Leis científicas básicas – I
(6 de
São Paulo de 172/26.5.2026)
1.
Abertura da prédica
2.
Datas e celebrações
2.1.
Dia 8 de São Paulo de 172 (28.5): Live AOP com
Luciano Alves: o Movimento Brasil Laico
2.1.1.
Como de hábito, a transmissão será exclusiva no canal
Positivismo do Youtube (Youtube.com/ThePositivism), a partir das
19h
2.2.
Mês de São Paulo: de 21 de maio a 17 de junho
teremos o mês de São Paulo, sexto mês do ano, dedicado ao catolicismo
3.
Comentário pessoal/confissão: três cuidados que
tomo
3.1.
Postagem feita em 21.5.2026 (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/reflexao-pessoalconfissao-tres-cuidados.html)
3.2.
Em minhas prédicas e, de modo geral, em minha
atuação como positivista, procuro desde sempre tomar três cuidados, na forma de
comportamentos que evito:
3.2.1.
evito falar sobre o que desconheço e não finjo
saber o que ignoro
3.2.2.
evito apresentar-me como a única pessoa capaz de
falar sobre o Positivismo ou (na medida em que não sou o Sumo Pontífice da
Religião da Humanidade) em nome de todos os positivistas
3.2.3.
evito personalizar as minhas manifestações e de
apresentá-las como se fossem exercícios de vaidade pessoal
3.3.
Assim, ao evitar a arrogância, o orgulho e a
vaidade, creio que posso dizer que
exercito a humildade
3.4.
Um sacerdote da Humanidade (e mesmo um apóstolo
da Humanidade) não pode ter medo de expor-se e de afirmar-se perante os demais;
mas isso é muito diferente de ser sistematicamente ignorante, pretensioso e muito vaidoso. Esses defeitos são inaceitáveis em qualquer pessoa que
pretenda ser apóstolo ou sacerdote da Humanidade
3.5.
Em oposição a esses comportamentos reprováveis,
procuro desde sempre adotar as seguintes práticas:
3.5.1.
conhecer sobre o que falo, assumir que
desconheço muita coisa e buscar conhecer (ou informar-me sobre) o que é
importante para os outros
3.5.2.
respeitar as perspectivas alheias e, em
particular, as várias iniciativas pessoais e coletivas dos positivistas
3.5.3.
reconhecer os esforços realizados pelos outros
(especialmente pelos que vieram antes de mim) e manifestar-me sempre me
referindo aos esforços coletivos.
3.6.
As indicações acima simplificam bastante as
possibilidades; mas como queremos que estas reflexões sejam curtas, neste caso
aceitamos tal simplificação
4.
Publicação das músicas compostas por Luiz
Gustavo Mota
4.1.
Em uma bela e importante iniciativa que retoma
uma antiga mas – até agora – abandonada tradição, nosso correligionário Luiz
Gustavo Mota compôs músicas positivistas. Luiz Gustavo redigiu as letras e
solicitou à inteligência artificial que compusesse a melodia e que
interpretasse as canções. Os resultados estão abaixo.
4.2.
São duas músicas, disponíveis abaixo, a partir
da coleção “Positivism” do Internet Archive
(https://archive.org/details/positivism-collection):
4.2.1.
“Canção ao Positivismo Religioso”: https://archive.org/details/luiz-gustavo-mota-cancao-ao-positivismo-religioso
4.2.2.
“Hino a Clotilde, anjo da Humanidade”: https://archive.org/details/luiz-gustavo-mota-hino-a-clotilde-anjo-da-humanidade
4.3.
A letra do Hino a Clotilde está disponível aqui:
https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/musicas-positivistas.html
5.
Leitura comentada do Apelo aos conservadores
6.
Exortações
6.1.
Sejamos altruístas!
6.2.
Façamos orações!
6.3.
Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os
sacramentos positivos a quem tem interesse
6.4.
Para apoiar as atividades dos nossos canais e da
Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)
7.
Sermão: leis científicas básicas
7.1.
O tema de hoje é um daqueles que podemos chamar
de “polêmicos”, especialmente no âmbito do Positivismo: afinal, ele refere-se
diretamente a um dos preconceitos mais disseminados sobre o Positivismo (e,
talvez, o primeiro deles, o cientificismo)
7.1.1.
O que nos interessa no sermão de hoje (e no da
semana que vem) é apresentar algumas leis naturais básicas, seguindo para isso
o que nosso mestre apresentou na sétima conferência do Catecismo positivista, na parte do dogma dedicada à “ordem
exterior, primeiro material, depois vital”
7.1.2.
Por que queremos (re)apresentar essas leis?
Porque com certa freqüência falamos do mundo, da realidade cósmica, das
ciências inferiores etc. mas não temos clareza a respeito das leis próprias a
cada ciência, ao âmbito de cada uma, nem mesmo dos principais nomes de cada uma
delas
7.1.3.
Mas, antes de apresentarmos essas leis, algumas
considerações elementares são necessárias, ou pelo menos convenientes; por ora,
considero pelo menos as seguintes: (1) o Positivismo teria começado como uma
filosofia das ciências? (2) Por que ele não é um cientificismo? (3) Há espaço
ou necessidade de considerações prévias à exposição das leis naturais?
7.2.
Comecemos entendendo por que o Positivismo teria
começado com um estudo das ciências inferiores
7.2.1.
Em primeiro lugar, isso se relaciona à vida de
nosso mestre e às etapas que ele, pessoalmente, tinha que percorrer para
constituir sua obra e, de qualquer maneira, para amadurecer
7.2.1.1.
O exame histórico-filosófico das ciências
desenvolveu-se ao longo dos vários volumes do Sistema de filosofia positiva, em particular dos volumes 1 a 3,
dedicados à matemática, à astronomia, à física, à química e à biologia,
escritos entre 1830 e 1838 (os volumes 4 a 6 foram dedicados à sociologia e
escritos entre 1839 e 1842)
7.2.2.
Em particular, duas necessidades urgentes e
convergentes apresentavam-se a ele:
7.2.2.1.
Por um lado, ele percebia as urgentes
necessidades sociais da sua época, em particular no sentido de reorganizar a
sociedade em bases humanas, pacíficas, relativas e demonstráveis, ultrapassando
a teologia e a guerra
7.2.2.2.
Por outro lado, ele percebia o alto poder
explicativo e o grande poder prático das ciências, limitadas até então às
ciências inferiores mas dirigindo-se com celeridade para a constituição das
ciências superiores
7.2.3.
O exame das ciências inferiores foi necessário
não como u’a medida em si mesma, para cultivo das ciências por si sós, mas como
instrumento e como passo prévio para inúmeros objetivos de longo prazo (e de
longo prazo tanto para nosso mestre como para a sociedade):
7.2.3.1.
Definir e entender o que o ser humano conhece da
realidade
7.2.3.2.
Entender em que consiste a cientificidade e como
ela manifesta-se progressivamente em cada uma das ciências
7.2.3.2.1.
Isso, aliás, tem a importantíssima conseqüência,
que os comentadores e os críticos do Positivismo fazem questão de ignorar, que
cada ciência tem procedimentos próprios e que suas características
necessariamente mudam com a variação de abstração, generalidade, empirismo
7.2.3.3.
Definir a positividade – inicialmente restrita e
confundida com a mera cientificidade –, seja em termos de relativismo (oposto
ao absolutismo), seja em oposição à teologia e à metafísica
7.2.3.4.
Delimitar e distinguir o que é real e o que é
útil no conhecimento científico, bem como investigar o que havia, há e pode
haver de absoluto/metafísico na prática científica (em particular, na forma do
que chamamos hoje de cientificismo e de academicismo e que já eram duramente
criticados por nosso mestre, desde o início de sua carreira)
7.2.3.5.
Tudo isso como elementos para definir o que
seria a cientificidade da ciência social, seus aspectos e seus limites
teóricos, suas metodologias específicas, suas possibilidades de atuação prática
7.2.3.5.1.
É importante notar que isso consiste no que se
chama atualmente, conforme o academicismo, de “perspectiva crítica” da e sobre a ciência
7.2.3.6.
Determinar as mudanças sociais ocorridas devido
ao desenvolvimento da ciência e, antes, as mudanças que resultaram na
constituição da ciência
7.2.3.7.
Elaborar a sociologia como um instrumento
superior (às ciências inferiores, ou ciências “naturais”) para o entendimento
da realidade pelo ser humano
7.2.3.8.
Elaborar a sociologia como um instrumento para
lidar (e resolver) os problemas sociais
7.2.4.
É importante indicar que todas essas reflexões
prévias sobre as ciências inferiores são, ao mesmo tempo, filosóficas e
sociológicas, por um lado, e estáticas e dinâmicas, por outro lado; em outras
palavras, ao mesmo tempo em que refletia sobre a cientificidade em geral e a
cientificidade de cada uma das ciências em particular, nosso mestre levava em
consideração a história de cada uma das ciências e como ela contribuiu (e
contribui) para o desenvolvimento humano em geral
7.2.4.1.
