No dia 13 de São Paulo de 172 (2.6.2026) realizamos nossa prédica, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Terceira parte - conduta dos positivistas em relação aos revolucionários).
No sermão continuamos a tratar de algumas leis científicas básicas, abordando antes o ensino crítico das ciências (ou seja, o ensino positivista propriamente dito).
A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/zzCfNm_7WO8) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/1968395457140176).
As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.
* * *
Leis científicas básicas – II
(13
de São Paulo de 172/2.6.2026)
1.
Abertura da prédica
2.
Datas e celebrações
2.1.
Não temos celebrações nesta semana
3.
Leitura comentada do Apelo aos conservadores
4.
Exortações
4.1.
Sejamos altruístas!
4.2.
Façamos orações!
4.3.
Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os
sacramentos positivos a quem tem interesse
4.4.
Para apoiar as atividades dos nossos canais e da
Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)
5.
Sermão: leis científicas básicas
5.1.
No sermão de hoje damos continuidade ao sermão
que iniciamos na semana passada, sobre as leis naturais básicas
5.1.1.
Para isso, seguimos o que nosso mestre
apresentou na sétima conferência do Catecismo
positivista, na parte do dogma dedicada à “ordem exterior, primeiro
material, depois vital”: tratam-se, então, das leis das ciências inferiores:
Matemática, Astronomia, Física, Química e Biologia
5.1.2.
Por que queremos (re)apresentar essas leis?
Porque com certa freqüência falamos do mundo, da realidade cósmica, das
ciências inferiores etc. mas não temos clareza a respeito das leis próprias a cada
ciência, ao âmbito de cada uma, nem mesmo dos principais nomes de cada uma
delas
5.1.3.
Na semana passada, vimos ou revimos algumas questões gerais preliminares:
5.1.3.1.
Por que o Positivismo teria começado como uma
filosofia das ciências? O Positivismo tornou-se mais famoso devido à filosofia e à apreciação das ciências (por
meio do Sistema de filosofia positiva,
de 1830-1842), mas ele começou com a fundação da sociologia (em 1822-1824) e as
preocupações sociais e seu objetivo era a reforma social
5.1.3.2.
Por que ele não é um cientificismo? O
Positivismo rejeita a ciência pela ciência, afirma a necessidade de orientação
social da ciência, a subordinação da inteligência aos sentimentos e às
preocupações práticas: isso e muito mais distancia de maneira intensa o
Positivismo do cientificismo (e do academicismo)
5.1.3.3.
Há espaço ou necessidade de considerações
prévias à exposição das leis naturais? As considerações preliminares – como
estas mesmas – são necessárias; várias delas foram organizadas na forma das
leis da Filosofia Primeira, mas estas não esgotam as considerações prévias
5.1.4.
Como já deve ter ficado claro na prédica
anterior e como ficará ainda mais claro ao longo desta exposição, a apreciação
positivista das ciências é uma apreciação “crítica”
5.1.4.1.
A gíria academicista-metafísica define a
“apreciação crítica” como aquela que considera, por um lado, os fatores
sociais, as motivações íntimas e sociopolíticas, os contextos e, por outro
lado, a orientação subjetivista humana, a utilidade social etc.
5.1.4.2.
Evidentemente, a “orientação crítica” tem um
viés destruidor (explícito ou, o mais das vezes, hipocritamente implícito), que
o Positivismo rejeita
5.1.4.3.
A “orientação crítica” é crítica contra o Positivismo: além da má fé sistemática nesse
procedimento, há também a criação e a disseminação de mitos e mentiras sobre o
Positivismo
5.2.
Convém insistirmos em algumas outras idéias
fundamentais:
5.2.1.
O conhecimento das leis naturais impõe-se ao ser
humano porque o mundo (ou seja, a realidade objetiva) impõe-se ao ser humano
5.2.1.1.
O conhecimento das leis é necessário para
sabermos o que podemos e o que não podemos mudar: em um caso, com as leis
modificamos o mundo conforme nossas possibilidades e necessidades; no outro
caso, aceitamos e suportamos o jugo do mundo
5.2.1.2.
