Mostrando postagens com marcador Fernanda Alcântara. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernanda Alcântara. Mostrar todas as postagens

18 junho 2026

Academicismo e preconceitos contra o Positivismo

No dia 1º de Carlos Magno de 172 (18.6.2026) tivemos a honra e a felicidade de participar do evento internacional “História, editoração e ensino em Ciências Sociais”, promovido pela Profª Fernanda H. Cupertino Alcântara, da UFJF; em particular, participamos da sessão virtual “Painel Virtual 03 – Autores clássicos e canonizados das Ciências Sociais”.

Nossa exposição chamou-se "Academicismo e preconceitos contra o Positivismo" (embora tenha sido inicialmente intitulada "A atualidade da sociologia de Augusto Comte, o fundador").

O evento foi transmitido no canal do Laboratório Harriet Martineau (aqui: https://www.youtube.com/live/Gjz2TzIcNEE).

As anotações que foram lidas em nossa exposição encontram-se reproduzidas abaixo.

*    *   *


Academicismo e preconceito contra o Positivismo

Gustavo Biscaia de Lacerda

1.Carlos Magno.172 (18.6.2026) 

Introdução

1.     Antes de mais nada, agradeço à Profª Fernanda H. Cupertino Alcântara pelo convite para participar do evento internacional “História, editoração e ensino em Ciências Sociais”, neste “Painel Virtual 03 – Autores clássicos e canonizados das Ciências Sociais”

2.     Fomos convidados para falar sobre Augusto Comte e sua sociologia; além de nossa tese de doutorado versar justamente sobre esse tema (em particular, sobre sua teoria política), somos positivistas e também sacerdote da Humanidade

2.1.   Citamos nossa condição de sacerdote não por vaidade, mas porque isso será relevante para nossa exposição, mais adiante

3.     Temos que indicar que se apresentam algumas dificuldades para a nossa exposição sobre a sociologia comtiana

3.1.   A primeira dificuldade, evidentemente, é a limitação do tempo: o tema é amplíssimo, o tempo é muito curto

3.2.   Em segundo lugar, a ignorância a respeito do tema é generalizada e profunda, o que exigiria uma exposição bastante elementar; isso por si só não apresenta problemas, é claro, mas por um lado exige que se faça uma ampla série de considerações preliminares (que, diga-se de passagem, já integram a sociologia comtiana, embora ultrapassam-na muito) e, por outro lado, dificulta que aprofundemos questões específicas, cuja apresentação seria em tese um dos objetivos deste belo evento

3.3.   Mas, em terceiro lugar, de maneira tão ou até mais importante que a limitação do tempo e a ignorância generalizada, uma dificuldade central na exposição da sociologia de Comte são os inúmeros, incoerentes e profundos preconceitos ativamente mantidos contra ele: antes e durante a exposição sobre Comte, é sempre necessário adotar uma postura sistemática de “contra-crítica”, o que é tanto cansativo e desgastante como demorado

3.3.1. Evidentemente, esse muro de preconceito – muro da vergonha, da humilhação, da degradação – é, estreitamente em conjunto com as modinhas acadêmicas e políticas, um dos motivos para a ignorância generalizada que pesa sobre Comte

3.3.2. Os preconceitos e as modinhas também resultam em que Augusto Comte, embora tenha sido verdadeiramente o fundador da Sociologia – no livro de 1822 Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade, bem como nas obras Sistema de filosofia positiva (1830-1842) e Sistema de política positiva (1851-1854) –, com freqüência é destituído desse belo e importante título, em favor de esquemas arbitrários e incoerentes, criados para a autojustificação de acadêmicos ambiciosos (em particular, Talcott Parsons e Anthony Giddens, com seus esquemas ultrassimplificadores dos “três porquinhos”)

3.3.3. Vale notar que foi devido a esses problemas que decidimos nomear inicialmente a nossa fala com o título meio prepotente de “A atualidade da sociologia de Augusto Comte, o fundador”, a fim de afirmar com clareza a importância histórica e intelectual de Comte

4.     Em virtude dos aspectos acima, tomamos a decisão de não apresentar diretamente a sociologia de Comte, que é o tema para o qual fomos convidados, mas, em vez disso, resolvemos, por um lado, fazer uma exposição apofática (ou seja, definir por meio das negações) e, por outro lado, fazer uma pequena sociologia da academia brasileira, com algo como um relato etnográfico, enfatizando os vícios academicistas contra o Positivismo

4.1.   Para deixar clara nossa perspectiva: nossa exposição será sobre a obra de Comte, mas não a encaramos como “comtismo”: a proposta, a inspiração de Comte resultou no Positivismo e não é redutível a “comtismo”; inversamente, contra as ampliações feitas pelos críticos, o Positivismo consiste nas concepções e nas práticas inspiradas por A. Comte (e, mais uma vez, não o que os críticos chamam de “positivismo”)

4.2.   Além disso, nossa exposição será bastante dura, especialmente na última parte, em que comentaremos a postura acadêmica/academicista a respeito do Positivismo

5.     Antes de seguirmos adiante, é importante afirmarmos com todas as letras e com o máximo de clareza que uma importantíssima exceção ao comportamento que descreveremos e criticaremos daqui a pouco é, justamente, a da Fernanda Alcântara, que, embora mantendo divergências conosco, de maneira muito honesta reconhece a importância de conhecer diretamente a obra de Augusto Comte e dos positivistas e de conversar com os positivistas para conhecê-los e entendê-los

Os preconceitos como postura e procedimentos básicos contra Comte e o Positivismo

6.     A postura básica a respeito de Comte e do Positivismo é a postura de “crítica”

6.1.   Qualquer “crítica”, para ser verdadeira e, talvez, frutífera, tem que se basear no mínimo no conhecimento efetivo daquilo que se critica, bem como tem que se basear na boa fé de quem critica a respeito de quem e do que é criticado

6.2.   Todavia, o que se verifica no Brasil (e nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Alemanha – e daí para o mundo) é que a crítica precede, enviesa e impede o conhecimento, resultando pura e simplesmente em preconceitos, que retroalimenta a crítica e mais preconceitos

6.2.1. Esse tipo de crítica, portanto, não consiste em apreciações morais, intelectuais e práticas a partir de parâmetros expostos com clareza; as críticas preconceituosas são puramente destrutivas, encarando a má fé sistemática como um procedimento legítimo no curso de guerras intelectuais (luta de classes, luta de raças, luta de sexos etc.)

6.3.   Vemos esse comportamento a respeito do Positivismo, mas não somente em relação a ele – comportamento que é chocante e que deveria ser escandaloso – tanto da parte de marxistas quanto de liberais, tanto de teológicos quanto de pós-modernos, tanto há 60 anos (e muito antes), quanto há 30 anos, quanto atualmente: Sérgio Buarque (cf. Lacerda, 2019), Zilberman (2003), Rosenfield (2026)

7.     Comte e o Positivismo são o bode expiatório, a Geni, o “outro”: eles são o alvo preferencial contra o qual todos põem-se e todos precisam pôr-se; para que o Positivismo torne-se realmente um alvo, não se hesita em mentir e em falsear as opiniões, (1) seja com mentiras pura e simples, (2) seja com o sofisma do espantalho, (3) seja com a aplicação de dois pesos e duas medidas (ou seja, com hipocrisia)

7.1.   A esse respeito, um rápido comentário pessoal: eu disse antes que sou positivista e também sacerdote da Humanidade; além disso, também sou servidor da UFPR: não sou professor, sou sociólogo da instituição, ou seja, servidor técnico-administrativo de nível superior

7.2.   Os preconceitos político-intelectuais e o academicismo atuam agressivamente aí: somente professores podem falar e ser ouvidos e, ainda mais, somente professores de “programas de pós-graduação”; quem não é professor, quem não é professor de pós-graduação e quem não integra as modinhas acadêmicas é sumariamente excluído; a minha condição de sacerdote da Humanidade hipocritamente intensifica tudo isso

8.     É importante insistir em que a hipocrisia atua agressivamente: marxistas, feministas, liberais, pós-modernos; padres, pastores, pais/mães de santo, monges budistas; líderes sindicais, membros de ONGs etc.: todos esses são cuidadosamente e cada vez mais ouvidos nos meios de comunicação e na academia; mas não os positivistas, a quem se aplica uma censura consciente, seja em termos acadêmicos, seja em termos religiosos, seja em termos filosóficos

8.1.   Tal censura eu pessoalmente já sofri em inúmeras ocasiões, bem como inúmeros outros positivistas que sofreram tratamentos idênticos em inúmeras ocasiões

8.2.   Ora, a proposta de “inclusão” é defendida (pelos marxistas, pelos pós-modernos, pelas pessoas ligadas ao “Sul Global” etc.), mas faz-se questão de rejeitar sistematicamente o Positivismo

8.3.   Da mesma forma, afirma-se atualmente com estridência o “lugar de fala”, mas o Positivismo é impedido de falar: somente os críticos podem falar a seu respeito, em total desprezo para com os positivistas

9.     Na prática de considerar o Positivismo a partir de preconceitos, os seus críticos atribuem-lhe os próprios vícios, bem como todos os defeitos possíveis; inversamente, fazem questão de negar ao Positivismo suas características próprias, suas virtudes e, claro, os traços compartilhados com os próprios críticos (o que, vale notar, corresponde a uma combinação de preconceito, má fé e falta de relativismo e de generosidade)

9.1.   Vários exemplos de preconceitos, que servem tanto para recordarmos o que sempre se ouve e lê e para apresentar alguns conceitos do Positivismo:

9.1.1. Seguindo uma das modas atuais, repete-se o preceito de Donald Davidson de que a interpretação e as conversas devem ser pautadas pela boa fé e pela vontade; mas atribui-se ao Positivismo a má fé e o mecanicismo, desprezando-se a afirmação positivista do altruísmo e a lei-mãe da Filosofia Primeira (“formular a hipótese mais simples, mais estética e mais simpática que comporte os dados”), que estabelece que se deve partir sempre da boa fé

9.1.2. Afirma-se que o Positivismo seria “burguês”, mas desprezam-se as sistemáticas valorização e defesa positivista do proletariado e as conexas e duríssimas críticas positivistas contra a burguesia, contra o liberalismo econômico, contra o mesquinho egoísmo burguês, contra a irresponsável e criminosa proposta de “Estado mínimo” etc., além das atuações práticas dos positivistas em favor da inclusão social do proletariado e dos povos indígenas, da criação de bancos populares, de cooperativas de crédito, de sindicatos e de centrais sindicais etc.

9.1.3. Outro exemplo: afirma-se que o Positivismo seria estritamente racionalista, que seria colonialista, que seria eurocêntrico, que seria “capitalista”, que seria pela exploração predatória da natureza, que seria alienante, que seria anti-histórico etc. e, ao mesmo tempo, nega-se, recusa-se e despreza-se a valorização e a defesa positivista dos povos indígenas, do neofetichismo, dos animais, do “reencantamento do mundo” (ou melhor, da manutenção do “encantamento do mundo”), da noção afirmativa da Humanidade, da noção historicizante de continuidade etc.

9.1.4. Afirma-se que o Positivismo seria reducionista, materialista, cientificista, “naturalista”, contra a dignidade humana, contra a particularidade das ciências humanas, mas ao mesmo tempo, nega-se, recusa-se e despreza-se a valorização e a defesa positivista do método subjetivo, da superioridade das ciências humanas, da afirmação das ciências humanas como “ciências superiores” e “ciências sagradas”, da afirmação moral, intelectual e prática da Moral etc.

9.1.5. Afirma-se que o Positivismo seria reducionista, que não reconheceria a “complexidade”, que seria radicalmente materialista, que negaria a espontaneidade, que seria intelectualista e estritamente racionalista, que reduziria o ser humano ao intelecto e à ciência etc., mas ao mesmo tempo, nega-se, recusa-se e despreza-se a afirmação positivista clara, constante e fundamental da visão de conjunto, da perspectiva de totalidade, da noção de tríplice natureza humana, das múltiplas relações abstratas e concretas entre sentimentos, inteligência e atividade prática, da superioridade dos sentimentos sobre a inteligência, sobre o papel necessariamente regulador dos sentimentos e da atividade prática sobre a inteligência, da importância da arte e da complementaridade necessária entre arte e filosofia, da superioridade da filosofia sobre a ciência etc.

A crítica positivista ao academicismo

10.   A sociologia comtiana e a prática positivista são radicalmente contrárias ao academicismo[1]

10.1.               Mas o que podemos entender como sendo o academicismo? Podemos defini-lo a partir do Positivismo como sendo a tendência a considerar que somente na academia, isto é, nas universidades, é possível ser inteligente, produzir ciência e, de modo geral, produzir conhecimento

10.2.               Inversamente, o academicismo estabelece que qualquer produção intelectual que se desenvolva fora das universidades não tem valor intelectual

10.2.1.   O academicismo chega a tal ponto que muitas vezes nem mesmo instituições de pesquisa que não sejam “universidades” não são respeitadas

10.3.               Em virtude disso, o academicismo considera que, se alguém não possui um diploma, não tem valor intelectual

10.3.1.   Assim, o academicismo estabelece que o valor intelectual de alguém está vinculado à posse de algum(ns) pedaço(s) de papel

11.   Um cuidado que temos que adotar: é necessário termos clareza a respeito de um aspecto central: o vício moral-intelectual-institucional do academicismo é muito diferente da valorização da instrução e da busca de conhecimentos teóricos e práticos; em outras palavras, ao criticarmos o academicismo, não criticamos os esforços coletivos e individuais em prol do esclarecimento e do conhecimento

12.   Uma outra manifestação do academicismo é julgar que, se algum corpo doutrinário não foi elaborado nas universidades, ou não foi ensinado nas universidades, ele não tem existência efetiva e/ou não tem valor

12.1.               Esse vício tem aplicação geral, mas refere-se especificamente ao Positivismo: como a Sociologia foi fundada por Augusto Comte fora das universidades e ela só passou a ser ensinada nas universidades a partir dos anos 1890 (com uma outra geração de pensadores, que eram não positivistas e estreitamente vinculados a universidades), o academicismo pretende que a Sociologia só teria surgido a partir dos anos 1890

12.2.               Ou, inversamente: como Augusto Comte elaborou suas reflexões fora das universidades, a sua Sociologia não seria científica, não seria uma “verdadeira Sociologia”

12.3.               Essas concepções são aplicadas atualmente, mas é claro que sempre foram autoaplicadas pelo, ao e para o público universitário

12.3.1.   Além da aplicação à realidade atual, essas concepções também são ampliadas e exageradas para considerar que as universidades em geral, desde sempre, foram sempre bastiões do conhecimento verdadeiro

12.4.               O academicismo, dependendo da sua versão (ou dos seus exageros), pode ser cientificista ou não: ele pode fingir que as universidades durante séculos não foram bastiões conservadores ou retrógrados da metafísica e da teologia

13.   Pelo que falamos até agora, deve estar claro, mas convém repetir: ao contrário do que propõe mais um mito preconceituoso, o Positivismo é antiacademicista – e anticientificista

13.1.               Embora não possamos apresentá-la, importa afirmarmos que a concepção de ciência do Positivismo realmente valoriza a ciência, mas ao mesmo tempo, e mais importante, reconhece e estabelece limites para a ciência e, ao coordenar a existência humana, estabelece que a ciência ocupa uma posição necessariamente limitada e subordinada

13.1.1.   Para usar conceitos atuais: o Positivismo tem uma concepção reflexiva, profunda e densa da ciência e do conhecimento humano; dessa forma, sua concepção da ciência não é simplista e não a considera todo-poderosa

