22 abril 2026

Celebração de Tiradentes

No dia 27 de Arquimedes de 172 (20.4.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (dando início à sua Terceira Parte - postura dos positivistas em relação aos revolucionários).

No sermão celebramos a bela figura de Tiradantes.

Também aproveitamos para fazer alguns comentários sobre o Dia dos Índios/dos Povos Indígenas.

A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/WyHiR0kx_ZE) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/2738122833210571).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

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Celebração de Tiradentes (2026)

(27 de Arquimedes de 172/21.4.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 25 de Arquimedes (19.4): Dia dos Povos Indígenas (antigo Dia do Índio)

2.1.1. Ele foi criado em 1943, por Getúlio Vargas, ao término de uma conferência interamericana de povos indígenas

2.1.2. A denominação original – “Dia do Índio” – evidentemente era genérica e referia-se à enorme quantidade de povos que viviam originalmente no território brasileiro e que, atravessando as maiores dificuldades e vicissitudes (entre as quais a escravidão e o extermínio puro e simples), sobreviveram até então (1943) e até atualmente

2.1.3. Os índios não são um grupo homogêneo; na verdade, não são nem mesmo um único grupo: são dezenas, ou melhor, centenas de grupos, de inúmeras etnias e grandes etnias, com variados hábitos, usos e costumes

2.1.4. Por meio das mais variadas relações sociais – desde as mais pacíficas até as mais agressivas –, desde 1500 os povos indígenas foram misturando-se com os colonizadores portugueses e, mais tarde, também com os escravos de origem africana: dessa tríplice mistura surgiu a população brasileira, de Norte a Sul

2.1.5. No conjunto, entretanto, os índios que não foram absorvidos foram dizimados ou empurrados cada vez mais para dentro do território

2.1.6. Vale notar, entretanto, que houve esforços em favor da preservação e do respeito aos índios: José Bonifácio pretendia exatamente isso; mais tarde, Miguel Lemos e Teixeira Mendes faziam a mesma proposta, com o adicional de que propunham que se deveria garantir metade do território brasileiro para os índios (“estados ocidentais do Brasil”), a serem reunidos na forma de uma confederação com o restante do país (os “estados orientais do Brasil”)

2.1.7. Sem entrar em maiores detalhes, vale notar que ao longo do século XX, devido a muitos esforços – entre os quais, em particular, os dos positivistas –, a situação dos povos indígenas começou a mudar de maneira mais clara; a Constituição Federal de 1988 aumentou a proteção devida a eles e as políticas indigenistas, com altos e baixos, passaram a ser melhores e mais abrangentes; com isso, a tendência geral de diminuição da população indígena alterou-se, ocorrendo uma certa estabilização e, em alguns casos, até aumento da população

2.1.8. Nos últimos anos, ao mesmo tempo tem que os índios padecem de grandes provações (invasão e degradação de suas terras; incúria do poder público no que se refere à saúde indígena; agressivo evangelismo cristão, tanto católico quanto, principalmente, evangélico), eles passaram a atuar com maior autonomia e autoconsciência: eleição de deputados indígenas; elaboração de gramáticas indígenas pelos próprios falantes; criação do Ministério dos Povos Indígenas (cuja titular é uma índia: Sônia Guajajara)

2.1.9. Apenas para citarmos, sem entrarmos em nenhum detalhe, a referência aos índios no âmbito do Positivismo é importante devido a dois aspectos: (1) devido ao fetichismo, que, unindo-se ao Positivismo, torna possíveis todos os grandes desenvolvimentos do neofetichismo na Religião da Humanidade; (2) a intensa prática indigenista brasileira, que durante várias décadas foi levada a cabo pelos positivistas – e, em particular, sob a inspiração e a orientação do nosso grande Cândido Rondon

3.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

4.     Exortações

4.1.   Sejamos altruístas!

4.2.   Façamos orações!

4.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

4.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

5.     Sermão: celebração de Tiradentes

5.1.   Antes de mais nada, devo indicar que retomo aqui comentários feitos na prédica positiva “Celebraçãodo Dia do Índio/dos Povos Indígenas e do Dia de Tiradentes”, realizada em 24 de Arquimedes de 169 (ou 18.4.2023)

