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11 março 2026

"O Brasil no espelho", Dia das Mulheres, Castilhismo não é fascismo

No dia 13 de Aristóteles de 172 (10.3.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Segunda Parte - Postura dos positivistas em relação aos retrógrados).

Comentamos também o livro de Felipe Nunes, O Brasil no espelho - livro que, apesar de trazer dados estatísticos interessantes sobre os brasileiros, comete erros primários, grosseiros e preconceituosos em termos conceituais e filosóficos, especialmente a respeito do Positivismo.

Além disso, reafirmamos a campanha O castilhismo não é fascista, que lançamos em virtude de um movimento fascista baseado no Rio Grande do Sul pretender usar a figura de Júlio de Castilhos para justificar o fascismo.


As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*    *    *





Leitura do Apelo aos conservadores

(13 de Aristóteles de 172/10.3.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações:

2.1.   Dia 11 de Aristóteles (8 de março): Dia Internacional das Mulheres

3.     Algumas manifestações públicas:

3.1.   Mensagens trocadas com a Fundação Darcy Ribeiro, a propósito da ausência de positivistas na sua “Biblioteca Básica Brasileira”, apesar da presença simultânea de monarquistas, liberais, escravistas etc.

3.1.1. O mesmo pode ser dito a respeito da sua “Biblioteca Básica Latino-Americana”, mas em menor grau

3.1.2. Recebemos resposta sem assinatura da diretoria da Fundação reconhecendo essa limitação (embora não a justificando) e pedindo nosso apoio em futuras publicações

3.2.   Lançamento do cartaz “O castilhismo não é fascista!

3.2.1. Pretensão de um movimento fascista gaúcho de basear-se em Júlio de Castilhos para justificar o seu fascismo

3.3.   Ausência completa de resposta do Deputado Chico Alencar, a propósito do projeto de lei que altera a bandeira nacional (PL n. 5883/2025)

4.     Comentários sobre o livro O Brasil no espelho (Rio de Janeiro, Globo, 2025), de Felipe Nunes

4.1.   Esse livro foi publicado em 2025 e apresenta os resultados de uma pesquisa sobre hábitos e opiniões da população brasileira a respeito das mais variadas questões: importância da família, preferências político-partidárias, confiança nas instituições etc.

4.1.1. É um livro pequeno, com menos de 200 páginas, de leitura fácil e rápida, com muitos e muitos gráficos e a maior parte do texto escrito correspondendo à descrição e à interpretação desses gráficos

4.1.2. Como é um livro publicado, ele é orientado para o grande consumo popular, de modo que não há as reflexões metodológicas que sempre aparecem em pesquisas estritamente acadêmicas; além disso, o estilo de escrita é bastante acessível; por fim, pode-se conjecturar que algumas questões foram suprimidas dessa versão publicada, a fim de manter (ou garantir) o acesso popular dos resultados da pesquisa

4.2.   Além das classificações em termos de gênero e região do país, o autor considerou também a “raça” e, principalmente, as faixas etárias

4.2.1. Em termos de faixas etárias, já indicando alguns dos vícios desse livro, o autor agrupou os respondentes em quatro grupos, nomeados conforme o período de nascimento e de sociabilização básica: grupo “Bossa Nova” (nascidos entre 1945 e 1965); grupo “Ordem e Progresso” (1965-1985); grupo “Redemocratização” (1985-2005); grupo “Geração.Com” (2005-2020)

4.3.   A fórmula “Ordem e Progresso” é usada para descrever o período autoritário; em outras palavras, o autor associa direta e conscientemente o “Ordem e Progresso” – e, por extensão, o Positivismo – aos militares e ao autoritarismo

4.3.1. Mesmo que, por hipótese, possa-se argumentar que tal vinculação foi inocente, o fato é que ela com certeza foi superficial e irresponsável; esse “erro inocente” o autor não comete a respeito de outros aspectos e, de qualquer maneira, o título “Ordem e Progresso” foi empregado em um procedimento a posteriori e que, de qualquer maneira, pode(ria) ser alterado a posteriori: em outras palavras, o autor decidiu conscientemente adotar a expressão “Ordem e Progresso” para descrever o período autoritário, vinculando a expressão ao autoritarismo

4.3.2. A irresponsabilidade e a superficialidade intelectual, teórica e metodológica do autor estende-se também ao âmbito moral, na medida em que o “Ordem e Progresso”, à parte a sua origem positivista, integra o mais importante símbolo do país, que é a bandeira nacional; dessa forma, ao vincular o “Ordem e Progresso” ao autoritarismo militarista, o que o autor faz é vincular a bandeira nacional a esse autoritarismo militarista, corroborando os preconceitos da esquerda e da direita a respeito

