27 maio 2026

Cientificismo e epistemologia

No dia 6 de São Paulo de 172 (26.5.20026) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Terceira Parte - postura dos positivistas em relação aos revolucionários).

No sermão abordamos algumas questões gerais prévias à exposição de leis naturais, em particular: 

(1) o Positivismo teria começado como uma filosofia das ciências? 

(2) Por que ele não é um cientificismo? 

(3) Há espaço ou necessidade de considerações prévias à exposição das leis naturais?

Também lemos a postagem "Comentário pessoal/confissão: três cuidados que tomo" (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/reflexao-pessoalconfissao-tres-cuidados.html)

Da mesma forma, divulgamos a publicação no Internet Archive das músicas positivistas compostas por Luiz Gustavo Mota:

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*    *    *


Leis científicas básicas – I

(6 de São Paulo de 172/26.5.2026) 

1.     Abertura da prédica

2.     Datas e celebrações

2.1.   Dia 8 de São Paulo de 172 (28.5): Live AOP com Luciano Alves: o Movimento Brasil Laico

2.1.1. Como de hábito, a transmissão será exclusiva no canal Positivismo do Youtube (Youtube.com/ThePositivism), a partir das 19h

2.2.   Mês de São Paulo: de 21 de maio a 17 de junho teremos o mês de São Paulo, sexto mês do ano, dedicado ao catolicismo

3.     Comentário pessoal/confissão: três cuidados que tomo

3.1.   Postagem feita em 21.5.2026 (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/reflexao-pessoalconfissao-tres-cuidados.html)

3.2.   Em minhas prédicas e, de modo geral, em minha atuação como positivista, procuro desde sempre tomar três cuidados, na forma de comportamentos que evito:

3.2.1. evito falar sobre o que desconheço e não finjo saber o que ignoro

3.2.2. evito apresentar-me como a única pessoa capaz de falar sobre o Positivismo ou (na medida em que não sou o Sumo Pontífice da Religião da Humanidade) em nome de todos os positivistas

3.2.3. evito personalizar as minhas manifestações e de apresentá-las como se fossem exercícios de vaidade pessoal

3.3.   Assim, ao evitar a arrogância, o orgulho e a vaidade, creio que posso dizer que exercito a humildade

3.4.   Um sacerdote da Humanidade (e mesmo um apóstolo da Humanidade) não pode ter medo de expor-se e de afirmar-se perante os demais; mas isso é muito diferente de ser sistematicamente ignorante, pretensioso e muito vaidoso. Esses defeitos são inaceitáveis em qualquer pessoa que pretenda ser apóstolo ou sacerdote da Humanidade

3.5.   Em oposição a esses comportamentos reprováveis, procuro desde sempre adotar as seguintes práticas:

3.5.1. conhecer sobre o que falo, assumir que desconheço muita coisa e buscar conhecer (ou informar-me sobre) o que é importante para os outros

3.5.2. respeitar as perspectivas alheias e, em particular, as várias iniciativas pessoais e coletivas dos positivistas

3.5.3. reconhecer os esforços realizados pelos outros (especialmente pelos que vieram antes de mim) e manifestar-me sempre me referindo aos esforços coletivos.

3.6.   As indicações acima simplificam bastante as possibilidades; mas como queremos que estas reflexões sejam curtas, neste caso aceitamos tal simplificação

4.     Publicação das músicas compostas por Luiz Gustavo Mota

4.1.   Em uma bela e importante iniciativa que retoma uma antiga mas – até agora – abandonada tradição, nosso correligionário Luiz Gustavo Mota compôs músicas positivistas. Luiz Gustavo redigiu as letras e solicitou à inteligência artificial que compusesse a melodia e que interpretasse as canções. Os resultados estão abaixo.

