Leitura do resumo da 3ª Circular Anual (relativa
a 171/2025)
(27 de Aristóteles de 172/24.3.2026)
1. Abertura da prédica
2. Datas e celebrações:
2.1. Lamento pela guerra contra o Irã, movida por Israel e EUA desde 28.2.2026
3. Exortações
3.1. Sejamos altruístas!
3.2. Façamos orações!
3.3. Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse
3.4. Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)
4. Leitura do resumo da 3ª Circular Anual da IPV (relativa a 171/2025)
5. Término da prédica
Referências
- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.
- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.
- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.
- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).
- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.
- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.
- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.
- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.
* * *
Igreja
Positivista
Virtual
3ª Circular Anual
(relativa
a 171/2025)
Curitiba
Aristóteles
de 172 (março de 2026)
Igreja
Positivista
Virtual
3ª Circular Anual (relativa a 171/2025)
Viver às claras
Os vivos são sempre e cada vez mais,
necessariamente, governados pelos mortos
Concebei-a, minha filha, segundo os diversos
modos ou graus do sacerdócio positivo, classificados na ordem de sua plenitude
crescente. Este grande ministério exige um raro concurso das qualidades morais,
tanto ativas como afetivas, com os talentos intelectuais, estéticos e
científicos. Se, pois, estes forem os únicos salientes, seus possuidores, após
uma cultura conveniente, terão de permanecer, talvez para sempre, simples
pensionistas do poder espiritual, sem aspirarem nunca a ser nele incorporados.
Em tais casos, felizmente excepcionais, o maior gênio poético ou filosófico não
pode dispensar de ternura e de energia um funcionário que deve estar
habitualmente animado por simpatias íntimas e destinado amiúde a lutas difíceis
(Catecismo positivista, 5ª
Conferência)
(Augusto Comte)
Sumário
2. O AMBIENTE EM QUE ATUA A IGREJA
POSITIVISTA VIRTUAL
2.2. Caracterização
sociológico-moral ampla
3. AS ATIVIDADES DA IGREJA
POSITIVISTA VIRTUAL EM 171 (2025)
3.1. Estrutura da Igreja Positivista
Virtual
3.3. Outras atividades relevantes
4. PERSPECTIVAS FUTURAS DA IGREJA
POSITIVISTA VIRTUAL
1. INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA
O
presente documento consiste na terceira circular anual da Igreja Positivista Virtual;
ela abrange o ano de 171 do calendário normal, que, no calendário júlio-gregoriano,
corresponde a 2025.
Façamos
algumas considerações preliminares. Em primeiro lugar, como observamos na
segunda circular anual, não temos preocupação com “originalidade” na presente Circular,
no sentido de somos nós mesmos os autores deste documento e dos anteriores, além
de que muitas das considerações anteriormente feitas necessariamente têm que ser
aqui repetidas; dessa forma, não nos sentimos obrigados a reescrever ou a alterar
a redação anterior a fim de evitar um suposto autoplágio. Entretanto, tal ausência
de preocupação só é possível devido aos dois fatores indicados – somos os autores
das circulares e muitos dos temas necessariamente se repetem –; a respeito de outros
aspectos, a “originalidade” mais ou menos se aplica, em particular no sentido de
que somos responsáveis por tudo quanto está escrito neste documento, bem como por
todas as decisões concernentes à Igreja Positivista Virtual, incluindo aí as interpretações
e as aplicações específicas que julgamos corretas e adequadas à Religião da Humanidade.
Um outro aspecto que nos tranqüiliza a respeito de qualquer preocupação com “autoplágio”
é que os trechos que se repetem não são meramente repetições; quem fizer o cotejo
dos documentos logo perceberá que das circulares anteriores para esta o procedimento
que adotamos na prática foi o de desenvolvermos
reflexões anteriormente feitas, aumentando e complementando comentários. O que temos,
então, é uma aplicação prática da conjunção entre a ordem e o progresso, na forma
do “conservar melhorando”, em que ao longo do tempo mantemos reflexões básicas que
se vão desenvolvendo, complementando e, quando necessário, corrigindo-se.
Feito
esse esclarecimento, justifiquemos uma circular. O seu objetivo é anualmente realizar
uma prestação pública de contas das atividades
desenvolvidas no período considerado; assim, devemos explicar e justificar o
que entendemos por “prestação de contas” e “pública”.
O
conjunto de atividades que modestamente realizamos constitui propriamente um apostolado, ou seja, de difusão, aplicação
e defesa de uma religião – no caso, a Religião da Humanidade, fundada em 1854 por
Augusto Comte, sob a angélica inspiração de Clotilde de Vaux. Embora esse apostolado,
elevado à dignidade de igreja, seja uma iniciativa pessoal de nossa parte, tendo,
assim, uma origem unilateral, os seus objetivos só podem ser atingidos na medida
em que tais esforços encontram eco em um público mais ou menos interessado e, dessa
forma, o apostolado constitui-se em um poder espiritual. Na medida em que nos constituímos
como poder espiritual, passamos a ter a responsabilidade pelas idéias, pelos valores,
pelos juízos emitidos; sendo uma ação exercido sobre o público, a nossa responsabilidade
é justamente perante esse público.
De
ordinário nossa responsabilidade pode ser avaliada no cotidiano, justamente pela
qualidade das nossas opiniões e das nossas avaliações, bem como da oportunidade
em que se propõe cada uma dessas opiniões e avaliações. Mas uma avaliação periódica
do conjunto das atividades também se impõe, seja das atividades em si mesmas, seja
das atividades em relação ao meio em que elas ocorrem.
Sendo
o poder espiritual um poder aconselhador
e educador, o seu fundamento sociológico é a confiança de que ele vê-se merecedor
da parte do público que ele constitui, organiza e orienta. A prestação de contas
consiste, portanto, na exposição e na avaliação das atividades desenvolvidas durante
um certo período de tempo, elaborada pelo órgão atuante do poder espiritual e dirigida
ao público, a fim de este público avaliar, por sua vez, a correção e a oportunidade
das atividades desenvolvidas pelo poder espiritual. O objetivo normal dessa avaliação,
por sua vez, é confirmar a confiança depositada pelo público no poder espiritual.
A
redação da circular anual, como forma de prestação de contas, não se constitui assim
em uma concessão liberalmente feita em algum momento pelo órgão do poder Espiritual
– concessão que tanto pode ser feita como pode não ser feita. A circular anual é
uma obrigação do poder Espiritual; é um
dever que se constitui na contrapartida da confiança depositada pelo público no
órgão do poder espiritual. Por certo que todo poder Espiritual vê-se obrigado a
tais prestações de contas; mas as espiritualidades teológicas e metafísicas, a partir
de sua fundamental característica absoluta e, portanto, indiscutível, eludem essa
responsabilidade, de tal maneira que os comportamentos efetivos dos órgãos espirituais
e suas respectivas orientações tornam-se impassíveis de qualquer avaliação e, por
outro lado, o público vê-se reduzido à confiança cega: em outras palavras, as espiritualidades
absolutas são essencialmente irresponsáveis e irresponsabilizáveis; a cobrança
pública de suas atividades é entendida como heresia ou blasfêmia, em todo caso
como traição. Bem ao contrário disso, a espiritualidade positiva, a par de sua realidade
e de sua relatividade, reconhece o seu dever perante o público; como dizia Augusto
Comte, a positividade não teme a avaliação pública dos fundamentos da sociedade
e é justamente a possibilidade de realizar tal exame que embasa a confiança do público
no poder espiritual. Em última análise, trata-se de realizarmos, naquilo que cabe
ao poder espiritual, a máxima pública “Viver às claras”; novamente conforme
nosso mestre, na vida pública, quem não se dispõe a “viver às claras”, deve com
razão ser suspeito de não “viver para outrem”.
A
redação de circulares anuais não é uma novidade nossa; assim como a respeito de
inúmeros outros aspectos, apenas retomamos e damos continuidade a tradições positivistas
seculares, algumas delas recuando até o fundador da Religião da Humanidade, nosso
mestre Augusto Comte; evidentemente, as circulares anuais incluem-se entre essas
tradições. Assim, podemos ler nos quatro volumes do Sistema de política positiva (1851-1854) diversas circulares anuais
de Augusto Comte, com exposições e reflexões sistemáticas sobre a propaganda positivista,
as iniciativas adotadas, as dificuldades enfrentadas, os êxitos logrados; da
mesma forma, além da prestação de contas em termos “político-morais”, Augusto Comte
realizava uma escrupulosa prestação de contas dos recursos que ele recebia na forma
do subsídio positivista. Aliás, nesse sentido, Augusto Comte reiteradamente tinha
que cobrar seus discípulos e seus simpatizantes no sentido de que a contribuição
para o subsídio positivista não era mera liberalidade da parte destes, mas um dever
religioso tão moralmente obrigatório quanto todos os demais deveres estabelecidos
pela Religião da Humanidade, como os relativos aos nossos nove sacramentos.
Assim
como o fundador da Religião da Humanidade, os apóstolos da Humanidade Miguel Lemos
e Raimundo Teixeira Mendes adotaram desde o começo de seu apostolado sistemático
no Brasil o hábito das circulares anuais – e, claro, pelos mesmos motivos de Augusto
Comte e à luz do exemplo de nosso mestre.
O
conjunto das observações acima evidencia, portanto, que a “circular anual” não consiste,
isto é, não pode consistir em apenas um
documento elaborado uma vez por ano, apresentando algumas considerações genéricas
ou mesmo apenas breves relatos sobre as atividades desenvolvidas. A circular anual
destina-se à prestação de contas de um órgão do poder Espiritual positivo para o
público, tendo um caráter sintético mas sem que, com isso, deixem-se de lado descrições
minimamente circunstanciadas das atividades desenvolvidas.
2. O AMBIENTE EM QUE ATUA A
IGREJA POSITIVISTA VIRTUAL
A
fim de podermos avaliar adequadamente a ação desenvolvida pela Igreja Positivista
Virtual, é necessário termos clareza do meio social em que se dá tal ação. Dessa
forma, inicialmente apresentaremos três aspectos que mais se destacam; em seguida,
faremos uma caracterização sociológico-moral.
2.1. Três aspectos iniciais
Em
primeiro lugar, as atividades da Igreja Positivista Virtual ocorrem no Brasil. Como
sabemos, nosso país tem dimensões continentais e uma grande população. O tamanho
gigantesco do Brasil induz-nos a termos um olhar centrado em nós mesmos e, atualmente
com exceção do que ocorre nos Estados Unidos, a ignorarmos as realidades externas.
Por outro lado, o tamanho do território também resulta em uma dispersão geográfica
da população, que por si só impõe desafios e dificuldades, na medida em que as tradições,
os usos e os costumes das várias regiões são por vezes bastante diferentes umas
das outras; além disso, os custos para reuniões físicas, presenciais, dos positivistas
e dos simpatizantes entre si são bastante elevados.
Entretanto,
para além do tamanho geográfico do país, as características da grande população
brasileira conduzem a dificuldades todas próprias. Não consideramos neste momento
a já indicada variedade de usos e costumes; o que importa notar é a combinação entre
pobreza e analfabetismo generalizados. É claro que em si mesmos esses fatores não
impedem a difusão da Religião da Humanidade; entretanto, eles impõem problemas seja
para o Positivismo chegar a essa população, seja para essa população ter acesso
ao Positivismo. A pobreza, com frequência miséria, restringe às vezes de maneira
brutal as possibilidades de a população ampliar os ambientes em que vivem, de acederem
a concepções morais, filosóficas, políticas e científicas diferentes daquelas já
estabelecidas nos ambientes em que vivem (e que na quase totalidade são teológicas,
sejam do catolicismo popular brasileiro, sejam, cada vez mais, dos agressivos, intolerantes
e ultraindividualistas protestantes evangélicos); por sua vez, o analfabetismo mantém
a população presa nesses circuitos e círculos viciosos.
