28 setembro 2026

Por uma política republicana sociocrática

No dia 28.9.2026, o jornal carioca Monitor Mercantil publicou o nosso artigo "Por uma política republicana sociocrática", que foi escrito levando em consideração as eleições do dia 4.10.2026.

O original pode ser lido aqui.

Reproduzimos abaixo o texto.

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Constituição da República Federativa do Brasil (Foto: Rodrigo Viana/Senado Federal)


Por uma política republicana sociocrática

A relação entre bem comum, fraternidade, liberdade, transparência e responsabilidade orienta a discussão sobre os valores da política republicana Por Gustavo Biscaia

No próximo final de semana teremos eleições gerais e, nesse contexto, convém contribuirmos para a reflexão pública, com a exposição de critérios para a definição do voto. Os critérios que apresentaremos aqui foram expostos com mais detalhes no documento “Por uma política republicana sociocrática – orientações para as eleições de 4 de outubro”. Desde 15 de novembro de 1889, o Brasil é uma República. Embora, às vezes, isso possa parecer pouco, a ideia de “república” é uma das mais densas e importantes, especialmente quando se compreende seu sentido profundo, que é o da sociocracia. As noções de república e de sociocracia são ideais; nem sempre se realizam na prática, mas, ao contrário do que tem ocorrido com triste frequência, isso não é motivo para desvalorizá-las ou rejeitá-las.

O sentido fundamental da república é o bem comum: dedicar-se efetivamente ao bem-estar coletivo, superando o individualismo, o egoísmo e os particularismos. Além disso, a república também se opõe à monarquia e, portanto, à sociedade de castas. Em outras palavras, na república, o valor de uma pessoa, consideradas as particularidades sociológicas de cada indivíduo, é determinado pelo mérito individual, e não pelas condições em que nasceu, pelo “berço”.

Mais importante, a dedicação ao bem comum significa a subordinação da política à moral, ou seja, a subordinação da política aos princípios e valores maiores da Humanidade, em que a família se subordina à pátria e a pátria se subordina à Humanidade. Somente assim a atividade política pode ser entendida como dedicação ao bem comum e, a partir disso, ser fiscalizada e responsabilizada. De modo mais específico, subordinar a política à moral significa reconhecer que a política deve pautar-se pela fraternidade universal e pela atividade pacífica, convergente e construtiva, em oposição à violência, à guerra, aos egoísmos e às mesquinharias.

Daí decorrem várias consequências. A primeira delas é que o conjunto da sociedade deve sempre ser levado em consideração. A fraternidade universal é um valor básico: como todos devem orientar suas condutas para a melhoria da vida de todos, o respeito mútuo e a afirmação da dignidade fundamental de cada pessoa são pilares da vida coletiva. As relações sociais também devem ser pacíficas, pois qualquer forma de violência degrada as relações humanas e o ambiente social. O pacifismo e a fraternidade universal impõem, por sua vez, o repúdio ao racismo e às discriminações de “gênero”; da mesma forma, exigem o respeito ao meio ambiente e, claro, aos animais.

Embora toda sociedade moderna seja composta por patrícios e proletários, a maior parte da sociedade é formada pelo proletariado (pelos trabalhadores), e os esforços sociais devem se orientar para a melhoria de suas condições de vida. Qualquer política que ignore ou menospreze os interesses do proletariado é uma política antirrepublicana, antissociocrática.

Uma terceira consequência é que a preocupação com o bem comum implica também ter vistas gerais. Todos devemos nos preocupar com as localidades em que residimos, mas, ao mesmo tempo, devemos estar atentos aos ambientes mais amplos – estaduais, nacionais e internacionais. A ênfase excessiva ou exclusiva nas questões locais é uma forma de egoísmo e alienação. Esse princípio deve ser generalizado: a subordinação das famílias às pátrias, das pátrias à Humanidade presente e da Humanidade presente à Humanidade histórica é o único antídoto contra bairrismos, provincianismos, nacionalismos xenofóbicos e etnocentrismos.