O exame histórico-filosófico
presente no Sistema de filosofia positiva
é um exame sociológico: não se trata
de fazer como fazem os historiadores profissionais de modo geral (e os
metafísicos em particular), que reduzem a história à mera sucessão de eventos
(com alguma interligação entre eles): a historicidade para o Positivismo é sociológica, em que uma determinada
conjuntura social prepara as seguintes, assim como é preparada pelas
anteriores; essa maneira de encarar a realidade social foi chamada por nosso
mestre de “filiação histórica”
7.2.5.
O exame das ciências inferiores serviu então, ao
mesmo tempo, como (1) preparação para a ciência social, (2) aplicação prática
da nascente ciência social e (3) aplicação do método subjetivo (que só seria
desenvolvido mais tarde, a partir do v. 1 do Sistema de política positiva, de 1851)
7.2.5.1.
Deveria ser mais notado que o exame sociológico-filosófico
das ciências (no Sistema de filosofia
positiva, de 1830 a 1842) ocorreu depois da publicação dos Opúsculos de filosofia social (escritos
entre 1819 e 1828), em particular após as duas edições do Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a
sociedade (1822 e 1824): em outras palavras, a filosofia das ciências desenvolveu-se depois (e bem depois) da
fundação da sociologia
7.2.6.
Sem esgotar as possibilidades de entendimento do
Sistema de filosofia positiva,
devemos ter clareza então de que ele não é e jamais se buscou ser um “resumo”
da ciência da época de Augusto Comte: é simplesmente por isso que ele não é
“datado”
7.3.
Vejamos agora, mais uma vez, por que o
Positivismo não é um cientificismo
7.3.1.
O cientificismo pode ser entendido como uma
série de posturas e de comportamentos que mitificam a ciência, e/ou que a
entendem de maneira absoluta
7.3.1.1.
A absolutização da ciência ocorre (1) quando a
ciência investiga questões absolutas, ou seja, quando persegue objetivos
metafísicos (ou melhor, objetivos teológicos), disfarçados de científicos, (2)
quando a ciência recusa-se a submeter-se a apreciações morais e sociais e/ou
(3) quando a ciência assume a postura de ser um fim em si mesma
7.3.1.1.1.
É importante notar que a idéia da “ciência pura”
(em oposição à “ciência aplicada”) é tipicamente uma concepção que justifica a
ciência pela ciência
7.3.1.2.
Quando se afirma que somente os procedimentos
analíticos, materialistas, intelectualistas correspondem à verdade, está-se
diante do cientificismo
7.3.1.3.
Uma outra possibilidade de cientificismo é a
afirmação das ciências inferiores sobre as ciências superiores e sobre a
realidade humana em geral (trata-se, portanto, de uma combinação de
imperialismo filosófico com reducionismo e materialismo e também com
prepotência política)
7.3.1.4.
De maneira mais específica, o cientificismo
afirma a superioridade moral, intelectual e prática da inteligência sobre os
sentimentos e sobre a atividade prática
7.3.1.4.1.
Esse é o mito da “Razão”, que todos aqueles que
alimentam venenosos, cômodos e convenientes preconceitos contra o Positivismo
atribuem a nós
7.3.1.4.2.
O Positivismo não endeusa a “Razão” nem atribui
ao racionalismo (ou à inteligência) a superioridade na organização geral do ser
humano (bem ao contrário, a inteligência está abaixo dos sentimentos e da
atividade prática, sendo instrumentos deles)
7.3.1.5.
O cientificismo também é altamente
intelectualista e analítico e põe-se contra uma série de recursos e possibilidades
humanas que o Positivismo desenvolve: as apreciações filosóficas; as
elaborações artísticas; a aplicação do método subjetivo; a definição,
incorporação e aplicação do neofetichismo, com a elaboração da Trindade
Positiva
7.3.2.
Associado ao cientificismo com enorme freqüência
está o academicismo, que são as posturas e os comportamentos que mitificam os
comportamentos próprios à academia
7.3.2.1.
Assim, quando se afirma (ou quando se considera)
que somente o que se faz na academia é aceitável, ou correto, ou verdadeiro,
isso é tanto academicista quanto cientificista
7.3.2.2.
A combinação da prepotência teórica
cientificista com a prepotência prática do academicismo conduz à pedantocracia, que nos dias atuais é
chamada, de maneira limitada, de “tecnocracia”
7.3.3.
