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11 março 2025

Augusto Comte: A dinâmica retrógrado-anárquica entre teologia e metafísica

No trecho abaixo, Augusto Comte apresenta em traços rápidos a dinâmica retrógrada e anárquica que se estabeleceu entre a teologia e a metafísica nos últimos séculos (desde o século XIV e, infelizmente, estendendo-se até o dias atuais). 

Essa reflexão foi elaborada considerando uma exposição mais ampla sobre o casamento e os vínculos domésticos, pedida a Comte por Clotilde de Vaux.

Devido à enorme capacidade de síntese do fundador da Sociologia, reproduzimos abaixo o trecho, que é realmente exemplar e explicativo. Essa síntese é ao mesmo tempo histórico-sociológica, filosófica e moral.

A tradução é da lavra de Raimundo Teixeira Mendes, feita para o seu livro O ano sem par, de 1900.

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Augusto Comte: A dinâmica retrógrado-anárquica entre teologia e metafísica[1]

 

“Um sofisma característico, que continha em germe todas as aberrações ulteriores, conduziu a metafísica revolucionária, no seu mais eloqüente órgão[2], a condenar radicalmente toda sociedade, fazendo prevalecer a quimérica concepção de um prévio estado de natureza, que um pretendido contrato originário havia feito degenerar cada vez mais em existência social. Essa perigosa hipótese fornecia então o único meio de imprimir bastante energia, quer ativa, quer mesmo especulativa, para desprender a vanguarda da humanidade dos laços opressivos de uma organização caduca, a fim de arrastá-la para uma regeneração total. Todavia, tais concepções constatavam espontaneamente a impotência radical do espírito metafísico para apossar-se convenientemente do domínio social, sempre antipático ao seu caráter essencialmente individual. A sua tendência crítica teve por tempo demasiado longo, e ainda conserva, uma verdadeira utilidade política, aplicando-se ao antigo regime. Mas desde que essa aplicação acha-se assaz completa para haver manifestado a necessidade de um sistema novo, esse espírito negativo, doravante privado da sua principal destinação, é arrastado, pela sua natureza absoluta, a uma atividade moral cada vez mais desastrosa, cegamente voltada contra as bases elementares da sociabilidade humana, de maneira a constituir um obstáculo direto à regeneração final, opondo-se a todo e qualquer verdadeiro regime. O inevitável transbordamento das utopias anárquicas, limitadas a princípio à ordem política propriamente dita, estende-se agora até o tríplice fundamento universal da existência social, a saber, a propriedade, a família e o casamento.

Procura-se em vão conter essas devastações metafísicas empenhando-se em reanimar o espírito religioso[3], cuja tendência, finalmente retrógrada, foi só o que acreditou tal abuso do raciocínio. Esses esforços empíricos só conseguem realmente perpetuar e agravar o mal inspirando à razão moderna inquietações próprias para manter o ofício transitório do espírito crítico, que, sem isso, ficaria entregue à sua inoportunidade atual, por falto de qualquer importante aplicação. A inaptidão evidente das crenças teológicas para conservar o seu antigo império intelectual demonstra assaz a sua impotência radical para proteger realmente as noções sociais deixadas sob o seu perigoso patrocínio. É certo, ao contrário, que tal solidariedade compromete hoje cada vez mais todas as sãs máximas morais como todos os verdadeiros princípios políticos, fazendo recair sobre eles o descrédito crescente de uma ordem de idéias que se tornou há muito incompatível com o nosso surto[4] mental. Todas as noções elementares sobre o casamento e a família[5] são por tal modo conformes às tendências espontâneas das populações modernas que elas não têm, a dizer a verdade, para as inteligências atuais, outro defeito essencial senão a forma religiosa[6] ainda inerente à sua concepção dogmática. É pois exclusivamente ao espírito positivo que está hoje reservada a criteriosa consolidação dessas máximas fundamentais, que só ele pode desprender dos sofismas metafísicos. O abuso do raciocínio não pode ser condito por uma filosofia hostil ao surto final da razão humana, porém unicamente por aquela que o desenvolve regularizando-o, e que, a este título, pode só doravante superar inevitáveis discussões”.

 

 



[1] Fonte: Augusto Comte, “Carta filosófica sobre o casamento. Composta para Madame Clotilde de Vaux, a seu pedido, pelo autor do Sistema de filosofia positiva [11 de janeiro de 1846]” (in: Teixeira Mendes, Raimundo. 1900. O ano sem par. Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil; p. 625-626).

[2] Nota de Raimundo Teixeira Mendes: “João Jacques Rousseau”.

[3] Nota de Raimundo Teixeira Mendes: “Religioso é aqui sinônimo de teológico”.

[4] “Surto” significa, aí, “desenvolvimento”.

[5] Essas concepções são a monogamia, a indissolubilidade do casamento e a viuvez eterna. Não se trata, portanto, nem do divórcio, nem das múltiplas núpcias nem do atual retorno aberrante à poligamia chamada – para efeitos de propaganda e desinformação – de “poliamor”.

[6] Nota de Raimundo Teixeira Mendes: “Religioso é aqui sinônimo de teológico”.

07 janeiro 2025

Teixeira Mendes: Altruísmo, ciência da moral, vida em família e regulação religiosa

O belo trecho abaixo, escrito por Teixeira Mendes, está no início do capítulo quarto (“Novembro – abandono sem reserva”) do imponente O ano sem par, que é uma biografia escrita em 1900 sobre Augusto Comte e Clotilde de Vaux no período em que ambos relacionaram-se, ou seja, entre abril de 1845 e abril de 1846[1]. Em termos da vida conjunta de Augusto Comte e Clotilde, o trecho abaixo serve como introdução à fase dessa vida em que Clotilde passava a ter problemas crescentes com sua mãe mas, ao mesmo tempo e felizmente, já tinha grande confiança no respeito e no carinho do filósofo por si, de modo que, confiando nele, podia expandir-se afetivamente e buscar apoio nele para emergentes dificuldades familiares e antigas dificuldades domésticas.

Como de hábito nos textos positivistas, em particular nos de Augusto Comte e também nos de Teixeira Mendes, a riqueza dos comentários é impressionante, em que poucas linhas condensam reflexões das mais diversas ordens. Assim, a clareza e a beleza da exposição abaixo, bem como a rica concisão das idéias, motivaram-nos a reproduzir o trecho abaixo, para maior divulgação.

As reflexões abaixo lembram-nos das belezas e dos prazeres da vida doméstica, que, em situações normais (ou seja, em situações reguladas religiosamente), estimulam o altruísmo, comprimem o egoísmo e compensam as dissensões externas, a partir da intimidade, da confiança e do respeito mútuo do casal fundamental de cada família. O trecho abaixo também lembra que, inversamente, em épocas revolucionárias, em que essas intimidade e essa confiança são fragilizadas e criticadas, a vida doméstica deixa de ter ou tem menos a capacidade de proteger-nos e preparar-nos para a vida social mais ampla, além de compensá-la.

O texto abaixo aborda igualmente a ciência da moral, em vários sentidos. Por um lado, aborda-se o desenvolvimento da ciência da moral, em termos de conhecimento do ser humano mas também das exigências morais, intelectuais e práticas para que esse conhecimento (e a prática dele decorrente) seja elaborado. Por outro lado, o trecho expõe uma explicação sintética de uma das questões teóricas e práticas mais difíceis de serem entendidas – pelo menos no Ocidente, à luz do egoísmo materialista herdado tanto da teologia quanto do cientificismo –, a saber, a da primazia do altruísmo sobre o egoísmo e da relação entre ambos.

Contra o presentismo próprio à nossa época, que é aliás estimulado pelo cientificismo e pelo academicismo, todas essas considerações têm um valor permanente, ou seja, eram corretas em 1845 (quando Augusto Comte e Clotilde relacionaram-se), eram corretas em 1900 (quando Teixeira Mendes escreveu o texto abaixo) e são corretas em 2025 (quando escrevemos estes comentários). Mas, além disso, elas mantêm uma impressionante atualidade – como, de resto, o Positivismo e, claro, a Religião da Humanidade –, ao percebermos que elas abordam e resolvem questões tratadas como “atuais” nos dias de hoje.

Nesse sentido, a valorização da vida em família vai feliz e frontalmente contra os hábitos morais e políticos contemporâneos, na medida em que, em particular, grande parte do feminismo contemporâneo rejeita ou despreza a vida em família. Afirmando a necessidade de “tornar político o que é privado”, o feminismo estranhamente denuncia a família como um esquema criado pelos homens (o “patriarcado”) para oprimir as mulheres, resultando de uma única vez em que:

1)     em nome de uma crítica necessária às concepções retrógradas da família, promovidas pela teologia e que consideram que o chefe da família é dono (e dono absoluto) dos demais membros da família, o feminismo “joga fora o bebê juntamente com a água do banho”;

2)     a família é entendida unicamente como fonte de opressão e não como resguardo, local de intimidade, fonte de estímulo do altruísmo e fonte de aperfeiçoamentos efetivos;

3)     a família é negada e desprezada, em vez de ser afirmada, valorizada, respeitada e orientada para uma realização digna e valorizadora de homens e mulheres e de seu relacionamento terno e mutuamente cuidadoso e respeitoso;

4)     a família é “denunciada”, ou seja, é entendida sob as luzes da violência própria ao poder Temporal (“tornar político o que é privado”), em vez de mantê-la sob a delicadeza do poder Espiritual e de vincular de maneira efetiva e construtiva as existências privada e pública;

5)     em nome de supostamente valorizar as mulheres, na verdade desqualifica-as ou despreza-as, tornando-as iguais, ou melhor, idênticas aos homens; ao mesmo tempo, de maneira muito confusa (resultando então em hipocrisia), alega querer defender as mulheres e, aí, afirma a diferença das mulheres em relação aos homens (embora com a desvalorização dos traços específicos às mulheres).

6)     A partir do conjunto dos problemas indicados acima, torna-se mais evidente e mais chocante a afirmação corrente de que “falta amor no mundo atual”: com certeza o desprezo político da família não contribui para reverter essa falta de amor e, ao contrário, estimula muito a violência.

7)     Vale notar que a virulência e a dureza do feminismo – virulência e dureza intencionais – contrastam fortemente com a delicadeza dos comentários abaixo. Não deixa mesmo de ser degradante contrastar as considerações abaixo com a agressiva rejeição política da família promovida pelo feminismo.


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A vida doméstica é um santuário cujos arcanos só podem ser desvendados pelos olhos daqueles que têm corações unidos por um profundo amor. Porque, a natureza humana sendo fatalmente constituída pelo concurso dos pendores pessoais ou egoístas e das propensões sociais ou altruístas, todos os nossos atos trazem o cunho do permanente conflito entre uns e outros, de que é teatro a nossa alma. As maiores Santas não podem evitar semelhante fatalidade, como o evidenciam as tentações que não cessão de perturbar os seus esforços de contínuo aperfeiçoamento. Mas o amor supera tanto mais dificilmente as sugestões do individualismo, quanto mais revolucionária é a situação social que se teve por sorte. Nessas épocas calamitosas, as regras da conduta se acham mais ou menos profundamente alteradas em todos, mesmo nos que se julgam fiéis às crenças religiosas mortalmente feridas. Em vez de normas ligadas por um sistema, cada um não possui então senão opiniões insuficientes ou preconceitos desconexos e expostos a todas as sugestões da personalidade. De sorte que nada é mais fácil então do que o extravio de um sincero altruísmo.

É esta situação social e moral, – inevitável enquanto não se restabelece a unidade religiosa, – que determina todas as lutas da vida humana, pública ou privada. A existência pública, quer cívica, quer internacional, exigindo uma participação superior da atividade e da inteligência, torna então os choques mais rudes, e a intervenção do altruísmo mais difícil para moderá-los. Na existência doméstica, porém, o predomínio do sentimento sendo imensamente maior, a simpatia pode evitar mais os atritos; e, quando eles se dão, atenuar e anular mesmo as suas reações. Com efeito, a certeza de uma afeição profunda e mútua bem como de uma sincera estima recíproca espontaneamente assegura a todos que cada um julga então proceder conforme as aspirações do mais puro amor de que é capaz. De sorte que só resta imputar a erros fatais de apreciação as injustiças e os descuidos de que porventura se é vítima.

A moral positiva nos patenteia hoje que os extravios do espírito são, mesmo em tais casos, devidos muitas vezes à inconsciente reação da personalidade[2]. O catolicismo já tinha apanhado semelhante verdade, embora através das ilusões teológicas relativas à nossa natureza moral. A Religião da Humanidade vem pois sistematizar cientificamente os hábitos de humildade instituídos pelo regime medievo, tornando-nos atentos às ciladas das nossas propensões egoístas. Mas, por outro lado, a mesma Religião consolida igualmente a tendência vulgar a interpretar simpaticamente o procedimento dos entes que nos são mais caros. Porque nos mostra a impossibilidade do altruísmo superar o egoísmo sem as luzes que só podem provir da evolução coletiva, e que se tornam extremamente vacilantes nas épocas de dissolução religiosa.

A Moral só conseguiu, porém, tornar-se uma ciência positiva, justamente depois que o nosso Mestre consumou o seu surto[3] altruísta, graças ao amor inspirado pela sublime grandeza de Clotilde. A concepção científica da nossa alma só atingiu a sua forma definitiva em 4 de janeiro de 1850; e, desde então, a verdadeira natureza dos pendores benévolos foi ficando cada vez mais bem caracterizada. Na Síntese Subjetiva, escrita em 1856, o nosso Mestre formulou esta conclusão: “Todos os sofismas do orgulho não podem impedir o espírito positivo de reconhecer que toda revolta emana dos impulsos pessoais” (Síntese Subjetiva, p. 16).

Semelhante verdade é tão incontestável como o princípio que toda estimulação a alimentar-se provém do instinto nutritivo. O altruísmo intervém em tais casos apenas para determinar o inteligência a julgar da conveniência ou inconveniência simpática da inspiração egoísta. Porque, à vista da nossa organização e da nossa situação, a existência humana exige o concurso permanente dos instintos individuais com as propensões benévolas. Donde resulta que a virtude não consiste na anulação dos pendores egoístas, e sim na sua conveniente subordinação contínua ao amor.