Um caso particular de afirmação das vistas gerais e da fraternidade contra a violência, o ódio e os particularismos é a rejeição das concepções e das práticas baseadas no ressentimento e no facciosismo. Isso inclui não apenas os nacionalismos xenofóbicos como também os identitarismos, todos eles produtores de violências e agressões entre e dentro dos vários países.

A regra republicana básica é o “viver às claras”: cada um deve adotar valores em sua vida que sejam publicamente defensáveis e de fato viver conforme esses valores. No caso dos governantes e das figuras públicas, o viver às claras também significa que todos os seus atos são responsabilizáveis, passíveis de acompanhamento, avaliação e cobrança. A publicidade dos atos e das motivações é a regra, nunca a exceção. Assim, todos devem sempre falar a verdade e cumprir o prometido ou, em outras palavras, não se deve mentir nem se deve trair.

A instituição republicana básica é a separação entre igreja e Estado: o aconselhamento não precisa da violência do Estado para fazer-se valer, nem pode o Estado condicionar os seus serviços à aceitação de crenças oficiais. Isso é o que se chama vulgarmente de “laicidade”. Nesse cenário, sacerdotes devem manter-se afastados do Estado a fim de garantirem sua dignidade, assim como o Estado deve recusar sacerdotes para não ser usado como instrumento de opressão. O afastamento dos sacerdotes em relação à política não quer dizer alienação nem indiferença; quer dizer que os sacerdotes devem manter sua autonomia moral e não podem trabalhar para o Estado.

A separação entre igreja e Estado é a base das liberdades fundamentais: são as liberdades de crença, de manifestação e de associação, assim como o direito de ir e vir, o habeas corpus e o devido processo legal. Adicionalmente, os órgãos do Estado – especialmente os que são responsáveis diretos pelo atendimento à população – e os servidores públicos devem ser valorizados, ao mesmo tempo em que se mantém a dignidade da chamada iniciativa privada.

Finalmente, as instituições sociais fundamentais devem ser valorizadas, a começar pela família. Entre a família e a sociedade política (as pátrias) as relações são de complementaridade, não de oposição. O papel da família é o de desenvolvimento afetivo e de educação moral, preparando os cidadãos para a vida na sociedade mais ampla; o papel da sociedade política é o de realizar os trabalhos práticos necessários para manter e desenvolver a vida de todos. Como é mais ampla, a sociedade política regula e protege a família. As pátrias, por sua vez, devem todas unir-se em prol da Humanidade. Assim como os proletários devem ser valorizados e respeitados, as mulheres devem ser valorizadas e ter sua dignidade mantida e afirmada: a violência contra as mulheres é inaceitável.

Os valores e práticas constituem, sem esgotar, muito do que é a república, ou melhor, a sociocracia. Tudo isso almeja a realização dos um dos supremos ideais dos brasileiros e de todos os seres humanos – a união da ordem com o progresso. Quando ordem e progresso ficam separados, eles tornam-se antagônicos, em que a ordem torna-se retrógrada e opressiva e o progresso torna-se caótico e também opressivo. Apenas a união das duas perspectivas, em que sejam simultaneamente respeitadas e valorizadas, torna possível que cada uma delas seja cumprida. A ordem é a consolidação do progresso e o progresso é o desenvolvimento da ordem; o seu vínculo é o amor, que, em termos políticos, é fraternidade, respeito mútuo e tolerância. O respeito à ordem não equivale à submissão cega ou servil ao poder político; da mesma forma, a verdadeira relação entre o poder e os cidadãos não é a de um soldado que se submete ao seu comandante.


Gustavo Biscaia de Lacerda é doutor em sociologia política e sociólogo da UFPR.