O cientificismo é intelectualista, estritamente
racionalista, recusa a superioridade sobre si dos sentimentos e da atividade
prática: tudo isso é o oposto do que afirma e pratica o Positivismo; logo, não
faz sentido nem é justo atribuir-nos o caráter de cientificista
7.3.3.1.
Essa acusação só faz algum sentido devido a dois
motivos: (1) o sucesso da primeira grande obra de nosso mestre, o Sistema de filosofia positiva, que para
o conhecimento (acadêmico) vulgar parece apenas um longo resumo e um longo
elogio das ciências (em particular das ciências inferiores); (2) o sucesso da
propaganda de Émile Littré, que era realmente cientificista (por exemplo, ele
negava e desprezava o método subjetivo), e que disseminou uma versão caricata
do Positivismo (Stuart Mill também colaborou nesse sentido, difundindo sua
própria versão caricata do Positivismo)
7.4.
Devemos agora considerar se há necessidade e/ou
espaço para considerações prévias às leis naturais
7.4.1.
No início de sua carreira, como parte de seu
amadurecimento, nosso mestre foi um tanto ambíguo a respeito: por um lado ele
criticava as exposições científicas precedidas por apreciações filosóficas;
mas, por outro lado, ele sempre fez considerações histórico-filosóficas sobre
as ciências, sobre seu desenvolvimento e seu papel na sociedade; essas considerações,
aliás, tornaram-se cada vez maiores, passando de prefácios e capítulos
introdutórios (o “Prefácio” ao Curso de
astronomia popular, os dois primeiros capítulos do Sistema de filosofia positiva) para volumes inteiros (o Discurso sobre o espírito positivo, o Discurso sobre o conjunto do Positivismo)
7.4.1.1.
Mas o fato é que nosso mestre, aprofundando suas
reflexões históricas, filosóficas e morais, com o passar do tempo deu-se conta
de que era realmente necessário sistematizar uma preparação filosófica para o
estudo das ciências
7.4.1.2.
Tal sistematização, para além dos livros
filosóficos, realizou-se na forma da “Filosofia Primeira”, que nosso mestre
apenas esboçou
7.4.2.
Em que consiste a Filosofia Primeira e por que
ela foi apenas “esboçada”?
7.4.2.1.
A Filosofia Primeira corresponde às leis gerais
de todos os fenômenos: são os princípios válidos para todas as leis científicas
e, bem vistas as coisas, para o entendimento humano em geral
7.4.2.2.
As leis da Filosofia Primeira consistem em princípios descritivos (o que é) e prescritivos (como deve ser), objetivos
(relativos às coisas) e subjetivos (relativos ao ser humano), morais e
históricos
7.4.2.3.
A título de exemplos, consideremos duas leis, as
de n. 1 e n. 7:
7.4.2.3.1.
A primeira é a mais importante e, por isso, é
chamada de “lei-mãe”: “Formar a hipótese mais simples e mais simpática que
comporta o conjunto dos dados a representar”
7.4.2.3.2.
A sétima é a lei intelectual dos três estados: “Cada
entendimento oferece a sucessão dos três estados, fictício, abstrato e
positivo, em relação às nossas concepções quaisquer, mas com uma velocidade
proporcional à generalidade dos fenômenos correspondentes”
7.4.2.4.
Em termos contemporâneos, pode-se dizer que a
Filosofia Primeira apresenta a “epistemologia” do Positivismo, embora essa
expressão não seja muito adequada nem muito correta (por ser muito
academicista, muito cientificista e porque a “epistemologia” positivista não
está toda ela contida na Filosofia Primeira)
7.4.3.
A Filosofia Primeira é composta por 15
princípios, ou leis; nosso mestre organizou essas leis, mas não redigiu nenhuma
obra explicando-as ou aplicando-as; o primeiro trabalho nesse sentido foi de
Pierre Laffitte (Curso de filosofia primeira, de 1889), mas, francamente, o de Teixeira Mendes (As últimas concepções de Augusto Comte, de 1898) é muito superior
7.4.3.1.
A exposição de Teixeira Mendes é superior à de
Laffitte não apenas porque a compreensão do nosso apóstolo era realmente
superior à do autointitulado “diretor do Positivismo”, como porque Teixeira
Mendes integrou o neofetichismo à Filosofia Primeira, em particular no sentido
de indicar que o Grão-Meio (o Espaço) é o âmbito abstrato no qual têm lugar as
leis da Filosofia Primeira
7.4.4.
A Filosofia Primeira é a primeira de três
“filosofias”: