15 agosto 2019

Máximas de Augusto Comte

Máximas de Augusto Comte

Lista elaborada por C.G. Higginson (1858-?), Presidente da Sociedade Positivista de Manchester
(Fonte: Revue Occidentale, Paris, 2e série, tome VIII, 1893, 2e semestre, p. 306-310; disponível aqui.)

Augusto Comte
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_Comte#/media/Ficheiro:Auguste_Comte.jpg

As siglas adotadas abaixo referem-se às seguintes obras compulsadas de Augusto Comte:
PP: Política positiva (1851-1854)
SS: Síntese subjetiva (1856)
T: Testamento (edição póstuma de 1884)

I
Máximas formuladas por Augusto Comte
  • O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim. (C)
  • Viver para outrem. (C)
  • Família, pátria, Humanidade. (A)
  • Ordem e progresso. (C, A)
  • Viver às claras. (C, A)
  • Agir por afeição e pensar para agir. (C)
  • O homem torna-se cada vez mais religioso. (C)
  • Entre o homem e o mundo é necessária a Humanidade. (A)
  • Para completar as leis são necessárias as vontades. (A)
  • Conciliante de fato, inflexível a princípio. (SS)
  • Reorganizar [a sociedade] sem deus nem rei, por meio do culto sistemático à Humanidade. (D)
  • O homem não tem nenhum direito senão cumprir seu dever. (D)
  • O espírito deve ser servidor do coração, mas jamais seu escravo. (D)
  • O dogma fundamental da subordinação contínua da política à moral [é] o que distingue a sociabilidade moderna. (D)
  • A natureza social da propriedade e a necessidade de regrá-la. (D)
  • Fundar a religião universal sobre a sã filosofia após a ter elaborado a partir da ciência real. (C)
  • O coração apresenta as questões que o espírito resolve. (C)
  • A religião consiste em regrar cada natureza individual e em reunir todas as individualidades. (C)
  • Os vivos são sempre, e cada vez mais, governados necessariamente pelos mortos. (C)
  • Os mais nobres fenômenos são por toda parte subordinados aos mais grosseiros. (C)
  • Para nossas mais altas funções espirituais, como em relação aos nossos atos mais materiais, o mundo exterior serve-nos ao mesmo tempo de alimento, de estimulante e de regulador. (C)
  • O Positivismo, perseguindo sempre o estudo das leis, caminha sem cessar entre duas vias igualmente perigosas, o misticismo que pode penetrar até as causas, e o empirismo que se limita aos fatos. (C)
  • O objetivo contínuo da vida humana [é] a conservação e o aperfeiçoamento do Grande Ser [a Humanidade], que é necessário ao mesmo tempo conhecer, amar e servir. (C)
  • O trabalho humano não pode ser senão gratuito. (C)
  • Saber para prever a fim de prover. (C)
  • Não existe sociedade sem governo. (C)
  • A educação deve sobretudo dispor a viver para outrem, a fim de reviver em outrem para outrem, um ser espontaneamente inclinado a viver para si e em si. (C)
  • O sacerdócio deve renunciar completamente à dominação temporal e mesmo à simples riqueza. (C)
  • Entre dois seres tão complexos e tão diversos como o homem e a mulher, não é suficiente toda a vida para bem se conhecerem e amarem-se dignamente. (C)
  • Quaisquer que possam ser nossos esforços, a mais longa vida bem empregada não nos permitiria nunca de retribuir senão uma porção imperceptível do que recebemos. (C)
  • O progresso não é senão o desenvolvimento da ordem. (C)
  • Devotamento dos fortes em relação aos fracos; veneração dos fracos para com os fortes. (C)
  • Grandes deveres exigem grandes forças.
  • Nossa evolução afetiva consiste sobretudo em tornarmo-nos mais simpáticos. (C)
  • Formar a hipótese mais simples e mais simpática que comporta o conjunto dos dados a representar. (C)
  • Cada entendimento apresenta a sucessão de três estados: fictício, abstrato e positivo. (C, A)
  • A atividade é inicialmente conquistadora, em seguida defensiva e finalmente industrial. (C, A)
  • A sociabilidade é inicialmente doméstica, em seguida cívica e finalmente universal. (C, A)
  • A submissão é a base do aperfeiçoamento. (A, T)
  • Todas as populações atuais aspiram, mais ou menos, a desenvolver o amor universal conforme uma atividade guiada por uma fé demonstrável. (A)
  • Todo o problema humano consiste em constituir a unidade pessoal e social por meio da subordinação contínua do egoísmo ao altruísmo. (A)
  • Ao referir tudo à Humanidade, a unidade torna-se mais completa e mais estável que ao esforçar-se por vincular tudo a deus. (A, T)
  • Ao suscitar a revolução ocidental, o conjunto da Idade Média legou dois problemas inseparáveis: incorporar à sociedade moderna o proletariado espontaneamente surgido; substituir o teologismo irrevogavelmente esgotado pela fé demonstrável (A)
  • Induzir para deduzir a fim de construir. (SS)
  • O amor busca a ordem e conduz ao progresso; a ordem consolida o amor e dirige o progresso; o progresso desenvolve a ordem e conduz de volta ao amor. (T)
  • União, unidade, continuidade. (T)

