No dia 6 de César de 172 (28.4.2026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Terceira Parte - Conduta dos positivistas em relação aos revolucionários).
No sermão abordamos o tema dos sentimentos e da inteligência dos animais.
A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/W9irV_EM0Nw) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/1632693707946642).
As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.
* * *
Os animais pensam (e sentem)?
(6 de César de 172/28.4.2026)
1. Abertura da prédica
2. Datas e celebrações
2.1. 23 de abril a 20 de maio: mês de César – quinto mês do ano, a civilização militar
2.2. Dia 2 de César (24.4): nascimento de Jean-François Eugène Robinet (1825 – 201 anos)
3. Pesar pelo episódio lamentável em que o Guardião do Templo da Humanidade do Rio Grande do Sul, Érlon Jacques de Oliveira, sofreu várias facadas no dia 1º de César (23.4)
3.1. As facadas foram dadas pelo filho da locadora do imóvel que fica nos fundos do terreno da Igreja Positivista do Rio Grande do Sul
3.2. Tendo sido atingido no abdômen, Érlon foi para o hospital, internado na UTI e, no momento em que escrevemos, encontra-se em boas condições
4. Leitura comentada do Apelo aos conservadores
5. Exortações
5.1. Sejamos altruístas!
5.2. Façamos orações!
5.3. Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse
5.4. Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)
6. Sermão: os animais pensam (e sentem)?
6.1. O sermão desta semana foi motivado por uma conversa com o Eugênio Macedo há algumas semanas, em que ele perguntou de fato se os animais pensam e sentem
6.1.1. Assim, este sermão baseia-se em algumas postagens do blogue, seja sobre os sentimentos dos animais, seja sobre as críticas de Augusto Comte às metafísicas psicológico-ideológicas
6.1.2. O grosso das reflexões baseia-se no último capítulo do v. 3 da Filosofia positiva de nosso mestre, publicado em 1838; esse volume foi dedicado ao exame da Biologia e esse capítulo em particular tem por título “Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”, isto é, “Considerações gerais sobre o estudo positivo das funções intelectuais e morais, ou cerebrais”
6.1.3. Além desse capítulo, basear-nos-emos em vários capítulos e volumes da Política positiva (publicados entre 1851 e 1854), especialmente o v. 1, cap. 3 – publicado em 1851, cujo título é “Introduction directe, naturellement syntéthique, ou Biologie” (“Introdução direta, naturalmente sintética, ou Biologia”)
6.1.4. As indicações que faremos neste sermão não têm a pretensão de esgotar o assunto; o que desejamos fazer é apenas (1) afirmar a realidade, que deveria ser evidente, de que os animais têm, sim, sentimentos e inteligência e (2) apresentar os argumentos históricos, filosóficos e biológicos que comprovam essa concepção
6.2. A questão dos sentimentos e da inteligência dos animais é fundamental, (1) para entendermos o mundo, (2) para entendermos o ser humano, (3) para entendermos os animais e (4), por fim, para regularmos a ação humana no mundo
6.2.1. Para além da importância intelectual e filosófica, é impressionante o quanto a questão dos sentimentos e da inteligência dos animais desperta interesse – e, mais do que isso, entre os positivistas ela desperta vivas simpatias
6.3. Sobre a inteligência dos animais, antes de mais nada temos que lembrar que aquilo que chamamos de “inteligência”, na verdade, é a combinação de vários fatores e elementos
6.3.1. Em primeiro lugar, o ser humano não existe como ser vivo isolado; ele não surgiu “pronto”
6.3.1.1. Nós somente somos o que somos porque consistimos no grau máximo de uma evolução que aconteceu antes de nós
6.3.1.2. Em outras palavras, os atributos que o ser humano apresenta são necessariamente compartilhados pelos animais superiores (o que abrange principalmente os mamíferos e as aves): a diferença é de grau, não de qualidade
