08 novembro 2026

A autenticidade vulgar – a degradação (para)fascista das normas de convívio

 

Um dos aspectos mais cansativos e degradantes do fascismo é a pretensão de que o bem pensar consiste em ser agressivo e vulgar. Ou melhor, e sendo mais preciso: a pretensão de que a vulgaridade, ao rejeitar a civilização, o cuidado com os demais etc., corresponde à “autenticidade”.

Há aí o culto à violência e o desprezo pelas regras do que se considera de boa conduta. Na verdade, para a autenticidade vulgar a boa conduta é entendida como uma forma de diminuição do ser humano e, vinculada ao culto à violência, ela é entendida como uma diminuição, ou até uma negação, da virilidade, da força masculina.

A vulgaridade, por seu turno, consiste na sistemática ausência de autocontrole e na sistemática ausência de consideração para com a sensibilidade alheia. Na verdade, não se trata somente de uma ausência, mas também de uma presença; não se trata somente da ausência de autocontrole, mas de um comportamento ativo e proposital que começa com essa ausência e vai além, consciente e propositalmente. Falar palavrões, usar expressões de baixo calão, ser agressivo, empregar imagens de conteúdo sexual – tudo isso corresponderia à expressão verdadeira e legítima da “autenticidade” humana. Em contraposição, a civilização, os hábitos moderados, o autocontrole, a autolimitação tendo em vista os demais: tudo isso consistiria não na limitação, mas na própria negação de traços considerados fundamentais, verdadeiros, essenciais do ser humano (ou, sendo mais preciso, do homem, do macho).

Essa mentalidade é tipicamente guerreira e metafísica. Ela é incapaz de entender o ser humano (novamente: de modo mais preciso, o homem) fora do ambiente militar e bélico; ao mesmo tempo, a noção de “autenticidade” é própria da metafísica, na medida em que corresponde à crença em uma espécie de “núcleo duro” da personalidade individual, uma essência de cada pessoa, que deve ser afirmada sob risco de mentira inexpiável. Essa essência individual seria mascarada pelas regras de comportamento que se afastam da guerra e, em todo caso, da violência; tal essência seria, portanto, oposta à vida na sociedade industrial, pacífica, colaborativa, construtiva.

A respeito da noção de “sociedade industrial”, são necessárias duas digressões sociológicas e filosóficas:

1)     A noção de “sociedade industrial” empregada aqui, assim como a de metafísica, é a definida com clareza e inspiração por Augusto Comte. A sociedade industrial não é a sociedade das fábricas, das chaminés; ela define-se em oposição à sociedade militarista, violenta, guerreira, destruidora.

2)     Muitos pensadores são críticos da noção de sociedade moderna pacífica, colaborativa, construtiva; são pensadores que se dizem “críticos” e que adotam sistematicamente uma perspectiva contrária à sociedade moderna, ou até contrária à civilização moderna. Essa criticidade tem origem metafísica; são pensadores que de maneira entusiasmada, militante e (para usar uma palavra que está na moda) até “performática” criticam a sociedade moderna, mas que não se preocupam com o fato de que tais críticas estimulam as concepções contrárias (a violência, a agressividade, a destruição), nada acrescentando em seu lugar. Isso se refere em particular aos metafísicos alemães, sejam os neokantianos (na tradição seguida e estimulada por Max Weber), sejam os inúmeros marxistas; mas incluem-se aí também os metafísicos de origem mística, que se afastam do âmbito da modernidade e, na verdade, odeiam, repelem, desprezam a modernidade: são os tradicionalistas.

O desrespeito às leis, o estímulo à formação de grupos paramilitares (ou, na atual linguagem empregada no Brasil: de milícias), o desprezo pelas regras mais elementares de convívio pacífico e civilizado; por outro lado, o culto à liderança, em particular à liderança autoritária: essas são outras conseqüências dessa forma de pensar que busca a autenticidade e por meio da vulgaridade.