4.3.3. Embora tenha degradado o “Ordem e Progresso” e a bandeira nacional a partir de preconceitos políticos, o autor poderia com enorme facilidade usar outros títulos para descrever a geração nascida entre 1964 e 1985; por exemplo, “Anos de Chumbo”, “Autoritarismo”, “Regime Militar” – ou mesmo “Segurança e Desenvolvimento”: o autor não o fez porque não quis

4.4.   Esse tipo de vício teórico está presente em todo o livro e reflete um problema que acomete com enorme freqüência cientistas sociais dedicados a pesquisas empíricas, especialmente as quantitativas: são muito bons com números e com a manipulação estatística, mas são péssimos em termos conceituais

4.4.1. Por “péssimos em termos conceituais” o que queremos dizer é que esses pesquisadores lidam mal com os conceitos, não raras vezes sendo superficiais a esse respeito

4.5.   As questões expostas no livro refletem com clareza tal superficialidade conceitual, ou melhor, tal superficialidade teórica: o autor opõe “conservadores” a “progressistas”, em que os conservadores são definidos como tais a partir do que a esquerda considera-o, da mesma forma que os progressistas; assim, não apenas o autor adota sem maiores cuidados uma classificação que é elaborada por um dos grupos sociais que ele pesquisa (e que é elaborada contra um outro grupo que ele também pesquisa), como o autor esposa essa classificação da esquerda

4.5.1. O primarismo conceitual do autor, bem como sua adesão acrítica aos valores da esquerda, fica evidente tanto nas categorias utilizadas por ele para estruturar a pesquisa quanto nas interpretações que ele faz dos dados obtidos

4.5.1.1.          Em termos de categorias empregadas, por exemplo, ele adota o conceito de “raças” e leva a sério essa categoria

4.5.1.2.          Em termos de interpretações, o autor afirma que valorizar a família é um traço de conservadorismo (!)

4.5.2. O autor não é explícito a respeito – ou seja, ele não assume, em momento nenhum, tais características e, inversamente, ele assume um certo objetivismo ligado ao seu quantitativismo –, mas a leitura atenta do livro evidencia com grande facilidade esses vícios

4.6.   A vinculação cínica e ligeira do “Ordem e Progresso” ao militarismo e ao autoritarismo, então, evidencia de maneira exemplar esses vícios intelectuais e metodológicos do autor

4.6.1. Além disso, como vimos, o autor opõe de maneira simplista “conservadores” a “progressistas”: mais que apenas aderir de maneira indesculpável às disputas políticas contemporâneas e transferi-las para sua pesquisa, o que o autor faz é rejeitar qualquer possibilidade efetiva de superar essa oposição e de realizar a união proposta pela máxima “Ordem e Progresso” (que o autor, sem dúvida, não entende)

4.7.   Em textos de promoção comercial das obras do autor, afirma-se que ele é um “grande” pesquisador, com uma carreira de sucesso no Brasil e no exterior, tendo desenvolvido muitas pesquisas e elaborado um índice que é vendido para governos e empresas

4.7.1. À parte o exercício comercial desse tipo de comentário, o êxito acadêmico do autor deixa claro que não há motivo nenhum para ele cometer os erros e os vícios que comete – e ele de fato comete-os: sua habilidade estatística e empírica poderia com enorme facilidade evitar todos os problemas devidos ao seu primarismo teórico

4.8.   Há outros aspectos em que o livro é superficial

4.8.1. Certamente não seria possível o autor abordar com profundidade todos os aspectos implicados pela pesquisa; entretanto, o autor dá certo destaque para algumas questões, sugere algumas conseqüências a respeito dessas questões e de algumas outras, mas silencia a propósito de outras que mereceriam (ou exigiriam) comentários e aprofundamento

4.8.2. Um exemplo de questão a respeito da qual o autor silencia é a chamada laicidade do Estado: o autor apresenta previamente vários resultados importantes – que a população brasileira acredita majoritariamente em divindades (monoteístas e politeístas) e que a população acredita no “poder da fé” –, para em seguida afirmar que isso tem relevância para políticas públicas, especialmente as que mobilizam mais diretamente a ciência (como as políticas de saúde e, indiretamente, de educação), e afirmar que se “deve levar a sério o peso das crenças populares, sob risco de as políticas públicas darem errado”: ora, o que se quer dizer com “levar a sério as crenças populares”? O autor silencia a respeito, mas sua omissão dá a impressão de que ele considera que governo e Estado devem incluir nas políticas públicas essas crenças – logo, o Estado deve deixar de lado a laicidade, o que deveria ser evidentemente inaceitável

4.9.   Em suma, é difícil não se ficar com grande irritação e má vontade com um livro e um pesquisador que comete erros tão grandes e superficiais, de maneira consciente e sistemática

5.     Exortações

5.1.   Sejamos altruístas!

5.2.   Façamos orações!

5.2.1. Hoje, em favor das orações positivistas, leremos alguns trechos da “Introdução” ao Ensaio sobre a oração, de José Lonchampt (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165; páginas 11-14; ortografia atualizada):

[...]

A Humanidade não é a espécie humana, e não compreende a universalidade dos homens: a Humanidade é a memória dos mortos inspirando e guiando os vivos; é a suma de todos os altos pensamentos, de todos os nobres sentimentos, de todos os grandes esforços, referidos a um só e mesmo Ente, cuja alma é formada por esse conjunto, e cujo vasto corpo é constituído pelos vivos. Esta influência incessante do passado sobre o presente é tão salutar quanto necessária. Suponhamos, com efeito, uma geração humana inteiramente subtraída à influência das gerações anteriores: seria apenas uma cabilda[1] de rudes selvagens, tremendo diante de cada novo fenômeno da natureza, e levando a ferocidade ao ponto de comer carne humana; em uma palavra, essa geração reproduziria o estado primitivo de onde a Humanidade partiu para efetuar a sua gloriosa evolução. Assim, é a esse Grande-Ser que devemos tudo quanto suaviza, eleva, nobilita e deleita nossa vida: conhecê-lo, é portanto amá-lo.

A Humanidade, tão boa para nós, tão benfazeja em relação a nós, vive no presente por meio de homens como nós: destes servidores vivos dependem sobretudo a velocidade e a segurança de sua marcha. O amor que sentimos pela Humanidade nos incitará, pois, a servi-la com zelo, a fim de apressar, tanto quanto caiba em nós, a sua progressão para esse feliz estado social, em cujo limiar as gerações atuais podem prelibar[2] os seus mais delicados eflúvios[3].

[...]

Um dos meios mais seguros de consagrarmos todos os nossos esforços ao serviço do novo Ser Supremo consiste na prática quotidiana da oração. Rezar à Humanidade não será pedir ao seu poder uma mudança imediata na economia real, ou implorar de sua bondade um auxílio direto no infortúnio; semelhante prece seria contrária ao conhecimento que a ciência nos ministra a respeito da suprema existência, a qual acha-se submetida, como a nossa, a leis invariáveis: a Humanidade modifica, é verdade, os fenômenos da natureza, porém de um modo lento e regular; a Humanidade vem em auxílio dos sofrimentos humanos, porém somente melhorando cada vez mais as condições de nossa existência.

Rezar é expandir nosso reconhecimento e nosso amor para com a Humanidade: é também pedir nobres progressos para a nossa alma. Este pedido é sempre satisfeito: porque a sincera confissão de nossos defeitos e de nossas faltas, e o ardente desejo de melhorar e purificar o nosso coração, são os penhores[4] de um êxito infalível.

A oração quotidiana nos tornará, pois, melhores, e aperfeiçoando-nos, ela será útil à Humanidade, porque este novo Grande Ser precisa do nosso concurso; e como a reza consolida e acrisola[5] esse concurso, ele aproveita com as nossas orações. O Deus criador do Universo podia prescindir das preces e das ações de graças de suas criaturas; bastavam-lhe sua onipotência e majestade. A prece do Cristão, como a do Muçulmano, só era útil a ele próprio; ao passo que a nossa oração é não só proveitosa para nós, mas ainda para a Humanidade.Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

[...]

5.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

5.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

6.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

6.1.   Antes de mais nada, devemos recordar algumas considerações sobre o Apelo:

6.1.1. O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

6.1.2. O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

6.1.3. Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

6.2.   Outras observações:

6.2.1. Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

6.2.2. O capítulo em que estamos é a “Segunda Parte”, cujo subtítulo é “Conduta dos conservadores em relação aos retrógrados”

6.3.   Passemos, então, à leitura comentada do Apelo aos conservadores!

7.     Término da prédica 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- Felipe Nunes (port.): O Brasil no espelho (Rio de Janeiro, Globo, 2025).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.