6.3.2. Em segundo lugar, o entendimento que temos da realidade baseia-se nas relações (no “comércio”, como se dizia) entre os impulsos externos objetivos e o funcionamento interno subjetivo
6.3.2.1. Como dizia Leibniz e como nosso mestre estabeleceu na Filosofia Primeira (quarta lei), “não existe nada na inteligência que não provenha dos sentidos, exceto a própria inteligência”[1]
6.3.2.2. O que chamamos de “subjetividade” apresenta inúmeros sentidos, todos eles inter-relacionados, mas distintos: (1) sentimentos, (2) funcionamento cerebral autônomo, (3) sensibilidade neurológica interna, (4) imaginação, (5) valores e práticas sociais compartilhados – e (6) a chamada “inteligência”
6.3.2.3. Novamente: é da relação entre os impulsos do ambiente com a atividade de cada ser vivo que se desenvolve a subjetividade e, a partir daí, os sentimentos e a inteligência. Dito de outra forma, a subjetividade desenvolve-se em parte em resposta ao ambiente, ou seja, ela é “adequada” ao ambiente
6.3.2.3.1. Reiterando o que dissemos acima: isso é válido para os animais superiores e, portanto, para o homem; nada existe no ser humano que já não exista antes nos animais superiores
6.3.3. A partir da interação entre o ambiente objetivo e o corpo subjetivo, temos que o ser humano e os animais superiores são movidos por três lógicas, isto é, por três conjuntos de grandes princípios: os sentimentos, as imagens e os sinais
6.3.3.1. A bem da verdade, só os sentimentos são “motores”; as imagens e os sinais são instrumentos para entendermos a realidade e, a partir disso, para agirmos
6.3.3.2. A divisão que fazemos entre sentidos/sentimentos e inteligência é necessária (na medida em que são habilidades distintas entre si), mas, a bem da verdade, esses dois elementos correspondem um sistema único de interação recíproca do organismo com o ambiente, em que os corpos sentem a pressão externa, avaliam-na e (re)agem sobre ela
6.3.4. O resultado das indicações acima é que a inteligência, então, corresponde ao entendimento que se tem da realidade para atuar nela
6.3.4.1. Não se trata de raciocínios lógico-matemáticos nem de pesquisas de laboratório – embora, em um sentido muito, muito, muito amplo, possa ser chamado de “conhecimento científico”
6.3.5. Por fim, além disso, nem os animais superiores nem o ser humano atuam de maneira mecânica, com automatismos
6.3.5.1. A nossa subjetividade e o funcionamento interno autônomo existem de verdade e permitem-nos entendermos a realidade, termos vontades próprias, refletirmos sobre o que existe e, a partir daí, agirmos
6.3.5.2. Nos animais superiores, é tão real a ausência de automatismos, por um lado, e a realidade dos sentimentos e da inteligência, por outro lado, que eles brincam e sentem o tédio
6.3.5.2.1. Nosso mestre em uma passagem da Filosofia positiva assinala o tédio animal e, em outra passagem da Política positiva, nota que os leões enjaulados ficam deprimidos:
[...] Uma verdadeira disciplina afetiva, que deve
sempre ser livre para tornar-se plenamente eficaz. É fácil senti-lo comparando
o estado moral de um cão doméstico com o de um leão cativo. Quando uma longa
experiência inspira ao segundo uma passiva resignação, a unidade moral não
existe absolutamente nele: ele flutua sem cessar entre uma luta indefesa e um
ignóbil torpor. Ao contrário, o desenvolvimento afetivo do primeiro torna-se
direto e contínuo tão logo ele pode subordinar seus pendores egoístas a seus
instintos simpáticos (Política, v. II, p. 15)[2]
6.4. Resumindo e insistindo em três idéias gerais:
6.4.1. O ser humano não existe à parte da realidade (em particular, no presente caso, da realidade biológica): nós somos apenas o desenvolvimento máximo de um processo evolutivo que compartilhamos com os animais superiores;
