse parecida com a que existia no Império, ao invés de outra inspirada na bandeira estadunidense como queriam muitos republicanos.
Argumentaram que, mesmo superada, a condição imperial deveria ser respeitada como uma expressão de uma fase anterior de desenvolvimento de uma nação (a república, para eles, seria a mais avançada). Conseguiram também inserir parte da célebre frase de Comte na insígnia e lutaram para que lá permanecesse apesar de muitas resistências. Por outro lado, acabaram colaborando com o projeto republicano ao apoiar o culto cívico de figuras tidas como superiores na história nacional, como Tiradentes e José Bonifácio, que na visão dos republicanos era uma forma de substituir no imaginário da nação o apego por personalidades religiosas e consequentemente diminuir a ascendência da Igreja Católica, que consideravam prejudicial aos brasileiros.
O discurso pacifista dos religiosos positivistas também procurou atuar em importantes questões nacionais entre o final do século XIX e o início do XX. Tais foram os casos da participação brasileira na Guerra do Paraguai, a que sempre se opuseram, inclusive pregando o perdão das dívidas de guerra contraídas pelo país vizinho, e da tese do serviço militar obrigatório, amplamente defendida por várias figuras do meio intelectual. As suas preocupações com a paz vinha também da inspiração de Francisco de Assis, uma das poucas figuras da religião tradicional que consideravam. Das ideias do religioso italiano do século XII também trouxeram a causa da preservação ambiental, que praticamente não figurava nas mentes da época, num Brasil ainda tão pouco urbanizado, no qual a maior parte da população ainda vivia no campo. Teixeira Mendes, por exemplo, se recusava a usar qualquer objeto de couro, se opondo à matança predatória de animais.
A Igreja Positivista, como seria de esperar, foi definida por muitos naquela época como uma criação de lunáticos ou sonhadores sem conexão com o mundo real. No entanto, as demandas nacionais mais importantes daquele entresséculo, como o fim da escravidão e a adoção da república, estiveram entre suas propostas. Outras questões, por outro lado, que constituíam tabus ou estavam fora da esfera de preocupações do país foram por eles levantadas. A valorização da mulher, um melhor lugar para africanos e indígenas na cultura nacional, a tentativa de harmonização com as nações vizinhas do continente, a preocupação com as questões ambientais, entre outras causas pelos quais modernamente ainda se luta, foram itens antecipados por aqueles que se agruparam em torno do ideário da religiosidade positivista. De tudo o exposto cabem reflexões. E se ao invés do relativo esquecimento histórico a Igreja tivesse se expandido na mentalidade nacional e levado adiante seu ímpeto renovador? Em que pé estaríamos hoje?
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Por Sandro Gomes | Professor, escritor, mestre em literatura brasileira e revisor da Revista Appai Educar.
01 agosto 2026
Ano Teixeira Mendes
Em 173 (2027) ocorrerá o centenário de transformação do grande Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), vice-Diretor e fundador da Igreja Positivista do Brasil e autor da bandeira nacional republicana brasileira.
Para celebrarmos essa data, lançamos o Ano Teixeira Mendes!
22 julho 2026
Busto de Teixeira Mendes foi furtado
A notícia abaixo foi publicada em 26 de agosto de 2025, ou seja, há quase um ano. O busto do grande Apóstolo da Humanidade Raimundo Teixeira Mendes que ficava em frente à Igreja Positivista do Brasil, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, foi furtado; nesse período de um ano, não se recuperou a peça.
O texto original foi publicado aqui.
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Busto histórico do filósofo Raimundo Teixeira Mendes é furtado na Glória
Caso escancara problema de segurança na região e vira desafio para as autoridades
O bairro da Glória voltou a ser vítima da ação de vândalos. Dessa vez, os criminosos roubaram o busto do filósofo Raimundo Teixeira Mendes, que ficava localizado na Rua Benjamim Constant. A obra estava situada nas dependências do prédio neoclássico da Igreja Positivista do Brasil, instituição que ele ajudou a fundar junto com o também filósofo Miguel de Lemos.
Nem mesmo o monitoramento das câmeras de segurança da região, as grades do edifício e até o peso do busto intimidou a ação dos delinquentes, que levaram também a base de mármore que sustentava o monumento. Os indivíduos também tentaram, mas não conseguiram, levar os bustos de Miguel de Lemos e do Marechal Rondon, engenheiro e sertanista militar, que dividem espaço na mesma área.