Orientations pour les élections du 4 octobre 2026



 

Église Positiviste Virtuelle

 

L’amour pour principe et l’ordre pour base ; le progrès pour but

Ordre et progrès – Vivre au grand jour – Vivre pour autrui

Famille, Patrie, Humanité

 

Pour une politique républicaine sociocratique

Orientations pour les élections du 4 octobre 2026[1]

 

Le 28 août 2024, l’Église positiviste virtuelle a publié un manifeste intitulé « Programme républicain minimal – orientations pour le vote du 6 octobre » (disponible ici : https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2024/08/programa-republicano-minimo-orientacoes.html). Dans ce manifeste, après avoir indiqué les paramètres généraux, sur les plans politique, philosophique et moral — en un mot, religieux — qui doivent orienter la conduite des citoyens brésiliens, nous avons présenté des indications spécifiques pour le choix des candidats aux élections qui devaient avoir lieu quelques semaines plus tard ; ces orientations étaient à la fois positives et négatives, en présentant des critères affirmatifs (ce que les candidats devaient affirmer, faire et représenter) et des critères restrictifs (ce qu’il convenait de rejeter dans les discours, les comportements et la représentation des candidats).

Près de deux ans après ces orientations, leur ensemble demeure valable, mais nous estimons que certaines réflexions supplémentaires sont nécessaires, soit parce que la portée du scrutin est différente (il s’agira cette fois d’élections générales et étatiques, alors qu’il s’agissait auparavant d’élections locales), soit parce que de nouveaux éléments sont apparus dans la conjoncture sociale, politique et morale, soit enfin parce que certains aspects doivent être réaffirmés et d’autres davantage mis en évidence.

Plutôt que de rédiger un document entièrement nouveau — ce qui nous obligerait à feindre une totale originalité qui n’est ni possible ni pertinente —, nous reprendrons le document antérieur en y apportant les modifications que nous jugeons nécessaires. Le changement de titre — de « Programme républicain minimal » à « Pour une politique républicaine sociocratique » — suggère déjà cette extension.

1. Introduction : la nécessité de critères pour choisir les candidats

Cette année, le 4 octobre, auront lieu des élections étatiques et nationales au cours desquelles la population brésilienne élira ses nouveaux gouverneurs, sénateurs, députés et Président de la République ; la campagne électorale commencera le 16 août. Les partis politiques, la Justice électorale, les médias et divers groupes de la société civile affirment qu’il est important de « voter en conscience », de « voter de manière éclairée », de « rechercher les meilleurs candidats », mais, très rarement, pour ne pas dire jamais, les critères permettant de définir ce que sont la « conscience », l’« information » ou les « meilleurs » candidats sont présentés avec clarté. Tout au plus affirme-t-on que les candidats choisis doivent « représenter » les électeurs, ce qui signifie que les candidats devraient penser et agir de manière semblable aux électeurs — ce qui, pour le dire clairement, est très éloigné des véritables intérêts de la société.

Afin de contribuer à la réflexion publique et, dans la mesure du possible, d’orienter nos concitoyens électeurs dans le choix des candidats, nous présenterons dans ce document un certain nombre de critères positifs et de critères négatifs — c’est-à-dire des opinions et des comportements que les candidats doivent effectivement manifester pour être choisis, ainsi que des opinions et des comportements qui constituent des motifs de rejet.

Ce manifeste s’adresse à tous les Brésiliens et à toutes les Brésiliennes, à nos concitoyens électeurs et à nos concitoyennes électrices. Comme on le verra, le programme présenté ci-dessous pourra peut-être sembler, à première vue, très exigeant ; mais, d’une part, cela ne constitue pas une raison pour le négliger et, d’autre part, cela indique combien nous sommes encore éloignés du républicanisme au Brésil.

Il importe cependant, auparavant, d’exposer les fondements politiques, sociaux et moraux des critères que nous allons présenter.

2. La politique positive et la République sociocratique

Depuis le 15 novembre 1889, le Brésil est une République. Bien que, de prime abord, le concept de « république » puisse sembler peu de chose, il constitue en réalité l’un des concepts les plus substantiels et les plus importants dans la vie de tout citoyen, surtout lorsque nous comprenons le sens profond de la république, qui est celui de la sociocratie. Les notions de république et de sociocratie sont des idéaux : ces idéaux ne se réalisent pas toujours dans la pratique, mais, contrairement à ce qui s’est produit trop souvent et de manière regrettable, cela ne constitue pas une raison pour les dévaloriser ni pour les rejeter. Examinons donc les éléments constitutifs de ces idéaux.

