02 março 2026

Auguste Comte Memorial Lectures

A famosa London School of Economics (LSE), em seu Departamento de Filosofia, Lógica e Método Científico promove, de tempos em tempos, palestras no âmbito das Auguste Comte Memorial Lectures (Palestras em Memória de Augusto Comte).

Como se pode ler na página desses eventos, essas palestras foram criadas em 1930-1935 pelo Comitê Positivista Inglês e incorporadas à LSE em 1949; de 1951 até meados dos anos 1980 ocorreram diversas palestras, sofrendo uma interrupção de algumas décadas até serem retomadas em 2006.

Os temas das palestras nessas três fases (1930-1949; 1951-1980s; 2006-...) indicam com clareza que, apesar de seu nome apresentar "Augusto Comte" e homenageá-lo, cada vez menos elas têm qualquer vínculo com o Positivismo, com a Religião da Humanidade e com Augusto Comte. Os autores que se apresentam no âmbito das Aug. Comte Memorial Lectures claramente só usam o espaço institucional para promoverem-se e divulgarem suas idéias; as referências ao Positivismo são nulas (quando não francamente contrárias a ele, mesmo que de maneira implícita).

Muitas conferências da segunda fase foram publicadas e tornaram-se famosas, mesmo com o defeito de ignorarem ou combaterem o Positivismo, como na palestra inaugural, proferida em 1951 pelo inimigo do Positivismo, o liberal Isaiah Berlin. Por outro lado, autores simpáticos ao Positivismo e a Augusto Comte também expuseram suas reflexões, como Raymond Aron, Ronald Fletcher e, até certo ponto, Morris Ginsberg.

Muitas das palestras da segunda fase foram publicadas, mas de maneira bastante irregular; com alguma dificuldade, é possível obtê-las em sebos na internet.

As conferências do atual ciclo, iniciado em 2006, não têm nenhum texto disponível - pelo menos, o Departamento de Filosofia da LSE não faz a menor questão de publicá-los, em nenhum formato (doc, txt, pdf etc.). O máximo que se pode obter são vídeos das exposições, a respeito dos quais as pessoas interessadas são convidadas a transcrever, caso tenham o interesse de lê-las em vez de ouvi-las.

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