Dizermos que o “mundo (objetivo) impõe-se” é
muito diferente de dizer (1) que a realidade não é modificável e (2) que o ser
humano não possui vontade ou imaginação (ou seja, subjetividade)
5.2.2.
Se o mundo impõe-se ao ser humano, já as interpretações que fazemos do mundo (ou
seja, a subjetividade humana em ação)
variam de acordo com as possibilidades e a acumulação histórica – de acordo com
a lei intelectual dos três estados
5.2.2.1.
Dessa forma, embora tenhamos que lidar com o
mundo, a maneira como lidamos muda
com o tempo
5.2.2.2.
As primeiras interpretações lidam com o mundo
considerando-o um ser humano diferente: é o fetichismo;
depois, considera-se que o mundo é sem vida, movido por entidades variadas com
vontades caprichosas: buscamos determinar e influenciar essas vontades (via
súplicas e/ou ameaças), na teologia;
finalmente, reconhecemos que o mundo tem atividade própria, um ordenamento que
ocorre independentemente da vontade humana e que, conhecendo esse ordenamento,
podemos modificar muito (embora não infinitamente) o mundo: é a positividade
5.2.3.
O conhecimento das leis é necessário por
questões intelectuais (conhecer o
mundo e torná-lo inteligível) e por questões práticas (mudar o mundo conforme nossas possibilidades e
necessidades)
5.2.3.1.
Embora o ser humano possa conhecer muitas leis,
de verdade não são todas elas que
precisam ser conhecidas: a positividade, por meio da utilidade, evita esse
impulso ao mesmo tempo cientificista e academicista
5.2.3.2.
O cientificismo e o academicismo afirmam que
precisamos conhecer todas de todas as leis, mesmo avançando orgulhosamente para
a investigação absolutista das “causas”: sem medir palavras, temos que dizer
que isso é uma estupidez sem tamanho
5.2.4.
Restringir o conhecimento das leis naturais às
nossas necessidades tem conseqüências práticas (não precisamos nem devemos
buscar todas as leis), mas, principalmente, também tem conseqüências pedagógicas
5.2.4.1.
Ao contrário do que nos atribui com os habituais
preconceitos e má vontade a pedagogia metafísica (“crítica”), no que se refere
às leis naturais o ensino positivista afirma, por um lado, os parâmetros de
positividade (ou seja, a apreciação filosófica e sociológica das ciências) e,
por outro lado, leis naturais básicas (novamente, a partir da utilidade moral,
intelectual e prática)
5.2.4.2.
Dito de outra forma, o ensino positivista não é
uma coleção infindável de dados concretos, acumulados e decorados pelo suposto
prazer de decorar e sem outro objetivo além de decorá-los: o ensino positivista é filosófico, tem por parâmetro a subjetividade
humana e tem por meta a utilidade moral, intelectual e prática
5.2.5.
Vejamos agora as leis naturais, conforme
apresentadas no Catecismo positivista
5.3.
Matemática
5.3.1.
As leis mais simples, mais gerais e mais
grosseiras são as matemáticas; elas referem-se ao número, à extensão e ao
movimento, ou seja, à quantidade, ao tamanho e ao movimento – donde: álgebra,
geometria e mecânica
5.3.1.1.
A álgebra, a geometria e a mecânica constituem,
para nosso mestre, três ciências distintas, mais que três partes de uma única
grande ciência
5.3.1.2.
Há uma progressão lógica e histórica da álgebra
à mecânica, passando pela geometria, com aumento da complicação
5.3.2.
Algumas características filosóficas e
científicas dessas ciências:
5.3.2.1.
Tudo o que não apresenta essas características (quantidade,
extensão e movimento) existe apenas em nossa mente (ou em nosso coração)
5.3.2.2.
Os números aplicam-se aos seres (concretos,
objetivos) e aos fenômenos (abstratos, subjetivos); por isso, eles são o único
fenômeno plenamente universal
5.3.2.3.
A álgebra permite o desenvolvimento da dedução
5.3.2.4.
A extensão e o movimento referem-se diretamente
aos seres reais: é com elas que a matemática funda a teoria da existência
universal
5.3.2.5.