Le sens fondamental de la république est le bien commun : se consacrer effectivement au bien-être collectif, en dépassant l’individualisme, l’égoïsme et les particularismes, voilà ce qu’est être républicain. En outre, la république s’oppose également à la monarchie et, par conséquent, à la société de castes ; autrement dit, dans la république, la valeur d’une personne, compte tenu des particularités sociologiques de chacun, est déterminée par le mérite individuel plutôt que par les conditions dans lesquelles elle est née (par le « berceau »).

Plus important encore, le dévouement au bien commun signifie la subordination de la politique à la morale, c’est-à-dire la subordination de la politique aux principes et aux valeurs supérieurs de l’Humanité, selon lesquels la famille est subordonnée à la patrie et la patrie à l’Humanité. Ce n’est qu’ainsi que l’activité politique peut être comprise comme un dévouement au bien commun et, à partir de là, faire l’objet d’un contrôle et d’une mise en responsabilité. Plus précisément, subordonner la politique à la morale signifie reconnaître que la politique doit être guidée par la fraternité universelle et par une activité pacifique, convergente et constructive, à l’encontre de la violence, de la guerre, des égoïsmes et des mesquineries.

Plusieurs conséquences en découlent. La première est que l’ensemble de la société doit toujours être pris en considération. Nous avons déjà indiqué que la fraternité universelle est une valeur fondamentale : puisque tous doivent orienter leur conduite vers l’amélioration des conditions de vie de tous, le respect mutuel et l’affirmation de la dignité fondamentale de chacun constituent des piliers de la vie collective. Il s’ensuit également que les relations sociales doivent être pacifiques : toute forme de violence dégrade les relations humaines et l’environnement social. Le pacifisme et la fraternité universelle imposent, à leur tour, le rejet du racisme et des discriminations de « genre » ; de la même manière, ils exigent le respect de l’environnement et, bien entendu, des animaux.

Une deuxième conséquence est que, bien que toute société moderne soit composée de patriciens et de prolétaires, la plus grande partie de la société est constituée par le prolétariat, c’est-à-dire par les travailleurs, et les efforts sociaux doivent être orientés vers l’amélioration de leurs conditions de vie : tel est l’objectif qui doit guider l’action des patriciens. Toute politique qui ignore ou méprise les intérêts du prolétariat est une politique antirépublicaine, ou plutôt antisociocratique.

Une troisième conséquence est que la préoccupation pour le bien commun implique également des vues d’ensemble. Nous devons tous nous préoccuper des collectivités locales dans lesquelles nous vivons ; mais, en même temps, nous devons toujours rester attentifs aux cadres plus vastes — étatiques, nationaux et internationaux. L’accent excessif ou exclusif mis sur les questions locales constitue une forme d’égoïsme et d’aliénation et est donc contraire à l’altruisme et à la fraternité universelle. Ce principe doit être généralisé : la subordination des familles aux patries, des patries à l’Humanité présente, et de l’Humanité présente à l’Humanité historique constitue le seul antidote aux particularismes locaux, aux provincialismes, aux nationalismes xénophobes et aux ethnocentrismes.

Un cas particulier de l’affirmation des vues d’ensemble et de la fraternité contre la violence, la haine et les particularismes est le rejet des conceptions et des pratiques fondées sur le ressentiment et le factionnalisme. Cela inclut non seulement les nationalismes xénophobes, mais également les identitarismes, tous producteurs de violences et d’agressions entre les différents pays comme à l’intérieur de ceux-ci.

La règle républicaine fondamentale est de « vivre au grand jour » : chacun doit adopter dans sa vie des valeurs qui soient publiquement défendables ; chacun doit effectivement vivre conformément à ces valeurs. Dans le cas des gouvernants et des personnalités publiques, « vivre au grand jour » signifie également que tous leurs actes sont susceptibles d’engager leur responsabilité, c’est-à-dire qu’ils peuvent faire l’objet d’un suivi, d’une évaluation et de demandes publiques de comptes. La publicité des actes et des motivations est la règle, jamais l’exception. Comme conséquence du fait de vivre au grand jour, tous doivent toujours dire la vérité et tenir leurs promesses — en d’autres termes, il ne faut ni mentir ni trahir.

L’institution républicaine fondamentale est la séparation de l’Église et de l’État : le conseil n’a pas besoin de la violence de l’État pour s’imposer, et l’État ne peut conditionner ses services à l’acceptation de croyances officielles. C’est ce que l’on appelle communément la « laïcité ». L’une de ses conséquences est que les prêtres doivent rester à l’écart de l’État afin de préserver leur dignité, de même que l’État doit écarter les prêtres afin de ne pas être utilisé comme instrument d’oppression. L’éloignement des prêtres à l’égard de la politique ne signifie ni aliénation ni indifférence ; il signifie que les prêtres doivent conserver leur autonomie morale et ne peuvent travailler pour l’État.

La séparation de l’Église et de l’État constitue le fondement des libertés fondamentales : les libertés de croyance, d’expression et d’association, ainsi que la liberté d’aller et venir, l’habeas corpus et le respect de la procédure régulière. En outre, les organismes de l’État — en particulier ceux qui sont directement chargés de servir la population — ainsi que les agents publics doivent être valorisés, tout en maintenant également la dignité de ce que l’on appelle l’initiative privée.

Enfin, les institutions sociales fondamentales doivent être valorisées, à commencer par la famille. Entre la famille et la société politique (les patries), les relations sont de complémentarité, et non d’opposition. Le rôle de la famille est celui du développement affectif et de l’éducation morale, préparant les citoyens à la vie dans la société plus large ; le rôle de la société politique est d’accomplir les tâches pratiques nécessaires au maintien et au développement de la vie de tous. Parce qu’elle est plus large, la société politique régule et protège la famille. Les patries, à leur tour, doivent toutes s’unir au service de l’Humanité. De même que les prolétaires doivent être valorisés et respectés, les femmes doivent être valorisées et leur dignité préservée et affirmée ; la violence à l’égard des femmes est inacceptable.

Ces valeurs et ces pratiques constituent, sans épuiser le sujet, une part essentielle de ce qu’est la république, ou plutôt de ce qu’est la sociocratie. Tout cela vise à réaliser l’un des idéaux suprêmes des Brésiliens et de tous les êtres humains : l’union de l’ordre et du progrès. Comme nous l’avons indiqué dans un autre manifeste[2], lorsque l’ordre et le progrès sont séparés, ils deviennent antagonistes l’un à l’autre, de telle sorte que l’ordre se transforme en ordre rétrograde et oppressif, tandis que le progrès devient chaotique et tout aussi oppressif. Seule l’union des deux perspectives, dans laquelle l’une et l’autre sont simultanément respectées et valorisées, permet à chacune d’elles de s’accomplir. L’ordre consiste dans la consolidation du progrès, tandis que le progrès est le développement de l’ordre ; le lien entre les deux est l’amour qui, en termes politiques, doit être compris comme fraternité, respect mutuel et tolérance. Le respect de l’ordre n’équivaut pas à une soumission aveugle ou servile au pouvoir politique ; de même, la véritable relation entre le pouvoir et les citoyens n’est pas celle d’un soldat soumis à son commandant.

3. Recommandations positives : voter pour des candidats présentant ce profil

Compte tenu des valeurs et des principes indiqués ci-dessus, nous recommandons de voter pour des candidats présentant les caractéristiques suivantes :

·         qu’ils respectent et fassent respecter la séparation de l’Église et de l’État (la « laïcité de l’État »)

·         qu’ils respectent la dignité humaine et la fraternité universelle

·         qu’ils respectent la dignité de l’espace public et des institutions républicaines

·         qu’ils respectent la souveraineté nationale et la paix entre les peuples

·         qu’ils respectent la dignité de la population brésilienne et accordent de la valeur à ses conditions de vie, en particulier à celles des travailleurs et des plus pauvres, ainsi qu’à celles des peuples autochtones

·         qu’ils respectent la dignité de la famille et lui accordent de la valeur, indépendamment de l’orientation sexuelle de chacun de ses membres

·         qu’ils respectent et valorisent la dignité des femmes

·         qu’ils disposent d’un bilan attestant leur engagement contre le racisme et les autres formes de discrimination