Assim,
em termos sociais amplos, o público mais facilmente acessível ao Positivismo no
Brasil é a população de classe média, seja porque ela tem os meios de obter informações,
seja porque com freqüência ela valoriza bastante a instrução formal, seja porque
dela provêm militantes políticos que têm procurado o Positivismo. Ao mesmo tempo
em que tem mais acesso a e mais interesse pelo ensino formal, a classe média também
se desvencilha da teologia – embora seja necessário notar que o avanço dos evangélicos
mesmo nesse grupo seja uma fonte de dificuldades e que, de qualquer maneira, o desvencilhar-se
da teologia pela classe média de modo geral conduza-a não diretamente à positividade,
mas oriente-a a diferentes modalidades de metafísica (entre suas vertentes
opostas do espiritualismo ou do materialismo). Não deixa de ser motivo de tristeza
que o aspecto especificamente social desse nosso diagnóstico seja essencialmente
o mesmo que o elaborado por Miguel Lemos na época da fundação da Igreja Positivista
do Brasil, datada de 19 de César de 27 (11 de maio de 1881).
O
último aspecto preliminar que necessita ser indicado na presente caracterização
do ambiente em que se desenvolve a atuação da Igreja Positivista Virtual é o próprio
“local” em que ela ocorre: trata-se do advento da internet e de sua popularização, justamente a partir de meados da década
de 1990. Aliás, é o advento da internet
e, em particular, das chamadas “redes sociais”, com suas amplas e crescentes possibilidades
de produção de conteúdo e de interação entre os indivíduos o que importa aqui. Ao
suprimir as dificuldades de reunião física e, ao mesmo tempo, ao permitir interações
em “tempo real”, pessoas dos mais variados lugares podem reunir-se e, assim, constituir
um grupo ativo e interessado.
Além
das possibilidades de interação à distância e em “tempo real”, a internet e suas redes sociais constituem-se
também em um acervo disponível e acessível virtualmente a todos; ou seja, ela é
uma biblioteca de vídeos, de interações, de manifestações e de textos. Por fim,
mas não menos importante, ao contrário das tecnologias anteriores de comunicação
(livros, jornais, rádio e televisão), a internet
e as redes sociais têm a longo prazo um custo baixíssimo, que facilitam e até estimulam
a produção de conteúdo. Nada disso nega ou suprime os problemas que sempre estiveram
associados às liberdades de pensamento e de expressão, especialmente na forma da
chamada “liberdade de imprensa”: por um lado, possibilidade de censura e de imposição
de doutrina oficial de Estado; por outro lado, possibilidade de boatos, desinformação,
avaliações superficiais e/ou desonestas. Esses problemas sempre existiram; o advento
da imprensa aumentou-os e evidenciou-os; já a internet e as redes sociais amplificaram-nos tremendamente. Em virtude
disso, aliás, mais do que nunca a Religião da Humanidade faz-se necessária.
Na
medida de suas possibilidades concretas, a propaganda positivista deve lançar mão
de todos os recursos disponíveis e possíveis; sem deixar de produzir livros e artigos,
nem deixar de realizar prédicas, cursos e palestras, o Positivismo pode e deve desenvolver
uma crescente atividade na internet. Essa
observação pode parecer banal, mas ela tem que ser feita, pois suas conseqüências
não são triviais. Por um lado, é necessário termos clareza de que a propaganda via
internet é complementar e não substitutiva da propaganda impressa e/ou presencial.
Por outro lado, a realização de prédicas via internet exige a adequação cuidadosa e delicada de um rito central em
termos religiosos para o meio utilizado, que é o da realidade virtual.
2.2. Caracterização sociológico-moral ampla
A
necessária visão de conjunto, afirmada e exigida pelo Positivismo, requer de
nós comentarmos de maneira combinada questões históricas, sociológicas e filosóficas,
de âmbito geográfico mundial, ocidental, hemisférico e nacional: essa alternância
não é uma oscilação ou uma falta de clareza, mas, bem ao contrário, consiste em
apresentarmos alguns dos aspectos que nos parecem mais importantes e relevantes,
à medida que os temas forem desenvolvendo-se.
Essa
“caracterização sociológico-moral ampla”, com freqüência também chamada de “contextualização”,
representa no fundo uma obrigação positivista, na medida em que o Positivismo foi
fundado precisamente com a Sociologia e depois estendido à Moral: ora, uma parte
importante do esforço desenvolvido por Augusto Comte ao fundar a Sociologia consistiu
em elaborar uma interpretação histórica, ou melhor, de Sociologia Dinâmica, no sentido
de entender como é que o Ocidente vivia a realidade que então vivia e como é que
a fundação da Sociologia (e, por extensão, do Positivismo) era tanto possível quanto
necessária. Esse entendimento está na origem da nossa doutrina; não somente a interpretação
em si, mas também o exemplo e o impulso nesse sentido devem ser incorporados e levados
a sério por todos os positivistas. Finalmente esse exercício também é importante
de ser feito porque, por um lado, como notamos antes, nossas atividades desenvolvem-se
em outro país e em outra época que não os de Augusto Comte, que viveu na França
da primeira metade do século XIX; por outro lado, porque após um período de auge
do Positivismo mundial seguido por um longo declínio, participamos de uma retomada
do Positivismo. Tudo isso tem que ser levado em consideração.
Dando
continuidade a algumas reflexões anteriores, devemos notar que outro aspecto fundamental
da política brasileira atual – na verdade, da política ocidental de maneira geral – consiste em seu caráter metafísico. Um
sinal evidente dessa metafísica reinante é a importância atribuída à palavra “democracia”
e à ética individualista, anti-histórica e antissocial dos “direitos”, em negação
do conceito positivo, relativista e altruísta da sociocracia e da noção político-moral
correlata de “deveres”; um outro sinal correlato da metafísica ocidental é a centralidade
da oposição “direita vs. esquerda”. Mas
a relevância da palavra “democracia”, dos direitos e de “direita-esquerda” é apenas
a parte visível dos valores e das concepções profundos que atualmente orientam o
Brasil e o Ocidente: esses valores e concepções correspondem plenamente às características
morais da metafísica, ou seja, o seu absolutismo, o espírito destruidor, a sua ânsia
pela “criticidade” que arrasa todas as instituições e toda a historicidade humana,
bem como a pretensão de soluções parciais e transitórias que são julgadas definitivas
e eternas. Não é nenhum acaso que a política ocidental seja bastante influenciada
pelos Estados Unidos: esse país foi fundado sob a égide do protestantismo, isto
é, da teologia já fortemente influenciada pelo espírito destruidor, e a secularização
desse protestantismo resultou largamente na metafísica, acentuada pela crença disseminada
naquele país de que o estado normal da Humanidade corresponde à fragmentação radical
de valores e concepções, resultando por sua vez no que Augusto Comte chamava de
anarquia moral e intelectual. Os esforços empíricos ou sistemáticos em favor da
positivação dos Estados Unidos (como alguns realizados por positivistas ortodoxos
no século XIX e início do século XX) ou foram excluídos na forma de experiências
sociais e morais marginais, ou foram degradados pelo espírito ao mesmo tempo “empiricista”,
metafísico, autocentrado e com freqüência intolerante e punitivista do país. Apesar
desses vícios de origem, durante cerca de dois séculos tais características forneceram
um vigor inaudito aos Estados Unidos, que, baseando-se e inspirando-se em sua herança
ocidental, além de desenvolvendo-a bastante, esse país em meados do século XX suplantou
a Europa como sede do Ocidente; o Brasil, que desde o início da República orientou-se
para os Estados Unidos devido ao seu caráter americano e republicano, passou a fazer
ainda mais coro ao resto do mundo quando a Europa, após as crises da II Guerra dos
30 Anos (1914-1945), viu-se na contingência de precisar do apoio material e bélico
da antiga colônia britânica. Cabe reconhecer com clareza que o messianismo dos Estados
Unidos desempenhou um papel altamente positivo no mundo ao estabelecer as bases
da reorganização internacional após a devastação da II Guerra Mundial (com a criação
da Organização das Nações Unidas e do sistema de instituições correlatas) e durante
a Guerra Fria (com o enfrentamento do comunismo soviético), quando a Europa foi
arrasada, marginalizada e tornada dependente dos Estados Unidos: a partir disso,
são os valores próprios a esse país que influenciam o resto do mundo e em particular
o conjunto do Ocidente (mesmo que os vários países e intelectuais ocidentais não
reconheçam essa influência).
A
metafísica que pervade o ambiente social e político brasileiro (bem como ocidental)
manifesta-se na forma de u’a mentalidade generalizada de que o bom comportamento
social, político, filosófico e científico é “crítico”; essa “criticidade”, por sua
vez, é entendida como sendo um estado permanente de desconfiança e o desejo, igualmente
permanente, de destruir as idéias, as práticas, as instituições vigentes. Como indicamos
antes, essa criticidade nas últimas décadas alcançou um auge no âmbito filosófico
na forma do pós-modernismo, que são o niilismo e o irracionalismo transformados
em parâmetros intelectuais fundamentais. Já em termos políticos, essa corrosão moral
e social tem sido afirmada pela política identitária, que rejeita o universalismo,
o altruísmo, a harmonia, a concórdia, e que em seu lugar propõe o particularismo,
a institucionalização e a instrumentalização do ódio e do ressentimento, o punitivismo
(tão próprio ao protestantismo e, a partir disso, à mentalidade dos EUA!) como parâmetros
das relações sociais “boas”.
Toda
essa metafísica resulta em um ambiente caracterizado por grande agressividade, tanto
filosófica quanto política, em que um aspecto reforça e mesmo complementa o outro.
O Positivismo vê-se atingido por essa disposição, na medida em que as críticas de
que somos alvo passaram daquelas de origem marxista-comunista, em que o Positivismo
seria uma “ideologia burguesa”, para críticas de origem identitária, como a de que
seríamos “eurocêntricos”, “patriarcais” ou mesmo racistas! A intensidade desse espírito
metafísico é tão intensa que mesmo pessoas próximas ao Positivismo muitas vezes
insistem nessas críticas, que, todavia, são erradas tanto do ponto de vista teórico
– como já tivemos oportunidade de indicar e como deveria ser evidente, o Positivismo
pura e simplesmente não é nem “eurocêntrico”, nem “patriarcal”, nem “racista” –,
quanto do ponto de vista moral e religioso – essas críticas originam-se da metafísica,
que, como se sabe e como vimos reafirmando, é uma disposição destruidora, corrosiva
e antirreligiosa.
O
quadro descrito acima é amplamente pessimista; ele enfatiza as dificuldades e os
fatores que obstaculizam a difusão do Positivismo e, de modo mais amplo, do espírito
positivo. Essa perspectiva sem dúvida é unilateral e deve portanto ser completada
por uma avaliação dos fatores que facilitam
a difusão do Positivismo. Há aspectos sociais, políticos e morais amplos e também
aspectos tecnológicos envolvidos aí. Em termos sociais, políticos e morais, já fizemos
referência diversas vezes ao fim do sovietismo e o decorrente descrédito do marxismo:
embora esse descrédito tenha demorado alguns anos para fazer-se plenamente sentir
(até cerca de uma década), a partir dos anos 2000 e, em particular, na década de
2010 as preocupações sociais, a generosidade política e o altruísmo passaram a buscar
opções reais, fora da lógica da luta de classes. A busca de opções amplas intensificou-se
após a crise financeira de 2008, em que se evidenciou que o liberalismo é insuficiente
e incapaz de regular as sociedades, seja em termos econômicos, seja em termos sociopolíticos.
Esses dois fatores, aliás conexos, permitem que o Positivismo seja visto como o
que de fato é, uma religião e uma política que concilia a ordem e o progresso: não
por acaso, a decisiva influência do Positivismo nos movimentos trabalhistas, em
particular no Brasil, tem sido um dos fatores de renovada atração para nós. Em sentido
mais amplo, as necessidades humanas, tanto coletivas quanto individuais, como é
natural, continuamente precisam de satisfação e orientação, a que a Religião da
Humanidade oferece as únicas satisfações reais: o Positivismo clara e conscientemente
oferece sentido para a vida, orientação moral, espiritual, familiar e profissional,
além de estipular parâmetros para a condução dos assuntos públicos: evidentemente,
são várias as possibilidades de divulgação e aplicação do Positivismo, que deve
esforçar-se para realizar-se em todas elas.