A autenticidade vulgar é algo próprio ao fascismo. Ela foi afirmada como concepção e realizada como prática na Itália e na Alemanha a partir da década de 1920, em ambos os países por grupos de ex-soldados que buscavam camaradagem, sentido na vida e sensação de pertencimento após a I Guerra Mundial.

Embora a autenticidade vulgar seja próprio ao fascismo, o seu duplo aspecto metafísico (o espírito destruidor e a “essência” individual) é atraente para muitos, em particular para espíritos literários, mesmo que tais literatos não sejam nem desejem ser fascistas ou próximos do fascismo. É claro que, ainda assim, mesmo a origem fascista pode tornar-se atraente, não porque ela em si mesma seja atraente, mas devido ao seu aspecto marginal, anticivilizado. Esse comportamento infantil, ou melhor, adolescente (em todo caso: totalmente imaturo) que é atraído pela marginalidade do fascismo foi um dos motivos que, a partir dos anos 1960, permitiu a recuperação do pensamento do direitista (na verdade, nazista) Martin Heidegger por muitos jovens e filósofos, muitos deles de esquerda (como pelo futuro líder da contracultura Daniel Cohn-Bendit).

O espírito destruidor é degradante por si só e torna-se ainda pior no âmbito das artes, no qual se converte em idealização da violência e que, com freqüência, mantém-se afastado das preocupações políticas. Mas, infelizmente, por outro lado, os hábitos da civilização podem às vezes se converter em afetação, em exageros, em formalismos que, em vez de regular e suavizar as relações sociais em geral e as relações entre individualidades em particular, acabam convertendo-se em normas que impedem a expressão de sentimentos e idéias pessoais.

Uma outra possibilidade, lamentavelmente própria da nossa época, consiste em exagerar a preocupação com a proteção da individualidade e em associar tal preocupação a ressentimentos tornados sistemáticos, negando assim o respeito geral pela dignidade humana: essa é a mentalidade “floco de neve”, própria ao identitarismo. A mentalidade floco de neve busca freneticamente denunciar opressões de opressores eternos e essenciais em todos os lugares e em todos os âmbitos; em face de tais opressões essenciais, eternas e ubíquas, procura constituir “lugares seguros”, isto é, espaços físicos e institucionais em que os oprimidos fiquem isolados de comentários e comportamentos que pareçam minimamente discordantes das opções de cada pessoa “oprimida”. (No caso de ter que lidar com qualquer comentário ou comportamento discordante, o oprimido considera-se profundamente atingido, humilhado, destratado, ofendido – em todo caso incapaz de lidar com a divergência, com a alteridade, enfim, com a existência de outros seres humanos). Nessa versão floco de neve, ou melhor, nessa versão identitária, a deriva da civilização não consiste em impedir a manifestação pessoal, mas, ao contrário, baseando-se na dupla consideração da essência individual e da opressão eterna e ubíqua, consiste em afirmar tanto e em levar tão adiante a preocupação pessoal que toda pessoa é encarada como sempre, profunda e intrinsecamente frágil, precisando sempre do máximo possível de proteção; qualquer afirmação ou qualquer ação que minimamente dê a impressão de discordar da expressão individual é vista como opressiva. Não deixa de ser altamente irônico que a mentalidade floco de neve no fundo tenha a mesma preocupação que a da vulgaridade: ambas desejam a autenticidade essencial e rejeitam as regulações sociais necessárias para a vida coletiva. No caso da autenticidade vulgar, rejeitam-se totalmente as regulações sociais; no caso do identitarismo, rejeitam-se as regulações não identitárias e, em todo caso, rejeita-se o senso comum e o bom senso na delimitação e na aplicação dessas regulações.