·         qu’ils disposent d’un bilan attestant leur défense de la dignité et des conditions de vie des animaux

·         qu’ils disposent d’un bilan attestant leur défense de l’environnement

4. Recommandations négatives : rejeter les candidats présentant ce profil

Compte tenu des valeurs et des principes indiqués dans la section 2 ci-dessus, nous recommandons de ne pas voter pour des candidats dont le parcours personnel et intellectuel est contraire à la république sociocratique. Plus précisément, nous rejetons les candidatures qui présentent les caractéristiques suivantes :

·         qu’ils soient membres du clergé, c’est-à-dire prêtres, pasteurs ou équivalents

·         qu’ils promeuvent le cléricalisme dans les fonctions publiques (l’utilisation de l’État pour promouvoir des cultes et/ou des doctrines)

·         qu’ils minimisent les problèmes sociaux et/ou criminalisent la pauvreté

·         qu’ils promeuvent une culture de la violence, notamment en encourageant la diffusion et l’usage des armes à feu par la population civile

·         qu’ils favorisent l’ingérence ou l’intervention étrangère dans des affaires spécifiquement brésiliennes

·         qu’ils promeuvent des valeurs et des pratiques localistes, provinciales, exclusivistes et exclusionnaires, notamment les nationalismes xénophobes et les prétendues « politiques identitaires »

·         qu’ils nient les problèmes environnementaux (les « climato-négationnistes »)

·         qu’ils promeuvent la « culture de l’annulation »

·         qu’ils aient un passé marqué par des liens avec la criminalité, sous la forme d’un soutien aux milices ou d’une participation à celles-ci ; d’un soutien à la criminalité organisée ou d’une participation à celle-ci ; ou encore d’une irresponsabilité personnelle

·         qu’ils promeuvent le racisme, la misogynie et diverses formes de préjugés

 

Curitiba, le 26 Dante 172 (10 août 2026).

 



[1] Disponible à l’adresse suivante : https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/08/por-uma-politica-republicana.html ; publié le 10 août 2026.

[2] Pétition Le drapeau national républicain n’est pas fasciste, du 26 octobre 2022, disponible à l’adresse suivante : https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR127657.

Guidelines for the October 4, 2026 Elections




Virtual Positivist Church

 

Love as principle and order as basis; progress as end

Order and progress – Live openly – Live for others

Family, Fatherland, Humanity

 

Toward a Sociocratic Republican Politics

Guidelines for the October 4, 2026 Elections[1]

 

On August 28, 2024, the Virtual Positivist Church issued a manifesto entitled “A Minimum Republican Program – Guidelines for Voting on October 6,” available here: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2024/08/programa-republicano-minimo-orientacoes.html. In that manifesto, after setting out the general political, philosophical, and moral—in a word, religious—parameters that should guide the conduct of Brazilian citizens, we presented specific indications for the selection of candidates in the elections that would take place a few weeks later. These guidelines were both positive and negative, setting forth affirmative criteria (what candidates should affirm, do, and represent) and restrictive criteria (what should be rejected in candidates’ speeches, conduct, and representation).

Nearly two years after those guidelines were issued, their overall substance remains valid, but we believe that some additional reflections are necessary, both because the scope of the election is different (this time there will be statewide and national elections, whereas previously there were local elections), because there are new elements in the social, political, and moral circumstances, and, finally, because some aspects need to be reaffirmed while others need to be emphasized.

Rather than drafting an entirely new document—a task that would require us to pretend to an originality that is neither possible nor meaningful—we will return to the previous document and make the changes we consider necessary. The change in title—from “A Minimum Republican Program” to “Toward a Sociocratic Republican Politics”—already suggests this broader scope.

1. Introduction: The Need for Criteria for Choosing Candidates

This year, on October 4, Brazil will hold state and national elections in which the population will elect its new governors, senators, representatives, and President of the Republic; the electoral campaign will begin on August 16. Political parties, the Electoral Court, the media, and various civil-society groups affirm that it is important to “vote conscientiously,” “vote in an informed manner,” and “seek out the best candidates,” but very rarely, if ever, are the criteria defining “conscientiousness,” “being informed,” or the “best” candidates presented with any clarity. At most, there is the assertion that the candidates selected should “represent” the voters, by which is meant that candidates should think and act in ways similar to the voters—something which, stated plainly, is far removed from the genuine interests of society.