Denúncias apontam que o destino dessas peças históricas seria o comércio ilegal, sobretudo em ferros-velhos, sobretudo dos próximos à Central do Brasil, onde as obras subtraídas são frequentemente encontradas em fiscalizações.
Teixeira Mendes foi quem idealizou a inclusão da frase “Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil. A expressão remete a um dos princípios do positivismo, corrente filosófica fundada pelo francês Auguste Comte no início do século XIX, que diz: “O amor por princípio, a Ordem por base, o Progresso por fim”.
A Igreja Positivista do Brasil, onde estava o busto furtado, teve papel fundamental na difusão do positivismo no país. Fundada no final do século XIX, foi ponto de encontro de intelectuais e políticos que influenciaram a formação da República. Além de abrigar cerimônias e debates filosóficos, a instituição também defendia ideais de progresso, educação e ordem social inspirados na obra de Auguste Comte, deixando um legado que marcou profundamente a história política e cultural brasileira.
Região central na mira dos ladrões
Conforme amplamente noticiado pelo DIÁRIO DO RIO, moradores de rua e usuários de drogas tem se associado a ferros-velhos irregulares da cidade para repassar as obras roubadas.
Os casos mais chocantes têm acontecido no Passeio Público, no Centro do Rio, local que já perdeu vinte esculturas nos últimos anos. Dez foram furtadas. As outras dez, retiradas pela própria Prefeitura após atos de vandalismo ou tentativas de roubo.
Entre os monumentos desaparecidos, estão bustos de nomes como Júlia Lopes de Almeida, Francisco Braga, Olegário Mariano, Raymundo Correia e Paulo Silva. Já entre as obras recolhidas estão o busto de Castro Alves, a “Fonte do Menino” — criada por Mestre Valentim — e esculturas das estações Verão e Primavera. Segundo a Secretaria Municipal de Conservação, todas essas obras estão previstas para restauração e posterior devolução ao parque, mas ainda sem data definida.
Outras obras como a estátua em homenagem a vereadora Marielle Franco, no Buraco do Lume, e o monumento que celebra o ativista indiano Mahatma Gandhi, na praça homônima, também viraram alvo dos infratores e já tiveram suas placas de identificação roubadas na região central da cidade.
Além de bustos e estátuas, grades de áreas públicas também somem e vão parar nos ferros-velhos. Espaços públicos como o Campo de Santana e Praça Paris sofrem com os furtos. Os criminosos retiram grades e peças metálicas para venda ilegal. Em muitos casos, a depredação acontece à noite, diante da ausência de vigilância e policiamento.
As igrejas também não escapam dessa triste realidade. No fim do ano passado, uma das poucas relíquias de São Benedito ainda existentes foi furtada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, na Rua Uruguaiana, no Centro do Rio.
Em nota enviada ao DIÁRIO DO RIO, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e de outras delegacias da instituição, informou “que realiza ações diárias e contínuas para combater o furto de materiais metálicos.
Segundo a polícia, desde setembro de 2024, mais de 310 ferros-velhos foram fiscalizados, com cerca de 100 responsáveis pelos estabelecimentos presos nestas ações. Neste mesmo período, mais de 267 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos foram apreendidas pela especializada.
A DRF tem diversos inquéritos em andamento que investigam toda a cadeia criminosa, desde o furtador até as metalúrgicas, e as diligências seguem para responsabilizar criminalmente todos os envolvidos. Além disso, as ações visam também descapitalizar financeiramente os braços operacionais do tráfico, responsáveis por fomentar esse tipo de crime.
A Polícia Civil informou que também atua também em conjunto com a Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo, para reprimir as práticas delituosas”.
17 maio 2026
Teixeira Mendes no Internet Archive
Graças à gentil e generosa colaboração de nossos correligionários e simpatizantes Gabriel de Henrique e Fernando Pita, conseguimos recuperar e pôr à disposição do grande público várias obras de Teixeira Mendes e da Igreja Positivista do Brasil.
Esses documentos, como de hábito, estão na coleção "Positivismo" do Internet Archive (disponível aqui: https://archive.org/details/positivism-collection).
A presente leva tem oito documentos; os títulos e os endereços específicos estão indicados abaixo.
- O ensino do Catecismo positivista (19.1.1931): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ensino-do-catecismo-positivista-programa-anual-1927
- O culto positivista no Brasil (1.1.1883): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-culto-positivista-no-brasil
- N. 148 – Nossa irmã, a República do Paraguai (10.11.1894): https://archive.org/details/n.-148-nossa-irma-a-republica-do-paraguai-2a.-ed.-fp
- N. 233 – Relações católicos-positivistas (21.5.1906): https://archive.org/details/n.-233-relacoes-catolicos-positivistas-2a.-ed.-fp
- N. 239 – Despotismo médico e regeneração social (2a. ed. FP) (9 de setembro de 1906): https://archive.org/details/n.-239-despotismo-medico-e-regeneracao-social-2a.-ed.-fp
- N. 241 – A República e o militarismo (2a. ed. FP) (9 de dezembro de 1906): https://archive.org/details/n.-241-a-republica-e-o-militarismo-2a.-ed.-fp
- N. 246 – O militarismo ante a política moderna (2a. ed. FP) (25 de outubro de 1907): https://archive.org/details/n.-246-o-militarismo-ante-a-politica-moderna-2a.-ed.-fp
- N. 250 – Despotismo sanitário contra servidores públicos
(2a. ed. FP) (27 de junho de
1907): https://archive.org/details/n.-250-despotismo-sanitario-contra-servidores-publicos-2a.-ed.-fp
10 maio 2026
Fundação da Igreja Positivista do Brasil
Homenagem da Igreja Positivista Virtual à sua igreja-mãe, a Igreja Positivista do Brasil, no aniversário de sua fundação (19 de César - 11 de maio).
Homenagem também aos grandes apóstolos Miguel Lemos, Raimundo Teixeira Mendes e a todos os seus dignos sucessores, que nos inspiram e orientam todos os dias na difusão e na aplicação da Religião da Humanidade, bem como nos ensinos de nossos pais espirituais, Augusto Comte e Clotilde de Vaux.
21 fevereiro 2026
Imagens e gravuras positivistas
Abaixo reproduzimos 24 gravuras positivistas, de modo geral do final do século XIX e início do século XX. Sendo autoexplicativas de modo geral, elas apresentam aspectos variados do Positivismo e da Religião da Humanidade: ilustrações de Augusto Comte e Clotilde, os chefes dos meses do Calendário Positivismo, a Capela da Humanidade (em Paris) e a Igreja Positivista do Brasil etc.
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| Daniel Encontre, antigo professor de Matemática de Augusto Comte, em Mompilher |
08 outubro 2025
Festa de Clotilde e Comte (8 de Outubro)
12 setembro 2025
Igreja Positivista do Brasil: pacifismo, fraternidade, guerra civil, República
Mais 11 publicações da Igreja Positivista do Brasil disponíveis no Internet Archive.
Os temas são atualíssimos, ainda que as publicações sejam de 1907 a 1910: guerra civil, pacifismo e antimilitarismo, liberdade de testamento, respeito aos índios, depotismo sanitário, republicanismo.
A relação de textos e seus endereços estão abaixo.
- n. 252: Despotismo sanitário (1907), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20252%20-%20Despotismo%20sanit%C3%A1rio%20%282a%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 254: Liberdade de testamento (1907), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20254%20-%20Liberdade%20de%20testar%20%282a%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 255: Diplomacia, república e Positivismo (1908), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20255%20-%20Diplomacia%2C%20Rep%C3%BAblica%20e%20Positivismo%20%282a%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 256: Lutas fratricidas, militarismo e mensagens presidenciais (1908), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20256%20-%20Lutas%20fratricidas%2C%20militarismo%20e%20mensagem%20presidencial%20%282a.%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 283: Relações entre Brasil e Uruguai (1909), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20283%20-%20Brasil-Uruguai%20%282%C2%AA%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 285: Fraternidade sul-americana (1909), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20285%20-%20Ainda%20a%20fraternidade%20sul-americana%20%282%C2%AA%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 286: Culto aos mortos e despotismo sanitário (1909), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20286%20-%20Culto%20aos%20mortos%20e%20despotismo%20sanit%C3%A1rio%20%282a%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 289: Atentados política e repressão na Espanha (1909), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20289%20-%20Atentados%20pol%C3%ADticos%20e%20repress%C3%A3o%20na%20Espanha%20%282a.%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 292: Fraternidade universal e sul-americana (1909), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20292%20-%20Fraternidade%20universal%20e%20sul-americana%20%282a.%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 294: Civilização dos índios brasileiros (1910), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20294%20-%20Civiliza%C3%A7%C3%A3o%20dos%20ind%C3%ADgenas%20brasileiros%20%282a.%20ed.%20FP%29.pdf
- n. 295: Despotismo sanitário e República (1910), de Raimundo Teixeira Mendes: https://ia600903.us.archive.org/21/items/n.-283-brasil-uruguai-2a-ed.-fp/N.%20295%20-%20Ainda%20despotismo%20sanit%C3%A1rio%20e%20pol%C3%ADtica%20republicana%20%282a.%20ed.%20FP%29.pdf
Contra o militarismo presidencial e as lutas fratricidas
Reproduzimos abaixo o opúsculo n. 256 da Igreja Positivista do Brasil, de 1908, que tem por título "Basta de lutas fratricidas".
