No dia 22 de Gutenberg de 172 (3.9.2026) realizamos uma Live AOP com Hernani Gomes da Costa.
Na ocasião, nosso confrade realizou uma apreciação do lamentável livro A era cientificista.
Infelizmente publicado com recursos públicos e contando, portanto, com endosso oficial (no caso, do Senado Federal), o livro mereceu uma resenha oral não por seus méritos, mas por ser uma combinação notável e exemplar de defeitos. Muito, muito longe de esgotar os seus problemas, podemos indicar desde já os seguintes:
- ao pretender tratar do Positivismo em geral e do Positivismo brasileiro em particular, o autor não leu nada de Augusto Comte;
- não leu nada dos próprios positivistas (a começar por Miguel Lemos e Teixeira Mendes);
- usou e abusou (muito!) de citações de segunda, terceira e quarta mão;
- escondendo-se atrás de uma pretensa objetividade, reproduziu todos os preconceitos antipositivistas (e criou outros!), mesmo quando os positivistas tinham (e têm) razão, mesmo quando os preconceitos antipositivistas foram emitidos por pessoas profundamente preconceituosas (racistas, higienistas, misóginas, autoritárias, eurocêntricas etc.) com quem, aliás, o autor concordou em todas as ocasiões;
- foi absolutamente incapaz de definir o Positivismo (embora, de maneira arbitrária e contrária às evidências, tenha-o identificado com o cientificismo (e todos os defeitos intelectuais que o autor e o academicismo escolheram));
- definiu um período radical e completamente arbitrário para a exposição (1870 a 1904, em vez de, mais razoavelmente, 1881 a 1927); etc. etc. etc.
Em suma, o livro é exemplar pelo conjunto de seus defeitos intelectuais, científicos e morais; ao mesmo tempo, é exemplar de todos os vícios academicistas. É de fato uma realização notável o que o autor conseguiu.
A Live AOP em questão foi transmitida no canal Positivismo e está disponível aqui: https://youtube.com/live/oy-FQxth708.

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