26 novembro 2025

A bandeira nacional – amor, ordem, progresso

No dia 21 de Frederico de 171 (25.11.2025) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (em sua Segunda Parte - Conduta dos positivistas em relação aos retrógrados).

No sermão abordamos a proposta de inclusão da palavra "amor" na bandeira nacional republicana brasileira, conforme o projeto de lei n. 5883/2025, de autoria do Deputado Federal Chico Alencar.

Também abordamos uma série de eventos adicionais que ocorreram nos dias imediatamente anteriores à prédica e que merecem referência:

- a marca de 600.000 visitas a este blogue Filosofia Social e Positivismo

- a proposta de Black Friday Altruísta

- a promulgação da Lei n. 15.263/2025, a "Lei da Linguagem Simples"

- o trânsito em julgado da ação contra o fascista ex-Presidente da República e seus asseclas.

 A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/RD64riy8P4g) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/2665640560436238).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.

*   *   *

A bandeira nacional – amor, ordem, progresso

(21 de Frederico de 171/25.11.2025) 

1.      Abertura da prédica

2.      Datas e celebrações:

2.1.   Dia 20 de Frederico (24.11): transformação de Henrique Oliveira (2002 – 23 anos)

2.2.   Dia 21 de Frederico (25.11): nascimento de Miguel Lemos (1854 – 171 anos)


3.      No dia 25 de novembro – hoje! – o nosso blogue Filosofia Social e Positivismo ultrapassou a marca de 600.000 visualizações! (A marca anterior, de meio milhão, foi atingida em 18 de março de 2025, ou seja, há seis meses)

4.      Black Friday Altruísta:

4.1.   No dia 28 de novembro ocorrerá aqui no Brasil, espelhando os Estados Unidos, a Black Friday, que é um dia de grandes descontos comerciais; para os consumidores é de fato uma grande oportunidade, mas é ao mesmo tempo um grande estímulo ao consumismo e ao egoísmo

4.2.   Assim, propomos que, além dos gastos com a Black Friday, façam-se também doações e auxílios: será a Black Friday Altruísta

4.3.   Além disso, é claro que apelamos para que, na Black Friday Altruísta, também se façam doações para a Igreja Positivista Virtual, via Pix Positivo (ApostoladoPositivista@gmail.com)


5.      Promulgação da Lei n. 15.263/2025 (chamada de “Lei da Linguagem Simples”), em 14 de novembro de 2025

5.1.   Há dois motivos principais para celebração dessa lei:

5.1.1.     Trata-se de um verdadeiro marco republicano e de um avanço sociopolítico importante, que respeita como cidadã a população comum e o papel de comunicação da linguagem;

5.1.2.     Em decorrência dos aspectos acima, no seu Art. 5º, inc. XI, essa lei rejeita a linguagem identitária, equivocadamente chamada de “linguagem neutra” e que apresenta uma quantidade enorme de problemas morais, intelectuais e práticos

5.2.   Vale notar que a simplicidade da linguagem, com vistas à compreensão do comum do povo e à comunicação efetiva, sempre foi uma preocupação dos positivistas: assim, tanto Miguel Lemos e Teixeira Mendes escreviam com grande clareza e propuseram uma simplificação da língua portuguesa quanto nós, em nossas prédicas e em nossas anotações, procuramos ser o mais claros possível

6.      Trânsito em julgado da ação contra golpistas e encarceramento oficial e definitivo de Jair Bolsonaro, pelo prazo de 27 anos e três meses

6.1.   De uma perspectiva da normalidade social e política, o fato de o terceiro ou quarto ex-Presidente da República ser encarcerado é motivo de preocupação e tristeza

6.2.   Dito isso, na medida em que esse ex-Presidente em particular passou todo o seu mandato tramando um golpe de Estado, desprezando a população, prevendo uma violenta guerra civil, estimulando o ódio, a violência e o clericalismo, além de muitos outros atos detestáveis; na medida também em que esse ex-Presidente foi encarcerado após o trânsito em julgado de um processo judicial feito às claras, com o respeito escrupuloso ao devido processo legal, cremos que é realmente motivo de comemoração ele ter sido encarcerado e sua pena de 27,25 anos finalmente ter início

7.      Leitura comentada do Apelo aos conservadores

7.1.   Antes de mais nada, devemos recordar algumas considerações sobre o Apelo:

7.1.1.     O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

7.1.2.     O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

7.1.3.     Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

7.2.   Outras observações:

7.2.1.     Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

7.2.2.     O capítulo em que estamos é a “Segunda Parte”, cujo subtítulo é “Conduta dos conservadores em relação aos retrógrados”

7.3.   Passemos, então, à leitura comentada do Apelo aos conservadores!

8.      Exortações

8.1.   Sejamos altruístas!

8.2.   Façamos orações!

8.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

8.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

9.      Celebração da bandeira nacional e amor, ordem e progresso

9.1.   Na semana passada, quando planejamos estes comentários sobre a bandeira nacional, queríamos que eles fossem breves

9.1.1.     Na verdade, o que nos interessava inicialmente era apenas fazer uma rápida e simples homenagem à bandeira, a Teixeira Mendes (que a elaborou) e a Décio Villares (que a pintou originalmente), por ocasião do Dia da Bandeira (15 de Frederico/19 de novembro)

9.1.2.     Entretanto, como surgiu no debate público uma vez a proposta de inclusão da palavra “amor” na bandeira – agora, na forma de um projeto de lei, elaborado pelo Deputado Federal Chico Alencar –, consideramos que algumas considerações são necessárias

9.1.3.     Dessa forma, estes breves comentários terão três partes:

9.1.3.1.           Homenagem a Teixeira Mendes e Décio Villares

9.1.3.2.           Crítica à atuação de Chico Alencar e seu “Movimento Amor na Bandeira”

9.1.3.3.           Considerações sobre o mérito da inclusão do “amor” na bandeira

9.2.   Homenagem a Teixeira Mendes e a Décio Villares

9.2.1.     Teixeira Mendes foi o autor da concepção da bandeira e Décio Villares foi o artista que pintou o protótipo; o astrônomo Manuel Pereira Reis ajudou na idealização do céu de 15 de novembro de 1889

9.2.1.1.           A bandeira nacional republicana é a face mais visível e onipresente da atuação dos positivistas – mas, bem entendido, não é a única –, correspondendo ao símbolo por excelência do Brasil

9.2.2.     A bandeira republicana é verdadeiramente histórica e altruísta, que realiza o “conservar melhorando” e o “Ordem e Progresso”, ao inserir sobre a base imperial elementos da República, ou seja, o desenvolvimento histórico sobre a permanência social

9.2.3.     A bandeira republicana é verdadeiramente nacional, contra a proposta liberal de Rui Barbosa e de seus asseclas, e que queriam adotar uma cópia servil da bandeira dos EUA

9.2.4.     A bandeira republicana é progressista, ao afinal de contas incluir o “Ordem e Progresso”

9.2.5.     Teixeira Mendes e os positivistas abordaram esses temas em várias ocasiões, de maneira pública e clara, como se pode ver por exemplo nestas três publicações:

9.2.5.1.           Raimundo Teixeira Mendes (port.), Benjamin Constant. Esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do fundador da República Brasileira (Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1936, 3ª ed.): https://bibdig.biblioteca.unesp.br/items/18902d7e-c4aa-4199-aa85-d81e3a4d82f6

9.2.5.2.           Raimundo Teixeira Mendes (port.), A bandeira nacional (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1958, 3ª ed.): https://archive.org/details/n.110abandeiranacional

9.2.5.3.           Luiz Hildebrando de Horta Barbosa (port.): “A bandeira republicana e sua história” (Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro, jan.1951): https://archive.org/details/luiz-hildebrando-de-horta-barbosa-bandeira-republicana-e-sua-historia/mode/2up

9.3.   Sobre a proposta feita por Chico Alencar de mudar a bandeira nacional:

9.3.1.     Antes de mais nada, é necessário reconhecermos que, lamentavelmente, temos que fazer algumas considerações críticas em um momento em que desejávamos apenas sermos afirmativos e plenamente generosos

9.3.2.     O Deputado Federal Chico Alencar (do Partido Socialismo e Liberdade, eleito pelo estado do Rio de Janeiro) protocolizou em 18 de novembro de 2025 (portanto, na véspera do Dia da Bandeira) o Projeto de Lei n. 5.883/2025, propondo que se mude a bandeira nacional, incluindo a palavra “Amor” antes do “Ordem e Progresso”[1]

9.3.2.1.           A proposta do Deputado Alencar é generosa; há vários anos ele manifesta-se nesse sentido e, considerando a nossa agressiva época, a proposta é razoável e até merece apoio

9.3.2.2.           Alencar integra um “Movimento Amor na Bandeira”, de composição bastante heterogênea, existente desde pelo menos 2021 e que, lamentavelmente, exclui conscientemente os positivistas[2]

9.3.3.     Deixando para entrar daqui a pouco no mérito da questão, o fato é que, lamentavelmente, para fazerem e justificarem sua proposta de alteração da bandeira, Alencar e seu movimento difundem conscientemente muitos erros, preconceitos e desinformações, seja sobre o Positivismo, seja sobre os positivistas, seja sobre a história do Brasil

9.3.3.1.1.                Alencar e esse grupo referem-se obrigatoriamente ao Positivismo, a Augusto Comte, a Teixeira Mendes e à história nacional, mas muitas das observações que eles fazem sobre o Positivismo e os positivistas estão totalmente erradas e que correspondem a esforços sistemáticos de desinformação da parte de diversos grupos sociais e políticos (de esquerda mas também de direita!)

9.3.3.1.2.                Assim, não é por acaso que desde novembro de 2021 até a data de hoje (25.11.2025) eles recusaram-se a ouvir os positivistas; da minha parte, em diversas ocasiões tentei entrar em contato, com pouco ou nenhum sucesso

9.3.3.1.2.1.                      Vale notar que nos últimos dias nossa amiga Sandra Fernandes tentou entrar em contato com a assessoria parlamentar do Deputado Chico Alencar, especialmente via Whattsapp; ela teve um limitado sucesso – limitado, mas, considerando que eu mesmo não tive sucesso nenhum até então, já foi alguma coisa

9.3.3.1.2.2.                      Dito isso, após muitos e muitos esforços de contato, realizados nos mais variados canais (correio eletrônico, Whattsapp via texto, Whattsapp via gravação de voz, Instagram, Facebook), no meio da tarde de hoje (dia 25.11.2025) tivemos afinal uma resposta da assessoria de Chico Alencar – resposta genérica, com a pergunta “como podemos ajudar?”, mas, enfim, após quatro anos e uma semana, alguma resposta

9.3.3.1.2.3.                      Parece-nos que o argumento definitivo que convenceu a assessoria do Deputado Chico Alencar a entrar em contato conosco foi, lamentavelmente, o do “lugar de fala”

9.3.3.2.           De qualquer maneira, em virtude da apresentação do PL 5883/2025 e antes de que, afinal, os assessores do Deputado Chico Alencar entrassem em contato conosco, redigimos um artigo para o jornal Monitor Mercantil, que foi publicado justamente no dia de hoje, ou seja, 25.11.2025

9.3.3.2.1.                Esse artigo intitula-se “Cancelamento do positivismo: da academia à bandeira nacional” e está disponível aqui: https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/monitor-mercantil-cancelamento-do.html

9.3.4.     Como se lê na internet[3], a breve justificativa do Projeto de Lei n. 5883/2025 é a seguinte:

A forma original do Pavilhão Nacional foi idealizada por Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos. O professor Manuel Pereira Reis foi o responsável pela organização das estrelas em nossa bandeira, e o desenho foi executado por Décio Villares. Muitos talentos e uma só posição filosófica: o Positivismo.

Essa corrente filosófica ganhou muita força no cenário intelectual e republicano brasileiro à época da Proclamação da República, o que acarretou a adoção do dístico que hoje vemos estampado na Bandeira Nacional, na forma aprovada pelo Decreto n° 4, de 19 de novembro de 1889.

Nesse momento histórico da Nação, o lema positivista - o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim - foi resumido na expressão “Ordem e Progresso”, conforme escreveu Teixeira Mendes em sua apreciação filosófica sobre a Bandeira.

Tal redução fez perder a essência do lema original, que procura resumir o positivismo como a religião do amor, a religião da ordem ou a religião do progresso. Em outras palavras: o amor procura a ordem e leva ao progresso; a ordem consolida o amor e dirige o progresso; o progresso desenvolve a ordem e conduz ao amor.

A presente proposição pretende resgatar a essência do lema original do Positivismo nos dizeres da Bandeira Nacional, pelo que peço o apoio dos nobres Pares.

9.3.4.1.           De maneira notável, a proposta acima conjuga afirmações corretas com afirmações profundamente erradas, tanto em termos teórico-filosóficos quanto empírico-históricos e até morais

9.3.5.     De maneira específica, quais os erros difundidos pelo “Movimento Mudar a Bandeira” e, por extensão, por Chico Alencar?

9.3.5.1.           Do ponto de vista teórico-filosófico, afirma-se que o “Ordem e Progresso” seria uma corrupção da máxima fundamental do Positivismo, “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”

9.3.5.2.           Do ponto de vista empírico-histórico, afirma-se que o autor da bandeira, Raimundo Teixeira Mendes, ao “resumir” a fórmula completa, teria suprimido o “amor” por medo dos militares que proclamaram a República

9.3.5.3.           Há problema político geral na atuação do “Movimento Mudar a Bandeira”, que consiste em propor a mudança da bandeira ignorando, ou melhor, desprezando as concepções daqueles que elaboraram filosoficamente essa bandeira

9.3.5.4.           Ainda no âmbito empírico-histórico, há o pressuposto de que a Proclamação da República foi meramente uma quartelada realizada por brucutus, militares ansiosos em desprezar e submeter os civis

9.3.5.5.           Assim, a proposta de mudança da bandeira, em sua justificativa e em seus procedimentos, faz uma barafunda de muitas coisas ruins e algumas boas: ignorância e desprezo pelo Positivismo e pelos positivistas; ignorância sobre a Proclamação da República, seus membros, seus ideais; mistificação sobre a monarquia; rejeição ao militarismo (em particular ao de 1964)

9.3.6.     O que há de errado nas afirmações acima?

9.3.6.1.           A máxima “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim” é, sim, a máxima fundamental do Positivismo e tem um caráter geral, ou seja, religioso

9.3.6.1.1.                É claro que a frase “O amor por princípio...”, sendo religiosa, é mais densa e profunda que o simples “Ordem e progresso”

9.3.6.1.2.                Todavia, o “Ordem e progresso” não é um resumo da outra frase, tendo existência por si só, ao representar ideais sociopolíticos

9.3.6.1.3.                Como se pode ler no Apelo aos conservadores (que é de 1855), ainda que estreitamente vinculadas, as duas frases têm âmbitos diferentes e, daí, redações diferentes, relativas a situações diferentes

9.3.6.1.4.                O “Ordem e Progresso” não sendo um resumo do “Amor por princípio”, sua formulação não corresponde a uma supressão do “amor”

9.3.6.1.5.                A conclusão é bastante direta: o “Ordem e progresso”, portanto, não é uma corrupção teórica do “Amor por princípio...”

9.3.6.2.           Por outro lado, quando ocorreu a Proclamação da República, Teixeira Mendes projetou por iniciativa pessoal e independentemente do governo provisório uma bandeira; esse projeto foi em seguida encaminhada ao governo provisório republicano por intermédio de Benjamin Constant

9.3.6.2.1.                A proposta de Teixeira Mendes tinha clara e conscientemente, desde o início, apenas o “Ordem e Progresso”

9.3.6.2.2.                Como Benjamin Constant era uma pessoa gentil, pacífica, convergente e extremamente respeitada, a proposta de Teixeira Mendes foi aceita

9.3.6.2.3.                Portanto, a proposta de Teixeira Mendes não foi elaborada por um covarde submetido a brucutus em meio a uma quartelada, que, por seu turno, teriam vetado (por algum motivo escalafobético e indeterminado) o “amor” na bandeira

9.3.6.3.           É importante reforçar algo que temos dito nas últimas semanas:

9.3.6.3.1.                A Proclamação da República, ao contrário dos mitos difundidos pelos monarquistas, pelos liberais conservadores e pelos marxistas, não correspondeu a uma quartelada realizada por brucutus sequiosos de humilhar o povo, os civis e de impor sua vontade arbitrária

9.3.6.3.2.                A República correspondeu, sim, à realização de anseios populares, de toda a população brasileira, afirmados havia décadas (na verdade, mais de um século), para o progresso social e político, contra o violento, agressivo, retrógrado e crescente passivo social e político do Império

9.3.6.3.3.                O mito da República como quartelada corresponde à crítica dos monarquistas, serviu para legitimar os golpes de Getúlio Vargas em 1930 e 1937, os golpes fascistas de 1937 e 1964 e para a crítica marxista geral contra tudo o que não é marxista, desde 1922

9.3.6.3.4.                Como se vê, a crítica à República – ou seja, ao ideal republicano em geral e ao movimento que resultou em 15 de novembro de 1889 na Proclamação da República – tem graves conseqüências práticas e, por isso, tenho-o abordado nas últimas semanas, como se vê aqui e aqui

9.3.6.4.           No que se refere aos positivistas sermos ouvidos sobre a proposta de alteração da bandeira, trata-se de ao mesmo tempo (1) de uma questão de respeito filosófico, (2) de respeito à cidadania, (3) de respeito à história política nacional e (4) de adequada elaboração de uma proposta de lei

9.3.6.4.1.                A recusa do “Movimento Mudar a Bandeira” em ouvir os positivistas a respeito da proposta e dos graves e profundos problemas que vimos indicando, muito mais que nos desprezar, tem o efeito de envenenar na raiz a proposta feita, na medida em que nega na prática os sentimentos que alega promover: trata-se, portanto, de incoerência e hipocrisia

9.3.6.4.2.                A degradação geral e contemporânea dos sentimentos republicanos, fraternos e altruístas é evidenciada tanto pela recusa do “Movimento Mudar a Bandeira” em ouvir os positivistas quanto pelo fato de que o argumento decisivo para que a assessoria do Deputado Chico Alencar entrasse afinal em contato conosco fosse o do “lugar de fala” – que, por sua vez, é um instrumento para promover, de maneira velada e politicamente aceitável, a censura e o crime de blasfêmia

9.3.7.     Para concluirmos esta seção:

9.3.7.1.           É importante afirmarmos com clareza que nada do que comentamos acima invalida em si a proposta feita pelo Deputado Chico Alencar; nada do que comentamos acima nos põe em princípio contra essa proposta

9.4.   Sobre o mérito da inclusão do “Amor” na bandeira

9.4.1.     É uma proposta generosa, que corresponde a necessidades humanas em geral e a exigências políticas nacionais e universais urgentes

9.4.1.1.           Nesse sentido, devemos reconhecer que o Deputado Chico Alencar, apesar dos pesares, elaborou uma proposta altruísta e que empiricamente se aproxima do Positivismo e da positividade

9.4.2.     Deixando convictamente o degradante mito de que o “Ordem e Progresso” é falho ou que é corrompido e, portanto, deixando de lado o mito de que o “Ordem e Progresso” deve por si só ser abandonado, a inclusão do “amor” de fato aproxima a bandeira mais do ideal positivista e orienta de maneira mais direta os sentimentos individuais e coletivos

9.4.3.     Convém notar que, ainda que ambiguamente, a inclusão do amor permite que algumas das interpretações historicamente erradas sobre o “Ordem e Progresso” sejam postas de lado, em particular aquelas que, à direita e à esquerda, afirmam que só pode haver progresso se houver antes a ordem (sendo que a ordem deve ser autoritária, capitalista etc.)

9.4.4.     A bandeira de Teixeira Mendes é inteiramente positivista e ortodoxa, mas, ao mesmo tempo, ela é uma criação inteiramente sua; as indicações de Augusto Comte sobre as bandeiras republicanas e positivistas definitivas seguem outros parâmetros, com a inclusão do “Viver às claras” e “Viver para outrem” em vez do “Ordem e Progresso”; nesse sentido, a inclusão do “amor” não vai contra a ortodoxia positivista

10.  Término da prédica

 

Referências

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Société Positiviste, 5e ed., 1893).

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “A República foi mesmo só mais um golpe?” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 17.11.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/monitor-mercantil-republica-foi-so-um.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “Cancelamento do Positivismo: da academia à bandeira nacional” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 25.11.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/monitor-mercantil-cancelamento-do.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “Recuperar e revalorizar a 1ª República” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 13.10.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/10/recuperar-e-revalorizar-1-republica.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Prédica positiva “A República foi mesmo só mais um golpe?” (Igreja Positivista Virtual, Curitiba, 14.Frederico.171/18.11.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/a-republica-foi-so-um-golpe.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Prédica positiva “Recuperar e revalorizar a 1ª República” (Igreja Positivista Virtual, Curitiba, 14.Descartes.171/21.10.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/10/recuperar-e-revalorizar-i-republica.html.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Luiz Hildebrando de Horta Barbosa (port.): “A bandeira republicana e sua história” (Revista do Serviço Público, Rio de Janeiro, jan.1951): https://archive.org/details/luiz-hildebrando-de-horta-barbosa-bandeira-republicana-e-sua-historia/mode/2up.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), A bandeira nacional (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1958, 3ª ed.): https://archive.org/details/n.110abandeiranacional.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), Benjamin Constant. Esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do fundador da República Brasileira (Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1936, 3ª ed.): https://bibdig.biblioteca.unesp.br/items/18902d7e-c4aa-4199-aa85-d81e3a4d82f6.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.

Monitor Mercantil: Cancelamento do Positivismo, da academia à bandeira

No dia 21 de Frederico de 171 (25.11.2025) o jornal carioca Monitor Mercantil publicou o nosso artigo "Cancelamento do Positivismo: da academia à bandeira nacional".

Aliás, considerando o tema desse artigo, devemos manifestar aqui o nosso profundo agradecimento pelo jornal Monitor Mercantil, que há cerca de um ano e meio abriu-nos as portas para que, contra o cancelamento do Positivismo, pudéssemos manifestar nossas opiniões.

Reproduzimos abaixo o texto. O original está disponível aqui: https://monitormercantil.com.br/cancelamento-do-positivismo-da-academia-a-bandeira-nacional/.

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Bandeira do Brasil - Ordem e Progresso (foto de André Maceira, CC).


Cancelamento do positivismo: da academia à bandeira nacional

A regra sobre o positivismo é o cancelamento, que começa na academia e descamba para a política prática. Por Gustavo Biscaia de Lacerda.


Em diversas ocasiões apresentamos nesta página reflexões a partir do positivismo, às vezes fazendo comentários sobre ele. Desta vez temos que comentar diretamente o tratamento dispensado ao positivismo – que, para usar uma gíria atual, consiste em um cancelamento sistemático, que começa nas universidades e rapidamente descamba para a política prática.

Antes de mais nada, lembremos que o positivismo é uma das mais importantes filosofias, políticas e religiões; tratar dele – e com honestidade! – não é questão de gosto ou preferência pessoal ou filosófica. Ele é referência básica quando se trata de ciências humanas, e é impossível tratar da história do Brasil sem que se refira também a ele.

Além disso, a filosofia, a política e a religião criada por Augusto Comte afirma com todas as letras o pacifismo, a fraternidade universal e o universalismo de vistas, bem como o caráter social da República e o respeito digno e escrupuloso com os grupos sociais frágeis. Assim, deveria ser evidente que o positivismo seja lido e ouvido, pelo menos para que a discordância com ele seja baseada no efetivo conhecimento; mas com ele ocorre o clássico “não conheço, não li e não gosto”.

No ambiente acadêmico há um senso comum crítico que afirma que nada é puramente intelectual, havendo também sempre interesses políticos e sociais envolvidos. Essa ideia tem graves problemas intelectuais e políticos, mas ela torna-se bastante evidente quando é posta em prática por pesquisadores que fazem questão dela.

Os livros de coletâneas revelam em particular esses aspectos. As coletâneas têm várias utilidades; fiquemos com indicar os temas que devem ser abordados (que “prestam”) e quais os autores autorizados a falar do que quer que seja (que merecem ter prestígio).

Consideremos três cientistas sociais brasileiros consagrados: Lília Schwarcz, Celso Castro e Christian Lynch. Nos últimos 15 anos, cada um deles organizou numerosas coletâneas: Schwarcz organizou Um enigma chamado Brasil, Dicionário da República, Agenda brasileira, Cidadania: um projeto em construção; Castro organizou Além do cânone, Textos básicos de sociologia, Introdução às ciências sociais; Lynch organizou Interpretações do Brasil, Pensamento político brasileiro, Visões da independência.

Poderíamos citar outros pesquisadores; mas esses três conjugam a intensa atividade acadêmica com o profundo conhecimento teórico e empírico – incluindo sobre o positivismo.

Em face da importância intelectual e prática do positivismo, esses dez livros com uma profusão de autores e temas deveriam apresentar muitas referências a Comte, Benjamin Constant, Teixeira Mendes, Ivan Lins, Pereira Barreto, Laffitte, Rondon etc., bem como sobre republicanismo, bandeira nacional, filosofia das ciências, teoria do Brasil, abolição, trabalhismo, indigenismo etc. Aliás, não apenas “referências”, mas artigos e capítulos dedicados a isso. Ora, não há nada nesses livros que se refira ao positivismo. Nada.

Apesar da importância do positivismo para as ciências humanas e para a história do Brasil, os organizadores das coletâneas acima decidiram, de maneira muito consciente, que o positivismo não merece ser tratado ou abordado, assim como pesquisadores positivistas não merecem a dignidade de integrar coletâneas. Não se pode dizer que essas ausências se devam à ignorância dos organizadores; com certeza eles rejeitariam ser tratados como ignorantes.

Se a ciência não é apenas intelectual, mas tem profundos aspectos políticos, as decisões dos três pesquisadores acima são motivadas não somente por preferências filosóficas, mas também por interesses políticos. Ausência de referências, impossibilidade de manifestação, silenciamento de perspectivas: isso tem efeitos intelectuais e práticos. Por meio das coletâneas acima, decidiu-se que o positivismo não deve ser conhecido nem ouvido: ele não pode existir. Segundo a gíria identitário-digital, trata-se do mais puro cancelamento.

Essas práticas acadêmicas têm consequências políticas muito diretas e palpáveis. A mais recente consiste no Projeto de Lei 5.883/2025, de autoria do deputado federal Chico Alencar, protocolizado no dia 18 de novembro, em que o carioca propõe que se mude a bandeira nacional, incluindo a palavra “Amor” antes do “Ordem e Progresso”.

A proposta do deputado Alencar é generosa e, considerando a nossa agressiva época, faz sentido e até merece apoio. Na verdade, há vários anos, Alencar se manifesta nesse sentido, integrando um “Movimento Amor na Bandeira”.

Esse grupo refere-se ao positivismo, a Augusto Comte, a Teixeira Mendes; mas muitas das observações que eles fazem sobre o positivismo e os positivistas estão erradas, ao mesmo tempo em que se recusam a ouvir os positivistas. Repetem erros sobre uma doutrina e de seus praticantes, justamente em aspectos centrais para a vida e a prática política do país, mas recusam-se a ouvir alguns dos diretamente envolvidos. A inclusão do “Amor” talvez dê prestígio e votos, mas não impede o cancelamento.

Sem entrar no mérito da questão, Alencar e seu movimento difundem conscientemente dois erros:

  • 1) o “Ordem e Progresso” seria uma corrupção da máxima fundamental do positivismo, “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”;
  • 2) o autor da bandeira, Raimundo Teixeira Mendes, ao resumir a fórmula completa, teria suprimido o “amor” por medo dos militares que proclamaram a República.

Esses dois erros fazem uma barafunda de muitas coisas ruins e algumas boas: ignorância sobre o positivismo e os positivistas; ignorância sobre a Proclamação da República, seus membros, seus ideais; mistificação sobre a monarquia; rejeição ao militarismo (em particular ao de 1964).

É claro que a frase “O amor por princípio…”, sendo filosófico-moral, é mais densa e profunda que o simples “Ordem e progresso”. Entretanto, o “Ordem e progresso” não é um resumo da outra frase, tendo existência por si só, ao representar ideais sociopolíticos. Estreitamente vinculadas, elas têm âmbitos diferentes e, daí, redações diferentes, relativas a situações diferentes. O “Ordem e progresso”, portanto, não é uma corrupção teórica.

Por outro lado, quando ocorreu a Proclamação da República, Teixeira Mendes projetou por si só uma bandeira que foi depois encaminhada ao governo provisório republicano por Benjamin Constant; como este era uma pessoa gentil, pacífica, convergente e extremamente respeitada, a proposta de Teixeira Mendes foi aceita. Portanto, nada de um covarde submetido a brucutus em meio a uma quartelada.

Como positivista, a difusão consciente desses erros causa-me irritação e tristeza. Mas como cidadão brasileiro tenho a sensação de que uma proposta simpática, que poderia suscitar uma boa reflexão e estimular bons sentimentos, apresenta vícios morais e intelectuais bem em sua origem e que traem a intenção da proposta.

Silenciamento, recusa em reconhecer os outros, recusa em ouvir aqueles de quem se fala… no que se refere ao positivismo, como se vê, a regra é o cancelamento, que começa na academia e que, da pior maneira possível, descamba para a política prática.

Gustavo Biscaia de Lacerda é doutor em Sociologia Política e sociólogo da UFPR.

Deyvid Antônio: Súmula das ciências para o Comte maduro

As anotações abaixo foram postadas em 17 de Frederico de 171 (21.11.2025) pelo jovem pensador católico Deyvid Antônio, em sua conta pessoal no Facebook.

Essas anotações apresentam uma notável síntese de alguns dos principais aspectos da filosofia das ciências de Augusto Comte (1798-1857), em sua fase madura, isto é, em sua fase religiosa, posterior a 1846.

Tal síntese é notável devido a dois motivos: 

(1) sua extrema qualidade, que une o conhecimento dos argumentos com o respeito ao pensamento de Augusto Comte.

(2) O fato de que Deyvid Antônio é um publicista católico tradicionalista, segundo a orientação de Olavo de Carvalho. A bem da verdade, quem acompanha as publicações de Deyvid logo percebe a variedade de seus interesses - além do catolicismo e do Positivismo, também bramanismo, budismo, islamismo, filosofia ocidental moderna e contemporânea, bem como inúmeros outros temas, e tudo isso sendo ao mesmo tempo estudante de... Engenharia! Isso tudo evidencia que a adesão de alguém a uma determinada filosofia não implica nem a ignorância de correntes filosóficas e políticas rivais, nem, principalmente, a repetição de erros e preconceitos a seu respeito. Em outras palavras, Deyvid demonstra com grande espontaneidade a mais escrupulosa honestidade intelectual.

Essa honestidade moral e esse cuidado filosófico põem Deyvid muito, muito à frente da imensa maioria da produção acadêmica, bem como da quase totalidade da militância político-intelectual, seja brasileira, seja estrangeira, quer ela trate do Positivismo, quer não.

É em virtude dos motivos acima - que, como se pode perceber com facilidade, são distintos entre si, embora o primeiro dependa do segundo - que decidimos reproduzir aqui esse belo texto.

Por fim, vale notar que essa honestidade intelectual de Deyvid, estimulada por uma simpatia generalizada pelo ser humano, estimula em nós uma simpatia recíproca por ele. Isso demonstra e comprova uma das mais importantes, e mais difíceis, lições de Augusto Comte: a solução dos problemas humanos passa necessariamente pela inteligência (ou seja, pelas idéias, pela filosofia), mas reside antes de tudo na simpatia, ou seja, no amor.

As anotações originais estão disponíveis aquihttps://www.facebook.com/photo?fbid=849088594754198&set=a.124491960547202. 

*  *  *

Súmula da filosofia das ciências do Augusto Comte maduro

 Deyvid Antônio

É um equívoco profundo – embora persistente – reduzir Auguste Comte à figura de um simples “cientificista”, sobretudo quando esse termo é associado a empirismo ingênuo, intelectualismo absoluto, materialismo reducionista ou defesa de tecnocracias. Alguns chegam até a afirmar que Comte teria fundado uma suposta “religião da ciência”, fazendo do pai do positivismo o símbolo máximo do ideal cientificista. A Filosofia Positiva comtiana é mais ampla, mais complexa e metodologicamente mais sofisticada do que as correntes posteriores do positivismo científico (como o Positivismo Lógico), com as quais frequentemente é confundida. A desmontagem desse mito exige reconstituir o núcleo do pensamento de Comte, que se articula em torno de uma concepção holística de ciência, sociedade e moral.

O primeiro ponto decisivo é a rejeição comtiana tanto do absolutismo quanto do empirismo puro. O espírito positivo, essencialmente relativo, recusa qualquer pretensão de explicar as causas íntimas dos fenômenos ou os fins últimos do universo; orienta-se apenas pelo estabelecimento de leis invariáveis de sucessão e de similitude, convertendo a pergunta “por quê?” na investigação do “como”. Essa postura, porém, está longe de reduzir-se ao mero acúmulo empírico de fatos: Comte denuncia explicitamente o empirismo como uma prática estéril e incoerente, insistindo que toda observação é guiada por teorias prévias e que o conhecimento real consiste sobretudo em construções teóricas, exigindo uma oscilação permanente entre abstração e experiência.

Outro aspecto central do sistema comtiano é seu caráter sintético e , já citado, holístico, que recusa qualquer redução mecanicista. A positividade não se confunde com a ciência empírica isolada: enquanto a ciência é analítica, a positividade é uma síntese da totalidade humana, envolvendo inteligência, sentimentos e prática. Essa síntese é institucionalizada na célebre classificação das ciências, que organiza os saberes segundo uma hierarquia de complexidade crescente – Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Sociologia – culminando na Moral como a ciência final. Esta arquitetura hierárquica tem função explícita de combater o materialismo reducionista, pois impede que fenômenos superiores sejam subordinados a fenômenos inferiores, preservando a autonomia relativa das ordens biológica, social e moral.

Contra qualquer interpretação intelectualista ou cientificista, Comte afirma o primado do sentimento sobre a inteligência. No período maduro, influenciado por Clotilde de Vaux, ele sustenta que o impulso decisivo da ação humana emerge sempre do sentimento, enquanto a inteligência funciona apenas como órgão regulador. Essa inflexão culmina na Religião da Humanidade, cujo fim último é o aperfeiçoamento moral por meio do fortalecimento dos instintos altruístas e da contenção dos instintos egoístas, articulando uma ética da unidade afetiva e social que está longe de qualquer reducionismo científico.

Também é equivocada a associação entre Comte e tecnocracia. O positivismo comtiano estabelece, como princípio político fundamental, a separação rigorosa entre o Poder Temporal – responsável pela ação prática e governamental – e o Poder Espiritual – encarregado da teoria, da educação e do conselho. Comte insiste que filósofos, cientistas e artistas devem constituir um sacerdócio positivo desprovido de mando e de riqueza, cuja função é aconselhar, e não governar. Essa separação visa a garantir a liberdade de crítica e evitar qualquer forma de teocracia laica ou “pedantocracia”, sua expressão para o governo dos sábios, considerado por ele um desvio grave da ordem positiva. A ciência, portanto, não deve governar: deve iluminar a ação prática, preservando sua autoridade exclusivamente moral e intelectual.

Por fim, Comte distingue-se do cientificismo ao reconhecer o valor histórico e pedagógico da Teologia e da Metafísica. Longe de descartá-las como saberes destituídos de sentido, ele as compreende como fases necessárias do desenvolvimento do espírito humano, responsáveis por fornecer a estrutura teórica indispensável para organizar os fatos em épocas em que a observação ainda não podia gerar teoria. Muitas obras teológicas e metafísicas, segundo Comte, conservariam seu valor se fossem “traduzidas” ao espírito positivo.

Referências:

Epítome da vida e dos escritos de Augusto Comte – Joseph Lonchampt

Teoria Política Positivista – Gustavo Biscaia de Lacerda

25 novembro 2025

Black Friday Altruísta

Na Black Friday - mas, na verdade, em todos os dias do ano - não pense somente em você: seja altruísta!





600.000 visitas!

No dia 21 de Frederico de 171 (25.11.2025) o nosso blogue Filosofia Social e Positivismo atingiu a marca de 600.000 visitas!

Essa é uma data a ser comemorada, pois somos um blogue pequeno e dedicado a questões políticas, sociais e filosóficas.

Ele foi criado em 4 de janeiro de 2007 – já se vão aí 18 anos – e desde então as sucessivas marcas de 100.000 visitas foram atingidas nas seguintes datas:

  • 100.000 visitas: 8 de Dante de 161 (23.7.2015) (8,5 anos desde o início)
  • 200.000 visitas: 27 de Aristóteles de 163 (24.3.2017) (1,66 ano desde a marca anterior)
  • 300.000 visitas: 7 de Dante de 165 (22.7.2019) (2,25 anos desde a marca anterior)
  • 400.000 visitas: 16 de São Paulo de 169 (5.6.2023) (3,83 anos desde a marca anterior)
  • 500.000 visitas: 21 de Aristóteles de 171 (18.3.2025) (1,75 ano desde a marca anterior)
  • 600.000 visitas: 21 de Frederico de 171 (25.11.2025) (0,67 ano desde a marca anterior)

Repetimos aqui o que dissemos quando atingimos a marca de 400.000 visitas (https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2023/06/400-mil-visitas.html):

Este blogue foi criado para apresentar notícias e reflexões baseadas no Positivismo, inspiradas por ele e/ou sobre ele, expondo a positividade e o espírito positivo, o pacifismo e as liberdades públicas e individuais, o relativismo e o altruísmo, contra o absolutismo teológico-metafísico, o autoritarismo e o militarismo.

Neste blogue buscamos expor concepções reais e úteis, para esclarecer, orientar, aconselhar o público leitor; são informações, relatos, dados expostos gratuitamente, para a correta e necessária livre circulação de idéias. O objetivo, em última análise, é colaborar na constituição de um novo poder Espiritual e, com isso, auxiliar na constituição de uma opinião pública renovada conforme os parâmetros indicados (relativa, altruísta, orgânica).

Esse programa – “real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático” – vai contra o espírito de nossa época, que se caracteriza pelo absolutismo, pela crítica, pela visão fragmentária e de detalhe, pelo egoísmo disseminado; assim, o programa da Religião da Humanidade atualmente é de difícil difusão. Mesmo com essa dificuldade, ou mesmo devido a ela, é necessário persistir, tendo certeza de que, em meio às tormentas morais, intelectuais e políticas de nossa época e de nossa sociedade, a positividade triunfará.

Transformação de Henrique Oliveira (20.Frederico.148/24.11.2002)

 


Nascimento de Miguel Lemos (21 de Frederico/25.11)


 

19 novembro 2025

Proclamação da República e Dia da Bandeira





A República foi só um golpe?

No dia 14 de Frederico de 171 (18.11.2025) realizamos nossa prédica positiva, dando continuidade à leitura comentada do Apelo aos conservadores (começando a "Segunda parte" - "Conduta dos positivistas em relação aos retrógrados").

Em face do feriado da República (11.Frederico/15.11) e, lamentavelmente, da degradação que a experiência republicana e que o conceito de República experimentam no país, comentamos a afirmação difundida de que a Proclamação da República teria sido apenas uma quartelada.

A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (aqui: https://youtube.com/live/osoeEk4GO2g) e Igreja Positivista Virtual (aqui: https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/809950731914001/).

As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.


*    *    *

Fonte: https://brasiliana.museus.gov.br/acervos/benjamin-constant-botelho-de-magalhaes-6/.


A República foi só um golpe?

(14 de Frederico de 171/18.11.2025) 

1.      Abertura da prédica

2.      Datas e celebrações:

2.1.   Dia 11 de Frederico (15.11): Proclamação da República (1889 – 136 anos)

2.2.   Dia 15 de Frederico (19.11): Dia da Bandeira (1889 – 136 anos)

3.      Leitura comentada do Apelo aos conservadores

3.1.   Antes de mais nada, devemos recordar algumas considerações sobre o Apelo:

3.1.1.     O Apelo é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo, reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os “conservadores” a que Augusto Comte apela

3.1.2.     O Apelo, portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige

3.1.3.     Empregamos a expressão “líderes industriais” no lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra

3.2.   Outras observações:

3.2.1.     Uma versão digitalizada da tradução brasileira desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores

3.2.2.     O capítulo em que estamos é a “Segunda Parte”, cujo subtítulo é “Conduta dos conservadores em relação aos retrógrados”

3.3.   Passemos, então, à leitura comentada do Apelo aos conservadores!

4.      Exortações

4.1.   Sejamos altruístas!

4.2.   Façamos orações!

4.3.   Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os sacramentos positivos a quem tem interesse

4.4.   Para apoiar as atividades dos nossos canais e da Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)

5.      Celebração da República

5.1.   Faremos a leitura do artiguinho “A República foi apenas um golpe de Estado?”

5.1.1.     Esse artigo foi publicado no Monitor Mercantil em 17.11.2025 e reproduzido em nosso blogue (aqui)

A República foi mesmo só um golpe?

Em diversas colunas anteriores escrevemos a respeito do conceito de república, bem como da importância de recuperarmos a experiência histórica da república no Brasil. Esses esforços não são exercícios academicistas nem a satisfação de vaidade pessoal; bem ao contrário, eles correspondem à necessária e urgente (re)afirmação de conceitos e práticas que condensam os mais generosos e realistas traços, projetos e aspirações sociais e políticas das sociedades contemporâneas. No Brasil – mas, bem vistas as coisas, também no mundo de um modo geral –, a manutenção do mito monarquista, a que se vincula de maneira íntima a também mistificada proposta do parlamentarismo, prejudica a noção de república. A tudo isso se soma a desinformação ao mesmo tempo liberal e marxista, que, com objetivos opostos, coincidem na afirmação reducionista de que o republicanismo seria apenas formalismo jurídico (e burguês), sem caráter social, quando não com caráter antissocial.

Como estamos justamente no período da Proclamação da República no Brasil, todas essas concepções ressurgem de maneira avassaladora. A grande síntese dessa degradação geral da utopia republicana é a afirmação atualmente reiterada urbi et orbi de que a Proclamação, no amanhecer de 15 de novembro de 1889, teria sido meramente um golpe militar. Argumentar os graves erros dessa afirmação não é algo fácil nem, nos dias atuais, muito agradável; mas a autonomia intelectual e moral exige, precisamente, dizer com clareza o que, em determinado momento, não se deseja ouvir, mesmo (ou principalmente) quando quem não quer ouvir são “intelectuais”, bem-pensantes e/ou progressistas. Em outras palavras, bem aqueles que deveriam ser os mais sensíveis e simpáticos ao republicanismo.

O ideal republicano, seja como antimonarquia, seja como espaço de liberdades cívicas e sociais, já era manifestado no Brasil desde o século XVIII, a partir dos poderosos exemplos da independência dos Estados Unidos (1776-1781) e da Revolução Francesa (1789-1799), mas entrando no século XIX, também com a independência de toda a América Espanhola (1808-1829) e, por fim, com a brutal Guerra contra o Paraguai (1864-1870). A República no Brasil foi proposta pelo grande Tiradentes – cuja celebração, aliás, foi feita desde o início tanto pela independência nacional quanto pela república -; depois pela gloriosa Confederação do Equador (1817) e pelos amplos experimentos envolvidos na Revolução Farroupilha (1835-1845), com a República do Piratini e a República Juliana. Se tudo isso não fosse pouco – e não é, na medida em que envolveu amplas camadas sociais, das elites aos pobres e aos escravos, de Norte a Sul do país –, em termos institucionais o Patriarca da Independência, José Bonifácio, preferia a república à monarquia, mas manteve o regime de castas para manter a unidade territorial e, de maneira reveladora, porque o país somente se manteria uno se fosse com base na escravidão – e a escravidão exigia a monarquia. Além disso, no período regencial (1831-1840) vivemos uma experiência republicana verdadeira e legítima, ainda que tumultuada.

O grande marco do republicanismo brasileiro, todavia, foi a Guerra contra o Paraguai, que evidenciou o atraso nacional, representado em particular pela escravidão, pelo imperialismo e, claro, pela própria monarquia. Após décadas de imperialismo e intervencionismo brasileiro na região do Prata, a guerra evidenciou o quanto a monarquia desrespeitava as demais nações; além disso, o sacrifício heróico e voluntário dos soldados paraguaios – que lutavam por sua própria pátria – chocou cada vez mais os brasileiros, que morriam para manter uma sociedade escravista, de castas, mantenedora ativa do atraso. Não foi por acaso que quando a guerra terminou reiniciou-se o republicanismo brasileiro, com a fundação em 1870 do Partido Republicano, em Itu. (Em 2017, em homenagem a esse acontecimento, durante alguns dias o município de Itu foi tornado capital temporária do Brasil, assim como atualmente ocorre com Belém do Pará.)

Para além das propostas e tentativas republicanas, é importante pura e simplesmente afirmar o crescente passivo social e político da monarquia; nesse sentido, não podemos minimizar nem a Guerra contra o Paraguai, nem a escravidão, nem o atraso geral do país. A guerra foi realmente traumática, impondo sacrifícios a toda a população; o regime que, a partir do imperialismo, patrocinou e causou a guerra, merecidamente foi criticado. A partir do exemplo cidadão dos paraguaios, da pressão internacional e do desenvolvimento moral e político interno, a escravidão tornou-se cada vez mais intolerável. Esses fardos sociais e políticos eram mantidos em conjunto e ao custo de um centralismo político brutal; uma política violentamente excludente e corrupta; uma economia atrasada. Tudo isso coroado por uma eventual sucessora do trono que era agressivamente teológica e cujo consorte era um príncipe estrangeiro. E por um imperador que fingia que nada disso ocorria ou que apoiava ativamente esses problemas mas que, ao mesmo tempo, passava seu tempo escrevendo cartas para os sábios europeus e em caríssimas, longas e inúteis viagens internacionais.