6.4.2. Nós (“nós” = seres humanos e animais superiores) vivemos em interação com o ambiente, combinando a dinâmica interna autônoma com as pressões do ambiente, ao mesmo tempo em que exercemos pressão sobre o ambiente;
6.4.3. Os sentimentos são os motores internos e a inteligência é um instrumento de que nos valemos para conhecer o ambiente e agir sobre ele
6.5. É importante afirmarmos com todas as letras que a rejeição dos sentimentos e da inteligência dos animais tem origem teológica, é repetida pelos metafísicos e continua valendo hoje em dia, sob os mais diferentes nomes e rótulos
6.5.1. Em termos teológicos, para os judeus e os cristãos o mundo foi criado à parte do ser humano, para usufruto do ser humano; o “sopro da vida” e o Verbo são exclusivos do ser humano
6.5.1.1. A combinação do sopro da vida com o Verbo corresponde à “alma”, que se torna exclusiva dos seres humanos
6.5.1.2. Em conseqüência disso, os teológicos judaico-cristãos dizem, literalmente, que os animais não têm “alma” (mas têm “um tipo de consciência”)
6.5.1.3. É claro que, como de modo geral ocorre com a teologia, a sabedoria prática do sacerdócio com freqüência suplantou (como suplanta) os preconceitos teóricos, como nos belos exemplos de São Francisco de Assis e, mais recentemente, do Papa Francisco
6.5.2. Entre os metafísicos, essa tolice é compartilhada seja pelos materialistas, seja pelos espiritualistas; os primeiros a partir da hipótese mecanicista de Descartes, os segundos a partir mais clara e diretamente dos preconceitos teológicos
6.5.2.1. A referência a Descartes não é para desvalorizarmo-lo: em seu esforço para positivar as concepções humanas, ele não tinha como não ser metafísico (fosse mecanicista em relação aos animais, fosse espiritualista a respeito do ser humano)
6.5.2.1.1. Se Descartes não tinha como não ser metafísico, coisa muito diferente ocorre com os pensadores que vieram após ele, especialmente depois das pesquisas de Bichat, Gall e Augusto Comte, do século XIX em diante
6.5.2.2. A metafísica mecanicista é exemplificada pelo comportamentalismo de Skinner, para quem os animais não têm subjetividade (ou não têm de fato ou agem como se não tivessem)
6.5.2.3. O espiritualismo metafísico, de origem mais claramente teológica, é evidente entre os neokantianos alemães (Max Weber e seus êmulos), para quem há uma separação radical entre o ser humano e a natureza, incluindo aí os animais; o traço distintivo do ser humano para eles é a “cultura”, isto é, a subjetividade e a inteligência: essas concepções são versões um pouco secularizadas do mito judaico-cristão da criação do mundo em seis dias e da exclusividade humana do sopro e do Verbo
6.5.3. Como falamos em “alma”, algumas rápidas observações são necessárias:
6.5.3.1. A concepção teológico-metafísica da alma, evidentemente, é apenas uma ficção sobrenatural: não existe essa coisa etérea, fumacenta, incorpórea, que entra nos corpos e fá-los moverem-se (e que, ainda por cima, atribui-se a ela a condição de participação na/da divindade!)
6.5.3.2. A concepção positiva de alma consiste no conjunto das funções do cérebro, desenvolvidas ao longo do tempo primeiramente em termos biológicos e, no caso do ser humano, depois e principalmente em termos sociológicos e morais
6.5.3.3. A concepção positiva de alma rejeita, por ser irracional e imoral, a pretensa divisão teológico-metafísica entre moralidade e “espiritualidade”
6.6. O que comentamos até agora evidentemente combina vários elementos filosóficos e científicos: as reflexões de Augusto Comte a respeito da metafísica psicológico-ideológica, os resultados da neurociência, reflexões sobre a evolução humana, reflexões sobre as relações do ser humano (e, de modo mais amplo, dos seres vivos) com o ambiente, as leis de Filosofia Primeira, as reflexões sobre a subjetividade (sobre os sentimentos, sobre a inteligência, sobre o desenvolvimento histórico das idéias, sobre a imaginação)
6.6.1. Devemos notar que consideramos apenas a Biologia, deixando de lado a Sociologia, ou seja, o desenvolvimento histórico-sociológico das idéias e da autonomia da subjetividade: isso exigiria muitos mais comentários, cuja importância seria, além disso, um tanto indireta
6.7. O trecho abaixo de Augusto Comte, escrito em 1838, é cristalino e, se tivesse sido levado mais a sério, teria evitado nos últimos 200 anos uma quantidade enorme de erros, mal-entendidos e más ações:
A palavra instinto não possui, em si mesma, outro sentido fundamental senão o de designar
todo impulso espontâneo em uma direção determinada, independentemente de
qualquer influência externa; nesse sentido primitivo, aplica-se evidentemente à
atividade própria e direta de qualquer faculdade, tanto das faculdades
intelectuais quanto das afetivas. Ela não se opõe, portanto, de modo algum ao
termo inteligência, como se observa
quando se fala daqueles que, sem qualquer educação, manifestam um talento
pronunciado para a música, a pintura, a matemática etc. Sob esse ponto de
vista, há certamente instinto – ou melhor, instintos – tanto e mesmo mais no
homem do que nos animais. Se, por outro lado, caracterizarmos a inteligência
pela aptidão de modificar a própria conduta conforme as circunstâncias de cada
caso – o que constitui, de fato, o principal atributo prático da razão propriamente dita – torna-se ainda evidente
que, sob esse aspecto, assim como sob o anterior, não há motivo para
estabelecer, entre humanidade e animalidade, qualquer diferença essencial além
daquela de grau mais ou menos desenvolvido de uma faculdade que é, por sua
natureza, comum a toda vida animal e sem a qual não se poderia sequer conceber
sua existência.
6.8. Os animais devem ser valorizados e respeitados
6.8.1. Este sermão aborda os sentimentos e a inteligência dos animais – que, como vemos, são atributos necessariamente compartilhados pelos seres humanos com (em particular) os animais superiores e as aves
6.8.1.1. O que queríamos apresentar hoje já foi apresentado; ainda assim, cremos que vale a pena expor uma ou duas reflexões adicionais, em particular no sentido de indicar que a Religião da Humanidade valoriza efetiva e necessariamente os animais
6.8.2. A primeira indicação adicional consiste em que os animais correspondem não somente a nossos companheiros de destino no planeta, mas também são nossos auxiliares – e, por isso, merecem mesmo respeito e dignificação
6.8.2.1. O filme “Sempre ao seu lado” (dirigido por Lasse Hällstrom, de 2009) apresenta a grata e alegre devoção de um cachorro por seu dono, mesmo e principalmente após a transformação desse dono
6.8.2.1.1. O filme é ambientado nos Estados Unidos dos anos 2000, mas a história original, que inspirou o filme, ocorreu no Japão dos anos 1920: o cachorro original recebeu uma estátua lá
6.8.2.2. O trecho abaixo de nosso mestre é decisivo a respeito das possíveis homenagens que os animais podem receber da Humanidade:
“A propósito da incorporação dos
animais: ‘A objeção principal de vossa primeira carta merece mais atenção,
posto que eu pense também que a mesma leitura (isto é, do 4.° vol. da Política Positiva) vai em breve
dissipá-la. Talvez, que ela me determine a pôr uma explicação especial sobre
esse tópico, em caso de nova edição do Catecismo Positivista. Importa que o
positivismo reerga os animais associáveis do desdém inspirado pelo monoteísmo,
sobretudo ocidental; porquanto o islamismo acha-se, a este respeito, como a
muitos outros, muito mais próximo do estado normal. Mas não creio que isso
possa nunca fazer com que alguém receie qualquer assimilação degradante dos
servidores diretos do Grande Ser ao seus auxiliares indiretos. Todas as honras
merecidas por estes são ordinariamente privadas, mesmo em seus serviços.