Portanto, na época que estamos considerando[4], as melhores almas[5] mesmo se viam na fatal contingência de sofrer inconscientemente as reações da personalidade em um grau que o conhecimento positivo da nossa natureza teria impedido. Essa circunstância serve sem dúvida para realçar ainda mais a grandeza moral das naturezas superiores e patentear o alcance espontâneo do altruísmo delas. Mas a apreciação de cada conduta se torna assim mais melindrosa, em conseqüência da dificuldade de reconhecer que o procedimento foi sempre o mais altruísta que as condições de cada um comportava. E, por outro lado, ficaram possíveis erros e equívocos tanto mais dolorosos, quanto o esclarecimento da situação, de modo a permitir o restabelecimento da concórdia anterior, exigia condições que só o tempo permitiria realizar e de que uma morte prematura[6] frustra tão comumente!

(Raimundo Teixeira Mendes, O ano sem par, Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900, p. 451-453).



[1] Na transcrição abaixo mantivemos a pontuação original, mas atualizamos a grafia.

[2] A “personalidade”, neste trecho (como também adiante), tem o sentido de individualismo ou egoísmo.

[3] “Surto”, aqui, significa “desenvolvimento”.

[4] A época em questão é a década de 1840 na França.

[5] A expressão empregada por Teixeira Mendes é um pouco abstrata, mas ele refere-se em particular a Augusto Comte e a Clotilde.

[6] A “morte prematura” é a de Augusto Comte, em 5 de setembro de 1857, em que ele não conseguiu dar continuidade a inúmeras reflexões sociais e morais anunciadas, em particular para os volumes 2 a 4 da sua Síntese subjetiva; mas, bem vistas as coisas, a morte prematura também pode ser entendida como a de Clotilde, que faleceu em 5 de abril de 1846.

11 junho 2024

Síntese subjetiva e relativa como quarto estado

No dia 23 de São Paulo de 170 (11.6.2024) fizemos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Catecismo positivista, em sua undécima conferência (dedicada ao regime público).

No sermão abordamos uma questão central para o Positivismo e para todos os seres humanos: a noção de positividade filosófica, superior à mera positividade científica, como um quarto estado da lei dos três estados.

Antes do sermão comentamos alguns livros:

- Ascensão e reinado dos mamíferos, de Steve Brusatte

- A esquerda não é woke, de Susan Neiman

 A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (aqui: https://l1nq.com/ArsP0) e Igreja Positivista Virtual (aqui: https://l1nk.dev/hmfvr).

A leitura comentada começou aos 48 min 05 s; o sermão começou a 1h 09 min 43 s.

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas (e atualizadas) abaixo.

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A síntese subjetiva como quarto estado

(23.São Paulo.170/11.6.2024) 

1.      A prédica de hoje trata de um assunto que é da maior importância para o Positivismo, isto é, para a Religião da Humanidade e, por extensão, para o ser humano, para o bem-estar público e para a felicidade individual

1.1.   Trata-se da incorporação da síntese subjetiva na lei dos três estados, ou melhor, da atualização da lei dos três estados em face da síntese subjetiva

1.2.   Essa atualização é importante porque corrige uma ambigüidade daninha presente desde o início da lei dos três estados

2.      Antes de passarmos à parte mais substantiva deste sermão, podemos responder a uma pequena dúvida que, por vezes, apresenta-se aos leitores de Augusto Comte (incluindo, evidentemente, os positivistas)

2.1.   A dúvida é a seguinte: devemos dizer “estados” ou “estágios”?

2.2.   A formulação de Augusto Comte é bem clara: ele usa “état”, ou seja, “estado”: é a “loi des trois états

2.3.   Mas se na formulação ele usa “estado”, em seus escritos ele não se apega a essa palavra, usando alternadamente “estado”, “estágio”, “fase”, “modo” etc.

2.3.1.     Os positivistas, da mesma forma, adotam essas várias palavras

2.4.   Para além da palavra consagrada no enunciado, o que evidentemente importava para Augusto Comte, conforme depreendemos de seus escritos, é que cada um dos estados descritos na lei dos três estados (1) representa um modo distinto de conceber e interpretar a realidade, (2) que segue uma determinada seqüência lógica e histórica em seu desenvolvimento

2.5.   Assim, na prática, podemos dizer que o enunciado deve ser feito com “estados” (por motivos de respeito e de uniformidade), mas que ao longo das exposições e das reflexões podemos usar sem maiores dificuldades as outras palavras

3.      A lei dos três estados a que nos referimos é a lei intelectual dos três estados

3.1.   Ela foi primeiramente enunciada em 1822, no texto, ou livro, chamado “Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade”