4.2.   São duas músicas, disponíveis abaixo, a partir da coleção “Positivism” do Internet Archive (https://archive.org/details/positivism-collection):

4.2.1. “Canção ao Positivismo Religioso”: https://archive.org/details/luiz-gustavo-mota-cancao-ao-positivismo-religioso

4.2.2. “Hino a Clotilde, anjo da Humanidade”: https://archive.org/details/luiz-gustavo-mota-hino-a-clotilde-anjo-da-humanidade

4.3.   A letra do Hino a Clotilde está disponível aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2026/05/musicas-positivistas.html

5.     Leitura comentada do Apelo aos conservadores

6.     Exortações

6.1.   Sejamos altruístas!

6.2.   Façamos orações!

6.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

6.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

7.     Sermão: leis científicas básicas

7.1.   O tema de hoje é um daqueles que podemos chamar de “polêmicos”, especialmente no âmbito do Positivismo: afinal, ele refere-se diretamente a um dos preconceitos mais disseminados sobre o Positivismo (e, talvez, o primeiro deles, o cientificismo)

7.1.1. O que nos interessa no sermão de hoje (e no da semana que vem) é apresentar algumas leis naturais básicas, seguindo para isso o que nosso mestre apresentou na sétima conferência do Catecismo positivista, na parte do dogma dedicada à “ordem exterior, primeiro material, depois vital”

7.1.2. Por que queremos (re)apresentar essas leis? Porque com certa freqüência falamos do mundo, da realidade cósmica, das ciências inferiores etc. mas não temos clareza a respeito das leis próprias a cada ciência, ao âmbito de cada uma, nem mesmo dos principais nomes de cada uma delas

7.1.3. Mas, antes de apresentarmos essas leis, algumas considerações elementares são necessárias, ou pelo menos convenientes; por ora, considero pelo menos as seguintes: (1) o Positivismo teria começado como uma filosofia das ciências? (2) Por que ele não é um cientificismo? (3) Há espaço ou necessidade de considerações prévias à exposição das leis naturais?

7.2.   Comecemos entendendo por que o Positivismo teria começado com um estudo das ciências inferiores

7.2.1. Em primeiro lugar, isso se relaciona à vida de nosso mestre e às etapas que ele, pessoalmente, tinha que percorrer para constituir sua obra e, de qualquer maneira, para amadurecer

7.2.1.1.          O exame histórico-filosófico das ciências desenvolveu-se ao longo dos vários volumes do Sistema de filosofia positiva, em particular dos volumes 1 a 3, dedicados à matemática, à astronomia, à física, à química e à biologia, escritos entre 1830 e 1838 (os volumes 4 a 6 foram dedicados à sociologia e escritos entre 1839 e 1842)

7.2.2. Em particular, duas necessidades urgentes e convergentes apresentavam-se a ele:

7.2.2.1.          Por um lado, ele percebia as urgentes necessidades sociais da sua época, em particular no sentido de reorganizar a sociedade em bases humanas, pacíficas, relativas e demonstráveis, ultrapassando a teologia e a guerra

7.2.2.2.          Por outro lado, ele percebia o alto poder explicativo e o grande poder prático das ciências, limitadas até então às ciências inferiores mas dirigindo-se com celeridade para a constituição das ciências superiores

7.2.3. O exame das ciências inferiores foi necessário não como u’a medida em si mesma, para cultivo das ciências por si sós, mas como instrumento e como passo prévio para inúmeros objetivos de longo prazo (e de longo prazo tanto para nosso mestre como para a sociedade):

7.2.3.1.          Definir e entender o que o ser humano conhece da realidade

7.2.3.2.          Entender em que consiste a cientificidade e como ela manifesta-se progressivamente em cada uma das ciências

7.2.3.2.1.              Isso, aliás, tem a importantíssima conseqüência, que os comentadores e os críticos do Positivismo fazem questão de ignorar, que cada ciência tem procedimentos próprios e que suas características necessariamente mudam com a variação de abstração, generalidade, empirismo

7.2.3.3.          Definir a positividade – inicialmente restrita e confundida com a mera cientificidade –, seja em termos de relativismo (oposto ao absolutismo), seja em oposição à teologia e à metafísica

7.2.3.4.          Delimitar e distinguir o que é real e o que é útil no conhecimento científico, bem como investigar o que havia, há e pode haver de absoluto/metafísico na prática científica (em particular, na forma do que chamamos hoje de cientificismo e de academicismo e que já eram duramente criticados por nosso mestre, desde o início de sua carreira)