Os dois lados da questão – a centenária campanha republicana e o pesado e crescente passivo da monarquia – sempre foram negadas pelos monarquistas brasileiros, sejam os antigos, sejam os recentes; sejam os explícitos, como Eduardo Prado, Oliveira Vianna ou José Murilo de Carvalho, sejam os disfarçados, como Lília Schwarcz ou Carlos Fico. Em diferentes graus e com variadas ênfases, os meios adotados por esses autores são simples e conhecidos: (1) negação da realidade histórica e/ou das virtudes morais e políticas da república; (2) mistificação da monarquia por meio da omissão de todos os problemas indicados acima.

Para que não reste dúvida: desde o século XVIII até a Proclamação da República (e mesmo além), o republicanismo foi proposto de maneira sincera e generosa, como a necessária condição para o desenvolvimento brasileiro, com liberdades civis, políticas e sociais. A campanha republicana, paralelamente à campanha abolicionista, ganhou as ruas e as massas, sendo celebrada na cultura popular (modinhas, literatura, músicas, poemas, contos etc.): em outras palavras, muito longe da mistificação monarquista, o povo não estava alheio nem assistiu como uma besta à Proclamação. 

Opondo-se à opressão e ao autoritarismo monárquico (colonial ou nacional), o que se desejava com a utopia republicana, era – para usar termos atuais – ampliar a esfera pública e o espaço da cidadania no país. Aliás, é importante notar que, como prova tanto da sincera proposta de cidadania dos republicanos quanto da negação crítica dos (cripto)monarquistas, houve políticos e intelectuais que propuseram que o próprio imperador acabasse com a monarquia, proclamasse a república e candidatasse-se a presidente. Essa proposta era a dos positivistas (Miguel Lemos e R. Teixeira Mendes à frente), para que o imperador realizasse ele mesmo a necessária transição do regime; entretanto, como é ao mesmo tempo conveniente, fácil e hipócrita ridicularizar a única proposta que conjugaria a mudança de regime com a alteração pacífica de status quo, a sugestão feita com ampla publicidade e durante anos pelos positivistas é atualmente ignorada ou desprezada pelos historiadores (marxistas, liberais e/ou (cripto)monarquistas), que também criticam o suposto caráter golpista da república. Como se vê, nesse jogo retórico não há qualquer opção em favor da república e a única opção “boa” seria a permanência da monarquia, com o autoritarismo centralizador, a política excludente e de castas com religião oficial de Estado, o atraso social e econômico, o imperialismo externo.

Todas as afirmações acima se baseiam em ampla literatura histórica, sociológica, artística etc. e deixam claro que, pura e simplesmente, é falsa a afirmação corrente de que a Proclamação da República teria sido meramente uma quartelada realizada por oficiais autoritários e sedentos do poder civil, contra uma população alienada. A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, teve amplo apoio social (civil e militar, das elites às massas, do Norte ao Sul do país), correspondendo tanto a necessidades coletivas urgentes como a anseios profundos: foi um movimento legítimo e em favor das mais generosas, livres e fraternas utopias políticas. 

Em face do desprezo que intelectuais, meios de comunicação e políticos votam hoje à república, não é de estranhar a crise política e social que vivemos e que opõe a ordem ao progresso. Já argumentamos várias vezes: recuperar esses ideais republicanos é uma necessidade atual urgente. 

5.1.2.     Além dos comentários acima, algumas reflexões adicionais podem ser feitas, mas que não couberam no texto do jornal e/ou de que não nos lembramos quando escrevemos o artigo acima:

5.1.2.1.           A respeito da ampla e popular propaganda republicana anterior ao 15 de Novembro, fomos lembrados no Instagram da atividade dos clubes republicanos e de muitos propagandistas civis, como Silva Jardim, além do Catecismo republicano, de Alberto Sales

5.1.2.2.           Benjamin Constant, o grande articulador da República, não queria dar um golpe, da mesma forma que os demais membros do grupo

5.1.2.3.           Benjamin Constant, embora fosse militar e professor na Escola Militar, dava uma orientação resolutamente civilista para o seu ensino – o que, diga-se de passagem, foi duramente combatido nas décadas seguintes pelos mesmos militares que apoiaram ou deram orientações fascistas à atuação dos militares

5.1.2.4.           A referência a Lília Schwarcz não pode ser minimizada: além de autora de inúmeros livros que degradam a República em nome de uma criticidade suspeita e/ou superficial, ela é esposa do dono do grupo editorial Companhia das Letras – e essa empresa, explorando interesses comerciais, tem uma larga produção contrária à República

5.1.2.5.           A preocupação com a legitimidade da República é tão grande e tão séria que esse regime foi submetido a um plebiscito, ou seja, a uma consulta popular

5.1.2.5.1.                Esse plebiscito, ocorrido em 1993, acabou de uma vez por todas as pretensões de retorno à monarquia, embora – com a reveladora exceção de nós, positivistas – não tenha sido aproveitado para uma reflexão sobre o que significa a República

5.1.2.5.2.                Por outro lado, a monarquia jamais se submeteu nem poderia submeter-se, por si só, a uma avaliação popular (na forma de um plebiscito ou não)

5.1.2.6.           Por fim, de qualquer maneira, não podemos esquecer que a degradação do conceito de República anda a par das críticas viperinas contra a I República e que, portanto, é necessário também rejeitar essas críticas contra o regime iniciado em 15 de novembro de 1889, como argumentamos em artigo e em prédica

6.      Término da prédica

 

Referências

- Augusto Comte (franc.), Sistema de filosofia positiva (Paris, Société Positiviste, 5e ed., 1893).

- Augusto Comte (port.), Apelo aos conservadores (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.

- Augusto Comte (port.), Catecismo positivista (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “A República foi mesmo só mais um golpe?” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 17.11.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/11/monitor-mercantil-republica-foi-so-um.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), “Recuperar e revalorizar a 1ª República” (Monitor Mercantil, Rio de Janeiro, 13.10.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/10/recuperar-e-revalorizar-1-republica.html.

- Gustavo Biscaia de Lacerda (port.), Prédica positiva “Recuperar e revalorizar a 1ª República” (Igreja Positivista Virtual, Curitiba, 14.Descartes.171/21.10.2025): https://filosofiasocialepositivismo.blogspot.com/2025/10/recuperar-e-revalorizar-i-republica.html.

- Luís Lagarrigue (esp.), A poesia positivista (Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), As últimas concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), Benjamin Constant. Esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do fundador da República Brasileira (Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1936, 3ª ed.): https://bibdig.biblioteca.unesp.br/items/18902d7e-c4aa-4199-aa85-d81e3a4d82f6.

- Raimundo Teixeira Mendes (port.), O ano sem par (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.