A vulgaridade autêntica manifesta-se de qualquer maneira como uma reação retardada do espírito militarista próprio a outras épocas e lugares, contra os hábitos pacíficos, construtivos e colaborativos da sociedade moderna. Por seu turno, o identitarismo floco de neve também se manifesta como uma expressão da busca de autenticidade individualista e ressentida. As origens de cada uma dessas buscas de autenticidade essencial são diferentes no tempo, no espaço e nos fundamentos morais; basta considerar que a autenticidade vulgar é de “direita”, enquanto a autenticidade floco de neve é de “esquerda”. Infelizmente, a partir de suas origens e de suas preocupações, ambas essas buscas de autenticidade essencial convivem e competem nos dias atuais, com o lamentável e desastroso resultado de que se reforçam mutuamente, seja devido às suas diferenças, seja devido às suas similitudes, seja enfim e principalmente porque cada uma deles vê na outra uma poderosa justificativa.

Com isso, encerramos estas reflexões voltando ao ponto de partida: nessa detestável lógica social e intelectual, a vulgaridade exerce seus efeitos degradantes e corrosivos contra os padrões de convivência, vista ora como digna de realização por si só, vista ora como justificada pela disputa com a mentalidade floco de neve.


07 novembro 2026

Gravuras e emblemas

Divulgamos abaixo alguns emblemas, gravuras e ilustrações gerados via inteligência artificial (GPT) com motivos positivistas.










04 novembro 2026

Monarquia e república na França e no Ocidente

No dia 27 de Descartes de 172 (3.11.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Conclusão - "missão peculiar aos verdadeiros conservadores").

Também fizemos a leitura do documento "Apelo à fraternidade, contra a mesquinhez violenta e vingativa".

A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/wfMkdk-dmqU) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/1087648617414789).

As anotações escritas que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *

Leitura comentada do Apelo aos conservadores

(27 de Descartes de 172/3.11.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 17 de Descartes (24.10): transformação de Júlio de Castilhos (1903 – 123 anos)

2.2.   Dia 21 de Descartes (28.10): transformação de Edgar de Proença Rosa (2001 – 25 anos)

2.3.   Dia 26 de Descartes (2.11): Dia de Finados

2.4.   Dia 27 de Descartes (3.11): transformação de Jean-François Robinet (1899 – 127 anos)

2.5.   Mês de Frederico (5.11 a 2.12): duodécimo mês, dedicado à política moderna

3.     Apóiem a Igreja Positivista Virtual!

3.1.   Colaborem com o que puderem; com boa fé e boa vontade, toda e qualquer colaboração é necessária e bem-vinda!

3.1.1. Inscrevam-se no canal, compartilhem, divulguem nossas atividades!

3.2.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

4.     Leitura do documento “Apelo pela fraternidade, contra a mesquinhez violenta e vingativa”

4.1.   Redigido em 24 de Descartes de 172 (31.10.2026)

4.2.   Publicado no blogue Filosofia Social e Positivismo, neste endereço: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html

5.     Espiritualidade positiva

5.1.   Esta talvez seja a seção mais importante das prédicas!

5.2.   Sejamos altruístas!

5.2.1. Sejamos generosos, tolerantes etc.

5.2.2. Devemos orientar toda a nossa vida pelo altruísmo: quando o altruísmo regula e orienta a vida, o resultado é que o altruísmo (a dedicação para os demais) e o egoísmo (a satisfação das necessidades pessoais) não são incompatíveis, pois só o altruísmo permite unir o bem comum à felicidade pessoal

5.3.   Façamos orações!

5.3.1. A oração positiva é a base do culto íntimo; assim, é tanto a base do aperfeiçoamento pessoal quanto da espiritualidade positiva de modo geral

5.4.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

5.4.1. Em um total de nove, os sacramentos são a celebração de momentos centrais na vida de todos nós – momentos que devem ser celebrados, afirmados, compartilhados (o nascimento/a adoção, o casamento, a aposentadoria, a transformação (a morte) etc.)