3.1.1.     Esse livro era chamado por Augusto Comte também de “opúsculo fundamental”

3.1.2.     Além disso, é popularmente conhecido apenas como “Reorganizar a sociedade”

3.1.3.     Ele teve uma reedição aumentada em 1824, em que Augusto Comte chamou-o – prematuramente, como ele mesmo depois reconheceu – de “Sistema depolítica positiva

3.2.   Ao apresentar a lei dos três estados, inserindo-a em uma reflexão histórica mais ampla, o “Reorganizar a sociedade” tem o mérito e a glória de ao mesmo tempo fundar a Sociologia e o Positivismo

3.3.   O enunciado dessa lei mudou com o passar do tempo, refletindo mudanças, ou melhor, a evolução das concepções de nosso mestre

3.4.   O enunciado final, “canônico”, é o que aparece no corpo da Filosofia Primeira, conforme publicado no Catecismo positivista:

3.4.1.     “Cada entendimento oferece a sucessão dos três estados, fictício, abstrato e positivo, em relação às nossas concepções quaisquer, mas com uma velocidade proporcional à generalidade dos fenômenos correspondentes”

3.4.2.     Vale lembrar que essa é a sétima lei do total de 15 leis da Filosofia Primeira; ela integra o segundo grupo de leis, “essencialmente subjetivo”, na sua segunda série, que compreende as leis dinâmicas do entendimento

3.4.3.     Essa segunda série apresenta as três leis dos três estados (intelectuais, afetivos e práticos)

3.5.   As idéias da lei intelectual dos três estados são bem claras:

3.5.1.     Toda concepção humana passa por três fases, ou seja, três modos de entender o mundo

3.5.2.     Esses três modos são, sucessivamente, o fictício, o abstrato e o positivo

3.5.2.1.           Insistamos: os modos são três, são sucessivos, são os indicados acima e desenvolvem-se nessa ordem

3.5.3.     A velocidade da passagem de um modo de conceber a realidade para outro varia de acordo com a generalidade objetiva de cada concepção, o que também equivale a dizer: conforme a generalidade subjetiva e o grau de complicação das concepções

4.      Pois bem: a ambigüidade que mais ou menos sempre se apresentou consiste, precisamente, no fato de que o estado positivo apresentava dois sentidos diferentes

4.1.   Esses dois sentidos são: (1) positivo como “científico” e (2) positivo como “filosófico”

4.2.   O sentido “científico” foi o que primeiro apresentou-se a Augusto Comte, refletindo o desenvolvimento das ciências; ele opõe-se de maneira bastante clara à teologia e à metafísica

4.3.   O sentido “filosófico”, nas primeiras formulações, não estava muito evidente – o que, é importante enfatizar, não significa que não se apresentasse de maneira nenhuma –, mas, à medida que nosso mestre desenvolveu sua obra, a importância da síntese filosófica foi evidenciando-se cada vez mais

4.4.   Assim, nas formulações iniciais – ou seja, nos opúsculos de juventude (como o “Reorganizar a sociedade”, de 1822-1824) e ao longo dos cinco primeiros volumes da Filosofia positiva (de um total de seis) (1830-1841) –, Augusto Comte afirmava ao mesmo tempo, a importância da cientificidade (usando, para isso, a lei dos três estados como apoio) e a necessidade de concepções gerais, sintéticas e francamente relativas

4.4.1.     A necessidade das concepções gerais, sintéticas e relativas era afirmada em conjunto com a cientificidade, mas ela não era plena e conscientemente integrada à lei dos três estados, que se limitava assim, em seu enunciado, ao positivo como cientificidade

4.5.   Conforme nosso mestre disse em carta ao dr. Audiffrent de 15 de Homero de 69 (12 de fevereiro de 1857), apenas a partir do último volume da Filosofia positiva (1842) é que o enunciado, ou melhor, que o sentido pura ou predominantemente científico na lei dos três estados mudou

4.6.   O relacionamento com Clotilde permitiu que Augusto Comte mudasse claramente o sentido, assumindo então que a positividade não pode ser apenas a cientificidade, mas deve ser, ainda mais, o aspecto sintético, subjetivo e relativo

4.7.   A Religião da Humanidade, proposta no Discurso sobre o conjunto do Positivismo (1848), fundada plenamente na Política positiva (1851-1854) e aprofundada na Síntese subjetiva (1856) consagrou definitivamente o sentido pleno da positividade, isto é, como síntese filosófica, relativa e subjetiva

5.      Pois bem: o ano de 1857 foi dedicado por Augusto Comte para reflexão e amadurecimento filosófico, preparando-se para a redação dos volumes seguintes da Síntese subjetiva

5.1.   No âmbito dessas reflexões, em conversas epistolares com seus discípulos, Augusto Comte apresentava e desenvolvia suas novas concepções

5.2.   Na já mencionada carta ao dr. Audiffrent, de 15 de Homero de 69 (12 de fevereiro de 1857), nosso mestre formaliza a concepção de positividade presente na lei intelectual dos três estados, desdobrando-a em uma lei dos quatro estados

5.2.1.     A positividade, assim, assume duas fases sucessivas: uma preparatória, a científica, e a outra verdadeiramente definitiva, a filosófica

5.2.2.     Além do aspecto filosófico, explicitamente ao mesmo tempo sintético, relativo e subjetivo, Augusto Comte indica que a verdadeira positividade exige que a utilidade seja claramente acrescida à realidade das concepções

5.2.2.1.           A mera realidade pode resultar – e, como sabemos, com freqüência resulta – no absolutismo científico

5.2.2.2.           Por outro lado, o pleno e conseqüente emprego da utilidade resulta em que é possível, e necessário, que criemos concepções que sejam fictícias mas úteis

5.2.2.2.1.                O critério da realidade não é final, mas não pode ser desprezado; assim, as ficções positivas, sem se limitarem à realidade, não podem negar as concepções reais

5.2.2.2.2.                Evidentemente, a subjetividade tem um largo papel aí, seja na forma da imaginação artística, seja na incorporação do fetichismo à positividade

5.2.2.2.3.                Isso tudo resulta em que, por um lado, as utopias positivas podem ser desenvolvidas com plena positividade e que, por outro lado, mesmo as concepções científicas abrem-se plenamente para enunciados simpáticos, isto é, ao mesmo tempo altruístas e artísticos

5.3.   Ao distinguir a positividade científica (que é preparatória e, portanto, provisória) da positividade plena, que é filosófica, nosso mestre também distingue a verdadeira positividade do mero cientificismo (e, por extensão, também do academicismo)

5.4.   Eis como Augusto Comte caracteriza cada um dos quatro estados:

5.4.1.      Teológico: provisório

5.4.2.      Metafísico: transitório

5.4.3.      Científico: preparatório

5.4.4.      Positivo (filosófico): definitivo

5.5.   Comentário estritamente pessoal: no fundo, podemos talvez considerar que o novo enunciado estabelece uma leis dos “dois estados”, indicando a gigantesca transição do absolutismo para o relativismo

5.5.1.     Ou, quem sabe, considerando a transição do absolutismo para o relativismo, uma outra lei dos três estados: fetichismo, teologia/metafísica, positividade

5.6.   Comentário feito pelo nosso amigo Hernani na tarde de hoje (23.São Paulo.170/11.6.2024), a título de auxílio para esta prédica:

“A caracterização intelectual da síntese subjetiva foi feita por Augusto Comte em suas últimas reflexões tomando por base dois pares de conceitos. A síntese positiva é (1) demonstrável e discutível e (2) relativa e subjetiva. Ora, com base apenas nessa dupla caracterização torna-se fácil justificar a lei dos três estados com o acréscimo de uma quarta fase, bastando decompor o estado metafísico em seus dois pólos opostos (o espiritualismo e o materialismo). Basta realizar a seguinte operação: ao teologismo corresponderia uma síntese a um tempo subjetiva e absoluta, donde seu caráter a um tempo indemonstrável e indiscutível.

Em seguida, à primeira expressão da metafísica, isto é, à metafísica espiritualista corresponderia uma tentativa de síntese objetiva e absoluta, donde seu caráter indemonstrável porém discutível.

Ao segundo e último estágio metafísico, isto é, ao cientificismo materialista, corresponde uma tentativa de síntese objetiva e relativa, donde seu caráter demonstrável porém ainda indiscutível.

E por fim, o quarto e último estado do entendimento, a síntese positiva, esta define-se como subjetiva e relativa, donde seu caráter demonstrável e discutível.

Repare que o caráter contraditório das duas sínteses metafísicas fica aí plenamente manifesto, assim como o contraste entre essas duas sínteses em comparação com o caráter orgânico das sínteses teológica e positiva”.

5.6.1.     A sugestão do Hernani é que o antigo critério de positividade – que, no final das contas, é o cientificismo – seja incorporado à metafísica (que, assim, desdobra-se em duas fases), deixando a positividade propriamente dita para a síntese subjetiva e relativa

5.7.   Mais algumas observações de nosso amigo Hernani, agora feitas durante a prédica:

“Em sua primeira fase, mais objetiva, Augusto Comte havia formulado a lei dos três estados a partir das produções exteriores da Humanidade. Ela é então uma apresentação eminentemente histórica e empírica. A teologia, a metafísica e a ciência são aí oferecidas como sinais empíricos reveladores dessa passagem íntima.

Na segunda de suas fases, progressivamente subjetiva, a formulação de Augusto Comte enuncia a mesma lei considerando antes o caráter interno de cada estado, ou seja, o caráter lógico inerente de cada um deles. Então se tratou de revelar o caráter fictício das construções da teologia, o caráter abstrato das especulações metafísicas e o caráter positivo das leis da ciência.

A morte privou Augusto Comte de uma terceira formulação da lei da evolução intelectual, na qual o conjunto do Positivismo já pudesse ser apresentado como livre dos últimos vestígios do cientificismo, o que já havia ocorrido a partir do quarto volume da Política positiva, de 1854, com a teoria subjetiva dos números, com a incorporação do fetichismo etc.

É curioso ver como o resumo de Harriett Martineau[1] foi elogiado por Augusto Comte, dentre outras virtudes, pelo fato de ela haver excluído daí o artigo escrito por Augusto Comte, em 1832, intitulado Memória sobre a hipótese cosmogônica de Laplace[2], adiantando-se assim à exclusão de um assunto que ainda estava presente no Sistema de filosofia positiva e que o Positivismo viria a considerar como mais uma especulação da metafísica cientificista”.

5.8.   A carta de 12 de fevereiro foi aprofundada em uma outra, de 27 de Aristóteles de 69 (24 de março de 1857)

6.      As cartas de A. Comte ao dr. Audiffrent foram publicadas pelo próprio dr. Audiffrent em 1880, no livro O Positivismo dos últimos tempos (LePositivisme des derniers temps) – embora tenham sido apenas trechos dessas epístolas

6.1.   Teixeira Mendes traduziu e publicou esses trechos em 1898 (As últimas concepções de Augusto Comte) e novamente em 1900 (O ano sem par)

6.2.   Finalmente, em 1990, Paulo Carneiro, dando seguimento e concluindo o principal de organização e publicação da correspondência de Augusto Comte, publicou-as na íntegra, no volume VIII da correspondência e das confissões anuais de nosso mestre (esse volume em particular contou com o auxílio de Angèle Kremer-Marietti)

7.      Eis os trechos da bela e importante carta de fevereiro de 1857 que o dr. Audiffrent publicou em 1880[3]:

“A respeito da principal parte de vossa memorável carta, devo sobretudo esboçar a sistematização direta das reflexões gerais que precedentemente vos indiquei sobre a emancipação científica especialmente instituída, conforme o caso mais decisivo, ainda que sob um modo espontaneamente latente no volume que vós reledes agora. É necessário perceber diretamente tal emancipação como o complemento normal da evolução fundamental que caracteriza a lei dos três estados. O último estado deve ser, a esse respeito, decomposto em seus dois modos sucessivos, um científico, o outro filosófico, respectivamente analítico e sintético. É somente ao segundo que pertence a qualificação de definitivo, inicialmente aplicado confusamente ao seu conjunto. No fundo, a ciência propriamente dita é tão preliminar quanto a teologia e a metafísica e deve ser finalmente tanto quanto [elas] eliminada pela religião universal, em relação à qual esses três preâmbulos são um o provisório, o outro, transitório, e o último, preparatório. Eu ouso mesmo recusar às ciências o atributo de plena positividade, que não consiste somente na realidade das especulações, mas em sua combinação contínua com a utilidade, sempre referida ao Grande Ser e desde então não podendo nunca ser dignamente apreciada senão conforme a síntese total, vale dizer, subjetiva e relativa. Na construção final, o início teológico da preparação humana não tem menos eficácia que seu término científico. Se este fornece os materiais exteriores, a outra esboça as disposições interiores, ao compensar a imaginaridade[4] pela generalidade, cuja ausência interdiz toda verdadeira racionalidade teórica.

Sob um aspecto mais sistemático, a primeira vida [teológica] é sobretudo distinguida no indivíduo, como na espécie, pela vã pesquisa contínua de uma síntese essencialmente objetiva, ao passo que a segunda [a positividade] constrói e desenvolve a síntese puramente subjetiva, de que a outra forneceu espontaneamente os materiais necessários. Mesmo quando a ciência já sentiu a inanidade das causas e fez gradualmente prevalecer as leis, ela aspira tanto quanto a teologia e a metafísica à objetividade completa, sonhando com a universalidade de explicação exterior segundo uma única lei, não menos absoluta que os deuses e as entidades seguindo a utopia acadêmica. A esse respeito, eu devo ingenuamente estender uma palavra de minha última circular que prolonga esse reproche até a mim mesmo, a respeito da minha obra fundamental [o Sistema de filosofia positiva], em que, não fosse senão a esse título, a posteridade não veria, como eu pude já o dizer nobremente, senão uma construção de estréia, um trabalho de primeira vida, não tendendo para a segunda senão no tomo final, todos os outros permanecendo mais ou menos submetidos ao prestígio científico de que somente o estado plenamente religioso libertou-me”.