13.2.               Assim, o Positivismo é antiacademicista por si só, mas o anticientificismo do Positivismo reforça o antiacademicismo

13.3.               Além disso, o antiacademicismo do Positivismo também se vincula a um respeito pela sabedoria popular

14.   Devemos notar que um traço adicional do academicismo consiste em sua profunda ambigüidade – consciente e proposital, diga-se de passagem – a respeito de sua atuação como poder espiritual

14.1.               O que é o poder espiritual? O poder espiritual é um dos dois poderes fundamentais da sociedade; ele corresponde aos órgãos que modificam a conduta dos indivíduos a partir do aconselhamento, ou seja, subjetivamente, com base na educação, nos valores e idéias compartilhados, a partir da confiança pública; ao poder espiritual contrapõe-se de maneira complementar o poder temporal, que é o que chamamos de Estado e que modifica a conduta de maneira objetiva e impositiva, sempre com a possibilidade de emprego da violência

14.2.               A noção de poder espiritual, em contraposição complementar com a noção de poder temporal, estabelece condições de atuação e regras de funcionamento; impõe obrigações morais, intelectuais e práticas para os membros do poder espiritual e impõe estruturas institucionais para seu funcionamento

14.3.               A condição institucional básica é a separação entre o poder temporal e o poder espiritual, que vulgarmente é chamada de laicidade do Estado mas que é muito mais ampla: geralmente a laicidade é dirigida contra os teológicos (não raro com um viés anticlericalista), mas é claro que ela deve considerar também as universidades e os acadêmicos (e os próprios positivistas!)

15.   Os acadêmicos/academicistas não se vêem como membros do poder espiritual; não por acaso, com freqüência eles não têm pudor em empregar o Estado para imporem suas crenças

15.1.               Isso é mais notável no caso dos marxistas e dos pós-modernos/identitários – para quem tudo na sociedade é político e disputa de poder e, portanto, tudo é recurso mobilizável nos conflitos – e menos intenso no caso dos liberais

15.2.               Assim, o academicismo é a versão metafísica (e corrompida) do poder espiritual, da mesma forma que a igreja católica é um exemplo de poder espiritual teológico

15.3.               Quando convém, os acadêmicos/academicistas assumem-se como poder espiritual; quando convém, recusam essa postura; quando convém, são engajados; quando convém, são “científicos”: em tal oscilação há uma enorme hipocrisia – daí um dos aspectos que ilustram a degradação do poder temporal acadêmico/academicista

15.4.               Um dos aspectos da ambigüidade e da hipocrisia acadêmica/academicista é a manutenção intencional da “mente dividida”, ou da duplicidade mental e de comportamentos: na academia são “críticos” (secularistas, embora de modo geral sejam materialistas, ateus e anticlericalistas), mas fora da academia assumem teologias e metafísicas variadas

15.5.               Mais uma vez: em nome de supostos pluralismo e inclusão, os acadêmicos/academicistas ouvem e fazem questão de ouvir os mais variados grupos sociais, desde os mais grotescos, aberrantes e místicos até os mais razoáveis e aceitáveis; mas ao mesmo tempo fazem questão de rejeitar, ironizar e desprezar os positivistas, a Religião da Humanidade, a sociocracia, o neofetichismo etc.

16.   Como resumo e síntese dos inúmeros problemas que vimos indicando, os acadêmicos dizem desejar auxiliar a renovar a sociedade, mas suas atividades com frequência não têm objetivos claros além de pesquisas infindáveis e de críticas destruidoras sistemáticas; nisso, a ausência de completude e a precariedade filosófica são vistas como virtudes

16.1.               Tudo isso gera instabilidades moral e social imensas, que não por acaso são preenchidas pelas teologias e pelas concepções absolutas; os acadêmicos respeitam ou esnobam essas concepções, mas ao mesmo tempo e de maneira mais importante desprezam e combatem ativamente o Positivismo, que reconhece que a instabilidade é ruim, que a concepção de pesquisas acadêmicas infindáveis é pueril ou daninha e que propõe com clareza a sistematização e a disciplina positiva da existência humana

17.   Em face da ambigüidade acadêmica/academicista como poder espiritual, não causa nenhum espanto o Positivismo ser o alvo preferencial das críticas destrutivas e dos preconceitos acadêmicos/academicistas: o Positivismo é combatido por inveja, por mesquinhez e porque se percebe que o êxito do Positivismo corresponde ao fim da irresponsabilidade, da mediocridade e da mesquinhez academicista

 

Referências

Botelho, André. (org.) 2013. Sociologia essencial. São Paulo: Penguin-Companhia.

Comte, August. 1900. Synthèse subjective. 2e éd. Paris: Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte.

Comte, Augusto. 1880. Système de politique positive. 4e éd. Paris: J.-B. Baillière.

Comte, Augusto. 1899. Apelo aos conservadores. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil.

Comte, Augusto. 1934. Catecismo positivista. 4ª ed. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil.

Comte, Augusto. 1972. Opúsculos de filosofia social. São Paulo: USP.

Lacerda, Gustavo B. 2016. Laicidade na I República brasileira: os positivistas ortodoxos. Curitiba: Appris.

Lacerda, Gustavo B. 2018. Comtianas brasileiras: Ciências Sociais, Brasil e cidadania. Curitiba: Appris.

Lacerda, Gustavo B. 2019. O momento comtiano: república e política no pensamento de Augusto Comte. Curitiba: UFPR.

Lacerda, Gustavo B. 2022. Positivismo, Augusto Comte e epistemologia das ciências humanas e naturais. Marília: Poiesis.

Lacerda, Gustavo B. 2023. Prédica positiva “Comentários sobre o cientificismo e o academicismo”. 10 de Aristóteles de 169 (4 de abril de 2023). Curitiba: Igreja Positivista Virtual. Disponível em: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2023/04/comentarios-sobre-o-academicismo-e-o.html.

Lacerda, Gustavo B. 2026. Manifesto pela liberdade acadêmica sem (auto)responsabilização. Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 20 maio.

Lagarrigue, Luís. 1890. La poesía positivista. Santiago do Chile: s/n.

Lonchampt, José. 1896. Ensaio sobre a oração. Catálogo da Igreja Positivista do Brasil, n. 165. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil.

Rosenfield, Luís. 2026. A era cientificista (1870-1904). Brasília: Senado Federal.

Teixeira Mendes, Raimundo. 1898. As últimas concepções de Augusto Comte. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil.

Teixeira Mendes, Raimundo. 1900. O ano sem par. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil.

Zilberman, Regina. 2003. O Positivismo e a história da literatura brasileira. In: Moreira, Maria Eunice. (org.). Histórias da literatura: teorias, temas e autores. Porto Alegre: Mercado Aberto.



[1] Retomamos nesta seção algumas observações feitas em Lacerda (2023).

28 fevereiro 2026

I Seminário internacional de história, editoração e ensino nas ciências sociais

Entre os dias 18 e 26 de junho ocorrerá na Universidade Federal de Ouro Preto o "I Seminário internacional de história, editoração e ensino nas ciências sociais", com participações à distância e presenciais.

A partir do gentil convite da Profª Fernanda Henrique C. Alcântara, nós teremos a oportunidade e a felicidade de participar já no dia 18, a partir das 18h, em versão à distância, com a exposição "A atualidade da Sociologia de Augusto Comte, o fundador".

A inscrição é gratuita e pode ser feita diretamente na página do evento, aqui: https://doity.com.br/sihee-cso





24 dezembro 2022

Live AOP: Fernanda Alcântara - "Harriet Martineau e Augusto Comte"

No dia 21 de dezembro tivemos mais uma Live AOP, desta feita com a participação da Profª Drª Fernanda H. C. Alcântara, da Universidade Federal de Juiz de Fora (campus de Governador Valadares). Em uma agradável conversa que durou quase duas horas, a palestra tratou de Harriet Martineau e de suas relações com Augusto Comte. A Profª Fernanda tem-se dedicado, nos últimos vários anos, a estudar, resgatar e traduzir a obra de Harriet Martineau (ou "Miss Martineau", como sempre foi respeitosamente referida nos círculos positivistas).

O vídeo dessa Live AOP pode ser visto no canal Positivismo, aqui: l1nq.com/Martineau.

Harriet Martineau foi uma pensadora, socióloga, etnóloga e divulgadora da ciência que atuou na Inglaterra de meados do século XIX. No que se refere a Augusto Comte e ao Positivismo, Miss Martineau fez em 1851-1852 a famosa condensação do Sistema de filosofia positiva de Augusto Comte, publicado originalmente entre 1830 e 1842, em seis volumes; na versão condensada, essa obra ficou com três volumes (ou até dois, dependendo da edição), sob o título "A filosofia positiva de Augusto Comte". O trabalho foi tão bem feito que Augusto Comte - que em sua correspondência com Miss Martineau tratava-a por "minha colega" - passou a recomendar a leitura não do seu próprio original, mas da versão condensada!

Em virtude desse trabalho importantíssimo e descumunal, Miss Martineau tornou-se uma das mais importantes divulgadoras do Positivismo na Inglaterra. Embora tenha participado desse relevante serviço após John Stuart Mill, as pesquisas da Profª Fernanda levam a crer que Miss Martineau atingiu um público bem maior, seja junto ao comum do povo, seja junto aos eruditos e pesquisadores.

(Algumas observações bibliográficas, teóricas e históricas: o Sistema de filosofia positiva foi originalmente intitulado Curso de filosofia positiva; mas, a partir de 1848 (no Discurso sobre o conjunto do Positivismo), Augusto Comte estabeleceu que essa obra deveria ser indicada e renomeada como Sistema de filosofia positiva. A obra original era em francês; a condensação de Miss Martineau foi feita em inglês; Comte recomendava a leitura tanto da versão em inglês quanto, é claro, a em francês. Por fim, a condensação não é um resumo: trata-se de uma nova obra, que aborda de maneira mais direta os mais importantes assuntos tratados na obra original.)

Esse trabalho descomunal pode ser consultado, lido e baixado no portal Internet Archive

- volume 1: aqui

- volume 2: aqui




08 setembro 2021

Exposição no evento "200 anos de Sociologia: Augusto Comte"

No dia 3 de setembro de 2021 tive a honra e a alegria de realizar a exposição inaugural do curso de extensão "200 anos de Sociologia", promovido em conjunto pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS); esse curso é organizado pelas professoras Fernanda Alcântara e Giulle da Mata.

Após a vergonhosa e (quase) total omissão da academia brasileira (incluindo aí a própria SBS) quando dos 200 anos de nascimento de Augusto Comte (em 1998) e dos 150 anos de sua morte (em 2007), a inclusão do fundador do Positivismo como autor que inaugura um evento sobre o bicentenário de uma das disciplinas fundadas por A. Comte não deixa de ser ao mesmo tempo alvissareira e um pequeno ato de desagravo.

Minha exposição, conforme anunciado antes (aqui), apresentou vários dos elementos fundamentais da Sociologia do fundador da Sociologia, isto é, de Augusto Comte. A gravação do evento está disponível no meu canal Positivismo (aqui) e no Youtube em geral (aqui), bem como a exposição para Powerpoint que elaborei está disponível aqui.

Os materiais indicados acima, bem como uma descrição e uma justificativa do evento como um todo, também podem ser obtidos no blogue da prof. Fernanda Alcântara (aqui).

[Nota acrescentada em 9.9.2021 e em 14.9.2021: a omissão da academia brasileira no que se refere ao bicentenário do fundador da Sociologia, em 1998, não foi total; houve três eventos. 

O querido professor Valter Duarte Ferreira Filho, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizou dois eventos, um na UFRJ e outro na UERJ, celebrando o bicentenário de nascimento de Augusto Comte. O evento da UFRJ contou com a presença do cônsul da França e com a exposição de membros da Igreja Positivista do Brasil, como o meu caro amigo Hernani Gomes da Costa; o evento da UERJ foi uma apresentação realizada por Danton Voltaire Pereira de Souza, também da Igreja Positivista do Brasil.

Além disso, a UFRGS organizou um evento de vários dias, integrando comemorações internacionais e contando com palestrantes nacionais e estrangeiros. Houve uma sessão na Igreja Positivista do Rio Grande do Sul, presidida por Mozart Pereira Soares.]

Abaixo reproduzo as anotações que elaborei para a exposição de 3.9.2021.

*   *   *

 -        Introdução: definições apofáticas

o   Que é o Positivismo?

§  O Positivismo é:

1)      Uma religião secular, uma filosofia histórica, relativista e objetiva-subjetiva, uma prática humanista, pacifista, tolerante, universalista e includente

a.       É um sistema de educação universal

2)      “Real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico, simpático”

3)      Uma religião que afirma, regula e estimula o altruísmo inato (que, por sua vez, orienta e limita o egoísmo também inato)

4)      Uma política humanista, altruísta, racional, histórica, sensível à opinião pública e baseada em evidências e nas liberdades

5)      Uma afirmação da realidade humana e dos valores humanos

6)      Uma afirmação da historicidade humana e, portanto, do relativismo

§  O Positivismo não é:

1)      Não é ateísmo

2)      Não é uma “teologia científica” (Religião da Humanidade)

3)      Não é um cientificismo nem um academicismo

a.       Não é reducionista (ele afirma a dignidade de cada ciência e, em particular, do ser humano e das Ciências Humanas)

4)      Não é um “naturalismo” (não reduz as Ciências Humanas às Ciências Naturais)

a.       Não é a favor da oposição “explicação” versus “compreensão”

5)      Não é um “empiricismo”

6)      Não é ideológico

a.       Não é uma ideologia burguesa

7)      Não é militarista

8)      Não é uma afirmação do Estado totalitário nem da sociedade sufocante anti-indivíduo

9)      Não é otimismo ingênuo (“pensamento positivo”)

10)  Não é nem idealista nem materialista

11)  Não é fatalista nem nega a liberdade humana

-        Confusão generalizada e intencional:

o   Interpretações nacionais:

§  alemães (Escola de Frankfurt): desumanização do homem por meio da técnica e da razão instrumental; redução do ser humano a “coisas” (a serem manipuladas pelo capitalismo)

§  alemães (Dilthey, interpretativistas): negação sistemática da liberdade e da subjetividade humanas; redução do ser humano a “coisas” (como se fossem objetos das ciências naturais)

§  anglófonos (Stuart Mill, Giddens, Alexander): no caso de Comte: ou uma obra delirante ou um mero prenúncio do “empiricismo” do Círculo de Viena

§  estadunidenses: Sociologia funcionalista, mecanicista e/ou qualitativista

§  franceses (Aron, Alain): há vários “positivismos” e o de Comte não é redutível a outros

o   Interpretações ideológicas:

§  Marxismo: burguês, explorador, dominador, alienante

§  Liberalismo: autoritário, militarista

§  Catolicismo: ateu, totalitário, cientificista, militarista

§  Feministas: machista e patriarcal

§  Movimento Negro: racista, colonialista, desprezo pelos negros, desprezo pela contribuição africana

o   Em suma: Comte e o Positivismo são a Geni (Chico Buarque, Geni e o zepelimhttps://www.letras.mus.br/chico-buarque/77259/):

Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!

o   São os inimigos preferenciais, que não precisam nem podem ser conhecidos e que existem apenas para serem desprezados à não importa o que Comte e os positivistas escrevem, mas o que os críticos desejam que eles sejam

-        Comte como “clássico” (J. Alexander)

o   “Positivismo” é a obra de Augusto Comte

-        Vida e obra de Comte

o   França posterior à Revolução Francesa

§  Busca de uma nova organização social e de novos princípios legitimadores, adequados a uma sociedade industrial e com a ciência

o   Obras

§  Opúsculos de Filosofia Social (1816-1828) (em particular: Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade, de 1822 e 1824)