7.2.3.5.          Tudo isso como elementos para definir o que seria a cientificidade da ciência social, seus aspectos e seus limites teóricos, suas metodologias específicas, suas possibilidades de atuação prática

7.2.3.5.1.              É importante notar que isso consiste no que se chama atualmente, conforme o academicismo, de “perspectiva crítica” da e sobre a ciência

7.2.3.6.          Determinar as mudanças sociais ocorridas devido ao desenvolvimento da ciência e, antes, as mudanças que resultaram na constituição da ciência

7.2.3.7.          Elaborar a sociologia como um instrumento superior (às ciências inferiores, ou ciências “naturais”) para o entendimento da realidade pelo ser humano

7.2.3.8.          Elaborar a sociologia como um instrumento para lidar (e resolver) os problemas sociais

7.2.4. É importante indicar que todas essas reflexões prévias sobre as ciências inferiores são, ao mesmo tempo, filosóficas e sociológicas, por um lado, e estáticas e dinâmicas, por outro lado; em outras palavras, ao mesmo tempo em que refletia sobre a cientificidade em geral e a cientificidade de cada uma das ciências em particular, nosso mestre levava em consideração a história de cada uma das ciências e como ela contribuiu (e contribui) para o desenvolvimento humano em geral

7.2.4.1.          O exame histórico-filosófico presente no Sistema de filosofia positiva é um exame sociológico: não se trata de fazer como fazem os historiadores profissionais de modo geral (e os metafísicos em particular), que reduzem a história à mera sucessão de eventos (com alguma interligação entre eles): a historicidade para o Positivismo é sociológica, em que uma determinada conjuntura social prepara as seguintes, assim como é preparada pelas anteriores; essa maneira de encarar a realidade social foi chamada por nosso mestre de “filiação histórica”

7.2.5. O exame das ciências inferiores serviu então, ao mesmo tempo, como (1) preparação para a ciência social, (2) aplicação prática da nascente ciência social e (3) aplicação do método subjetivo (que só seria desenvolvido mais tarde, a partir do v. 1 do Sistema de política positiva, de 1851)

7.2.5.1.          Deveria ser mais notado que o exame sociológico-filosófico das ciências (no Sistema de filosofia positiva, de 1830 a 1842) ocorreu depois da publicação dos Opúsculos de filosofia social (escritos entre 1819 e 1828), em particular após as duas edições do Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade (1822 e 1824): em outras palavras, a filosofia das ciências desenvolveu-se depois (e bem depois) da fundação da sociologia

7.2.6. Sem esgotar as possibilidades de entendimento do Sistema de filosofia positiva, devemos ter clareza então de que ele não é e jamais se buscou ser um “resumo” da ciência da época de Augusto Comte: é simplesmente por isso que ele não é “datado”

7.3.   Vejamos agora, mais uma vez, por que o Positivismo não é um cientificismo

7.3.1. O cientificismo pode ser entendido como uma série de posturas e de comportamentos que mitificam a ciência, e/ou que a entendem de maneira absoluta

7.3.1.1.          A absolutização da ciência ocorre (1) quando a ciência investiga questões absolutas, ou seja, quando persegue objetivos metafísicos (ou melhor, objetivos teológicos), disfarçados de científicos, (2) quando a ciência recusa-se a submeter-se a apreciações morais e sociais e/ou (3) quando a ciência assume a postura de ser um fim em si mesma

7.3.1.1.1.              É importante notar que a idéia da “ciência pura” (em oposição à “ciência aplicada”) é tipicamente uma concepção que justifica a ciência pela ciência

7.3.1.2.          Quando se afirma que somente os procedimentos analíticos, materialistas, intelectualistas correspondem à verdade, está-se diante do cientificismo

7.3.1.3.          Uma outra possibilidade de cientificismo é a afirmação das ciências inferiores sobre as ciências superiores e sobre a realidade humana em geral (trata-se, portanto, de uma combinação de imperialismo filosófico com reducionismo e materialismo e também com prepotência política)