[1] Tribo.

[2] Sentir antecipadamente um prazer.

[3] Emanações sutis, perfumes.

[4] Garantias.

[5] Protege.

26 novembro 2025

A bandeira nacional – amor, ordem, progresso

No dia 21 de Frederico de 171 (25.11.2025) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Segunda Parte - Conduta dos positivistas em relação aos retrógrados).

No sermão abordamos a proposta de inclusão da palavra "amor" na bandeira nacional republicana brasileira, conforme o projeto de lei n. 5883/2025, de autoria do Deputado Federal Chico Alencar.

Também abordamos uma série de eventos adicionais que ocorreram nos dias imediatamente anteriores à prédica e que merecem referência:

- a marca de 600.000 visitas a este blogue Filosofia Social e Positivismo

- a proposta de Black Friday Altruísta

- a promulgação da Lei n. 15.263/2025, a "Lei da Linguagem Simples"

- o trânsito em julgado da ação contra o fascista ex-Presidente da República e seus asseclas.

 A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/RD64riy8P4g) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/2665640560436238).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *

A bandeira nacional – amor, ordem, progresso

(21 de Frederico de 171/25.11.2025) 

1.      Abertura da prédica

2.      Datas e celebrações:

2.1.   Dia 20 de Frederico (24.11): transformação de Henrique Oliveira (2002 – 23 anos)

2.2.   Dia 21 de Frederico (25.11): nascimento de Miguel Lemos (1854 – 171 anos)


3.      No dia 25 de novembro – hoje! – o nosso blogue Filosofia Social e Positivismo ultrapassou a marca de 600.000 visualizações! (A marca anterior, de meio milhão, foi atingida em 18 de março de 2025, ou seja, há seis meses)

4.      Black Friday Altruísta:

4.1.   No dia 28 de novembro ocorrerá aqui no Brasil, espelhando os Estados Unidos, a Black Friday, que é um dia de grandes descontos comerciais; para os consumidores é de fato uma grande oportunidade, mas é ao mesmo tempo um grande estímulo ao consumismo e ao egoísmo

4.2.   Assim, propomos que, além dos gastos com a Black Friday, façam-se também doações e auxílios: será a Black Friday Altruísta

4.3.   Além disso, é claro que apelamos para que, na Black Friday Altruísta, também se façam doações para a Igreja Positivista Virtual, via Pix Positivo (ApostoladoPositivista@gmail.com)


5.      Promulgação da Lei n. 15.263/2025 (chamada de “Lei da Linguagem Simples”), em 14 de novembro de 2025

5.1.   Há dois motivos principais para celebração dessa lei:

5.1.1.     Trata-se de um verdadeiro marco republicano e de um avanço sociopolítico importante, que respeita como cidadã a população comum e o papel de comunicação da linguagem;

5.1.2.     Em decorrência dos aspectos acima, no seu Art. 5º, inc. XI, essa lei rejeita a linguagem identitária, equivocadamente chamada de “linguagem neutra” e que apresenta uma quantidade enorme de problemas morais, intelectuais e práticos

5.2.   Vale notar que a simplicidade da linguagem, com vistas à compreensão do comum do povo e à comunicação efetiva, sempre foi uma preocupação dos positivistas: assim, tanto Miguel Lemos e Teixeira Mendes escreviam com grande clareza e propuseram uma simplificação da língua portuguesa quanto nós, em nossas prédicas e em nossas anotações, procuramos ser o mais claros possível

6.      Trânsito em julgado da ação contra golpistas e encarceramento oficial e definitivo de Jair Bolsonaro, pelo prazo de 27 anos e três meses

6.1.   De uma perspectiva da normalidade social e política, o fato de o terceiro ou quarto ex-Presidente da República ser encarcerado é motivo de preocupação e tristeza

6.2.   Dito isso, na medida em que esse ex-Presidente em particular passou todo o seu mandato tramando um golpe de Estado, desprezando a população, prevendo uma violenta guerra civil, estimulando o ódio, a violência e o clericalismo, além de muitos outros atos detestáveis; na medida também em que esse ex-Presidente foi encarcerado após o trânsito em julgado de um processo judicial feito às claras, com o respeito escrupuloso ao devido processo legal, cremos que é realmente motivo de comemoração ele ter sido encarcerado e sua pena de 27,25 anos finalmente ter início

7.      Leitura comentada do Apelo aos conservadores

7.1.   Antes de mais nada, devemos recordar algumas considerações sobre o Apelo:

7.1.1.     O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

7.1.2.     O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

7.1.3.     Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

7.2.   Outras observações:

7.2.1.     Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

7.2.2.     O capítulo em que estamos é a “Segunda Parte”, cujo subtítulo é “Conduta dos conservadores em relação aos retrógrados”

7.3.   Passemos, então, à leitura comentada do Apelo aos conservadores!

8.      Exortações

8.1.   Sejamos altruístas!

8.2.   Façamos orações!

8.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

8.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

9.      Celebração da bandeira nacional e amor, ordem e progresso

9.1.   Na semana passada, quando planejamos estes comentários sobre a bandeira nacional, queríamos que eles fossem breves

9.1.1.     Na verdade, o que nos interessava inicialmente era apenas fazer uma rápida e simples homenagem à bandeira, a Teixeira Mendes (que a elaborou) e a Décio Villares (que a pintou originalmente), por ocasião do Dia da Bandeira (15 de Frederico/19 de novembro)

9.1.2.     Entretanto, como surgiu no debate público uma vez a proposta de inclusão da palavra “amor” na bandeira – agora, na forma de um projeto de lei, elaborado pelo Deputado Federal Chico Alencar –, consideramos que algumas considerações são necessárias

9.1.3.     Dessa forma, estes breves comentários terão três partes:

9.1.3.1.           Homenagem a Teixeira Mendes e Décio Villares

9.1.3.2.           Crítica à atuação de Chico Alencar e seu “Movimento Amor na Bandeira”

9.1.3.3.           Considerações sobre o mérito da inclusão do “amor” na bandeira

9.2.   Homenagem a Teixeira Mendes e a Décio Villares

9.2.1.     Teixeira Mendes foi o autor da concepção da bandeira e Décio Villares foi o artista que pintou o protótipo; o astrônomo Manuel Pereira Reis ajudou na idealização do céu de 15 de novembro de 1889

9.2.1.1.           A bandeira nacional republicana é a face mais visível e onipresente da atuação dos positivistas – mas, bem entendido, não é a única –, correspondendo ao símbolo por excelência do Brasil

9.2.2.     A bandeira republicana é verdadeiramente histórica e altruísta, que realiza o “conservar melhorando” e o “Ordem e Progresso”, ao inserir sobre a base imperial elementos da República, ou seja, o desenvolvimento histórico sobre a permanência social

9.2.3.     A bandeira republicana é verdadeiramente nacional, contra a proposta liberal de Rui Barbosa e de seus asseclas, e que queriam adotar uma cópia servil da bandeira dos EUA

9.2.4.     A bandeira republicana é progressista, ao afinal de contas incluir o “Ordem e Progresso”

9.2.5.     Teixeira Mendes e os positivistas abordaram esses temas em várias ocasiões, de maneira pública e clara, como se pode ver por exemplo nestas três publicações:

9.2.5.1.           Raimundo Teixeira Mendes (port.), Benjamin Constant. Esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do fundador da República Brasileira (Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1936, 3ª ed.): https://bibdig.biblioteca.unesp.br/items/18902d7e-c4aa-4199-aa85-d81e3a4d82f6

9.2.5.2.           Raimundo Teixeira Mendes (port.), A bandeira nacional (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1958, 3ª ed.): https://archive.org/details/n.110abandeiranacional

9.2.5.3.           Luiz Hildebrando de Horta Barbosa (port.): “A bandeira republicana e sua história” (Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro, jan.1951): https://archive.org/details/luiz-hildebrando-de-horta-barbosa-bandeira-republicana-e-sua-historia/mode/2up

9.3.   Sobre a proposta feita por Chico Alencar de mudar a bandeira nacional:

9.3.1.     Antes de mais nada, é necessário reconhecermos que, lamentavelmente, temos que fazer algumas considerações críticas em um momento em que desejávamos apenas sermos afirmativos e plenamente generosos

9.3.2.     O Deputado Federal Chico Alencar (do Partido Socialismo e Liberdade, eleito pelo estado do Rio de Janeiro) protocolizou em 18 de novembro de 2025 (portanto, na véspera do Dia da Bandeira) o Projeto de Lei n. 5.883/2025, propondo que se mude a bandeira nacional, incluindo a palavra “Amor” antes do “Ordem e Progresso”[1]

9.3.2.1.           A proposta do Deputado Alencar é generosa; há vários anos ele manifesta-se nesse sentido e, considerando a nossa agressiva época, a proposta é razoável e até merece apoio

9.3.2.2.           Alencar integra um “Movimento Amor na Bandeira”, de composição bastante heterogênea, existente desde pelo menos 2021 e que, lamentavelmente, exclui conscientemente os positivistas[2]

9.3.3.     Deixando para entrar daqui a pouco no mérito da questão, o fato é que, lamentavelmente, para fazerem e justificarem sua proposta de alteração da bandeira, Alencar e seu movimento difundem conscientemente muitos erros, preconceitos e desinformações, seja sobre o Positivismo, seja sobre os positivistas, seja sobre a história do Brasil

9.3.3.1.1.                Alencar e esse grupo referem-se obrigatoriamente ao Positivismo, a Augusto Comte, a Teixeira Mendes e à história nacional, mas muitas das observações que eles fazem sobre o Positivismo e os positivistas estão totalmente erradas e que correspondem a esforços sistemáticos de desinformação da parte de diversos grupos sociais e políticos (de esquerda mas também de direita!)

9.3.3.1.2.                Assim, não é por acaso que desde novembro de 2021 até a data de hoje (25.11.2025) eles recusaram-se a ouvir os positivistas; da minha parte, em diversas ocasiões tentei entrar em contato, com pouco ou nenhum sucesso

9.3.3.1.2.1.                      Vale notar que nos últimos dias nossa amiga Sandra Fernandes tentou entrar em contato com a assessoria parlamentar do Deputado Chico Alencar, especialmente via Whattsapp; ela teve um limitado sucesso – limitado, mas, considerando que eu mesmo não tive sucesso nenhum até então, já foi alguma coisa

9.3.3.1.2.2.                      Dito isso, após muitos e muitos esforços de contato, realizados nos mais variados canais (correio eletrônico, Whattsapp via texto, Whattsapp via gravação de voz, Instagram, Facebook), no meio da tarde de hoje (dia 25.11.2025) tivemos afinal uma resposta da assessoria de Chico Alencar – resposta genérica, com a pergunta “como podemos ajudar?”, mas, enfim, após quatro anos e uma semana, alguma resposta

9.3.3.1.2.3.                      Parece-nos que o argumento definitivo que convenceu a assessoria do Deputado Chico Alencar a entrar em contato conosco foi, lamentavelmente, o do “lugar de fala”

9.3.3.2.           De qualquer maneira, em virtude da apresentação do PL 5883/2025 e antes de que, afinal, os assessores do Deputado Chico Alencar entrassem em contato conosco, redigimos um artigo para o jornal Monitor Mercantil, que foi publicado justamente no dia de hoje, ou seja, 25.11.2025

9.3.3.2.1.                Esse artigo intitula-se “Cancelamento do positivismo: da academia à bandeira nacional” e está disponível aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/monitor-mercantil-cancelamento-do.html

9.3.4.     Como se lê na internet[3], a breve justificativa do Projeto de Lei n. 5883/2025 é a seguinte:

A forma original do Pavilhão Nacional foi idealizada por Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos. O professor Manuel Pereira Reis foi o responsável pela organização das estrelas em nossa bandeira, e o desenho foi executado por Décio Villares. Muitos talentos e uma só posição filosófica: o Positivismo.

Essa corrente filosófica ganhou muita força no cenário intelectual e republicano brasileiro à época da Proclamação da República, o que acarretou a adoção do dístico que hoje vemos estampado na Bandeira Nacional, na forma aprovada pelo Decreto n° 4, de 19 de novembro de 1889.

Nesse momento histórico da Nação, o lema positivista - o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim - foi resumido na expressão “Ordem e Progresso”, conforme escreveu Teixeira Mendes em sua apreciação filosófica sobre a Bandeira.

Tal redução fez perder a essência do lema original, que procura resumir o positivismo como a religião do amor, a religião da ordem ou a religião do progresso. Em outras palavras: o amor procura a ordem e leva ao progresso; a ordem consolida o amor e dirige o progresso; o progresso desenvolve a ordem e conduz ao amor.

A presente proposição pretende resgatar a essência do lema original do Positivismo nos dizeres da Bandeira Nacional, pelo que peço o apoio dos nobres Pares.

9.3.4.1.           De maneira notável, a proposta acima conjuga afirmações corretas com afirmações profundamente erradas, tanto em termos teórico-filosóficos quanto empírico-históricos e até morais

9.3.5.     De maneira específica, quais os erros difundidos pelo “Movimento Mudar a Bandeira” e, por extensão, por Chico Alencar?

9.3.5.1.           Do ponto de vista teórico-filosófico, afirma-se que o “Ordem e Progresso” seria uma corrupção da máxima fundamental do Positivismo, “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”

9.3.5.2.           Do ponto de vista empírico-histórico, afirma-se que o autor da bandeira, Raimundo Teixeira Mendes, ao “resumir” a fórmula completa, teria suprimido o “amor” por medo dos militares que proclamaram a República

9.3.5.3.           Há problema político geral na atuação do “Movimento Mudar a Bandeira”, que consiste em propor a mudança da bandeira ignorando, ou melhor, desprezando as concepções daqueles que elaboraram filosoficamente essa bandeira

9.3.5.4.           Ainda no âmbito empírico-histórico, há o pressuposto de que a Proclamação da República foi meramente uma quartelada realizada por brucutus, militares ansiosos em desprezar e submeter os civis

9.3.5.5.           Assim, a proposta de mudança da bandeira, em sua justificativa e em seus procedimentos, faz uma barafunda de muitas coisas ruins e algumas boas: ignorância e desprezo pelo Positivismo e pelos positivistas; ignorância sobre a Proclamação da República, seus membros, seus ideais; mistificação sobre a monarquia; rejeição ao militarismo (em particular ao de 1964)

9.3.6.     O que há de errado nas afirmações acima?

9.3.6.1.           A máxima “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim” é, sim, a máxima fundamental do Positivismo e tem um caráter geral, ou seja, religioso

9.3.6.1.1.                É claro que a frase “O amor por princípio...”, sendo religiosa, é mais densa e profunda que o simples “Ordem e progresso”

9.3.6.1.2.                Todavia, o “Ordem e progresso” não é um resumo da outra frase, tendo existência por si só, ao representar ideais sociopolíticos

9.3.6.1.3.                Como se pode ler no Apelo aos conservadores (que é de 1855), ainda que estreitamente vinculadas, as duas frases têm âmbitos diferentes e, daí, redações diferentes, relativas a situações diferentes

9.3.6.1.4.                O “Ordem e Progresso” não sendo um resumo do “Amor por princípio”, sua formulação não corresponde a uma supressão do “amor”

9.3.6.1.5.                A conclusão é bastante direta: o “Ordem e progresso”, portanto, não é uma corrupção teórica do “Amor por princípio...”

9.3.6.2.           Por outro lado, quando ocorreu a Proclamação da República, Teixeira Mendes projetou por iniciativa pessoal e independentemente do governo provisório uma bandeira; esse projeto foi em seguida encaminhada ao governo provisório republicano por intermédio de Benjamin Constant

9.3.6.2.1.                A proposta de Teixeira Mendes tinha clara e conscientemente, desde o início, apenas o “Ordem e Progresso”

9.3.6.2.2.                Como Benjamin Constant era uma pessoa gentil, pacífica, convergente e extremamente respeitada, a proposta de Teixeira Mendes foi aceita

9.3.6.2.3.                Portanto, a proposta de Teixeira Mendes não foi elaborada por um covarde submetido a brucutus em meio a uma quartelada, que, por seu turno, teriam vetado (por algum motivo escalafobético e indeterminado) o “amor” na bandeira

9.3.6.3.           É importante reforçar algo que temos dito nas últimas semanas:

9.3.6.3.1.                A Proclamação da República, ao contrário dos mitos difundidos pelos monarquistas, pelos liberais conservadores e pelos marxistas, não correspondeu a uma quartelada realizada por brucutus sequiosos de humilhar o povo, os civis e de impor sua vontade arbitrária

9.3.6.3.2.                A República correspondeu, sim, à realização de anseios populares, de toda a população brasileira, afirmados havia décadas (na verdade, mais de um século), para o progresso social e político, contra o violento, agressivo, retrógrado e crescente passivo social e político do Império

9.3.6.3.3.                O mito da República como quartelada corresponde à crítica dos monarquistas, serviu para legitimar os golpes de Getúlio Vargas em 1930 e 1937, os golpes fascistas de 1937 e 1964 e para a crítica marxista geral contra tudo o que não é marxista, desde 1922

9.3.6.3.4.                Como se vê, a crítica à República – ou seja, ao ideal republicano em geral e ao movimento que resultou em 15 de novembro de 1889 na Proclamação da República – tem graves conseqüências práticas e, por isso, tenho-o abordado nas últimas semanas, como se vê aqui e aqui

9.3.6.4.           No que se refere aos positivistas sermos ouvidos sobre a proposta de alteração da bandeira, trata-se de ao mesmo tempo (1) de uma questão de respeito filosófico, (2) de respeito à cidadania, (3) de respeito à história política nacional e (4) de adequada elaboração de uma proposta de lei

9.3.6.4.1.                A recusa do “Movimento Mudar a Bandeira” em ouvir os positivistas a respeito da proposta e dos graves e profundos problemas que vimos indicando, muito mais que nos desprezar, tem o efeito de envenenar na raiz a proposta feita, na medida em que nega na prática os sentimentos que alega promover: trata-se, portanto, de incoerência e hipocrisia

9.3.6.4.2.                A degradação geral e contemporânea dos sentimentos republicanos, fraternos e altruístas é evidenciada tanto pela recusa do “Movimento Mudar a Bandeira” em ouvir os positivistas quanto pelo fato de que o argumento decisivo para que a assessoria do Deputado Chico Alencar entrasse afinal em contato conosco fosse o do “lugar de fala” – que, por sua vez, é um instrumento para promover, de maneira velada e politicamente aceitável, a censura e o crime de blasfêmia

9.3.7.     Para concluirmos esta seção:

9.3.7.1.           É importante afirmarmos com clareza que nada do que comentamos acima invalida em si a proposta feita pelo Deputado Chico Alencar; nada do que comentamos acima nos põe em princípio contra essa proposta

9.4.   Sobre o mérito da inclusão do “Amor” na bandeira

9.4.1.     É uma proposta generosa, que corresponde a necessidades humanas em geral e a exigências políticas nacionais e universais urgentes

9.4.1.1.           Nesse sentido, devemos reconhecer que o Deputado Chico Alencar, apesar dos pesares, elaborou uma proposta altruísta e que empiricamente se aproxima do Positivismo e da positividade

9.4.2.     Deixando convictamente o degradante mito de que o “Ordem e Progresso” é falho ou que é corrompido e, portanto, deixando de lado o mito de que o “Ordem e Progresso” deve por si só ser abandonado, a inclusão do “amor” de fato aproxima a bandeira mais do ideal positivista e orienta de maneira mais direta os sentimentos individuais e coletivos

9.4.3.     Convém notar que, ainda que ambiguamente, a inclusão do amor permite que algumas das interpretações historicamente erradas sobre o “Ordem e Progresso” sejam postas de lado, em particular aquelas que, à direita e à esquerda, afirmam que só pode haver progresso se houver antes a ordem (sendo que a ordem deve ser autoritária, capitalista etc.)

9.4.4.     A bandeira de Teixeira Mendes é inteiramente positivista e ortodoxa, mas, ao mesmo tempo, ela é uma criação inteiramente sua; as indicações de Augusto Comte sobre as bandeiras republicanas e positivistas definitivas seguem outros parâmetros, com a inclusão do “Viver às claras” e “Viver para outrem” em vez do “Ordem e Progresso”; nesse sentido, a inclusão do “amor” não vai contra a ortodoxia positivista

10.  Término da prédica

 

Referências

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Société Positiviste, 5e ed., 1893).

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “A República foi mesmo só mais um golpe?” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 17.11.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/monitor-mercantil-republica-foi-so-um.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “Cancelamento do Positivismo: da academia à bandeira nacional” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 25.11.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/monitor-mercantil-cancelamento-do.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “Recuperar e revalorizar a 1ª República” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 13.10.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/10/recuperar-e-revalorizar-1-republica.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Prédica positiva “A República foi mesmo só mais um golpe?” (Igreja Positivista Virtual, Curitiba, 14.Frederico.171/18.11.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/a-republica-foi-so-um-golpe.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Prédica positiva “Recuperar e revalorizar a 1ª República” (Igreja Positivista Virtual, Curitiba, 14.Descartes.171/21.10.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/10/recuperar-e-revalorizar-i-republica.html.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Luiz Hildebrando de Horta Barbosa (port.): “A bandeira republicana e sua história” (Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro, jan.1951): https://archive.org/details/luiz-hildebrando-de-horta-barbosa-bandeira-republicana-e-sua-historia/mode/2up.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), A bandeira nacional (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1958, 3ª ed.): https://archive.org/details/n.110abandeiranacional.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), Benjamin Constant. Esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do fundador da República Brasileira (Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1936, 3ª ed.): https://bibdig.biblioteca.unesp.br/items/18902d7e-c4aa-4199-aa85-d81e3a4d82f6.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.