5.2.   No dia 21 de abril, ou melhor, 27 de Arquimedes – hoje! – celebramos Tiradentes, o protomártir da independência

5.2.1. Essa data, que é um feriado nacional, é importante para os positivistas porque celebra uma figura que nós mesmos propomos, além de ser um dos derradeiros feriados cívicos daqueles propostos por nós no final do Império e início da República

5.2.1.1.          Os feriados cívicos republicanos foram criados em 14 de janeiro de 1890, por meio do Decreto n. 155-B

5.2.1.2.          Os feriados estabelecidos por esse decreto foram os seguintes (os feriados em negrito são os que permanecem vigentes até hoje (abril de 2026)):

1)     1 de janeiro: fraternidade universal;

2)     21 de abril: precursores da independência do Brasil, resumidos em Tiradentes;

3)     3 de maio: descoberta do Brasil;

4)     13 de maio: fraternidade dos brasileiros;

5)     14 de julho: República, Liberdade e Independência dos povos americanos;

6)     7 de setembro: Independência do Brasil;

7)     12 de outubro: descoberta da América;

8)     2 de novembro: comemoração geral dos mortos (dia de finados);

9)     15 de novembro: Pátria Brasileira.

5.2.2. Além disso, o Dia de Tiradentes, juntamente com o Dia do Índio, tem um caráter geral, ou seja, são contra os particularismos e os facciosismos atuais

5.3.   Quem foi Tiradentes?

5.3.1. Joaquim José da Silva Xavier nasceu em 12.11.1746 e faleceu em 21.4.1792 (com 46 anos)

5.3.2. Ele teve inúmeras atividades ao longo de sua vida: dentista, boticário, sertanista, explorador de jazidas; essas várias atividades permitiram-lhe conhecer a região das Minas Gerais e mesmo até o Rio de Janeiro, além de, inversamente, tornar-se conhecido nessas regiões todas

5.3.3. Em 1780, aos 34 anos (já bem adulto, portanto) ingressou na tropa da capitania das Minas Gerais, assumindo um posto de liderança e mantendo a segurança das estradas da capitania – devemos lembrar que, além da segurança regular das estradas, o trajeto entre Minas e Rio tinha que ser preservado devido ao tráfego de ouro e diamantes que tinha lugar ali, evidentemente alvo de ladrões

5.3.4. Ele era alferes, o que corresponde atualmente ao posto de Segundo Tenente, de aspirante a oficial (o posto de alferes foi extinto no início do século XX, substituído pelo de Segundo Tenente); nessa posição, ele não integrava a soldadesca, mas, ao mesmo tempo, devido à sua origem social relativamente humilde, não conseguiu ascender na carreira do exército da nobreza, o que o desmotivou e resultou em baixa, em 1787, ou seja, após poucos anos de serviço na ativa

5.3.5. O apelido “Tiradentes” veio do fato de que, entre suas várias atividades, ele era também um dentista prático – literalmente, um “tira-dentes”

5.4.   Como sabemos, sua importância histórica liga-se à sua participação na conjura mineira (depois inconfidência mineira), isto é, ao episódio em que membros da elite das Minas Gerais tramaram em 1789 uma tentativa de tornar independente a sua província (provavelmente abrangendo também partes do Espírito Santo, para acesso ao mar)

5.4.1. A motivação imediata da sublevação foi a revolta das elites contra o aumento excessivo dos impostos na região das Minas; além disso, o governo português, tendo então à frente o Marquês de Pombal, implementou medidas duríssimas para cobrar esses impostos (a “derrama”): assim, além do aspecto econômico (os impostos majorados) havia o aspecto político (a cobrança autoritária)

5.4.1.1.          O aumento na dureza da cobrança de impostos da parte de Portugal deveu-se ao aumento das despesas metropolitanas, à redução da extração de riquezas na capitania e também à redução de fontes de renda disponíveis para Portugal

5.4.2. Ao contrário das concepções materialistas e economicistas, que reduzem a sociedade ao desejo de lucro e à busca de poder, devemos ter clareza que, antes de 1789, já haviam ocorrido inúmeras rebeliões e revoltas coloniais; essas revoltas com freqüência eram contra os abusos do poder de Portugal e de seus emissários locais: o movimento das Minas Gerais alterou esse padrão, exigindo, ou tencionando exigir, não o fim do abuso, mas a mudança de status político do Brasil (ou melhor, das Minas Gerais): tratava-se então de, explicitamente, propor a independência nacional