Em
termos tecnológicos, também já indicamos a difusão radical da internet e a constituição concomitante das
“redes sociais”. A chamada tecnologia da informação é a nova fronteira tecnológica
e econômica do mundo; continuamente ela desenvolve-se, criando novas possibilidades
e impondo ao mesmo tempo desafios para que essas oportunidades sejam aproveitadas.
Toda uma nova geração já cresceu e foi socializada à sombra dessas tecnologias;
embora isso gere graves problemas de relacionamentos intergeracionais e de entendimento
da realidade da parte das novas gerações, ao mesmo tempo essas novas tecnologias
reduzem drasticamente os custos financeiros envolvidos na divulgação das nossas
concepções, além de em princípio não limitarem geograficamente a difusão da doutrina.
Esses aspectos são tão importantes que, como indicamos antes, permitiram a criação
da presente Igreja Positivista Virtual. É claro que as novas possibilidades tecnológicas
não substituem os meios anteriores de divulgação: livros, artigos, mesmo a divulgação
boca-a-boca continuam sendo importantes; não há substituição dos instrumentos, mas,
cada vez mais, a sua ampliação. Nesse
quadro, cabe aos vários positivistas – orientados, coordenados e aconselhados pelo
sacerdócio da Humanidade –, identificar e aproveitar essas várias oportunidades,
de modo a conjugar a independência com a convergência.
Reafirmemos
que o quadro exposto acima foi carregado em suas tintas negativas, ou pelo
menos pessimistas. Isso se deve a que o movimento positivista tem enfrentado
graves dificuldades, ao mesmo tempo em que a Humanidade como um todo atravessa
um período crítico. Entretanto, ao mesmo tempo em que enfrentamos dificuldades,
há efetivos elementos de progresso, bem como de esperança, seja para a
Humanidade, seja para o Positivismo. A mera existência da positividade já é um
aspecto que deve ser devidamente reconhecido e valorizado; para além disso,
como a presente Circular buscará caracterizar, o movimento positivista tem dado
sinais claros e inequívocos de que se reorganiza, restabelece e reafirma-se – e
esperamos contribuir humilde e efetivamente para esse ressurgimento. A leitura
final deste documento sugere-nos, no final das contas, a mensagem de esperança,
a partir da bela perífrase que Teixeira Mendes fez de Danton: a solução para
nossas dificuldades consiste em “amor, só amor, sempre amor”.
3. AS ATIVIDADES DA IGREJA
POSITIVISTA VIRTUAL EM 171 (2025)
A partir das reflexões e justificativas
anteriores, torna-se mais simples a exposição das atividades desenvolvidas pela
Igreja Positivista Virtual, podendo estas limitar-se à descrição circunstanciada
dos vários aspectos de nossa atuação e de cada um dos tipos de eventos e dos resultados
que temos obtido. Por esse motivo, esta seção está dividida em diversas subseções,
de tamanhos variados.
3.1. Estrutura da Igreja Positivista Virtual
A
Igreja Positivista Virtual, dando seguimento às atividades do Apostolado
Positivista, desenvolve suas atividades basicamente pela internet, especialmente em dois canais, cada um deles em uma “rede social”:
o canal Positivismo, canal disponível
no Youtube sob o nome “The Positivism”, e o canal Igreja Positivista Virtual, disponível no Facebook; os respectivos endereços
são estes: Youtube.com/ThePositivism e Facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual.
Ambos são de acesso gratuito, embora o Facebook imponha a exigência de registro
em sua rede para o acesso (obtendo, portanto, dados pessoais). Da mesma forma,
associada à conta do Facebook, há a conta do Instagram, no endereço
Instagram.com/IgrejaPositivistaVirtual. Além desses canais, usamos também o blogue
Filosofia Social e Positivismo, sediado
no Blogspot, com o seguinte endereço: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/.
Finalmente, é importante lembrar que nossas atividades desenvolvem-se também por
meio de textos impressos: livros, artigos em revistas científicas, artigos em revistas
de opinião, artigos em jornais noticiosos.
Na
medida do possível, todas as atividades da Igreja Positivista Virtual são desenvolvidas
simultaneamente nos dois principais canais indicados e depois replicados em outros
meios (por exemplo, no blogue, em comunidades virtuais e com contatos no Whattsapp).
Outras redes sociais podem ser empregadas, mas, na medida em que a quase totalidade
do trabalho de preparação, produção, realização, finalização e divulgação cabem
a nós mesmos, tomando-nos pelo menos dois dias inteiros a cada semana, cada rede
social adicional impõe custos crescentes, tanto em termos de tempo quanto de habilidades
que devem ser mobilizadas. Nas próximas subseções desta Circular exporemos com um
pouco mais de detalhes as atividades que realizamos como Igreja Positivista, mas
vale citar que elas são de três tipos: (1) as prédicas (sejam as regulares, de caráter
semanal, sejam as extraordinárias, como nos casos das celebrações da Festa da Humanidade
e do nascimento de Augusto Comte); (2) as Lives
AOP; (3) palestras variadas. Todos os roteiros e as respectivas anotações que
elaboramos, bem como os endereços eletrônicos para os vídeos, estão disponíveis
no blogue Filosofia Social e Positivismo.
3.2. Atividades desenvolvidas
Exporemos nesta subseção as
atividades desenvolvidas diretamente pela Igreja Positivista Virtual; na
próxima subseção trataremos de atividades de que participamos e também alguns
acontecimentos relevantes para a difusão do Positivismo.
3.2.1.Aumento das atividades e do público
O primeiro aspecto que
devemos mencionar é o aumento progressivo das atividades desenvolvidas: como
veremos abaixo, houve a elevação do estatuto da nossa atuação (passando de só
apostolado para igreja), o incremento das prédicas, a diversificação dos tipos
de atividades.