Da autoria de Raimiundo Teixeira Mendes e publicado originalmente há quase 120 anos, ele é tristemente atualíssimo e é por isso que o publicamos. Como se pode ler abaixo, sua atualidade reside em particular em que as "lutas fratricidas" que se combatia em 1908 eram (1) estimuladas por mensagens presidenciais que (2) excitavam grupos militaristas.
Esse opúsculo, além de revelar-se atualíssimo, mais uma vez evidencia que - contra o senso comum acadêmico brasileiro - o Positivismo é pacifista e civilista, ou seja, é antimilitarista e contra a violência.
A transcrição do opúsculo foi gentilmente feita pelo Prof. Fernando Pita, da UERJ.
* * *
Nº 256
IGREJA E APOSTOLADO POSITIVISTA DO BRASIL
O Amor por princípio
e a Ordem por base:
o Progresso por fim
Viver
para outrem.
Viver às claras.
Basta de lutas
fratricidas
A propósito da agravação que a mensagem
presidencial veio a produzir na agitação militarista, devida à retomada das
tradições da diplomacia imperial.
Todos os artifícios retrógrados introduzidos depois para impedir
semelhante resultado foram tão impotentes para reanimar o cadáver da guerra
como o do teologismo, mesmo sob pretexto de progresso, e apesar da ausência das
convicções públicas que deviam estigmatizar essa conduta. Em relação ao mais
imoral desses expedientes, ouso proclamar aqui os votos solenes que faço, em
nome dos verdadeiros positivistas, para que os árabes expulsem energicamente os
franceses da Argélia, se estes não a souberem dignamente restituir àqueles.
Ufanar-me-ei sempre de ter, na minha infância, desejado ardentemente o sucesso
da heroica defesa dos espanhóis. (Augusto
Comte – Catecismo Positivista, 13ª Conferência)
Uma
frase pungentíssima e desastradíssima da mensagem presidencial veio
inesperadamente produzir uma agravação na agitação militarista determinada e
entretida pela retomada das tradições diplomáticas peculiares ao tristíssimo
passado imperial do povo brasileiro. Essa frase é tanto mais condenável quanto
forma o mais insólito contraste com as mais nobres aspirações pacíficas da
diplomacia ocidental. Julgamos por isso do nosso dever apelar, ainda uma vez,
para o altruísmo e a razão das classes dominantes, e especialmente do Sr.
Presidente da República, e sobretudo do Sr. Ministro das Relações Exteriores.
_______________
Nesse
intuito, basta recordar a série das publicações em que, desde o seu início, em
1881, o Apostolado Positivista do Brasil tem-se esforçado por fazer chegar ao
público e aos estadistas brasileiros o conjunto dos ensinos de Augusto Comte
acerca da missão pacífica reservada à diplomacia. É incontestável que essa
vulgarização — graças à índole essencialmente humanitária do povo brasileiro,
como de todas as nações ibero-americanas — tem contribuído para conjurar as
mais graves consequências dos extravios militaristas.
Mas
essa influência continua a ser contrariada pela educação metafísica das classes
letradas, educação que as expõe às mais cruéis devastações da política
retrógrada, inaugurada pela sanguinária dominação de Robespierre e desenvolvida
pelo triunfo ainda mais sanguinário do primeiro Bonaparte.
Sem
atenderem para a conduta dos grandes políticos ocidentais desde Henrique IV,
nem para a incomparável evolução dos pensadores modernos, entre os quais basta
citar Leibniz, Kant, Condorcet e Augusto Comte, nem para o irresistível
ascendente da fraternidade universal na massa feminina e proletária, os
políticos brasileiros se deixam fascinar pelas vitórias efêmeras da
retrogradação no Ocidente europeu, no correr do século XIX.