5.4.2.1.          Essa mudança de mentalidade foi largamente inspirada pelo republicanismo francês, defendido pelo Enciclopedismo em termos teóricos, e também pelo republicanismo estadunidense, a partir do exemplo prático dado pela Revolução Americana, que ocorreu com sucesso entre 1776 e 1781; além disso, a Revolução Francesa – que já começava em 1788 – serviu igualmente como um poderosíssimo estímulo para a instituição da república independente no Brasil

5.4.2.2.          Assim, devemos enfatizar que a sublevação das Minas Gerais era não somente pela independência nacional, mas também a favor da República (pelo menos para Tiradentes e alguns de seus companheiros)

5.4.3. Como sabemos, a sublevação foi tramada na capital da capitania das Minas Gerais, em Vila Rica (depois renomeada para Ouro Preto), local que era ao mesmo sede do governo local e núcleo da região extrativista; os integrantes da sublevação eram quase todos membros da elite política, econômica e administrativa local, com a notável e importante exceção de Tiradentes, que era de origem humilde, mas era também muito hábil em termos retóricos e tinha acesso fácil e amplo às camadas populares e médias da região, para quem fazia propaganda aberta dos ideais de independência e de república

5.4.4. Certamente Tiradentes não foi o líder nem o membro mais destacado da conjura mineira: houve outros mais importantes, mais ricos e/ou mais famosos; na verdade, após a traição de Joaquim Silvério dos Reis (dando início à “inconfidência mineira”), exatamente o caráter não elitista de Tiradentes tornou-o o bode expiatório ideal

5.4.4.1.          Nesse sentido, o que importa notar é que ele foi o único a manter-se firme em suas convicções e a não trair ninguém; além disso, ele foi o único a ser executado

5.4.5. Tiradentes foi preso em 1789, mantido na prisão durante três anos e executado em 1792; após sua morte, seu corpo foi esquartejado e suas partes foram exibidas em cidades de Minas Gerais em que ele pregara; sua cabeça nunca foi encontrada

5.5.   Para o conjunto da história do Brasil e para o Positivismo, qual a importância de Tiradentes?

5.5.1. A expressão “protomártir”, utilizada por Miguel Lemos e Teixeira Mendes, deve-se a que ele foi o primeiro mártir da independência nacional

5.5.2. Miguel Lemos e Teixeira Mendes, após 1889, ou seja, após a Proclamação da República, estabeleceram a trindade cívica brasileira: Tiradentes, José Bonifácio, Benjamin Constant

5.5.3. Em virtude do movimento pela independência, o nome de Tiradentes está necessariamente vinculado ao de José Bonifácio; assim, o 21 de abril liga-se ao 7 de setembro

5.5.4. Como vimos, Tiradentes propôs a independência, ao mesmo tempo com a república, sem escravidão mas limitada às Minas Gerais[1]; José Bonifácio realizou a independência de todo o Brasil e, por isso, e apesar de si mesmo, com escravidão e sem república; esses movimentos tiveram que ser finalizados e complementados pela República humana e social, ocorrida parte em 1888 mas sacramentada, ampliada e afirmada em 1889, cabendo gloriosamente a Benjamin Constant a responsabilidade por essa transformação definitiva

5.6.   A memória de Tiradentes é, acima de tudo, devida aos positivistas

5.6.1. Desde 1881, quando Miguel Lemos fundou a Igreja Positivista do Brasil, celebramos a memória de Tiradentes – celebração que sempre foi problemática para a monarquia, na medida em que (1) Tiradentes era republicano e (2) ele foi executado em 1792 pela mesma família que governou o país até 1889

5.6.2. Como vimos antes, por obra dos positivistas, via Decreto n. 155-B, a data de 21 de abril virou feriado em 1890; entretanto, em 1931 ela deixou de ser feriado, por obra de Getúlio Vargas, que não queria símbolos nacionais de origem particular, nem símbolos de resistência, nem símbolos efetivamente cívicos; apesar disso, Getúlio Vargas, em 1933, sob pressão política, viu-se obrigado a reinstituir a data como feriado cívico nacional

5.7.   Tiradentes é, sim, um símbolo nacional, bem como um herói nacional: é bom, é correto e é necessário que seja assim

5.7.1. Todo país precisa de personagens-símbolos, isto é, de personagens que corporificam os ideais superiores desse país (ou, por outra, personagens que estabelecem e definem os ideais que norteiam esse país)

5.7.2. As personagens-símbolos são necessárias porque elas correspondem a representações concretas de sentimentos, de idéias e de práticas, de modo a satisfazer necessidades humanas muito intensas; essas necessidades estão na base das relações sociais cívicas

5.7.3. O aspecto ideal dessas personagens-símbolo é duplo: por um lado, correspondem a idealizações mentais, a concepções puramente imaginativas; por outro lado, elas correspondem aos valores julgados importantes em um país

5.7.4. Dessa forma, convém que os heróis nacionais sejam de fato seres humanos superiores: ora, esse é precisamente o caso de Tiradentes, que, embora não fosse nem afetiva nem intelectualmente superior, soube comportar-se com gigantesca generosidade após a inconfidência, além de ter sido um dos grandes propagandistas e difusores do ideal de república independente entre o povo e as classes médias das Minas Gerais

5.7.5. É portanto espantoso que haja tanta gente que afirme que seria bom, correto, útil, necessário que um país não tenha heróis, nem símbolos: quem afirma esse tipo de coisa ou desconhece efetivamente a natureza humana ou finge desconhecê-la; em todo caso, presta um enorme desserviço em nome de supostos “realismo”, “criticidade” etc.

5.8.   Passando a reflexão mais diretamente para os dias recentes: é certo que o Brasil tem problemas e desafios que vão muito além do regime político; mas o simples fato de que a figura de Tiradentes é ignorada ou desdenhada – e, por extensão, a República não é valorizada –, isso indica o quão pobres e lastimáveis são nossos sentimentos e nossas idéias políticas atuais

5.8.1. Nesse sentido, é notável, chocante e triste que tudo o que o mais importante jornal do país, a Folha de S. Paulo, tem a dizer de Tiradentes seja apenas que ele “foi transformado em herói pelos militares”, em um artigo aliás anônimo e de 2018, requentado agora em 2026

5.8.2. O argumento institucional, oficial, da Folha de S. Paulo é bem claro: a figura de Tiradentes como herói nacional não tem valor nenhum, por ter sido erigida pelos “militares”, ou seja, por ser um símbolo do militarismo

5.8.2.1.          A instituição do feriado de Tiradentes em “1890, logo após a República”, seria um sinal adicional (ou inicial) do militarismo de tal celebração, na medida em que, para a Folha de S. Paulo, a República teria sido meramente uma quartelada

5.8.2.2.          Essas lamentáveis afirmações da Folha de S. Paulo são feitas de maneira sumária, sem nenhum exame cuidadoso da figura de Tiradentes, de seu papel histórico, das celebrações em seu favor ocorridas contra o Império e a favor da República

5.8.3. Vale notar que a Folha de S. Paulo, embora tenha os relativos méritos de ter feito uma certa oposição ao fascismo (durante 2019 e 2022) e de manter um certo pluralismo editorial, na verdade é um jornal liberal em termos econômicos e políticos que apoiou com entusiasmo convicto o militarismo entre 1964 e o início dos anos 1980; além disso, é um jornal ambígüo a respeito do fascismo e que promove com grande intensidade o identitarismo (seja o feminista, seja o racialista): o desprezo para com Tiradentes é um esforço para, sob um véu hipócrita de “criticidade”, tentar redimir-se pelo militarismo anterior e, ao mesmo tempo, satisfazer o facciosismo particularista dos identitários

5.8.3.1.          Ao mesmo tempo que degrada a figura de Tiradentes sob a desculpa esfarrapada do “militarismo”, a Folha de S. Paulo celebra as figuras próprias ao identitarismo, que são, todas elas, particularistas, facciosistas, que rejeitam a noção de bem comum e de vida compartilhada de maneira fraterna, livre e digna: pura e simplesmente não há como tornar o Brasil um país melhor com tais concepções e tais práticas