7.3.1.4.          De maneira mais específica, o cientificismo afirma a superioridade moral, intelectual e prática da inteligência sobre os sentimentos e sobre a atividade prática

7.3.1.4.1.              Esse é o mito da “Razão”, que todos aqueles que alimentam venenosos, cômodos e convenientes preconceitos contra o Positivismo atribuem a nós

7.3.1.4.2.              O Positivismo não endeusa a “Razão” nem atribui ao racionalismo (ou à inteligência) a superioridade na organização geral do ser humano (bem ao contrário, a inteligência está abaixo dos sentimentos e da atividade prática, sendo instrumentos deles)

7.3.1.5.          O cientificismo também é altamente intelectualista e analítico e põe-se contra uma série de recursos e possibilidades humanas que o Positivismo desenvolve: as apreciações filosóficas; as elaborações artísticas; a aplicação do método subjetivo; a definição, incorporação e aplicação do neofetichismo, com a elaboração da Trindade Positiva

7.3.2. Associado ao cientificismo com enorme freqüência está o academicismo, que são as posturas e os comportamentos que mitificam os comportamentos próprios à academia

7.3.2.1.          Assim, quando se afirma (ou quando se considera) que somente o que se faz na academia é aceitável, ou correto, ou verdadeiro, isso é tanto academicista quanto cientificista

7.3.2.2.          A combinação da prepotência teórica cientificista com a prepotência prática do academicismo conduz à pedantocracia, que nos dias atuais é chamada, de maneira limitada, de “tecnocracia”

7.3.3. O cientificismo é intelectualista, estritamente racionalista, recusa a superioridade sobre si dos sentimentos e da atividade prática: tudo isso é o oposto do que afirma e pratica o Positivismo; logo, não faz sentido nem é justo atribuir-nos o caráter de cientificista

7.3.3.1.          Essa acusação só faz algum sentido devido a dois motivos: (1) o sucesso da primeira grande obra de nosso mestre, o Sistema de filosofia positiva, que para o conhecimento (acadêmico) vulgar parece apenas um longo resumo e um longo elogio das ciências (em particular das ciências inferiores); (2) o sucesso da propaganda de Émile Littré, que era realmente cientificista (por exemplo, ele negava e desprezava o método subjetivo), e que disseminou uma versão caricata do Positivismo (Stuart Mill também colaborou nesse sentido, difundindo sua própria versão caricata do Positivismo)

7.4.   Devemos agora considerar se há necessidade e/ou espaço para considerações prévias às leis naturais

7.4.1. No início de sua carreira, como parte de seu amadurecimento, nosso mestre foi um tanto ambíguo a respeito: por um lado ele criticava as exposições científicas precedidas por apreciações filosóficas; mas, por outro lado, ele sempre fez considerações histórico-filosóficas sobre as ciências, sobre seu desenvolvimento e seu papel na sociedade; essas considerações, aliás, tornaram-se cada vez maiores, passando de prefácios e capítulos introdutórios (o “Prefácio” ao Curso de astronomia popular, os dois primeiros capítulos do Sistema de filosofia positiva) para volumes inteiros (o Discurso sobre o espírito positivo, o Discurso sobre o conjunto do Positivismo)

7.4.1.1.          Mas o fato é que nosso mestre, aprofundando suas reflexões históricas, filosóficas e morais, com o passar do tempo deu-se conta de que era realmente necessário sistematizar uma preparação filosófica para o estudo das ciências

7.4.1.2.          Tal sistematização, para além dos livros filosóficos, realizou-se na forma da “Filosofia Primeira”, que nosso mestre apenas esboçou

7.4.2. Em que consiste a Filosofia Primeira e por que ela foi apenas “esboçada”?

7.4.2.1.          A Filosofia Primeira corresponde às leis gerais de todos os fenômenos: são os princípios válidos para todas as leis científicas e, bem vistas as coisas, para o entendimento humano em geral

7.4.2.2.          As leis da Filosofia Primeira consistem de princípios descritivos (o que é) e prescritivos (como deve ser), objetivos (relativos às coisas) e subjetivos (relativos ao ser humano), morais e históricos