With the aim of contributing to public reflection and, insofar as possible, guiding our fellow citizens in choosing candidates, this document sets forth a number of positive and negative criteria—that is, opinions and behaviors that candidates should actually demonstrate in order to be chosen, as well as opinions and behaviors that constitute grounds for rejecting candidates.

This manifesto is addressed to all Brazilians, our fellow male and female citizens and voters. As will become apparent, the program set forth below may at first seem quite demanding; yet, on the one hand, this is no reason to disregard it and, on the other, it indicates how far Brazil remains from republicanism.

Before proceeding, however, it is important to explain the political, social, and moral foundations of the criteria that will be presented.

2. Positive Politics and the Sociocratic Republic

Since November 15, 1889, Brazil is a republic. Although at first sight the concept of “republic” may seem modest, it is in fact one of the most substantive and important concepts in the life of any citizen, especially when we understand the deeper meaning of the republic, namely, sociocracy. The notions of republic and sociocracy are ideals: these ideals are not always realized in practice, but, contrary to what has occurred with distressing frequency, that is no reason to devalue or reject them. Let us therefore consider the elements of these ideals.

The fundamental meaning of a republic is the common good: to devote oneself genuinely to collective well-being, overcoming individualism, selfishness, and particularism—that is what it means to be a republican. In addition, the republic is opposed to monarchy and therefore to caste society; in other words, in a republic, a person’s worth, while taking into account the sociological particularities of each individual, is determined by individual merit rather than by the circumstances of birth (by one’s “birthright”).

More important than this, devotion to the common good means the subordination of politics to morality—that is, the subordination of politics to the higher principles and values of Humanity, in which the family is subordinated to the fatherland and the fatherland to Humanity. Only in this way can political activity be understood as devotion to the common good and, on that basis, be subject to public scrutiny and accountability. More specifically, subordinating politics to morality means recognizing that political action must be guided by universal fraternity and by peaceful, convergent, and constructive activity, in opposition to violence, war, selfishness, and pettiness.

Several consequences follow from this. The first is that society as a whole must always be taken into account. We have already indicated that universal fraternity is a fundamental value: since all must orient their conduct toward improving everyone’s lives, mutual respect and the affirmation of everyone’s fundamental dignity are pillars of collective life. It follows as well that social relations must be peaceful: every form of violence degrades human relations and the social environment. Pacifism and universal fraternity, in turn, require the rejection of racism and discrimination based on “gender”; likewise, they require respect for the environment and, of course, for animals.

A second consequence is that, although every modern society is composed of patricians and proletarians, the majority of society consists of the proletariat (that is, workers), and social efforts must be directed toward improving their living conditions: this is the objective that should guide the action of the patricians. Any policy that ignores or disparages the interests of the proletariat is an anti-republican, or rather, antisociocratic, policy.

A third consequence is that concern for the common good also entails taking a broad view. We should all be concerned with the local communities in which we live; at the same time, however, we must remain attentive to broader settings—statewide, national, and international. Excessive or exclusive emphasis on local issues is a form of selfishness and alienation and is therefore contrary to altruism and universal fraternity. This principle should be generalized: the subordination of families to fatherlands, of fatherlands to present-day Humanity, and of present-day Humanity to historical Humanity is the only antidote to localism, provincialism, xenophobic nationalism, and ethnocentrism.

A particular instance of affirming broad perspectives and fraternity against violence, hatred, and particularism is the rejection of conceptions and practices based on resentment and factionalism. This includes not only xenophobic nationalism but also identity politics, both of which generate violence and aggression among and within the various countries.

The basic republican rule is to “live openly”: everyone should adopt values in life that can be publicly defended; everyone should, in fact, live according to those values. In the case of officeholders and public figures, living openly also means that all their actions are subject to accountability—that is, to public monitoring, evaluation, and demands for justification. Public disclosure of actions and motivations is the rule, never the exception. As a consequence of living openly, everyone should always tell the truth and keep their promises—or, in other words, one should neither lie nor betray.

The fundamental republican institution is the separation of church and state: counsel does not require the violence of the state in order to prevail, nor may the state condition its services upon acceptance of official beliefs. This is what is commonly called “secularism.” One consequence is that clergy should remain separate from the state in order to preserve their dignity, just as the state should refuse the involvement of clergy lest it be used as an instrument of oppression. The separation of clergy from politics does not mean alienation or indifference; it means that clergy should maintain their moral autonomy and may not work for the state.

The separation of church and state is the foundation of fundamental liberties: freedom of belief, freedom of expression, and freedom of association, as well as freedom of movement, habeas corpus, and due process of law. In addition, state institutions—especially those directly responsible for serving the population—and public servants should be valued, while the dignity of so-called private initiative should likewise always be maintained.

Finally, fundamental social institutions should be valued, beginning with the family. Relations between the family and political society (the fatherlands) are complementary rather than oppositional. The role of the family is affective development and moral education, preparing citizens for life in the broader society; the role of political society is to perform the practical tasks necessary to sustain and develop everyone’s life. Because it is broader, political society regulates and protects the family. The fatherlands, in turn, should all unite in the service of Humanity. Just as proletarians should be valued and respected, women should be valued and their dignity upheld and affirmed; violence against women is unacceptable.

These values and practices constitute, without exhausting the subject, much of what the republic—or, more precisely, sociocracy—is. All of this seeks to realize one of the supreme ideals of Brazilians and of all human beings: the union of order and progress. As we stated in another manifesto[2], when order and progress are separated, they become antagonistic to one another, so that order becomes reactionary and oppressive, while progress becomes chaotic and equally oppressive. Only the union of the two perspectives, in which both are simultaneously respected and valued, makes it possible for each to be fulfilled. Order consists in consolidating progress, while progress is the development of order; the bond between the two is love, which, in political terms, should be understood as fraternity, mutual respect, and tolerance. Respect for order does not amount to blind or servile submission to political power; likewise, the genuine relationship between power and citizens is not that between a soldier who submits to his commander.

3. Positive Recommendations: Vote for Candidates with This Profile

Considering the values and principles set forth above, we recommend voting for candidates who exhibit the following characteristics:

·         respect and uphold the separation of church and state (the so-called “secularity of the state”)

·         respect human dignity and universal fraternity

·         respect the dignity of public space and republican institutions

·         respect national sovereignty and peace among peoples

·         respect the dignity of, and value the living conditions of, the Brazilian population, particularly workers and the poorest, as well as Indigenous peoples

·         respect the dignity of and value the family, regardless of the sexual orientation of the members of each family

·         respect and value the dignity of women

·         have a record of combating racism and other forms of discrimination

·         have a record of defending the dignity and living conditions of animals

·         have a record of defending the environment

4. Negative Recommendations: Reject Candidates with This Profile

Considering the values and principles set forth in section 2 above, we recommend not voting for candidates whose personal and intellectual record is contrary to the sociocratic republic. More specifically, we reject candidacies that display the following characteristics:

·         are members of the clergy, that is, priests, pastors, or equivalents

·         promote clericalism in public office (the use of the state to promote religious worship and/or doctrines)

·         disparage social problems and/or criminalize poverty

·         promote a culture of violence, particularly by encouraging the dissemination and use of firearms among the civilian population

·         promote foreign interference or intervention in matters specifically concerning Brazil

·         promote parochial, provincial, exclusivist, and exclusionary values and practices, including xenophobic nationalism and so-called identity politics

·         deny environmental problems (the “climate deniers”)

·         promote a “cancel culture”

·         have a record of involvement with crime, whether through support for or participation in militias; support for or participation in organized crime; or personal irresponsibility

·         promote racism, misogyny, and various forms of prejudice

 

Curitiba, 26th of Dante 172 (August 10, 2026).



[2] Petition The Republican National Flag Is Not Fascist, dated October 26, 2022, available at: https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR127657.