Ao mesmo tempo, o público que
acorre às nossas prédicas e, de modo geral, que participa ou acompanha a
divulgação do Positivismo pouco a pouco aumenta. Não é, como gostaríamos, um
aumento maciço, de grandes proporções; mas, pelo menos, é de fato um aumento,
com pessoas que demonstram interesse e com quem é possível manter uma relação
pessoal e direta. Essa relação pessoal e direta é importante, pois ela permite
que uns e outros conheçam-se, exponham suas preocupações, seus interesses, suas
dúvidas; a exposição e a aplicação do Positivismo torna-se mais clara e mais
eficiente dessa forma.
O perfil das pessoas que têm
procurado o Positivismo com interesse mais profundo – isto é, para além do
desejo de fazer apenas trabalhos escolares – é variado, mas podemos agrupá-los
em três grandes categorias, organizadas pela importância numérica: (1) preocupações
políticas práticas, com freqüência próximas ao trabalhismo; (2) preocupações
afetivas, no sentido do estímulo do altruísmo e da generosidade; (3)
preocupações intelectuais, geralmente próximas da ciência e mesmo do
cientificismo. É claro que essas três categorias não são mutuamente
excludentes; bem vistas as coisas, elas correspondem a cada um dos aspectos da
natureza humana: atividade prática, sentimentos e inteligência. Como não
poderia deixar de ser, cada uma delas constitui apenas uma via de acesso ao Positivismo, não um interesse exclusivo e
limitante.
Duas dificuldades
apresentam-se, em todo caso. Uma primeira é que o público que acorre às
prédicas e que, de modo geral, procura o Positivismo é um público masculino:
apesar da importância que o Positivismo dá às mulheres, ao público feminino,
não temos conseguido sensibilizá-lo, nem desfazer os preconceitos difundidos
segundo os quais o Positivismo seria masculinista e intelectualista. Essa é uma
dificuldade de longo prazo, que tem que passar a ser enfrentada com clareza.
Uma segunda dificuldade
consiste em que com freqüência quem chega ao Positivismo conjuga uma série de
defeitos morais e intelectuais que tornam bastante cansativa e desgastante a
nossa propaganda; esses defeitos consistem em arrogância e palpitismo. Os traços
específicos desses defeitos são que os interessados, mesmo quando se afirmam
interessados no Positivismo, chegam à doutrina “sabendo” que ela tem que ser
“atualizada”, “sabendo” do que se trata o Positivismo, “sabendo” os aspectos em
que ele tem que ser “atualizado” e mesmo “sabendo” que críticas correntes são
corretas. Todos esses saberes que pusemos entre aspas correspondem na verdade a
preconceitos muito difundidos, que essas pessoas repetem com profunda
convicção, mas – de maneira chocante, irritante e cansativa – de maneira
totalmente ignorante. Assim é que ouvimos que o Positivismo é “machista”,
“misógino”, “eurocêntrico”, “imperialista”, “burguês”, “quietista” etc. etc.
Esses preconceitos são evidentemente comuns entre adversários do Positivismo, que
quase sempre não têm a menor preocupação em conhecê-lo e com freqüência não se
preocupam em ser honestos e em agir de boa fé; mas quando tais preconceitos são
repetidos com convicção por pessoas que se dizem simpáticas ao Positivismo,
percebemos o quanto a desinformação antipositivista está difundida e o quanto
nossa propaganda tem a avançar. Além da mais resoluta persistência em
desfazermos tais erros, o único recurso de que podemos dispor nessa tarefa é a
simpatia e a boa vontade que tais pessoas manifestam, ou dizem manifestar, a
respeito do Positivismo; mas é claro que, até que tais erros sejam desfeitos
(no caso feliz caso de conseguirmos provar e convencer de que são erros), muito
esforço já foi gasto, muito cansaço já foi produzido.
3.2.2. Prédicas positivas
As
prédicas semanais realizam-se nas terças-feiras a partir das 19h. O nome que
adotamos – “prédicas positivas” – emprega a palavra “positivo” no sentido polissêmico
dado a ela palavra por Augusto Comte no Apelo
aos conservadores: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.
Esse nome também evita a parcialidade própria e inevitável às expressões – de qualquer
maneira, belas e imponentes – que Augusto Comte criou para caracterizar o regime
positivo: “sociocracia” (regime), “sociolatria” (culto) e “sociologia” (dogma),
bem como as suas variações.
3.2.2.1. Leitura comentada
do Apelo aos Conservadores
Devemos mencionar – e
celebrar! – o fato de que no dia 9 de Frederico de 170 (12.11.2024) concluímos
a leitura comentada do Catecismo
positivista, iniciada pouco mais de dois anos antes, no dia 24 de Dante de
168 (8.8.2022). Seguindo a orientação específica de Augusto Comte, cada prédica
deve ser caracterizada pela leitura comentada do Catecismo positivista; esse procedimento permite que os jovens
aderentes conheçam diretamente a letra de nosso mestre e, a partir dos
comentários, entendam o seu espírito. Os comentários do oficiante também
permitem que a doutrina seja explicada à luz das preocupações que cada tempo e
lugar apresentam ao público; assim, conjuga-se a ordem com o progresso.
3.2.3. Lives AOP
Nossa
pretensão é que cada mês haja uma Live
AOP. Em 171 (2025) não logramos pleno êxito nesse objetivo, seja por
dificuldades pessoais (em particular devido a preocupações pessoais e
profissionais), seja porque, a despeito de nossos convites, em diversos
momentos não conseguimos palestrantes ou debatedores. A despeito disso, nos
meses de abril e maio de 2025 realizamos em parceria com a Igreja Positivista
de Porto Alegre um ciclo de quatro palestras sobre temas variados (e não
necessariamente vinculados ao Positivismo).
Além
da realização do referido evento em parceria com a Igreja Positivista de Porto
Alegre, tivemos a oportunidade de transmitir três Lives AOP e mais um sermão compartilhado:
- Sermão de Hernani Gomes da Costa: “O identitarismo é
um problema de classificação?”
- Live
AOP com Érlon Jacques de Oliveira: Em memória de Afrânio Capelli
- Live
AOP com Valter D. Ferreira: “Economia: obstáculo epistemológico”
- Live
AOP com Rafael Cardoso Sampaio: “IA: possibilidades e problemas”
3.2.4. Manifestações cívicas
Ao
longo de 171 (2025) procuramos manifestar-nos publicamente em diversas
ocasiões, expondo as perspectivas positivistas. Essas manifestações ocorreram
durante as prédicas semanais e abordaram temas contemporâneos urgentes; elas correspondem
a aplicações práticas de um dos aspectos do poder espiritual, em particular no
seu aspecto coletivo: trata-se de sua atuação como consagrador e aconselhador.
Os
temas que abordamos a título de manifestações cívicas foram os seguintes:
- Manifesto contra a invasão da Venezuela pelos EUA
- Manifestações contra a invasão russa sobre a Ucrânia
- Manifestações contra o genocídio palestino, realizado
pelo governo de Israel
- Manifesto de lamento pela transformação do Papa
Francisco
- A favor da Lei n. 15.263/2025, que instituiu a
Política Nacional de Linguagem Simples
- Lamentando o conturbado ambiente social, político e
institucional do Brasil, mas celebrando a prisão definitiva do ex-Presidente
Jair Bolsonaro, por suas sucessivas e permanentes tentativas de dar um golpe de
Estado fascista no país
- Campanha pela Black Friday Altruísta, com a aquisição
de bens e serviços diretamente para pessoas necessitadas e conforme parâmetros
altruístas de consumo e de produção
- Apoio à campanha de arrecadação de fundos em benefício
do município paranaense de Rio Bonito do Iguaçu, destruído por um ciclone
Também
nos manifestamos reiteradamente em favor da I República brasileira e contra a
concepção largamente difundida por (cripto)monarquistas de que a ação de 15 de
novembro de 1889 teria sido somente um golpe militar, ou uma quartelada. Essa
concepção, que vai contra qualquer mínima investigação histórica, serve para
degradar o ambiente social, político e institucional brasileiro contemporâneo
e, além disso, busca atingir direta ou indiretamente o Positivismo. Em sentido
semelhante defendemos a bandeira nacional republicana, em particular em virtude
da desinformação disseminada pelo grupo “Inclua o amor na bandeira” e repetida
pelo Deputado Federal Chico Alencar.
Menção
específica deve ser feita a respeito de nossos esforços para entrar em contato
com o Deputado Chico Alencar. Na véspera do Dia da Bandeira, ou seja, 18 de
Novembro, ele protocolizou o já citado Projeto de Lei n. 5883/2025. Mandamos
inúmeras mensagens em seus dois perfis no Whattsapp, enviamos mensagens para
seu correio eletrônico, deixamos recados em seus perfis no Facebook e no
Instagram; chegamos mesmo a telefonar-lhe: tudo isso debalde. Em todas essas
manifestações insistimos que ele deveria ouvir-nos, seja porque ele fala de
nós, seja porque nós, positivistas, somos herdeiros espirituais e morais do
autor da bandeira nacional, seja, enfim, porque ele dissemina conscientemente
desinformação a respeito disso tudo. No momento em que redigimos esta circular
(27 de Aristóteles de 172/24.3.2026), permanecemos no aguardo de qualquer resposta do Deputado Chico
Alencar: em outras palavras, embora ele seja um deputado de “esquerda”, ele
mantém um comportamento que a “direita” direciona a nós, ignorando-nos e
desprezando nossas opiniões, nossa história, nossa atividade – para usar a
gíria identitária: nosso “lugar de fala”, enfim.
Dois
temas a respeito dos quais nos parece importante darmos maior ênfase doravante
são:
1)
a cuidadosa
diferenciação entre críticas ao Estado de Israel (devidas ao massacre dos
palestinos da Faixa de Gaza, entre 2024 e 2026, e à guerra contra o Irã, desde
2026) e críticas aos judeus (ou seja, no sentido de evitar qualquer impressão
de antissemitismo);
2)
defesa das
mulheres, afirmação da necessidade de respeito a elas, afirmação da necessidade
do cavalheirismo masculino e combate à violência contra el
Mudando de âmbito, mantivemos
a publicação de artigos opinativos, na forma de textos mensais publicados no
jornal carioca Monitor Mercantil. Em
anos anteriores publicamos muitos artigos no jornal curitibano Gazeta do Povo; entretanto, considerando
o enviesamento cada vez mais conservador, mesmo reacionário desse jornal, ao
mesmo tempo que as nossas discordâncias políticas e morais em relação a essa
orientação, a possibilidade de manifestação pública via Gazeta do Povo na prática deixou de existir. Ao mesmo tempo,
contatos pessoais permitiram o nosso acesso ao Monitor Mercantil, que, além disso, é razoavelmente simpático às
perspectivas positivistas.
3.2.5. Calendário anual
Desde
há algumas décadas, inspirados pelo exemplo do Almirante Henrique Oliveira, elaboramos
todos os anos um calendário positivista atualizado, inserindo o calendário
júlio-gregoriano no calendário positivista, além de indicar as comemorações
positivistas, as celebrações de centenários, bem como indicar também as funções
do calendário positivista abstrato. Esse calendário pode ser impresso e afixado
na parede, para uso cotidiano de todos os interessados, a começar, por óbvio,
pelos positivistas. As celebrações anuais baseiam-se no sistema de comemorações
adotado pela Igreja Positivista do Brasil, conforme divulgado em suas
publicações; os centenários referem-se tanto aos dos tipos do calendário
positivista concreto quanto de positivistas já falecidos, tanto brasileiros
quanto de outros países.
3.3. Outras
atividades relevantes
Nesta subseção comentaremos
alguns eventos ou iniciativas que são relevantes para a divulgação do Positivismo
e aos quais prestamos apoio, embora não sejam iniciativas específicas da Igreja
Positivista Virtual.
3.3.1. Criação
da coleção “Positivism” no Internet Archive
Há algumas décadas existe um
repositório eletrônico gratuito chamado Internet
Archive (https://archive.org/). De
propriedade privada, ele é aberto ao público, seja para consulta, seja para
inclusão de documentos (livros, panfletos, vídeos, gravações de áudio etc.);
devido a problemas de direitos autorais (particularmente sensíveis e agressivos
nos Estados Unidos e na Europa), nem todos os documentos podem ser consultados
em sua íntegra, mas muitos deles podem. As obras de nosso mestre já se
encontram, em sua totalidade, incluídas para consulta e para serem baixados
integralmente; todavia, tal acervo encontra-se disperso pelo espaço comum do
repositório (que, por sua vez, é gigantesco).
