Darcy Ribeiro (in: Cândido Mariano da Silva Rondon, Rio de Janeiro, Global, 2017, p. 29-30) faz o seguinte comentário indicando os positivistas – militares e civis – que, inspirando-se no belíssimo exemplo de Rondon, dedicaram-se a estabelecer e manter as melhores relações entre a civilização ocidental e os índios brasileiros, seguindo sempre a fórmula rondoniana “Morrer se for preciso, matar nunca”. (Aliás, a respeito dessa fórmula, Darcy Ribeiro comenta que se trata do “ponto mais alto do humanismo brasileiro”).
Muitos oficiais do exército, depois de participarem
das missões comandadas por Rondon no interior do país, orientaram-se para a
carreira indigenista.
Queremos destacar os nomes de Antônio Martins Estigarríbia, capitão de engenharia que abandonou a
carreira militar para dedicar-se inteiramente ao Serviço de Proteção aos
Índios, no qual exerceu todas as funções. Vicente
de Paula Teixeira da Fonseca Vasconcelos, que dirigiu durante vários anos o
SPI e a quem coube reorganizá-lo depois do colapso que sofreu em 1930. Nicolau Bueno Horta Barbosa, que foi um
dos principais auxiliares de campo de Rondon e, numa das expedições, tendo o
pulmão vazado por uma flecha, ainda conseguiu manter o controle sobre a tropa
para impedir que revidassem ao ataque. Mais tarde devotou-se inteiramente aos
índios do sul de Mato Grosso como chefe da Inspetoria local do SPI. Alípio Bandeira, que se tornaria a mais
eloquente expressão literária da causa indígena e que, em colaboração com Manoel Miranda, procedeu aos estudos
preliminares para a elaboração da legislação indigenista brasileira. Júlio Caetano Horta Barbosa, que teve
os primeiros contatos amistosos com os índios Nambikuara. Boanerges Lopes
de Souza, um dos colaboradores mais assíduos de Rondon, tanto na construção
das linhas telegráficas de Mato Grosso (1910-1922) como na Inspetoria de
Fronteiras, e Manoel Rabelo,
organizador dos planos de pacificação dos índios Kaingang, de São Paulo – foram todos, mais tarde, membros do
Conselho Nacional de Proteção aos Índios.
Aos militares se juntaram desde a primeira hora
colaboradores civis como o dr. José
Bezerra Cavalcanti, que respondeu pela direção executiva do SPI desde sua
criação até 1933, quando faleceu. O professor Luiz Bueno Horta Barbosa, que abandonou a cátedra da Escola
Politécnica para dedicar-se exclusivamente ao Serviço de Proteção aos Índios e
que foi o principal formulador dos princípios básicos da política indigenista brasileira.
O dr. José Maria de Paula, que,
ingressando no SPI quando de sua criação, nele exerceu todos os cargos, desde a
chefia das inspetorias de índios dos estados do Sul até a diretoria. José Maria da Gama Malcher, que serviu
ao SPI com invulgar devotamento e capacidade, tanto chefiando as inspeções do
Pará e Maranhão como na função de diretor, de 1950 a 1954.

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