5.9.   Em suma:

5.9.1. Celebrar Tiradentes é valorizar alguns dos mais belos, profundos e importantes traços do ser humano em geral e dos brasileiros em particular

5.9.2. Suas virtudes práticas – sejam sua sinceridade e sua honestidade na expressão de seus ideais políticos, sejam seus vínculos com o povo, seja sua firmeza em não trair seus colegas, seja sua firmeza ao ser o único a ir ao patíbulo – são motivo para as mais intensas admiração e emulação

5.9.3. Não é por acaso que nós, positivistas, por meio de Miguel Lemos e Teixeira Mendes, elegemo-lo “protomártir da independência” e integrante da trindade cívica nacional, juntamente com José Bonifácio e Benjamin Constant

5.9.4. Com um profundo tom de lamento, temos que reconhecer que a desvalorização da figura de Tiradentes é um sinal inequívoco da degradação moral, intelectual e prático da vida cívica brasileira: aqueles que agora se dizem contra o militarismo fazem questão de desprezar todos os símbolos e valores que estimulam a fraternidade, a dignidade, a vida livre e pacífica em conjunto

6.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- Darcy Ribeiro (port.): Cândido Mariano da Silva Rondon (Rio de Janeiro, Global, 2017): http://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/biblio%3Aribeiro-1958-indigenista/Ribeiro_1958_OIndigenistaRondon.pdf e https://revistas.usp.br/ra/pt_BR/article/view/110382/108933.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Prédica Positiva “Celebração do Dia do Índio/dos Povos Indígenas e do Dia de Tiradentes” (Curitiba, Igreja Positivista Virtual, 24.Arquimedes.169/18.4.2023): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2023/04/celebracao-do-dia-do-indiodos-povos.html.

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), Benjamin Constant: esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do fundador da República Brazileira (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1892): https://archive.org/details/n.120biografiadebenjaminconstantv.1 e https://archive.org/details/n.120biografiadebenjaminconstantv.2.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.

- Saiba quem foi Tiradentes, homenageado em 21 de abril e transformado em herói pelos militares (Folha de S. Paulo, 21.abr.2018, atualizado em 20.abr.2026): https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/04/militares-transformaram-tiradentes-em-heroi-nacional.shtml.



[1] Tiradentes era contra a escravidão; esse item, todavia, não era compartilhado pelos demais membros da conjura.

15 abril 2026

Teocracia, democracia, sociocracia

No dia 20 de Arquimedes de 172 (14.4.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (concluindo a Segunda Parte - conduta dos positivistas em relação aos retrógrados).

No sermão abordamos brevemente os conceitos de "teocracia" (teológico), "democracia" (metafísico) e "sociocracia" (positivo).

A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/bEgp1EHD0EE) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/1710328576819690).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

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Teocracia, democracia, sociocracia

(20 de Arquimedes de 172/14.4.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 22 de Arquimedes (16.4): nascimento de Ivan Lins (1904 – 122 anos)

3.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

4.     Exortações

4.1.   Sejamos altruístas!

4.2.   Façamos orações!

4.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

4.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

5.     Sermão: teocracia, democracia, sociocracia

5.1.   O sermão de hoje aborda os regimes sociais e políticos próprios a cada uma das três grandes fases intelectuais humanas, a teologia, a metafísica e a positividade

5.1.1. Este sermão não é motivado por nenhum fator imediato, no sentido de que ninguém fez nenhuma pergunta, nenhum comentário a respeito; mas, ainda assim, como com freqüência tratamos desses conceitos, parece-me que vale a pena tratarmos deles com um pouco de cuidado

5.1.2. Este sermão apresentará apenas algumas breves indicações teóricas, históricas e práticas

5.2.   Este sermão corresponde, assim, ao cruzamento da lei intelectual dos três estados com práticas políticas; portanto, não se trata de apresentar, em si mesma, a lei prática dos três estados

5.2.1. Como já vimos inúmeras vezes, mesmo em uma prédica anterior (a do dia 14.Gutenberg.171/26.8.2025), existem três leis dos três estados – a intelectual, a prática e a afetiva