8.      Eis o trecho da carta de março de 1857, também publicada pelo dr. Audiffrent em 1880[5]:

“O MESTRE – Vejo que apreciastes agora o meu novo volume [Síntese subjetiva], de maneira a utilizá-lo mais do que ninguém. A sua reação geral sobre a vossa final emancipação científica me é sobretudo preciosa, como garantindo a integridade das vossas disposições sintéticas e a sua eficácia religiosa. Sentistes dignamente que a ciência, longe de constituir o estado positivo, limita-se a fornecer-lhe, após a teologia e a metafísica, uma última preparação necessária que, como as outras duas, tem tanto seus inconvenientes como suas vantagens, e torna-se profundamente nociva prolongando-se fora de medida. Para caracterizar a positividade das nossas concepções, é preciso sempre que a sua realidade se combine com a sua utilidade, a qual não é verdadeiramente suscetível de ser julgada senão religiosamente, em virtude da relação de cada parte com o conjunto. Sente-se que a ciência seria menos apta do que a teologia para constituir um estado fixo, pois que o entendimento não poderia nunca tomar para uma verdadeira residência uma simples escala, unicamente apropriada para subir ou descer entre o mundo e o homem, quando as nossas necessidades o exigem, e de modo algum capaz de fornecer-nos um domicílio permanente. É tempo que os verdadeiros teoristas se libertem, a tal respeito, de uma dominação degradante, a fim de poderem dignamente instalar as grandes noções religiosas contra as quais a ciência será em breve insurgida com mais animosidade do que a teologia e a metafísica, porque ela aspira mais a perpetuar o interregno espiritual”

9.      Em suma:

9.1.   A verdadeira positividade é filosófica, relativa e subjetiva

9.1.1.     A verdadeira positividade não se confunde com o cientificismo – aliás, não se confunde nem com a mera ciência

9.1.2.     O que distingue a verdadeira positividade da ciência e do cientificismo são suas vistas gerais, o reconhecimento de que a inteligência é um atributo humano (embora, claro, não exclusivamente nosso) que está e deve estar a serviço do ser humano – portanto, também a utilidade do conhecimento deve limitar e orientar a aplicação da inteligência

9.2.   Essa distinção tem importância evidente para nós, positivistas, mas, como tudo o mais na Religião da Humanidade, tem importância para todos os seres humanos: tratam-se de concepções importantes para a Humanidade em geral e para cada sociedade e indivíduo em particular

9.2.1.     A correção e a justiça das concepções de Augusto Comte – incluindo a retificação formal da lei dos três estados, no sentido de recusar à mera ciência o caráter de positividade – é atestada pelas mais diferentes manifestações filosóficas e políticas feitas desde antes de Augusto Comte, passando por críticos e comentadores de sua época e chegando aos nossos dias

9.2.1.1.           Não apenas comentadores do Positivismo, mas filósofos que refletem em geral afirmam e exigem a ultrapassagem do cientificismo em favor de concepções mais amplas

9.2.1.2.           O Positivismo afirma tais concepções mais amplas com todas as letras mais ou menos desde sempre:

9.2.1.2.1.                A exigência das visões de conjunto, da síntese filosófica, subjetiva e relativa sempre esteve presente

9.2.1.2.2.                A Religião da Humanidade formaliza essa ultrapassagem

9.2.1.2.3.                Por fim, a incorporação formal (mas também substantiva) dessa ultrapassagem na lei dos três estados ocorreu em 1857




[1] Referência à condensação do Sistema de filosofia positiva feito por Harriet Martineau em 1855, em dois volumes, sob o título “A política positiva de Augusto Comte” (The Positive Philosophy of Auguste Comte). O v. 1 pode ser consultado aqui: https://archive.org/details/positivephilosop0000comt/page/n3/mode/2up.

[2] Referência ao documento Premier memóire sur la cosmogonie positive (“Primeira memória sobre a cosmogonia positiva”), conhecido popularmente como Memóire sur la cosmogonie de Laplace (“Memória sobre a cosmogonia de Laplace”), publicado em 1835 por Augusto Comte.

[3] A tradução é minha, a partir da correspondência de Augusto Comte organizada e publicada por Paulo Carneiro e Angèle Kremer-Marietti em 1990.

[4] Augusto Comte usa no original “imaginarité”, no sentido de “imaginação”; essa palavra foi empregada no original para ecoar, ou rimar, tanto “généralité” (generalidade) quanto “rationalité” (racionalidade). Usamos o neologismo “imaginariedade” a partir da palavra “imaginário”, a fim de seguir a rima de Augusto Comte.

[5] A tradução é de Teixeira Mendes, presente em As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898, p. 286).