6.     Explicações gerais sobre o Apelo aos conservadores

6.1.   Como estamos no final da leitura do Apelo, convém indicar que a próxima leitura será feita do livro Doze diálogos, do positivista chileno Luís Lagarrigue

6.1.1. Esse livro está disponível aqui: https://archive.org/details/luis-lagarrigue-doze-dialogos

6.2.   Que tipo de documento é o Apelo e a quem ele dirige-se?

6.2.1. O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

6.2.2. O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

6.2.3. Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

6.2.4. É necessário reforçar que, na medida em que a “conservação” consiste na manutenção da sociedade como base necessária para o aperfeiçoamento, a política “conservadora” proposta por Augusto Comte é progressista, de tal sorte que ela corresponde à união e à realização do ideal de “Ordem E Progresso”

6.2.4.1.          A noção positiva de “conservador” e de “conservadorismo” opõe-se à noção inglesa de “conservador” (conforme definida originalmente por Edmund Burke, em 1794) e que se aproxima de ausência de movimento, de movimento muito lento ou, em todo caso, de rejeição de mudanças sociais racionais e intencionais

6.2.4.2.          Assim, a expressão “apelo aos conservadores” (em francês: “appel aux conservateurs”) não significa, nem quer significar, “defesa do conservadorismo” (ou, como querem alguns, de maneira alucinada, “defesa do reacionarismo”)

6.3.   Outras observações:

6.3.1. Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

6.3.2. O capítulo em que estamos é a “Conclusão”, cujo subtítulo é “Conduta própria aos verdadeiros conservadores”

7.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

8.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”).

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Luís Lagarrigue (esp.), Doze diálogos entre Clotilde de Vaux e Augusto Comte (Santiago do Chile, Universo, 1938): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-doze-dialogos.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up. 

02 novembro 2026

"Apelo pela fraternidade, contra a mesquinhez violenta e vingativa" em várias línguas


O “Apelo pela fraternidade, contra a mesquinhez violenta e vingativa”, publicado pela Igreja Positivista Virtual, está disponível nas seguintes línguas:

- português: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html

- francês: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appel-la-fraternite-contre-la.html

- italiano: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appello-alla-fraternita-contro-la.html

- inglês: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/an-appeal-for-fraternity-against.html

 

L’« Appel à la fraternité, contre la mesquinerie violente et vindicative », publié par l’Église positiviste virtuelle, est disponible dans les langues suivantes :

-      portugais (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html)

-      français (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appel-la-fraternite-contre-la.html)

-      italien (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appello-alla-fraternita-contro-la.html)

-      anglais (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/an-appeal-for-fraternity-against.html).

 

The “Appeal for Fraternity Against Violent, Vindictive Pettiness,” published by the Virtual Positivist Church, is available in the following languages:

·       Portuguese (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html)

·       French (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appel-la-fraternite-contre-la.html)

·       Italian (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appello-alla-fraternita-contro-la.html)

·       English (lhttps://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/an-appeal-for-fraternity-against.html).

 

L’« Appello alla fraternità, contro la meschinità violenta e vendicativa », pubblicato dalla Chiesa Positivista Virtuale, è disponibile nelle seguenti lingue:

-      portoghese: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html

-      francese: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appel-la-fraternite-contre-la.html

-      italiano: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appello-alla-fraternita-contro-la.html

-      inglese: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/an-appeal-for-fraternity-against.html

 

由虚拟实证主义教会(Igreja Positivista Virtual)发表的《呼吁友爱,反对暴力与报复性的卑劣行径》,现已提供以下语言版本:

-      葡萄牙语:https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html

-      法语:https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appel-la-fraternite-contre-la.html

-      意大利语: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appello-alla-fraternita-contro-la.html

-      英语:https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/an-appeal-for-fraternity-against.html

 

النداء إلى الأخوّة، في مواجهة الدناءة العنيفة والانتقامية، الصادر عن الكنيسة الوضعية الافتراضية (Igreja Positivista Virtual)، متاح باللغات التالية:

-      البرتغالية: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html

-      الفرنسية: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appel-la-fraternite-contre-la.html

-      الإيطالية (الرابط غير متوفر بعد): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appello-alla-fraternita-contro-la.html

-      الإنجليزية: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/an-appeal-for-fraternity-against.html

 

«Призыв к братству против жестокой и мстительной мелочности», опубликованный Виртуальной Позитивистской Церковью (Igreja Positivista Virtual), доступен на следующих языках:

-      Португальский: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/10/apelo-pela-fraternidade-contra.html