A fim de organizar e
valorizar o Positivismo, seguindo as exigências do repositório, conseguimos
criar em 11 de janeiro de 2024 a seção “Positivism”, cujo acervo tem-se
ampliado aos poucos mas continuamente. Tal seção está disponível no seguinte
endereço: https://archive.org/details/positivism-collection.
Embora essa coleção tenha
sido criada em 170 (2024), fazemos referência na presente circular, dedicada a
171 (2025), porque esse acontecimento não foi citado anteriormente.
3.3.2. Auxílio
de outros positivistas e simpatizantes
Ao longo de 171 (2025)
pudemos contar com a feliz colaboração de alguns simpatizantes e de alguns
positivistas; essas colaborações nem sempre foram direcionadas para a Igreja
Positivista Virtual, mas foram convergentes com ela e, em todo caso,
reconheceram nosso protagonismo.
A primeira colaboração que
desejamos indicar é a de Deyvid Antônio, um católico de Alagoas; embora seja ortodoxo,
ele é bastante aberto ao conhecimento de outras religiões e doutrinas; além
disso, ele é notavelmente respeitador do que os adeptos dessas outras religiões
e doutrinas têm a dizer a respeito de si próprias. Assim, estudando o
Positivismo e a Religião da Humanidade e manifestando-se publicamente a
respeito, Deyvid Antônio absteve-se de repetir os erros e as desinformações
habituais, mesmo aquelas disseminadas pelos próprios católicos. Mais do que
isso: dando provas de que a simples boa fé é possível, Deyvid Antônio gravou
diversos vídeos de caráter polêmico em defesa
do Positivismo.
A segunda colaboração é a de
Fernando Pita e de Gabriel de Henrique, o primeiro simpático ao Positivismo, o
segundo um jovem aderente. Ao longo de 171 (2025) – e, na verdade, desde antes
–, ambos têm digitalizado e/ou transcrito documentos positivistas, de maneira a
recuperar o nosso acervo. Os documentos que eles digitalizam e/ou transcrevem
são compartilhados em grupos de redes sociais e, a partir daí, têm sido
incluídos no repositório eletrônico Internet
Archive, na coleção “Positivism” (https://archive.org/details/positivism-collection).
3.3.3. Atuação do Apostolado Positivista
da Itália
Fundado em 168 (2022), o
Apostolado Positivista da Itália tem desenvolvido muitas atividades e logrado
obter bons resultados em sua atuação. Essas atividades compreendem a tradução para
o italiano de obras em outras línguas, especialmente o francês; a publicação de
um boletim e de novas traduções de Augusto Comte; a realização semanal de uma
prédica à distância em seu canal no Youtube (disponível aqui: https://www.youtube.com/@apostolatopositivistaditalia),
além de inúmeras outras.
Embora tenha uma orientação
laffittista – que se explica tanto pela juventude de seus membros quanto por um
correlato desejo de autonomia –, parece-nos que no seu conjunto a atuação do
Apostolado Positivista da Itália é convergente com a da Igreja Positivista
Virtual e, na medida do possível, realizamos atividades em parceria. Uma
dificuldade bastante óbvia para as relações entre o Apostolado Positivista da
Itália e a Igreja Positivista Virtual – bem como, de resto, com o positivismo
brasileiro – é a diferença lingüística. Entretanto, essa dificuldade é
contornada pelo importante esforço empreendido pelos integrantes do Apostolado
italiano, em particular pelo Diretor do Apostolado Italiano, Sebastiano
Fontanari, para falar com grande proficiência o português: de fato, nas duas
Lives de que participou em 169 (2024), Sebastiano leu textos escritos por ele
em português, cuja qualidade gramatical e estilística é de altíssimo nível.
Além de honrar-nos com a fluência em nossa língua, esse esforço indica a
seriedade com que eles desenvolvem suas atividades, em benefício da difusão e
da aplicação da Religião da Humanidade.
4. PERSPECTIVAS FUTURAS DA
IGREJA POSITIVISTA VIRTUAL
Para
a Igreja Positivista Virtual e, de maneira mais ampla, para a Religião da
Humanidade o ano de 171 (2025) foi bastante ativo. Em relação às nossas
expectativas e às nossas intenções para este e para os próximos anos, reafirmamos
o que dissemos na 1ª Circular Anual e, em face dos desafios indicados no
presente documento, acrescentamos outras metas:
- manter um ativismo no mínimo com a mesma intensidade;
- aperfeiçoar a infraestrutura técnica (com a criação e
o registro de um portal eletrônico, a ampliação das redes sociais empregadas, a
melhoria no uso das redes sociais etc.), a fim de melhorar a comunicação e a interação
com o público;
- desenvolver e consolidar uma identidade visual para a Igreja
Positivista Virtual (com logomarcas, ex-libris
etc.);
- coordenar mais e melhor as iniciativas de positivistas
ou de pessoas simpáticas a nós;
- melhorar a formação dos positivistas atuais, em
particular evitando o palpitismo e a arrogância;
- melhorar, em termos morais, intelectuais e práticos, nossa
atuação, seja como sacerdote da Humanidade, seja como cidadão, seja como
simples ser humano.
Para
concluir a presente 3ª Circular Anual: temos a plena convicção de que a Religião
da Humanidade é a religião do presente e, ainda mais, do futuro; que ela oferece
o entendimento e os meios para a harmonia social e individual; que ela indica que
e como podemos associar a felicidade individual e o bem-estar público. A partir
da elaboração de Augusto Comte, sob a angélica influência de Clotilde de Vaux, repetimos
a máxima fundamental da Religião da Humanidade: “o amor por princípio e a ordem
por base; o progresso por fim”.
Gustavo Biscaia
de Lacerda.
Sacerdote Diretor da Igreja Positivista Virtual
Curitiba, 27 de
Aristóteles de 172 (24 de março de 2026).
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