7.4.2.3.          A título de exemplos, consideremos duas leis, as de n. 1 e n. 7:

7.4.2.3.1.              A primeira é a mais importante e, por isso, é chamada de “lei-mãe”: “Formar a hipótese mais simples e mais simpática que comporta o conjunto dos dados a representar”

7.4.2.3.2.              A sétima é a lei intelectual dos três estados: “Cada entendimento oferece a sucessão dos três estados, fictício, abstrato e positivo, em relação às nossas concepções quaisquer, mas com uma velocidade proporcional à generalidade dos fenômenos correspondentes”

7.4.2.4.          Em termos contemporâneos, pode-se dizer que a Filosofia Primeira apresenta a “epistemologia” do Positivismo, embora essa expressão não seja muito adequada nem muito correta (por ser muito academicista, muito cientificista e porque a “epistemologia” positivista não está toda ela contida na Filosofia Primeira)

7.4.3. A Filosofia Primeira é composta por 15 princípios, ou leis; nosso mestre organizou essas leis, mas não redigiu nenhuma obra explicando-as ou aplicando-as; o primeiro trabalho nesse sentido foi de Pierre Laffitte (Curso de filosofia primeira, de 1889), mas, francamente, o de Teixeira Mendes (As últimas concepções de Augusto Comte, de 1898) é muito superior

7.4.3.1.          A exposição de Teixeira Mendes é superior à de Laffitte não apenas porque a compreensão do nosso apóstolo era realmente superior à do autointitulado “diretor do Positivismo”, como porque Teixeira Mendes integrou o neofetichismo à Filosofia Primeira, em particular no sentido de indicar que o Grão-Meio (o Espaço) é o âmbito abstrato no qual tem lugar as leis da Filosofia Primeira

7.4.4. A Filosofia Primeira é a primeira de três “filosofias”:

7.4.5. A Filosofia Primeira contém as leis gerais a todos os fenômenos

7.4.6. A Filosofia Segunda apresenta as leis específicas aos graus de abstração (são as leis naturais habituais)

7.4.7. Por fim, há a Filosofia Terceira, que consiste na aplicação prática dos princípios abstratos e nas regras práticas – grosso modo, são as “tecnologias”

7.4.7.1.          Colocamos entre aspas a palavra “tecnologia”, acima, porque essa expressão é aceitável apenas para as ciências inferiores (da Matemática à Química, mais a Biologia); no que se refere às ciências superiores (a Sociologia e a Moral), a mera noção de tecnologias derivadas das ciências é inadequada, incorreta e imoral

7.4.7.1.1.              A aplicação prática (ou a Filosofia Terceira) correspondente à Sociologia é a política positiva: o Positivismo rejeita a concepção de aplicações técnicas, “tecnológicas”, da Sociologia; a Sociologia é um guia geral para a política, não um conhecimento a ser aplicado com planilhas e pranchetas

7.4.7.1.2.              Já a aplicação prática da Moral são a pedagogia e o aconselhamento – e a respeito de ambos o Positivismo também rejeita a concepção de aplicações “técnicas”

7.5.   Na próxima prédica daremos continuidade à presente exposição, passando a tratar das leis naturais das ciências particulares (ou seja, trataremos da Filosofia Segunda)

8.     Término da prédica

 

Referências

- Auguste Comte (franc.), Síntese subjetiva (Paris, Exécution Téstamentaire d’Auguste Comte, 2ª ed., 1900): https://archive.org/details/lasynthsesubjec00comtgoog.

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Bachelier, 1838), v. 3, 45e leçon (“Considérations générales sur l’étude positive des fonctions intellectuelles et morales, ou cérébrales”).

- Augusto Comte (franc.), Sistema de política positiva (Paris. J.-B. Baillière, 4ª ed., 1880): https://archive.org/details/systmedepoliti01comt.

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- José Lonchampt (port.), Ensaio sobre a oração (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1896; catálogo da IPB, n. 165): https://archive.org/details/n.-165-jose-lonchampt-ensaio-sobre-a-oracao.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up

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