-      Французский: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appel-la-fraternite-contre-la.html

-      Итальянский: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/appello-alla-fraternita-contro-la.html

-      Английский: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/11/an-appeal-for-fraternity-against.html


Appello alla fraternità, contro la meschinità violenta e vendicativa

 Chiesa Positivista Virtuale


 

Appello alla fraternità, contro la meschinità violenta e vendicativa

 

L’amore per principio e l’ordine per base; il progresso per fine

Vivere alla luce del sole              Ordine e Progresso        Vivere per gli altri

 

Non è possibile usare mezzi termini: le minacce e gli atti effettivi di boicottaggio, licenziamento, omissione di soccorso, rifiuto di prestare assistenza e fornitura di prodotti inadeguati (compresi medicinali e trattamenti) — tutti comportamenti imputabili a numerosi brasiliani che si definiscono «di destra» o conservatori — sono inaccettabili e devono cessare immediatamente.

Dalla sera del 25 ottobre 2026, dopo la conferma della vittoria di Luiz Inácio Lula da Silva e della sconfitta di Flávio Nantes Bolsonaro alle elezioni presidenziali, si sono susseguite manifestazioni e atti concreti delle forme di comportamento più abiette: umiliazioni sistematiche, in particolare nei confronti delle persone vulnerabili (bambini, senzatetto, anziani ecc.); bambini investiti da veicoli; motociclisti travolti da mezzi della polizia; omicidi e tentati omicidi mediante pestaggi o colpi d’arma da fuoco; licenziamenti di lavoratori; boicottaggi da parte di commercianti e prestatori di servizi; rifiuti di prestare assistenza da parte di medici, infermieri, avvocati e funzionari pubblici; prestazioni di scarsa qualità e/o fornitura di prodotti e servizi inadeguati, ecc. Del resto, neppure gli animali sono stati risparmiati: asini e muli sono stati contrassegnati con numeri e simboli associati al candidato vincitore e costretti a subire le più crudeli condizioni di lavoro, fino alla morte. Tutti questi comportamenti sono stati suggeriti o messi in pratica da una parte dei cittadini brasiliani contro un’altra parte, come se si trattasse di condotte virtuose e giuste.

Tuttavia, lungi dall’essere accettabili e legittimi, questi comportamenti costituiscono una sistematizzazione della violenza fisica diretta, della violenza morale, della discriminazione e dell’irresponsabilità civica e professionale. Tutti questi comportamenti sono, a buon diritto, illegali, e coloro che li propongono e li praticano sono già oggetto di denunce presso le autorità competenti. Eppure, molto più che illegali, e ben prima ancora di esserlo, tali comportamenti sono profondamente immorali, nella misura in cui arrecano intenzionalmente danno ad altri cittadini e ad altri esseri umani, per di più per motivi di pura meschinità.

La diffusione di queste proposte e di queste pratiche, nonché dello spirito che le anima, esige che ci esprimiamo con chiarezza. Questi comportamenti costituiscono forme di violenza politica; la loro repressione da parte degli organi dello Stato, benché necessaria, affronta soltanto la superficie del problema. Nella misura in cui coinvolgono valori e idee, la loro soluzione è necessariamente morale o, più precisamente, religiosa. È per questo motivo che rendiamo pubblico il presente appello. (La religione non coincide con la teologia. La religione è la sistematizzazione dell’insieme dell’esistenza umana — affettiva, intellettuale e pratica; privata e pubblica; domestica, civica e universale; oggettiva e soggettiva — in vista dell’armonia dinamica dell’essere umano. Il fondamento di tale sistematizzazione è l’altruismo, ossia l’amore universale; sul piano civico, esso si concretizza nella fraternità umana.)

La profonda immoralità di questi comportamenti non si manifesta soltanto nell’intenzione consapevole e morbosa di arrecare il massimo danno possibile ad altri esseri umani. Tale immoralità risulta ancora più grave per una serie di ulteriori aspetti:

-      I comportamenti che critichiamo consistono in ritorsioni adottate per manifestare il dissenso nei confronti del risultato di elezioni profondamente polarizzate e radicalizzate;

-      Si tratta, in definitiva, di uno sforzo inutile, dal momento che le elezioni si sono già concluse e che, pertanto, ciò che doveva essere deciso è stato ormai deciso;

-      Essi rappresentano un tentativo di imporre con la forza ciò che dovrebbe essere ottenuto esclusivamente attraverso una persuasione pacifica e dignitosa;

-      Negano brutalmente i fondamenti di qualsiasi società, vale a dire la fraternità e la fiducia reciproca, incoraggiando e praticando sistematicamente l’odio, la violenza e il risentimento;

-      Corrispondono precisamente alle pratiche e alle intenzioni temute dai conservatori e da coloro che si definiscono «di destra», e che questi ultimi attribuiscono ai propri avversari «di sinistra»;

-      Consistono in pratiche e intenzioni che, in circostanze normali, i conservatori e coloro che si definiscono «di destra» considererebbero inaccettabili e denuncerebbero e criticherebbero prontamente;

-      Si tratta di pratiche e intenzioni degradanti i cui promotori e autori, non appena vengono criticati, affermano subito, con cinismo o ipocrisia, di essere stati «fraintesi» oppure che le loro dichiarazioni sarebbero state «estrapolate dal contesto», e così via;

-      Sono pratiche e intenzioni rivolte contro persone vulnerabili o dipendenti e costituiscono, pertanto, comportamenti particolarmente meschini e brutali;

-      Pratiche identiche, ugualmente motivate dal risentimento e perseguite con finalità punitive o vendicative, non costituiscono una novità storica: furono ampiamente attuate dai nazisti e dai loro sostenitori in Germania negli anni Trenta e Quaranta.

Queste pratiche e queste intenzioni sono violente e rivelano una profonda degradazione morale e intellettuale. Oltre a essere infantili, esse rappresentano l'esatto contrario di ciò che i loro sostenitori conservatori e «di destra» normalmente dichiarano di accettare o, almeno, affermano di accettare. Questi comportamenti costituiscono una reazione meschina a uno specifico risultato elettorale. Se le elezioni avessero avuto un esito diverso, i sostenitori di queste pratiche e intenzioni esigerebbero dagli sconfitti esattamente il contrario di ciò che oggi propongono: accettazione, moderazione, rispetto del risultato elettorale e così via. Soltanto perché hanno perso le elezioni, i sostenitori di tali comportamenti si ritengono scandalosamente autorizzati a vendicarsi dei sostenitori e degli elettori del candidato vincitore.

Le elezioni non costituiscono semplicemente il miglior meccanismo per la selezione dei governanti. Come è noto, esse rappresentano un meccanismo attraverso il quale si cerca di indebolire dal basso l'autorità che proviene dall'alto; inoltre, trasformano in questioni puramente numeriche diversi problemi che, per definizione, sono qualitativi: la capacità di governo, la rappresentanza degli interessi della società, l'opinione pubblica e così via. Tuttavia, nonostante questi gravi e profondi difetti, in Brasile la formazione dei governi si basa sulla procedura elettorale, il cui risultato, nel bene o nel male, deve essere accettato. Tale accettazione non dipende dal fatto che i risultati siano graditi oppure no, ma soltanto dal rispetto leale e corretto delle procedure coordinate dalla Giustizia Elettorale. Del resto, l'accettazione dei risultati elettorali è legata a una caratteristica fondamentale di qualsiasi società: la fiducia reciproca.

Nonostante agiscano apertamente in direzione opposta, i conservatori e coloro che si definiscono «di destra» e che difendono le diverse forme di violenza meschina contro le persone vulnerabili e dipendenti hanno bisogno della fiducia reciproca tanto quanto qualsiasi altro cittadino. Non esiste società senza fiducia reciproca. Tutte le pratiche e le intenzioni che qui critichiamo distruggono tale fiducia. E non solo: distruggono la fraternità e la generosità; alimentano l'odio, la rabbia, la diffidenza e i risentimenti.

I conservatori e coloro che si definiscono «di destra» che qui critichiamo si dichiarano, in teoria, favorevoli al conservatorismo e all'ordine sociale, oltre che contrari al «progresso». Le pratiche politiche e sociali più favorevoli allo sviluppo, alla libertà e alla dignità umana sono affermate dalle riflessioni e dagli insegnamenti della Religione dell'Umanità e sintetizzate nella proposta della sociocrazia. Quest'ultima chiarisce, a sua volta, che il vero conservatorismo non è immobile e non auspica il ritorno al passato, così come il progresso non equivale alla distruzione sistematica delle istituzioni. Tuttavia, come è noto, il conservatorismo che si è affermato in Brasile negli ultimi anni si vanta della propria vocazione distruttiva e dichiara che «prima di costruire qualsiasi cosa, bisogna distruggere molto» — in particolare, distruggere tutto ciò che abbia a che fare con il «progresso». Contro queste intenzioni distruttive, il vero conservatorismo afferma che la società e le istituzioni devono continuare a esistere, sia affinché i cittadini possano condurre la propria vita, sia affinché le condizioni di vita possano migliorare, soprattutto a vantaggio dei più deboli e dei più fragili. Il vero conservatorismo è dunque, al tempo stesso, progressista e contrario alle distruzioni sistematiche. Affinché tali miglioramenti possano realizzarsi, la fiducia, fondata sulla fraternità, deve essere effettivamente condivisa dall'intera società.

Le pratiche e le intenzioni che qui critichiamo respingono la fraternità, distruggono la fiducia, sono particolaristiche e impediscono qualsiasi progresso. Peggio ancora: pur definendosi «conservatrici», si oppongono a qualsiasi forma di conservazione. Pertanto, opponendosi sistematicamente al «progresso», queste pratiche e intenzioni finiscono in realtà per opporsi all'ordine stesso. Non vi sono dunque né ordine né progresso, ma, al loro posto, una grande quantità di violenza e anarchia.

Le opinioni devono essere rispettate. Il cambiamento di opinione deve avvenire sempre e necessariamente soltanto attraverso la persuasione pacifica. L'uso della violenza per imporre cambiamenti di opinione non è, in fondo, diverso dall'impiego dello Stato per imporre credenze. La deplorevole particolarità del caso presente consiste soltanto nel fatto che la violenza viene esercitata nell'ambito della società stessa e assume un carattere punitivo o vendicativo. Non vi è dubbio che molti dei conservatori che qui critichiamo desiderino utilizzare lo Stato per imporre le proprie credenze, soprattutto quelle teologiche. Di fronte a ciò, dobbiamo ribadire ancora una volta: né la violenza dello Stato né quella della società sono accettabili; né la violenza in generale né quella impiegata per imporre credenze sono accettabili; né la violenza volta a imporre credenze né quella volta a punire le credenze altrui sono accettabili.

Come abbiamo affermato all'inizio di questo documento, in questo caso non è possibile usare mezzi termini. Rivolgiamo pertanto un appello chiaro e diretto ai conservatori e a coloro che si definiscono «di destra»: cessino immediatamente di propagandare e/o mettere in pratica i comportamenti qui criticati; rivedano le proprie condotte e le proprie intenzioni, in modo da rispettare e praticare il vero conservatorismo — progressista, fraterno e pacifico; modifichino le intenzioni e le pratiche di coloro che sostengono la meschinità violenta e punitiva. In sintesi, ben oltre il semplice invito ad astenersi da comportamenti illegali, ossia criminali, rivolgiamo ai conservatori e a coloro che si definiscono «di destra», alla luce di concezioni autenticamente religiose, un appello affinché pongano fine alla mostruosa violenza politica che hanno praticato e riprendano a coltivare comportamenti fraterni, capaci di promuovere la fiducia reciproca.

 

Curitiba, 24 Descartes 172 (31 ottobre 2026).

 

Sacerdote dell'Umanità Gustavo Biscaia de Lacerda,

in nome della Chiesa Positivista Virtuale