Contudo, eles podem excepcionalmente obter uma glorificação pública, em caso de
devotamento eficacíssimo para com um digno servidor. Vossa respeitosa
advertência faz-me ver a necessidade de não deixar implícito semelhante
esclarecimento num opúsculo destinado naturalmente a leitores que, em sua
maioria, não conhecerão o principal tratado’ (Lettres à Hutton, p. 43.)” (Catecismo
positivista, Nota de Miguel Lemos à
Quarta Conferência, 1934, 4ª ed., p. 467-468)
6.8.3. Além disso, assim como o ser humano tornou-se a espécie preponderante no planeta (devido ao seu intenso aspecto social), se nós não existíssemos, ou se tivéssemos sido extintos, alguma outra espécie ter-se-ia tornado dominante: essa outra espécie pode ser entendida como uma outra Humanidade, mas abortada:
“Porém o conjunto dos animais
suscetíveis de formarem uma verdadeira série nos oferecerá sempre um profundo
interesse abstrato, para esclarecermos o estudo geral de todas as nossas
funções inferiores, acompanhando cada uma delas em sua simplificação e
complicação graduais. A humanidade não constituindo, no fundo, senão o
principal grau da animalidade, as mais elevadas noções da sociologia, e mesmo
da moral, encontram necessariamente na biologia seu primeiro esboço, para os
espíritos verdadeiramente filosóficos que sabem apanhá-las aí. Nossa concepção
teórica mais sublime se torna, assim, mais apreciável, quando se considera cada
espécie animal como um Grande Ser mais ou menos abortado, em virtude da
inferioridade de sua própria organização e do surto do predomínio humano.
Porque a existência coletiva constitui sempre a tendência necessária da vida de
relação que caracteriza a animalidade. Mas este resultado geral não pode, sobre
um mesmo planeta, desenvolver-se assaz senão em uma só das espécies sociais” (Catecismo positivista, Sétima
Conferência, 1934, 4ª ed., p. 236-237)[3]
6.9.
Em
suma:
6.9.1. Retomamos e reafirmamos mais uma vez três
idéias gerais:
6.9.1.1.
O ser
humano não existe à parte da realidade: nós somos apenas o desenvolvimento
máximo de um processo evolutivo que compartilhamos com os animais superiores
6.9.1.2.
Nós
(seres humanos e animais superiores) vivemos em interação com o ambiente,
combinando a dinâmica interna autônoma com as pressões do ambiente, ao mesmo
tempo em que exercemos pressão sobre o ambiente
6.9.1.3.
Os
sentimentos são os motores internos e a inteligência é um instrumento de que
nos valemos para conhecer o ambiente e agir sobre ele
6.10.
A
desvalorização dos animais é principalmente devida à teologia (em particular a
cristã), que separa radicalmente o ser humano dos animais, a partir da crença
fictícia na “alma”
6.10.1.
A
partir da crença na “alma”, a teologia degrada-se na metafísica, que, por sua
vez, continua desvalorizando os animais, seja na metafísica materialista (com o
mecanicismo), seja na metafísica espiritualista (com a secularização direta da
teologia, resultando em concepções como o “Espírito”)
7. Término da prédica
Referências
- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.
- Augusto Comte (franc.), Sistema de
filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations
générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou
cérébrales”).
- Augusto
Comte (franc.), Sistema de política
positiva (Paris. J.-B.
Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.
- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.
- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).
- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Afinal, os animais pensam (e sentem)? Filosofia Social e Positivismo, Curitiba, 8.abr.2026: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/04/afinal-os-animais-pensam-e-sentem.html.
- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Augusto Comte: metafísica psicológico-ideológica, inteligência dos animais e “observação interior”. Filosofia Social e Positivismo, Curitiba, 8.abr.2026: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/04/augusto-comte-metafisica-psicologico.html.
- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.
- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.
- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.
- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.
[1] A quarta lei da filosofia primeira tem este enunciado: “Subordinar as construções subjetivas aos materiais objetivos (Aristóteles, Leibnitz, Kant)” (Augusto Comte. Catecismo positivista ou sumária exposição da Religião da Humanidade. 4ª ed. Rio de Janeiro: Apostolado Positivista do Brasil, 1934, p. 479).
[2] “[...] Une véritable discipline affective, qui doit toujours
être libre pour devenir pleinement efficace. Il est aisé de le sentir en
comparant l’état moral d’un chien domestique avec celui d’un lion captif. Quand
une longue expérience inspire au second une passive résignation, l’unité morale
n’existe point en lui : il flotte sans cesse entre une lutte impuissante et une
ignoble torpeur. Au contraire, l’essor affectif du premier devient direct et
continu aussitôt qu’il a pu subordonner ses penchants égoïstes à ses instincts
sympathiques”.
[3] Ver também a Política positiva, v. IV, p. 222.

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