Com a mecânica há uma transição da matemática à
física; em particular, há a afirmação clara e o desenvolvimento da indução,
isto é, das pesquisas empíricas
5.4.
Mecânica (ainda no domínio matemático):
5.4.1.
A mecânica apresenta três leis gerais do
movimento, que permitem o tratamento matemático (dedutivo) geral da realidade:
5.4.1.1.
Primeira lei do movimento: descoberta por
Kepler, estabelece que todo movimento tende a ser retilíneo e uniforme; os
movimentos curvilíneos originam-se de impulsos sucessivos
5.4.1.2.
Segunda lei do movimento: descoberta por
Galileu, estabelece que os movimentos particulares de alguns corpos são
independentes dos movimentos que todos os corpos de um conjunto sofrem ao mesmo
tempo; essa lei regula a composição
dos movimentos
5.4.1.3.
Terceira lei do movimento: descoberta por
Newton, estabelece a equivalência entre ação e reação em choques mecânicos,
desde que se tome na devida conta as velocidades e as massas; essa lei regula a
transmissão dos movimentos
5.4.2.
Essas três leis permitem entender tanto o mundo
material como também o mundo humano: a lei de Kepler é a base da lei da
permanência; a lei de Galileu é a base da independência das ações individuais
em meio aos esforços comuns (donde a conciliação da ordem com o progresso); a
lei de Newton pode ser aplicada de maneira universal e direta
5.5.
Física:
5.5.1.
O nome geral da “física” divide-se em três
grandes ciências (astronomia, física propriamente e química)
5.5.1.1.
No âmbito geral da física, passa-se de um nível
para o outro de maneira espontânea e natural; são as aplicações práticas que
distinguem de maneira mais específica cada uma delas
5.5.2.
A astronomia estuda as relações da Terra com os
astros que podem modificar sua situação (em particular, o Sol, a Lua e os cinco
planetas tradicionais (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno)); assim, são
estudos geométricos e mecânicos
5.5.2.1.
Na positividade, a Terra ocupa subjetivamente o
centro, enquanto na teologia ela ocupava objetivamente o centro
5.5.2.2.
O duplo movimento terrestre é essencial aqui: a
rotação diária (ao redor do próprio eixo) e a translação anual (ao redor do
Sol)
5.5.2.2.1.
A gravitação universal é o complemento teórico
dessa teoria astronômica
5.5.2.3.
O duplo movimento terrestre foi a teoria que pôs
por terra os dogmas teológicos, ao afirmar sem dúvidas o relativismo do
conhecimento humano, contra o absolutismo teológico
5.5.3.
A física propriamente dita surgiu com Galileu
como transição entre a astronomia e a química
5.5.3.1.
Basicamente, a física e a química andam juntas
ou próximas
5.5.3.2.
A física examina as propriedades propriamente
físicas de todos os corpos (considerados como relativamente iguais entre si) e, em particular, as propriedades
dos corpos que são inspiradas pelos sentidos (pressão, calor, eletrição, som
etc.); já a química examina as leis de composição e decomposição dos corpos e
as relações que essas composições mantêm entre si, considerando todos os corpos
como diferentes entre si
5.5.3.3.
A física permitiu o desenvolvimento decisivo da
indução, pela observação sistemática e pela experimentação; já a química
permitiu o conhecimento efetivo da composição do mundo (incluindo o ar e a
água) e também dos seres vivos; com isso, a química realizou a transição do
conhecimento (e do entendimento) do mundo físico para o mundo vivo e, daí, para
o ser humano
5.6.
Biologia:
5.6.1.
As considerações de Augusto Comte sobre a biologia,
no Catecismo positivista, são maiores
que as sobre as outras ciências
5.6.1.1.
Isso se deve à importância do tema (como veremos,
entre outros aspectos, a biologia estabelece a ligação entre o ser humano e o mundo
físico, ou seja, entre o homem e o mundo), mas também se deve a que nosso mestre
tinha um amplo conhecimento da biologia de sua época
5.6.2.
Há vários aspectos da biologia que são importantes
para a compreensão humana da vida e dos vínculos entre o mundo e o ser humano:
5.6.2.1.