5.2.2. A lei intelectual corresponde à seqüência teologia-metafísica-positividade (ou, em termos mais gerais, absolutismo-relativismo); a lei prática corresponde à seqüência guerra de conquista-guerra defensiva-atividade pacífica produtiva; por fim, a lei afetiva corresponde à seqüência família-pátria-Humanidade

5.2.3. Como Augusto Comte observou reiteradas vezes, há uma correspondência geral entre cada um dos degraus dessas leis (por exemplo: positividade-atividade pacífica-Humanidade), o que aliás gera um reforço entre eles; ainda assim, o que queremos comentar não é uma exposição da lei prática dos três estados, mas uma aplicação prática da lei intelectual

5.3.   Antes de entrarmos no tema específico deste sermão, temos que lembrar que toda sociedade tem dois poderes, responsáveis pela regulação social: o poder temporal e o poder espiritual

5.3.1. O poder temporal regula objetivamente a sociedade, impondo comportamentos com base na violência física

5.3.2. O poder espiritual regula subjetivamente a sociedade, aconselhando comportamentos a partir da educação, das idéias e dos valores compartilhados

5.4.   Passemos então ao enunciado da lei intelectual dos três estados: conforme está no quadro da Filosofia Primeira[1], “Cada entendimento oferece a sucessão dos três estados, fictício, abstrato e positivo, em relação às nossas concepções quaisquer, mas com uma velocidade proporcional à generalidade dos fenômenos correspondentes”; trata-se da sétima lei, integrando o segundo grupo de leis (essencialmente subjetivo) e, neste grupo, correspondendo à segunda série de leis (as leis dinâmicas do entendimento)

5.4.1. Em outras palavras, toda concepção (toda idéia, toda noção) atravessa ao longo do tempo (em termos dinâmicos, portanto) um processo em que começa com referências às divindades (ou melhor, às divindades teológicas) e é positivada, com referências explícitas e conscientes ao ser humano, respeitando as leis naturais: em todo caso, esse processo corresponde à passagem do absolutismo ao relativismo

5.5.   Muitas concepções em si mesmas realizam essa transição de maneira um tanto autônoma, ou isolada; talvez, por exemplo, os raios nas tempestades; outras concepções, todavia, apresentam um desenvolvimento mais amplo, seja porque são mesmo mais amplas (referindo-se ao mesmo tempo a muitos aspectos da realidade), seja porque elas têm muitas aplicações específicas

5.5.1. Assim, o processo da positivação ocorre ao mesmo tempo em termos gerais e em termos específicos; forçando um pouco os termos, podemos dizer que a positivação ocorre tanto em termos sintéticos quanto analíticos, em que um apóia e reforça o outro

5.5.2. A visão geral do mundo é aplicada nas teorias do governo, isto é, nas teorias que justificam o governo e que, a partir disso, regulam as relações entre o mando e a obediência, entre o governo e a sociedade

5.5.3. Uma outra forma de entender essa questão é reconhecer que os elementos comuns a todas as sociedades – isto é, a sociologia estática, entre os quais se encontra, justamente, o governo – passam por uma evolução histórica específica – que é descrita e explicada pela sociologia dinâmica

5.6.   A evolução histórica do governo ocorre antes de mais nada em termos de justificativa, ou de legitimação, isto é, em termos dos princípios que explicam a dinâmica da sociedade e que tornam aceitáveis que os governantes mandem e que os governados obedeçam

5.6.1. A partir da legitimação geral temos formas específicas de organização do governo, ou melhor, formas específicas do poder temporal, do Estado

5.6.2. A legitimação consiste nos princípios socialmente compartilhados que tornam aceitável uma determinada forma de realizar o mando; essa forma não apenas é aceita como se torna obrigatória, contra outras formas possíveis

5.7.   Exemplificando e já passando para as formas de legitimação e de organização do Estado, consideremos a teologia e a teocracia

5.7.1. Sabemos que na teologia o mundo é explicado com referência às divindades teológicas, que são absolutas e caprichosas; o ser humano foi criado por elas para satisfação vaidosa dessas divindades, a quem se deve a adoração e a obediência e, inversamente, a quem não se pode desrespeitar: um mundo incompreensível, regido por uma entidade ciumenta, mantém e consagra um poder que não tolera discussão: temos aí um poder espiritual que exige para si o poder temporal, constituindo a teocracia

5.7.2. A teologia tem uma tendência fortíssima a sempre constituir teocracias

5.7.3. A teocracia verdadeiramente é o governo dos sacerdotes, em que o poder espiritual submete o poder temporal (representado pelos guerreiros); essa forma de governo é bastante estável e, historicamente, constituiu-se na forma de politeísmos conservadores

5.7.4. A confusão teológica dos dois poderes pode ocorrer no sentido oposto, com os guerreiros submetendo os sacerdotes; a literatura da ciência política no século XX passou a denominar essas formas de “cesaropapismo”, mas o Positivismo chama-os de “politeísmos progressistas” (Grécia e Roma)

5.7.5. No Ocidente, após os politeísmos conservador e progressista, tivemos o monoteísmo católico; o catolicismo teve a honra de, na Idade Média, ter ensaiado a separação entre os dois poderes, embora esse esforço tenha fracassado e a tendência geral para a teocracia afirmou-se no final; essa tendência afirmou-se na forma concreta do “direito divino dos reis”, em que os reis governam por mandato divino, submetendo-se e responsabilizando-se apenas perante deus

5.8.   Passando para a metafísica, ela é tão absoluta quanto a teologia, mudando de deus para entidades abstratas, geralmente “o povo”, mas também “a natureza”

5.8.1. A metafísica é tanto corrupção, degradação, da teologia quanto transição da teologia para a positividade; assim, a metafísica mantém o caráter absoluto – ou seja, indiscutível – da teologia, mas começa a incluir elementos humanos e sociais

5.8.2. Dessa forma, a metafísica substitui o direito divino dos reis, ou melhor, a soberania divina, pela soberania popular: a soberania popular é tão absoluta, indiscutível e intolerante quanto a soberania divina dos reis, mas começa a afirmar a importância do bem comum; em todo caso, a metafísica exige (tanto quanto a teologia) a confusão dos dois poderes ou é altamente permissiva a ela (ou rejeita a separação entre os dois poderes)

5.8.3. A metafísica política assumiu, nos séculos XVIII e XIX, variadas formas: nos países germânicos virou o Volk (que, no século XX, resultou no nazismo); na França virou “o povo”, ou a “soberania popular”

5.8.3.1.          A soberania popular resultou, por sua vez, na democracia, conforme ela foi proposta e justificada por J.-J. Rousseau

5.8.4. A obra de Rousseau não deixa dúvidas sobre o aspecto absolutista, autoritário e intolerante da “soberania popular”, bem como da exigência de confusão entre o poder temporal e o poder espiritual

5.8.4.1.          Rousseau afirmava que o governo precisa, necessariamente, de uma religião civil, mantida pelo Estado, com a adesão obrigatória a uma determinada profissão de fé, com itens específicos (nomeadamente, a crença em deus); quem se recusar a aceitar a religião civil deve ser preso ou expulso do país

5.8.4.2.          A democracia (de Rousseau) é a metafísica política; o comunismo soviético é outra metafísica política (não por acaso, também particularmente intolerante)

5.8.4.3.          Uma outra aplicação política atual da metafísica consiste no identitarismo: a política identitária rejeita raivosamente a separação entre igreja e Estado, reafirma o crime de blasfêmia e exige a submissão do Estado e da política a um pseudoclero composto pela pedantocracia e por movimentos sociais

5.8.5. O que se chama atualmente de “democracia” afirmou-se pelo mundo afora no século XX, a par da crescente influência mundial dos Estados Unidos, e consiste em um misto de (1) preocupação com o bem público, (2) submissão das elites políticas às massas via processo eleitoral e (3) mecanismos políticos derivados do liberalismo político inglês

5.8.6. Criticar a democracia, atualmente, é difícil, por um lado, devido às chamadas práticas “iliberais”, que são as defendidas pelos fascistas (e, nesse sentido, pode-se ter a impressão de que a crítica à democracia como metafísica corresponderia à defesa das “democracias iliberais” fascistas); por outro lado, mais que o seu conteúdo específico, a palavra “democracia” foi sacralizada e consagrada, independentemente do que ela propõe e independentemente da história da prática e do conceito

5.8.6.1.          Para não deixar qualquer dúvida, para não haver nenhum equívoco: a crítica que o Positivismo faz à democracia refere-se ao caráter metafísico, absoluto, autoritário da noção de “vontade popular”, da “soberania popular”, do Volk; inversamente, o Positivismo é radicalmente a favor das liberdades, da separação entre o poder temporal e o poder espiritual, a favor da dignidade humana, da autonomia individual, do respeito às mulheres, do respeito aos trabalhadores etc.

