Transcrevemos abaixo o belo discurso de abertura pronunciado por Richard Congreve em sua celebração anual da Festa da Humanidade. Congreve foi um dos discípulos diretos de Augusto Comte.
As referências da citação são estas:
Richard Congreve: “Apêndice: Discurso de abertura da Festa da Humanidade” (in: José Lonchampt, Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165; páginas 61-63; ortografia atualizada)). Disponível em: https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.
* * *
APÊNDICE
A exemplo dos editores franceses deste Ensaio, julgo útil ajuntar aqui uma tradução literal da prece com que o Sr. Ricardo Congreve abre todos os anos a Festa geral da Humanidade. Segui a redação inglesa, tal como vem no ú1timo discurso anual do nosso eminente confrade ele Londres. – M. L. [Nota de Miguel Lemos, tradutor do opúsculo.]
a d a
Com todos os centros de nossa fé onde quer que existam;
com todos os seus discípulos esparsos, com os fieis de todas as outras
religiões ou crenças quaisquer, Monoteístas, Politeístas ou Fetichistas,
subordinando todas as distinções secundárias ao laço exclusivo de uma aspiração
religiosa comum; com toda a raça humana; isto é, com o homem, onde quer que se
ache e qualquer que seja a sua condição, subordinando também todas as distinções
secundarias ao laço único de nossa comum humanidade; com as raças animais que foram,
durante a longa e trabalhosa ascensão humana, os nossos companheiros e
auxiliares, como ainda o são; estejamos hoje, nesta festa da Humanidade, unidos
por uma consciente simpatia.
E não é somente com os nossos contemporâneos que
devemos hoje estar em comunhão simpática, mas também e sobretudo com esta parte
preponderante de nossa espécie que representa o Passado. Comemoramos com
reconhecimento os serviços de todas essas gerações que nos legaram o fruto de
seus labores, desejando transmitir esta herança aumentada aos nossos sucessores.
Nós aceitamos o jugo dos Mortos.
Comemoramos também com gratidão todos os serviços
de nossa Mãe comum, a Terra, o planeta que nos serve de morada, e com ela o
orbe que forma o Sistema Solar, o nosso Mundo. Não separemos desta última comemoração
a do meio em que colocamos esse sistema, o Espaço, que foi sempre tão propício
ao Homem, e que está destinado, mediante uma sábia aplicação, a prestar-lhe
ainda maiores serviços, pois que ele torna-se a sede reconhecida da abstração,
a sede das leis superiores que coletivamente constituem o Destino do Homem, e
como tal introduzido em toda a nossa educação intelectual e moral.
Do Presente e do Passado estendamos as nossas simpatias
ao Porvir, às gerações futuras que com sorte mais feliz nos sucederão sobre a Terra;
tenhamo-las sempre presentes ao nosso espírito a fim de completar a concepção da Humanidade, tal como nos foi
revelada pelo Fundador de nossa Religião, pela plena aceitação da continuidade
que constitui o Seu mais nobre característico.
A memória
do maior dos servidores da Humanidade, Augusto
Comte, e a dos seus três Anjos da
Guarda, ocorre naturalmente nesta Sua máxima festa, consagrada
principalmente à memória de todos os que A têm servido, sejam conhecidos ou anônimos,
e à comemoração de todos os resultados obtidos por eles e pelos quais
sobrevivem.
Oh! o mais sábio e o mais nobre dos Mestres! possamos nós que nos proclamamos teus discípulos, animados pelo teu exemplo, sustentados pela tua doutrina, guiados pelas tuas teorias, vencer todos os obstáculos que a indiferença ou a hostilidade semeia no nosso caminho; possamos nós, no meio desta época revolucionária, sem nos deixar degradar por qualquer esperança de recompensa, nem desviar por qualquer insucesso dos nossos esforços, num espírito de submissiva veneração, levar por diante a grande empresa a que consagraste a tua vida, a empresa da regeneração humana, por meio e no seio do culto sistemático da Humanidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário