O trecho abaixo apresenta uma crítica dura e direta ao que chamamos atualmente de imperialismo, ou seja, ao esforço ativo de um conjunto de países para explorar econômica e politicamente um outro país - no caso, o Ocidente explorando a China. Essa crítica foi elaborada por Pierre Laffitte, positivista ortodoxo, em uma conferência realizada em 1858, ou seja, logo após a transformação de Augusto Comte (1798-1857).
O trecho abaixo foi extraído de uma série de conferências que Laffitte fez sobre a China; estas, por sua vez, integravam um curso de história geral da Humanidade.
Logo após a citação em português (cuja tradução é de minha autoria) reproduzo o original em francês.
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“Assim, as relações comerciais do Ocidente com a China
tornaram-se cada vez mais anárquicas, sobretudo por meio da proteção da força
pública. Elas podem melhorar-se, recebendo entretanto ainda mais de extensão, quando
os governos compreenderem a necessidade de corrigir os seus abusos, em vez de entregarem-se
aos impulsos de uma opinião pública que, infelizmente, favorece demasiado tais
aberrações. – Porque, sob a preponderância sobretudo da autodenominada escola
progressista, viemos, no Ocidente, a sistematizar a opressão e a exploração do
resto do Planeta, sob o especioso pretexto de ‘civilização’. Formou-se relativamente
à China, e às relações do Ocidente com ela, um conjunto de opiniões que se deve
caracterizar.
Essas opiniões resumem-se em um sentimento orgulhoso da
preponderância da civilização ocidental e em um desprezo cego por todas as
outras civilizações quaisquer. Daí resulta a disposição de fazer prevalecer em
toda parte, e sobretudo pela força, sob o vago nome de ‘progresso’, a anarquia
mental e o industrialismo sem regras que cada vez mais prevalecem no Ocidente”.
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« Ainsi les relations
commerciales de l’Occident avec la Chine ont pris um caractère de plus en plus
anarchique, surtout par la protection de la force publique. Elles pourront s’améliorer,
en recevant néanmoins plus d’extension encore, lorsque les gouvernements auront
compris la necéssité d’en corriger les abus, au lieu de se laisser aller aux
impulsions d’une opinion publique qui, malheureusement, favorise trop de telles
aberrations. – Car, sous la prépondérance surtout de l’école soi-disant
progressive on en est venu, en Occident, à systématiser l’oppression et l’exploitation
du reste de la Planète, sous le spécieux prétexte de civilisation. Il s’est
formé relativement à la Chine, et aux relations l’Occident avec elle, un
ensemble d’opinions qu’il faut caractériser.
Ces opinions se
résument en un sentiment orgueilleux de la prépondérance de la civilisation
occidentale, et en un mépris aveugle de toutes les autres civilisations
quelconques. D’où résulte la disposition à faire prévaloir partout, et surtout
par la force, sous le nom vague de progrès, l’anarchie mentale et l’industrialisme
sans règles quie prévalent de plus en plus en Occident. [...] »
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(Pierre
Laffitte, Considérations générales sur l’ensemble de la
civilisation chinoise et sur les relations de l’occident avec la Chine. Paris: Dunod, 1861, p. 139-140.
Disponível, na edição de 1900, aqui : https://archive.org/details/considrationsg00laff/page/130/mode/2up.).