§  Curso de filosofia positiva, em 6 volumes (1830-1842) (em 1848 foi renomeado para Sistema de filosofia positiva) à coleção “Os pensadores” (lições 1 e 2)

§  Curso filosófico de Astronomia popular (1844)

§  Discurso sobre o espírito positivo (1844 – “Introdução” do Curso de Astronomia) à coleção “Os pensadores”

§  Discurso sobre o conjunto do Positivismo (1848) à coleção “Os pensadores” (2/3 do cap. 1)

§  Sistema de política positiva, em 4 volumes (1851-1854)

§  Catecismo positivista (1852) à coleção “Os pensadores”

§  Apelo aos conservadores (1855)

§  Síntese subjetiva (1856)

§  Correspondência, em 8 volumes (1816-1857)

-        Epistemologia comtiana:

o   Questões de estilo de escrita e da forma de raciocinar:

§  Englobamento de contrários (Louis Dumont)

§  Estilo “criptográfico” e “chinês” (Ângelo Torres e Emmanuel Lazinier)

§  Perspectivas “telescópica” e “caleidoscópica” (Angèle Kremer-Marietti)

o   Caráter tríplice da natureza humana: conjugação da espontaneidade com a sistematicidade: “Agir por afeição e pensar para agir”

§  princípio: sentimentos (impulso)

§  meio: inteligência (conselho)

§  resultado: ação prática (execução)

o   Caráter histórico da natureza humana: desenvolvimento de atributos ao longo do tempo

§  Em particular: da paz, da indústria, do trabalho livre, da ciência; do relativismo e da própria historicidade

o   Filosofia positiva: estudo das ciências para determinar: a lógica da ciência, as bases da Sociologia, as bases do novo poder espiritual, a síntese positiva e subjetiva

o   Espírito positivo: bom senso comum, com a continuidade do conhecimento empírico e as elaborações científicas

§  Daí a busca das leis naturais (relações entre os fenômenos) e a rejeição das “causas” absolutas (teológicas e metafísicas)

§  Daí também a combinação entre realidade e utilidade da ciência e a rejeição do academicismo

§  “Para completar as leis são necessárias vontades”

o   Acepções de “positivo”: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático

o   Síntese subjetiva:

§  Visão de conjunto (em termos de natureza humana, de concepções e de objetivos): filosofia, arte, indústria, política, ciência

·         Todos devem entendimentos gerais sobre tudo; em contraposição, a atuação prática é sempre parcial

§  Subordinação da inteligência à afetividade e à atividade prática

·         Relações íntimas entre simpatia, síntese e sinergia

§  Concepções que explicam e regulam o conjunto das realidades humanas e cósmica

§  Afirmação da preponderância normal das ciências superiores (Sociologia e Moral) sobre as ciências inferiores (Matemática até a Biologia), ao mesmo tempo em que “os fenômenos mais nobres subordinam-se aos mais grosseiros” à “multi” e “transdisciplinariedade”

·         O altruísmo e o egoísmo são inatos (ou seja, são naturais) à mas: a maior fraqueza do altruísmo e o desenvolvimento histórico da paz, da indústria e da ciência exigem o emprego constante e permanente de todos os recursos sociais e individusia disponíveis para a afirmação do altruísmo

§  Unidade da ciência: multiplicidade e autonomia das ciências; homogeneidade de método e de doutrina

§  Estabelece não apenas o que se pode conhecer e fazer, mas, acima de tudo, o que se deve fazer (ou não fazer)

§  Definição da moralidade: estímulo e prática do altruísmo (ternura), compressão do egoísmo (pureza)

o   Lógica positiva:

§  Conjunto dos meios próprios a estimular e a orientar o pensamento humano: sentimentos, imagens, sinais

§  Caráter afetivo da inteligência

§  Subordinação da imaginação à observação (mas reconhecendo a legitimidade da imaginação e a relativa autonomia da inteligência)

§  Incorporação do fetichismo inicial ao positivismo final: radicalização da noção de afetividade

§  Leis da Filosofia Primeira

§  A Humanidade é a única realidade que reúne em si os sentimentos (universais), a atividade (compartilhada com o planeta Terra, ou Grão-Meio) e a inteligência (exclusiva da Humanidade, ou Grão Ser) à isso torna a intencionalidade o atributo exclusivo dos seres humanos

o   Relativismo e subjetivismo:

§  “Relacionismo” cognitivo (sensações) e intelectual (relações entre fenômenos)

§  Antiabsolutismo

§  “Subjetivismo social”, relativo ao ser humano em geral à novo antropocentrismo

o   Historicidade do ser humano e das concepções humanas:

§  o ser humano é um ser social e histórico: afirmação da solidariedade e da continuidade

§  a experiência histórica não é (e não pode ser) desperdiçada: os contextos mudam, mas há grandes continuidades (e mesmo essas continuidades mudam)

§  a história não é passado-presente-futuro, mas passado-futuro-presente

§  essas concepções são o fundamento último da Sociologia (cujo método específico é a “filiação histórica”)

-        Leis dos três estados

o   (1) Leis (2) sociológicas (3) dinâmicas:

§  inteligência: “cada entendimento oferece a sucessão dos três estados, fictício, abstrato e positivo, em relação às nossas concepções quaisquer, mas com uma velocidade proporcional à generalidade dos fenômenos correspondentes”

§  atividade prática: “a atividade é primeiro conquistadora, em seguida defensiva e enfim industrial”

§  afetividade: “a sociabilidade é primeiro doméstica, em seguida cívica e enfim universal, segundo a natureza peculiar a cada um dos três instintos simpáticos” (apego, veneração e bondade)

o   a teologia e a metafísica são absolutas, enquanto a positividade é relativa

o   diferentes formulações ao longo do tempo: de “estados fictício, abstrato e científico” para “estados teológico, metafísico e positivo”

§  entregue a si mesma a ciência tende a tornar-se absoluta à constituição de um quarto estado (filosófico, sintético e relativo) em oposição à mera ciência (analítica e passível de voltar ao absoluto)

o   desenvolvimento histórico da paz, da indústria, do trabalho livre, da ciência, do relativismo, da historicidade

-        Escala enciclopédica

o   lei explicativa da lei intelectual dos três estados

o   multiplicidade das ciências à multiplicidade das leis naturais à autonomia das ciências (relações entre subordinação e dignidade)

§  Anti-reducionismo

§  Mudanças ao longo do tempo: fundação da Moral como ciência suprema; Sociologia como preparatória da Moral (v. II-III da Política)

o   classificação das ciências (abstratas) e respectivos métodos:

§  Matemática: dedução

§  Astronomia: observação

§  Física: experimentação

§  Química: nomenclatura

§  Biologia: comparação

§  Sociologia: filiação histórica

§  Moral: construção

o   critérios:

§  lógicos e históricos

§  generalidade decrescente e especificidade (complexidade) crescente

§  dedutibilidade decrescente e empiricidade crescente

§  quanto mais elevada a ciência, mais complexa e nobre ela é à mais modificável à maior capacidade de intervenção humana

o   espírito positivo versus ciência

§  ciência: conhecimento analítico da realidade, por meio das leis naturais abstratas; conjunto mais ou menos homogêneo de doutrinas e métodos empregados na exploração de um determinado âmbito da realidade

§  espírito positivo: compreensão sintética da realidade, elaborada pela filosofia, abrangendo a ciência, a atividade prática (que deve ser sinergética) e os sentimentos (que devem ser simpáticos)

§  enquanto a ciência tende a secar e a isolar o ser humano (em termos intelectuais, afetivos e práticos), o espírito positivo busca desenvolver o espírito e a integrar o ser humano

·         o objetivo da ciência é auxiliar o ser humano em seu desenvolvimento à antes de mais nada moral e, depois, material à é assim que se deve julgar e avaliar a ciência

-        Sociologia comtiana

o   Busca de um novo poder espiritual: necessidade e oportunidade de fundação de uma ciência relativa à sociedade

§  necessidade de entender o que ocorria na Europa após a Revolução Francesa e de solucionar os problemas sociais e políticos

§  disponibilidade de meios intelectuais para isso (o desenvolvimento do método científico e a conseqüente maturidade intelectual para a criação da Sociologia)

o   Em face da especialização das ciências, como proceder? Por meio da criação de uma nova disciplina

§  caráter múltiplo da Sociologia:

·         afirmação da perspectiva humana (em termos morais)

·         investigação da realidade humana (em termos científicos)

·         investigação de aspectos específicos da realidade social

·         afirmação da perspectiva de conjunto (continuidade e solidariedade) da existência humana

·         proposição de medidas adequadas à solução dos problemas

o   Método específico da Sociologia: filiação histórica:

§  historicismo

§  relativismo

§  visão de conjunto:

·         Estática (sincronia: ordem)

·         Dinâmica (diacronia: progresso)

o   rejeição do materialismo:

§  o método específico da Sociologia é a filiação histórica, não a matematização da sociedade

§  criação da palavra “Sociologia” para marcar a diferença com Quétélet

o   Elaboração de leis sociológicas qualitativas

o   Proposta do “método patológico” (v. II da Política)

o   Não há biologicismo, apenas o emprego eventual de algumas metáforas baseadas na Biologia e plenamente reconhecidas como artifícios lógicos à dignidade da Sociologia e afirmação da “imaginação sociológica

-        Estática social: elementos presentes em todas as sociedades: religião, propriedade, linguagem, família, governo à sociologia comparativa

o   Religião:

§  distinção entre teologia e religião

§  a religião busca a convergência do ser humano (síntese, simpatia, sinergia)

§  relativa continuidade entre a teologia e a ciência

§  teologia: fetichismo, astrolatria, politeísmo, monoteísmo

o   Linguagem:

§  liame intelectual de existência da sociedade

o   Propriedade

§  A teologia e a metafísica são incapazes de abarcar a realidade material da sociedade; portanto, são incapazes de solucionar seus problemas

§  A propriedade enquanto tal sempre existe (privada ou coletiva)

§  Manutenção e aumento dos tipos de capital

·         material, intelectual e moral

·         responsabilidade pessoal pela gestão dos recursos

·         “O capital é social em sua origem e deve sê-lo em sua destinação”

§  Formas de transmissão do capital: guerra: conquista; paz: dádiva, troca, herança

§  Emancipação paulatina dos trabalhadores (e das mulheres): escravos na Antigüidade, servos na Idade Média, trabalhadores livres na modernidade

§  Necessidade de concurso entre o patriciado e o proletariado

·         Riqueza: força concentrada; trabalho: força dispersa

·         Caráter instrumental da luta de classes

o   Governo

§  Conjugação dos princípios de Aristóteles e de Hobbes:

·         Aristóteles: “a sociedade consiste na divisão do trabalho e na convergência dos esforços”

·         Hobbes: todo governo baseia-se na força

§  “Não existe sociedade sem governo”

·         Afirmação das vistas de conjunto da sociedade

·         Preocupação em como se maneja o poder, não com quem o ocupa

·         Dois pólos sociopolíticos: Estado e sociedade civil

§  Poderes:

·         Temporal: manutenção da ordem civil (âmbito de aplicação das ciências inferiores)

·         Espiritual: opiniões e crenças (âmbito de atuação das ciências superiores)

o   Família

§  Principal realidade social dos seres humanos

§  Âmbito sobretudo afetivo, baseado nos três níveis da afetividade (apego, veneração, bondade)

§  Emancipação e dignificação da mulher: reconhecimento histórico da importância e da autonomia feminina; reserva moral da sociedade

-        Dinâmica Social

o   Evolução dos elementos da Estática Social com o passar do tempo

§  Sociologia comparativa e  histórica à Filosofia da História

§  “O progresso é o desenvolvimento da ordem e a ordem é a base do progresso”

o   Três leis dos três estados: inteligência, atividade prática, afetividade

§  Múltiplas relações entre as três leis dos três estados

§  Lei da atividade prática

·         Estado militar-conquistador

·         Estado militar-defensivo

·         Estado pacífico-industrial

§  Lei da afetividade

·         Família: vínculo afetivo

·         Pátria: vínculo prático (econômico e político)

·         Humanidade: vínculo intelectual

o   Marcha histórica:

§  Fetichismo como fase comum a toda a Humanidade, seguida pela astrolatria e pelo politeísmo

§  No Ocidente: após a atuação das grandes teocracias (politeísmo conservador) há o desenvolvimento do politeísmo progressista (Grécia e Roma) e pelo monoteísmo

·         Tríplice transição ocidental: entre Grécia (desenvolvimento da inteligência), Roma (desenvolvimento da atividade) e Idade Média (desenvolvimento da afetividade)

§  Após a Idade Média: duplo movimento ocidental, cada vez mais anárquico:

·         destrutivo: mais rápido, correspondente à corrosão do regime católico-feudal (absoluto, militar)

·         construtivo: mais lento, correspondente à constituição da sociedade positiva (relativista), pacífica e industrial

§  Descompasso crescente entre os movimentos: explosão social e política na forma da Revolução Francesa

·         Revoluções prévias: intelectual (Enciclopedistas); burguesa (fim do Antigo Regime); proletária (afirmação do problema social); faltaria a feminina

·         necessidade de conciliação entre a ordem e o progresso

o   Sociologia da ordem: fundada por José de Maistre

o   Sociologia do progresso: pelo Marquês de Condorcet

o   Contribuição de Augusto Comte: conjugação entre a ordem e o progresso (além do desenvolvimento da reflexão sobre as ciências, sobre o que é a cientificidade, sobre os métodos e o objeto da Sociologia, sobre a aplicabilidade da Sociologia etc.)

·         constituição de vários partidos:

o   militarista (Bonaparte)

o   retrógrado (católico: José de Maistre)

o   revolucionário (democrático e clericalista: Rousseau, Robespierre)

o   revolucionário (monarquista e anticlericalista: Voltaire)

o   construtivo (sociocrático, positivista: Diderot, Danton)

o   Etc.

o   Análises de conjuntura (v. IV e VI da Filosofia; v. III da Política; Apelo): análises dos grupos sociais, suas motivações, suas ações, suas variações históricas

o   Sociologia do conhecimento, Sociologia da ciência: v. IV-VI da Filosofia; v. I-III da Política

-        Indivíduo e individualismo:

o   Ambigüidade no uso da palavra “indivíduo”: realidade de carne e osso; mônada teológica; agente social

o   Como a Sociologia parte do conjunto para as partes, não existem “indivíduos”, apenas seres humanos em sociedades

§  Antepor a análise dos indivíduos à das sociedades resulta em considerar os seres humanos como animais, não como seres humanos

o   As “células sociais”, isto é, as menores unidades de análise sociológica são as famílias

o   Apesar disso, a sociedade possui agentes: são os indivíduos

o   Os “indivíduos” criticados por A. Comte são as elaborações próprias ao individualismo (que rejeita a sociedade e a vida coletiva, em uma busca da satisfação estritamente pessoal), que surgiram na Idade Média teológica e reafirmaram-se na Idade Moderna com a metafísica

o   “Consagrar para regular”: indivíduo buscando a satisfação pelo altruísmo

-        Religião da Humanidade

o   Novo poder espiritual, totalmente humano

§  Aplicação e consolidação dos princípios anteriores

o   Importância central em termos morais, intelectuais e afetivos de Clotilde de Vaux

§  Clotilde é a cofundadora da Religião da Humanidade

o   Sistema de educação:

§  Individual e social

§  para a vida toda

§  objetiva e subjetiva

o   “Humanidade”

§  “Grão-Ser”

§  real, abstrato, histórico, composto

§  “reencantamento do mundo”

§  “humanização do ser humano”

§  Veneração de uma figura feminina

o   Culto: desenvolvimento da moralidade:

§  estímulo do altruísmo e compressão do egoísmo

§  cultos íntimos, privados e públicos

§  cultos abstratos e concretos

§  âmbito da arte

§   “Viver para outrem”

o   Dogma:

§  conhecimento útil da realidade

§  baseado na ciência: espírito positivo

§  “Saber para prever a fim de prover”

o   Regime:

§  ação positiva sobre o planeta (indústria; ecologismo)

§  “Viver às claras”

§  “Ordem e Progresso”

-        Política

o   Em termos gerais:

§  pacifismo, antimilitarismo, rejeição normal da violência

§  política humanista, altruísta, racional, histórica, sensível à opinião pública e baseada em evidências e nas liberdades

§  deveres

§  meritocracia com justiça social

§  afirmação da sociedade civil

o   Governo:

§  republicanismo

§  separação dos dois poderes (“laicidade do Estado”)

§  desenvolvimento econômico e social

o   Justiça social:

§  incorporação social do proletariado

§  “funcionalismo público”

§  conjugação entre liberdades políticas e econômicas e atuação do governo (crítica ao liberalismo econômico)

§  caráter social da riqueza

§  responsabilidades individuais e coletivas

·         noção de deveres: relações mútuas devidas entre indivíduos e grupos entre si

-        (Bons) portais sobre Comte e o Positivismo

o   Auguste Comte et le Positivisme: http://membres.lycos.fr/clotilde/

o   Canal Positivismo: https://www.youtube.com/user/ThePositivism

o   Classiques des Sciences Sociales: http://classiques.uqac.ca/classiques/Comte_auguste/comte.html

o   Filosofia Social e Positivismo: http://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/

o   Igreja Positivista do Brasil: http://www.igrejapositivistabrasil.org.br/

o   Igreja Positivista do Rio Grande do Sul: https://templopositivista.org.br/

o   Maison d’Auguste Comte: http://www.augustecomte.org/

-           Referências bibliográficas

ALCÂNTARA, Fernanda H. C. 2020. Os clássicos no cotidiano. 2a ed. Governador Valadares: s/n.

ARBOUSSE-BASTIDE, Paul. 1990. A grande iniciação do proletariado. In: COMTE, A. Discurso sobre o espírito positivo. São Paulo: M. Fontes.

ARBOUSSE-BASTIDE, Roger. 1957. La doctrine de l’éducation universelle dans la philosophie d’Auguste Comte. 2 v. Paris: PUF.

ARNAUD, Pierre. 1969. Pour connaître la pensée d’A. Comte. S/l: Bordas.

ARNAUD, Pierre. 1973. Le “Nouveau Dieu”: préliminaires à la politique positive. Paris: J. Vrin.

ARON, Raymond. 1999. Auguste Comte. In: _____. As etapas do pensamento sociológico. 3ª ed. Lisboa: Dom Quixote.

BENSAUD-VINCENT, Bernadette. 1999. Atomism and Positivism: A Legend about French Chemistry. Annals of Science, London, v. 56, p. 81-94.

BOURDEAU, Michel & CHAZEL, François (eds.). 2001. Auguste Comte et l’idée de science de l’homme. Paris: L’Harmattan.

BOURDEAU, Michel. 2004. L’Idée de point de vue sociologique. La philosophie des sciences comme sociologie des sciences chez Auguste Comte. Cahiers internationaux de sociologie, Paris, v. 117, p. 225-238.

BOURDEAU, Michel. 2008. La posteridad sociológica de Auguste Comte: Lo normal y lo patológico en Durkheim. Empiria, Madrid, n. 16, p. 43-58, jul.-dic.

BOURDEAU, Michel. 2011. L’Idée de mathématiques appliquées chez Comte. Mathématiques et Sciences humaines, Marseille, 49e année, n. 193, p. 35-44, primtemps.

BOURDEAU, Michel; BRAUNSTEIN, Jean-François & PETIT, Annie. (eds.). 2003. Auguste Comte aujourd’hui. Paris: Kimé.

BOURDEAU, Michel; PICKERING, Mary & SCHMAUS, Warren (eds.). 2018. Love, Order, and Progress: The Science, Philosophy, and Politics of Auguste Comte. Pittsburgh: University of Pittsburgh.

CANGUILHEM, Georges. 2012. Estudos de história e de filosofia das ciências – concernentes aos vivos e à vida. Rio de Janeiro: Forense.

CARNEIRO JR., David. (org.). 1993. Positivismo e humanismo. Curitiba: Centro Positivista do Paraná.

CARNEIRO, David. 1942. História geral da Humanidade através de seus maiores tipos. VII v. São Paulo: Athena.

CHAZEL, François. 2015. Hacia una evaluación del lugar de Augusto Comte en la Historia de la Sociología. Empiria, Madrid, n. 31, p. 15-33.

COMTE, Augusto. 1856. Synthèse subjective ou système universel des conceptions propres a l’état normal de l’Humanité. Paris: Fayard.

COMTE, Augusto. 1890. Système de politique positive ou traité de Sociologie instituant la Religion de l’Humanité. 3ème ed. 4 v. Paris: Larousse.

COMTE, Augusto. 1895. La philosophie positive d’Auguste Comte, condensée par Miss Harriet Martineau. T. II. Paris: L. Bahl.

COMTE, Augusto. 1899. Apelos aos conservadores. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil.

COMTE, Augusto. 1996. Catecismo positivista, ou sumária apresentação da Religião universal. Col. “Os pensadores”. São Paulo: Nova Cultural.

COMTE, Augusto. A General View of Positivism. New York: R. Speller.

COMTE, Augusto. Catecismo positivista, ou sumária apresentação da Religião universal. 4a ed. Rio de Janeiro: Apostolado Positivista do Brasil.

COMTE, Augusto. Discurso sobre o espírito positivo. São Paulo: M. Fontes.

COMTE, Augusto. Opúsculos de filosofia social. São Paulo: USP.

DUCASSÉ, Paul. 1951. La synthèse positiviste: Comte et Spencer. In: BERR, Henri (dir.). La Synthèse: idée-force dans l’évolution de la pensée. Paris: A. Michel.

FEDI, Laurent. 2002. Fétichisme, philosophie, littérature. Paris: L’Harmattan.

FEDI, Laurent. 2008. Comte. Belo Horizonte: Estação Liberdade.

FLETCHER, Ronald. 1974. The Crisis of Industrial Civilization: the Early Essays of Auguste Comte. London: Heinemann.

GANE, Mike. 2006. Auguste Comte. London: Routeledge.

GIDDENS, Anthony. 1998. Comte, Popper e o Positivismo. In: _____. Política, Sociologia e Teoria Social. Encontros com o pensamento social clássico e contemporâneo. São Paulo: Unesp.

Goldfarb, Denis P.; Rodrigues, Domingos G.; Crossi Filho, Onofre & Foelker, Rita C. 2012. A Filosofia da Ciência em Augusto Comte: desvencilhando o pensamento comteano de mal-entendidos históricos. Inquietude, Goiânia, v. 3, n. 2, p. 33-55, ago.dez.

GRANGE, Juliette. 1996. La philosophie d’Auguste Comte. Science, politique, religion. Paris: PUF.

GRANGE, Juliette. 2000. Auguste Comte. La politique et la science. Paris: O. Jacob.

GRANGE, Juliette. 2008. Expliquer et comprendre de Comte à Dilthey. In: Zaccaï-Reyners, N. (ed.). Explication-compréhension. Regards sur les sources et l’actualité d’une controverse épistémologique. Bruxelles: Université de Bruxelles.

HEILBRON, Johan. 1990. Auguste Comte and Modern Epistemology. Sociological Theory, New Jersey, v. 8, n. 2, p. 153-162, Autumn.

HEILBRON, Johan. 1991. Theory of Knowledge and Theory of Science in the Work of Auguste Comte – Note on Comte’s Originality. Revue de Synthèse, Paris, IVe série, n. 1, p. 75-89, janv.-mars.