5.9.   Passando finalmente para a positividade, nós temos aqui a passagem do absolutismo para o relativismo, com a conseqüente passagem da confusão entre os poderes temporal e espiritual para a separação entre eles, bem como a passagem de concepções indiscutíveis e de um poder autoritário para concepções discutíveis e um poder que aceita e promove a liberdade; por fim, com a positividade as concepções extra-humanas (sejam as teológicas, sejam as puramente abstratas) cedem lugar às perspectivas humanas, em particular com a afirmação do bem comum

5.9.1. Augusto Comte, ao criar a sociologia, contrapôs essa nova ciência à teologia; a partir disso, ele propôs paralelos entre as palavras:

Teologia à sociologia

Teocracia à sociocracia

Teolatria à sociolatria

5.9.2. Assim, a sociocracia é o regime político das liberdades públicas, em que há a separação entre igreja e Estado; em que as concepções são passíveis de exame; em que a conduta dos líderes (em particular dos líderes políticos) é permanentemente passível de exame, de avaliação e de legitimação pública

5.9.3. O que se chama vulgarmente, nos dias atuais, de “democracia” na verdade deveria ser chamado de “sociocracia”

5.9.3.1.          Entretanto, não se trata apenas de um problema terminológico, isto é, de usar uma palavra no lugar de outra: o emprego da palavra “democracia” sugere e permite a política absolutista, intolerante, que com tanta freqüência temos que lidar; o surgimento das práticas autoritárias próprias ao fascismo, ao comunismo, ao identitarismo é possível graças à mentalidade metafísica própria à “democracia”

5.9.3.2.          A palavra “democracia”, no caso, serve como porta de entrada e como canal para as tendências autoritárias e absolutistas próprias à metafísica

5.9.3.3.          A substituição da palavra “democracia” por “sociocracia” é o primeiro passo, necessário (mas em si insuficiente), para a positivação da política

5.9.4. Augusto Comte propôs a sociocracia em 1848 e nós, positivistas, passamos a implementá-la imediatamente, seja como parâmetro de comportamento e de avaliação pública, seja como regime político e social: isso se deu na França, na Inglaterra, nos Países Baixos, em Portugal e na Espanha, na Suécia, no Brasil, na Argentina, no Chile, no México, no Uruguai, nos Estados Unidos, na Índia, na Turquia, no Japão etc. etc. etc.

5.9.4.1.          Em 1926, Cornelis “Kees” Boeke, um anarquista neerlandês de origem quacre (e, sendo anarquista, era metafísico) pensou na palavra “sociocracia”, gostou dela, considerou que ela seria um rótulo conveniente como alternativa à “democracia” e resolveu tomá-la para si; esse movimento afirma que o Positivismo jamais aplicou a sociocracia e/ou que as indicações de Augusto Comte a respeito teriam sido vagas e genéricas: evidentemente, essas observações foram feitas desprezando a história e, lamentavelmente, apesar do que pregam, também movidas por má fé

5.9.4.2.          Com Boeke tem-se, mais uma vez, o habitual problema a respeito do Positivismo: as concepções de Boeke até são generosas, fraternas etc., mas elas foram propostas investindo na má fé contra o Positivismo; essa ambigüidade é fatal, venenosa e não pode ser ignorada

6.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), O momento comtiano (Curitiba, UFPR, 2019).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Prédica Positiva “As três leis dos três estados” (Curitiba, Igreja Positivista Virtual, 14.Gutenberg.171/26.8.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/08/o-inicio-do-positivismo-as-tres-leis.html.

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.



[1] Fonte: Augusto Comte. 1934. Catecismo positivista ou sumária exposição da Religião da Humanidade. 4ª ed. Rio de Janeiro : Apostolado Positivista do Brasil, p. 479.