O princípio básico para entender a biologia consiste
em que as funções mais nobres subordinam-se às mais grosseiras; assim, a
humanidade e, antes, a animalidade subordinam-se à vegetalidade, ou a vida de
relação subordina-se à vida de nutrição: daí os fenômenos da vida ligam-se aos
fenômenos físicos
5.6.2.2.
O único
fenômeno biológico comum a todas as
formas de vida deve-se a Bichat e consiste na composição e recomposição
contínua dos organismos vivos; esse processo aproxima os seres vivos dos
fenômenos químicos
5.6.2.3.
Os vegetais produzem seus alimentos diretamente
da química; já os animais obtêm seus alimentos a partir de seres vivos: daí
decorre a aptidão animal para discernir os alimentos e a faculdade de
apreendê-los, donde sensibilidade, contratilidade e, no meio, os instintos
5.6.2.4.
A base geral de estudos da biologia refere-se
aos vegetais; é a parte que realiza a transição entre os seres inanimados e os
seres vivos e é a única parte que poderia ser plenamente desvinculada da
sociologia (ou seja, do estudo específico do ser humano)
5.6.2.5.
A continuidade dos seres vivos é estabelecida
pela escala subjetiva dos seres vivos, elaborada desde Aristóteles até
Blainville, que vai dos mínimos vegetais aos seres humanos
5.6.2.6.
A escala específica dos animais serve
principalmente como preparação para o estudo do ser humano; assim, as
qualidades sociológicas e morais dos seres humanos são esboçadas nos animais superiores
(e nas aves)
5.6.3.
Augusto Comte determina sete leis biológicas gerais (três da vegetalidade, três da animalidade
e uma sétima que sintetiza as anteriores):
5.6.3.1.
Três leis da vegetalidade:
5.6.3.1.1.
Todo ser vivo está sujeito à contínua renovação
material
5.6.3.1.2.
Lei do desenvolvimento e do declínio, culminando
na morte (que é um fenômeno à parte)
5.6.3.1.3.
Lei da reprodução, em que a espécie compensa a
destruição dos indivíduos; esta lei resume o conjunto da vegetalidade
5.6.3.2.
Três leis da animalidade:
5.6.3.2.1.
Necessidade alternada de exercício e descanso
5.6.3.2.2.
Tendência de toda atividade intermitente virar
habitual, ou seja, tendência a todo movimento permanecer após cessados os
fatores que o originaram (lei do hábito); daí se segue o impulso à imitação
5.6.3.2.3.
Lei do aperfeiçoamento estático e dinâmico: o
uso mantém e fortalece os órgãos, o desuso enfraquece-os; esta lei resume o
conjunto da animalidade
5.6.3.3.
Lei final: lei da hereditariedade: as funções e
os aperfeiçoamentos são transmitidos para as gerações futuras
5.7.
Para
concluir: o objetivo desta prédica e da anterior não foi dar uma “aula de
ciências”, mas apenas indicar algumas leis científicas elementares
5.7.1. O objetivo dessa exposição, além de apresentar
as leis em si mesmas, foi indicar em que consiste a positividade (incluindo aí,
em particular, o subjetivismo e o relativismo)
6.
Término da prédica
Referências
- Auguste
Comte (franc.), Síntese subjetiva
(Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.
- Augusto Comte (franc.), Sistema de
filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations
générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou
cérébrales”).
- Augusto
Comte (franc.), Sistema de política
positiva (Paris. J.-B.
Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.
- Augusto
Comte (port.), Apelo aos conservadores
(Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.
- Augusto Comte
(port.), Catecismo positivista (Rio
de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).
- Gustavo
Biscaia de Lacerda (port.), Prédica positiva
“Cientificismo e epistemologia” (Curitiba, 6.São Paulo.172/26.5.20026): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/cientificismo-e-epistemologia.html.
- José
Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração
(Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.
- Luís
Lagarrigue (esp.), A poesia positivista
(Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.
- Raimundo
Teixeira Mendes (port.), As últimas
concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil,
1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i
e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.
- Raimundo
Teixeira Mendes (port.), O ano sem par
(Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.