HEILBRON, Johan. 1993. Ce que Durkheim doit à Comte. In: Besnard, Philippe; Borlandi, Maurice & Vogt, Paul. (éds.). Division du travail et lien social. La thèse de Durkheim un siècle après. Paris: PUF.

HEILBRON, Johan. 2006. La naissance de la Sociologie. Marseille: Agone.

HEILBRON, Johan. 2008. Qu’est-ce qu’une tradition nationale en sciences sociales? Revue d’Histoire des Sciences Humaines, Paris, v. 18, p. 3-14.

KREMER-Marietti, Angèle. 1980. Le projet anthropologique d’Auguste Comte. Paris: SEDES.

KREMER-MARIETTI, Angèle. 1983. Le concept de science positive. Ses tenants et ses aboutissants dans les structures anthropologiques du positivisme. Paris: Klincksieck.

KREMER-MARIETTI, Angèle. 2007. Le kaléidoscope épistémologique d’Auguste Comte. Sentiments, images, signes. Paris: L’Harmattan.

KREMER-Marietti, Angèle. 2009. Lecture des textes de Comte soumise aux méthodes du télescope et du kaléidoscope. Dogma, Paris, avr. Disponível em: http://www.dogma.lu/pdf/AKM-ComteCaleidoscope.pdf. Acesso em: 7.set.2016.

Lacerda, Gustavo B. 2004. Elementos estáticos da teoria política de Augusto Comte: as pátrias e o poder Temporal. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, n. 23, p. 63-78, nov.

Lacerda, Gustavo B. 2008. Dois erros sobre a doutrina política comtiana:autoritarismo” e “funcionalismo público”. Espaço Acadêmico, Maringá, ano VIII, n. 87, ago.

Lacerda, Gustavo B. 2009a. As críticas de Augusto Comte à Economia Política. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 8, n. 15, out.

Lacerda, Gustavo B. 2009b. Augusto Comte e o “Positivismo” redescobertos. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, v. 17, n. 34, out.

Lacerda, Gustavo B. 2009c. Fairness in the Thought of John Rawls and Auguste Comte. Brazilian Political Science Review, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 58-92.

LACERDA, Gustavo B. 2015a. Positivismo e Educação: algumas idéias pedagógicas de Augusto Comte. In: HENNING, Leoni M. P. (org.). Filosofia e Educação. Caminhos cruzados. Curitiba: Appris.

LACERDA, Gustavo B. 2015b. Vontades e leis naturais – liberdade e determinismo no positivismo comtiano. Mediações, Londrina, v. 20, n. 1, p. 307-337.

LACERDA, Gustavo B. 2016a. Introdução à Sociologia Política. Curitiba: Intersaberes.

LACERDA, Gustavo B. 2016b. Laicidade na I República brasileira: os positivistas ortodoxos. Curitiba: Appris.

LACERDA, Gustavo B. 2016c. Positivismo, Augusto Comte e Epistemologia das Ciências Humanas e Naturais. Marília: Poiesis.

LACERDA, Gustavo B. 2016d. Positivismo, Sociologia e política. Marília: Poiesis.

LACERDA, Gustavo B. 2016e. Política e violência no Positivismo de Augusto Comte. In: PERISSINOTTO, Renato; LACERDA, Gustavo B. & SZWAKO, José. (orgs.). Curso livre de Teoria Política. Curitiba: Appris.

LACERDA, Gustavo B. 2016f. O Positivismo e o conceito de “metafísica”. In: _____. Positivismo, Augusto Comte e Epistemologia das Ciências Humanas e Naturais. Marília: Poiesis.

LACERDA, Gustavo B. 2017a. Pensamento Social e Político Brasileiro. Curitiba: Intersaberes.

LACERDA, Gustavo B. 2017b. A “Teoria do Brasil” dos positivistas ortodoxos brasileiros: composição étnica e independência nacional. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 16, n. 35, p. 271-298, jan.-abr.

LACERDA, Gustavo B. 2018. Comtianas brasileiras. Ciências Sociais, Brasil e cidadania. Curitiba: Appris.

LACERDA, Gustavo B. 2019. O momento comtiano: república e política no pensamento de Augusto Comte. Curitiba: UFPR.

lacroix, Jean. 2003. A Sociologia de Augusto Comte (o fundador da Sociologia). Curitiba: Vila do Príncipe.

LAFFITTE, Pierre. 1880. De la morale positive. Havre: T. Leclerc.

LAGARRIGUE, Luís. 1920. Incorporación del Proletariado a la sociedad moderna. Santiago de Chile : Universo.

Laudan, Larry. 2010. Towards a Reassessment of Comte’s “Méthode Positive”. In: _____. Science and Hypothesis. Historic Essays on Scientific Methodology. Boston: D. Reidel.

LAZINIER, Emmanuel. 2002. La Psychologie d’Auguste Comte. Disponível em: http://membres.lycos.fr/clotilde/articles/psychoac.htm. Obtido em: 27.ago.2008.

LAZINIER, Emmanuel. 2019. Qu'est-ce qui rend Auguste Comte si étrange et si “chinois”. Disponível em: http://confucius.chez.com/clotilde/strange.xml. Acesso em: 13.set.2019.

LAZINIER, Emmanuel. 2021. Auguste Comte, un scientiste? Disponível em: http://confucius.chez.com/clotilde/scientis.xml. Acesso em: 18.ago.2021.

Lewisohn, David. 1972. Mill and Comte on the Methods of Social Science. Journal of the History of Ideas, Philadelphia, v. 33, n. 2, p. 315-324, Apr.-Jun.

LINS, Ivan. 1967. História do Positivismo no Brasil. Col. “Brasiliana”, v. 322. Rio de Janeiro: Nacional.

PAULA LOPES, Rodolfo. (org.). 1946. Auguste Comte. Le Prolétariat dans la société moderne. Coll. “Archives positivistes”. Paris : s/n.

PETIT, Annie. (dir.). 2003. Auguste Comte aujourd’hui. Paris: Kimé.

PETIT, Annie. (dir.). 2006. Auguste Comte. Trajectoires positivistes, 1798-1998. Paris: L’Harmattan.

Petit, Annie. 1992. Comte et Littré: les débats autour de la sociologie positiviste. Communications, Paris, v. 54, n. 1, p. 15-37.

PETIT, Annie. 1998. Le corps scientifique selon Auguste Comte. In: Kremer-Marietti, Angèle. (éd.). Sociologie des sciences. Sprimont: Mardaga.

RIBEIRO JÚNIOR, João. 2003. Augusto Comte e o Positivismo. São Paulo: Edicamp.

Robbins, Derek. 2011. John Stuart Mill and Auguste Comte: A Trans-Cultural Comparative Epistemology of the Social Sciences. Journal of Classical Sociology, London, v. 11, n. 1, p. 51-74.

SOARES, Mozarta P. 1999. O Positivismo no Brasil. 200 anos de Augusto Comte. Porto Alegre: UFRS.

STEINER, Phillipe. 2008. La tradition française de critique sociologique de l’économie politique. Revue d’Histoire des Sciences Humaines, Paris, v. 17, p. 63-84, mai.

TEIXEIRA MENDES, Raimundo. 1898. As últimas concepções de Augusto Comte ou ensaio de um complemento ao Catecismo positivista. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil.

TISKI, Sérgio. 2006. A questão da moral em Augusto Comte. Londrina: UEL.

torres, Ângelo. 2020. O léxico de Augusto Comte: criptografia e filosofia. Marília: Poiesis.

TRINDADE, Hélgio. (org.). 2007. O Positivismo. Teoria e prática. 3ª ed. Porto Alegre: UFRS.

WACQUANT, Loïc J. D. 1996. Positivismo. In: OUTHWAITE, William & BOTTOMORE, Thomas. (orgs.). Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: J. Zahar.

WERNICK, Andrew (ed.). 2017. Anthem Companion to Auguste Comte. New York: Anthem.