_______________
Para
dissipar essas funestas ilusões, nos limitaremos a lembrar aqui a lista das
publicações a que aludimos. Elas podem ser encontradas em muitas das
bibliotecas públicas do Brasil, além de que várias foram distribuídas pelos
estadistas brasileiros a ocidentais, sobretudo americanos.
A
essa lista, juntaremos apenas 2 ordens de ponderações. Eis a lista de que nos
ocupamos:
Imigração chinesa.
Mensagem ao embaixador chinês em Londres, 1881.
Question
franco-chinoise. Idem, 1881.
Questão de limites
entre o Brasil e Argentina, 1884.
Esboço biográfico
de Benjamin Constant, fundador da República brasileira. Acha-se
aí uma apreciação da diplomacia imperial especialmente da guerra do Paraguai,
1892.
Pelos indígenas
brasileiros, 1894.
À nossa irmã a
República do Paraguai. 1894.
A propos du conflit
hispano-américain, Bulletin 2, 1898.
Sentence arbitrale
de Berne, sur la contestation entre la France et le
Brésil. Bulletin 8, 1900.
A questão do Acre. Boletins
22, 29, 30. 1901, 1903, 1904.
A questão com o
Peru. Boletim 32, 1904.
A República e o
militarismo, 1906.
O militarismo ante
a política moderna, 1907.
A diplomacia e a
regeneração social. I. A missão diplomática, II. A franqueza
diplomática, III A Conferência de Haia em 1907, publicados estes últimos (III)
também em francês, 1907.
Ainda os indígenas
do Brasil e a política moderna, 1907.
Ainda o militarismo
perante a política moderna. A propósito da agitação a que deu lugar a lei
do sorteio, 1908.
_______________
Isto
posto, a primeira das nossas observações atuais deduz-se logo da inspeção da
lista precedente. Ela mostra que as intervenções acerca dos extravios
solidários, diplomáticos e militaristas do governo brasileiro têm se tornado
mais frequentes depois que o Ministério do Exterior foi confiado ao Sr.
Paranhos do Rio Branco. Hora, quando se compara o conceito de que goza o Sr.Ministro
do Exterior, e os seus antecedentes, qual dos presidentes que o têm apoiado, e
quando se considera a situação do Brasil em relação às nações vizinhas, não se
pode ter a mínima dúvida de que é ao atual Sr.Ministro do Exterior que cabe a
responsabilidade capital da política dos governos brasileiros que por ele se têm
guiado, e mesmo a dos governos sul-americanos alarmados. Eis por que devemos dirigir
especialmente este apelo ao Sr.Ministro das Relações Exteriores.
_______________
Ninguém
melhor do que o Sr.Ministro sabe o alcance real dos motivos que determinaram a
sua elevação política. Porque os sucessos brasileiros dos arbitramentos aque
ligou o seu nome podem ser tão legitimamente atribuídos à preeminência do seu
patriotismo e da sua habilidade diplomática, como o fracasso brasileiro do
arbitramento em que figurou o Sr. Joaquim Nabuco pode ser imputado à falta de
civismo e à imperícia deste. Em tais litígios — como em todos os processos —, o
êxito depende sobretudo das disposições dos juízes. A justiça das causas e o
mérito dos negociadores, inseparável daquela, não podem, pois, ser aquilatados
simplesmente pela sentença, frequentemente tão cega como a sorte das guerras.
Aliás,
só por um abuso de linguagem poder seria invocar a justiça em
semelhantes pleitos. Porque as nações ocidentais disputam-se então um
território que elas arrancaram, com requintada crueldade, às ingênuas tribos
fetichistas que o povoavam. Como dizia o velho José Bonifácio, cumpre não
esquecer que todos são usurpadores.
_______________
Semelhante
reflexão mostra logo que o arrastamento com que a turba-multa dos letrados
políticos brasileiros aclamou os sucessos diplomáticos do Sr.Ministro do
Exterior foi devido unicamente à anarquia moral e mental da sociedade
contemporânea, que perdeu a moral e a fé teológicas sem ter ainda achado a
moral e a fé científicas. A marcha do povo brasileiro, lisonjeada no seu amor-próprio
nacional, acompanhou o cegamente as classes dominantes que o desnorteiam em vez
de dirigi lo.
_______________
Tais
foram as circunstâncias que determinaram o último presidente e o seu sucessor,
ligados espontaneamente pelos seus precedentes monarquistas, a confiarem a
conduta da diplomacia brasileira, e mesmo sul-americana, ao Sr.Ministro do
Exterior. Nesta situação excepcional, o Sr.Ministro podia, e pode ainda,
transformar a sua elevação política em pedestal de uma verdadeira glória,
tornando-se o promotor abençoado da paz sul-americana.
A
política positiva não discute a origem das forças sociais, e propõe-se
apenas a dirigir a aplicação dessas forças, segundo os interesses supremos da Humanidade.
E assim tem procedido o Apostolado Positivista do Brasil, desde o seu início.
Fiel
aos ensinos de Augusto Comte, o Apostolado Positivista tem, portanto, apelado
continuamente para o altruísmo e a razão do Sr.Ministro do Exterior,
esforçando-se por patentear e todo o bem que a sua posição lhe proporciona
fazer, toda a glória que daí reverterá para o povo brasileiro e para o seu nome
individual, e assinalado, indiretamente, a gravidade da condenação em que está
incorrendo e fazendo incorrer o povo brasileiro, persistindo na política
militarista do Império.
Da
mesma maneira que quando pela vamos para o altruísmo e a razão do ex-imperador
D. Pedro II, não nos desanima o contraste entre a iminente posição política do Sr.Ministro
do Exterior e a nossa humildade apostólica. Porque somos apenas órgãos, imperfeitíssimos
embora, da elite das almas humanas, mulheres e homens em todos os tempos em
todos os lugares, condensadas pela evolução social em Augusto Comte. Em tais
condições, é essa elite a quem ouviria o Sr.Ministro, e não a nós; como é essa
elite que o Sr.Ministro desconhece quando menospreza as reflexões de que somos
apenas fiéis transmissores.
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Apoiados
em tais convicções, ainda uma vez solicitamos a atenção do Sr.Ministro do
Exterior parar a meditação científica do Passado e a previsão, também científica,
da Posteridade, sem as quais o nosso tempestuoso Presente não pode ser
compreendido, e, portanto, guiado.
A
evolução da Humanidade é regida por leis naturais tão superiores à intervenção
dos homens como as leis astronômicas. Seja qual for o poder de que um povo ou
um estadista pensem dispor, em um momento dado, esse povo e esse homem são
fatalmente dominados pelas leis da evolução social. O homem se agita e a Humanidade
o conduz.
Todo
o poder dos povos e dos homens só lhe permite perturbarem momentaneamente tal
evolução, se lhe for contrário, ou acelerarem-na, se lhe for favorável. Daí
resulta que a Posteridade não poderá nem ser frustrada, nem ser corrompida, os
aplausos e os sucessos do Presente são impotentes para conter ou desviar a obra
secular das gerações.
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Em
virtude dessa evolução, o futuro do povo brasileiro será o que ela determina, e
não o que o amor-próprio dos estadistas atuais pode ambicionar. Assim como o
povo brasileiro quebrou a unidade política da raça lusitana, o mesmo povo
fragmentar se há em nações independentes politicamente, desde que a
fatal vulgarização da poesia, da ciência, e da indústria, houver permitido satisfazer
plenamente às aspirações da fraternidade universal. Igualfuturo aguarda os
grandes Estados atuais, grandes pelo território. É, pois, para o
encaminhamento pacífico desse ideal inevitável de livre união religiosa, que
devem convergir todos os esforços dos verdadeiros estadistas.
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Daí
decorre o dever atual de manter a paz a todo o transe. Só a invasão do
território brasileiro, não contestado e habitado efetivamente por
brasileiros, e não simplesmente explorado por aventureiros, pode justificar
hoje a repulsa pelas armas. Mas, mesmo então, cumpre não proceder para com os
povos mais fracos ou equivalentes, como não se procederia para com os povos
mais fortes. É preciso ter sempre presente a conduta tantas vezes observada e
ainda ultimamente seguida por ocasião da ocupação inglesa da ilha da Trindade.
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Ora,
seria simplesmente quimérico imaginar um ataque dessa ordem por parte das
nações que cercam o Brasil. Lemos o folhetoCorrendo o véu, e essa
leitura basta para mostrar quanto seria fácil ao Sr.Ministro do Exterior
dissipar todas as apreensões ali enumeradas.
A
homogeneidade social dos povos sul-americanos assegura desde logo ao povo
brasileiro, à vista de uma superioridade numérica e de sua posição geográfica,
uma força política que o torna o principal responsável pela página América do Sul.
Acresce que a vulgarização da Religião da Humanidade aqui, vulgarização que não
existe em grau comparável nas outras nações sul-americanas, inclusive o Chile,
apesar dos esforços dos nossos correligionários Lagarrigue, torna essa
responsabilidade ainda mais irrecusável.
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De
sorte que, da elevação moral e política do governo brasileiro depende
essencialmente hoje a dissipação de todas as prevenções e preconceitos nacionalistas
dos povos que rodeiam o Brasil, em relação a este.
Por
outro lado, a política positiva demonstra que, apesar dos manejos quaisquer da
política brasileira, a paz sul-americana poderia ser mantida, se as nações que
rodeiam o Brasil ouvissem os conselhos de Augusto Comte. Mas a falta de
propaganda positivista sistemática nessas nações as expõeàs ciladas de um cego
amor-próprio nacional. E isso constitui uma atenuante para os extravios
políticos dos respectivos governos, atenuante que se torna agravante para a
conduta militarista do governo brasileiro.
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Cremos
que seria inútil insistir mais para patentear ao Sr.Ministro do Exterior quanto
urge que ele coloque a sua elevação política ao serviço real da causa da Humanidade,
que é, ao mesmo tempo, a causa do povo brasileiro. Semelhante atitude lhe granjearia
uma glória imortal; ao passo que a persistência da diplomacia imperial só pode
acarretar uma inevitável condenação por parte da elite dos contemporâneos e do
conjunto da Posteridade, tanto sobre a sua memória, como sobre esta angustiosa
fase
histórica do povo brasileiro.
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Quanto
à nossa segunda ordem de reflexões, refere-se à conduta dos republicanos
brasileiros, isto é, daqueles para os quais a república significa a supremacia
da fraternidade universal, buscando na poesia, na ciência, e na
indústria, os únicos elementos da grandeza nacional.
Os
nossos antecedentes históricos e toda a evolução brasileira e americana, depois
da nefanda guerra do Paraguai, induzem a crer que a agitação militarista atual
e os extravios imperialistas da diplomacia brasileira não terão poder de
suscitar uma nova luta fratricida entre as nações sul-americanas. Entretanto,
essas cruéis circunstâncias bastam para fomentar um sobressalto político e
moral extremamente favorável a todas as perturbações sociais.
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Nessas
condições, devemos recordar que a nenhum patriota, civil ou militar, é
lícito colaborar na política imperialista atual do governo brasileiro, e muito
menos tomar parte em guerras que possam resultar de tal política. Todos os
sacrifícios, pessoais, domésticos, e cívicos, devem ser preferidos, sem
hesitação, a contribuir-se para a renovação das monstruosas lutas que têm
ensanguentado e desonrado a memória dos povos americanos.
Cumpre,
pois estarem todos preparados para recusar obedecer a qualquer ordem do governo
nesse sentido, preferindo os ultrajes de que foi vítima o velho José Bonifácio,
por parte dos seus contemporâneos, e mesmo o martírio de Tiradentes, votado à
infâmia pelos que se proclamavam então os órgãos do povo lusitano. Tudo deve
ser aceito, menos prestar-se a ser instrumento de estadista que se
transformarem em algozes da humanidade e das pátrias sul-americanas.
E
temos fé que os brasileiros de onde não consentiram em ser cegamente arrastados
a macular sacrilegamente, em carnificinas de canibais, o emblema de aspirações
regeneradoras da Humanidade, que Benjamin Constant lhes legou. Para afastarmos
horrorizados tamanha catástrofe, basta a lembrança de que a política imperial
que se tenta reviver conduziu os nossos antepassados a profanarem, em ferozes
guerras fratricidas, civis e sul-americanas, e na persistência dos crimes em
nome da escravidão africana, o símbolo que o velho José Bonifácio lhes dera, a
fim de evocar habitualmente as mesmas aspirações, resumidas desde então na sua
fórmula: A sã política é filha da moral e da razão.
Pela Igreja e Apostolado
Positivista do Brasil,
R. Teixeira Mendes,
Vice-Diretor
Em nossa sede, Templo da Humanidade,
rua Benjamin Constant, nº 30.
Rio, 10 de Moisés de 120 (10 de
janeiro de 1908).
(Publicado
na seção ineditorial do Jornal do Commercio de 11 de janeiro de1908)

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