II
As sete máximas de Clotilde de Vaux (T, p. 99)
  • É indigno dos grandes corações derramar as perturbações que sentem. (Lucie, 7ª carta)
  • Que prazeres podem exceder os da dedicação? (Lucie, 8ª carta)
  • Eu compreendi, melhor que ninguém, a fraqueza de nossa natureza quando ela não é dirigida para um objetivo elevado e que seja inacessível às paixões (T, p. 333)
  • São necessários à nossa espécie, mais que às outras, deveres para fazer sentimentos. (T, p. 374)
  • Não há na vida nada de irrevogável senão a morte. (T, p. 419)
  • Todos temos ainda um pé no ar sobre o limiar da verdade. (T, p. 484)
  • Os maus têm com freqüência maior necessidade de piedade que os bons. (T, p. 537)

Clotilde de Vaux
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_Comte#/media/Ficheiro:Auguste_Comte.jpg

III
Máximas adotadas por Augusto Comte de diferentes autores
  • Toda a seqüência de homens, durante o curso de tantos séculos, deve ser considerada como um mesmo homem que subsiste sempre e que aprende continuamente. (Pascal, Pensamentos, II) (D)
  • Não se destrói senão o que se substitui. (Napoleão III, Obras políticas, II, p. 266 – mas mais Danton) (C, A)
  • Non è l’affezion mia tanta profonda / Che basti a rendir voi grazia per grazia (Dante, Paraíso, IV, 121) (C) (Meu amor não é tão profundo que ele possa conceder-te a graça pela graça.)
  • Amem te plus quam me, nec me nisi propter te. (Tomás de Kempis, Imitação, III, 5) (C) (Possa eu amar-te mais que a mim mesmo e não me amar senão por ti!)
  • Os grandes pensamentos vêm do coração. (Vauvenargues, Pensamentos, 127) (C)
  • A virtude é um esforço sobre si mesmo em favor dos demais. (Duclos, Considerações, V, cap. IV) (C)
  • Nós vamos com um passo mais firme seguindo que conduzindo. (Corneille, Imitação, I, 9) (C)
  • Que é uma grande vida? / Um pensamento da juventude executado na idade madura. Alfred de Vigny (PP)
  • Não há no mundo nada de real senão amar. (Mme. Stael, Delphine, 3ª parte, carta 28) (PP, T, p. 81)
  • Nil actum reputans si quid superesset agendum. (Lucano, Farsália, II, 658; na Política positiva, Comte atribui-a a César) (PP) (Crer que nada está completo se qualquer coisa permanece por fazer.)
  • Homo sum, et nihil humani a me alienum puto. (Terêncio, O punidor, I, I, 25) (A, p. 25) (Eu sou homem e nada de humano é-me estrangeiro.)
  • Non sibi, sed toti genitum se credere mundo. (Lucano, Farsália, II, 383) (A, p. 25) (Não se crer nascido para si mesmo, mas para o universo.)
  • O homem é o único [objeto] digno do estudo do homem. (Pope, Ensaio sobre o homem, II, 2) (essa máxima deveria ser citada na Moral teórica – 13ª carta a R. Congreve

"Relatórios científicos da Comissão Rondon"

Comemorando o sesquicentenário de nascimento do grande Marechal da Paz, Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), em 2016 a Fundação Ivete Vargas - instituição de pesquisas políticas e sociais ligada ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) - publicou um interessante e valioso volume intitulado O Brasil pelos brasileiros - relatórios científicos da Comissão Rondon. Os organizadores da obra são Elizabeth Madureira Siqueira, Fernanda Quixabeira Machado e Luciwaldo Pires de Ávila.

O livro em si mesmo faz uma exposição das várias comissões que Rondon chefiou, com seus membros, seus objetivos, seus resultados, além de uma pequena biografia do próprio Cândido Rondon. Além disso, felizmente o volume é recheado de fotografias e ilustrações. Ele está disponível em PDF aqui.

Capa e páginas do livro
Fonte: https://fiv.org.br/2016/12/06/o-brasil-pelos-brasileiros-relatorios-cientificos-da-comissao-rondon/

A versão física do livro é acompanhada por um CD-Rom com todos os relatórios publicados pela Comissão, o que torna a obra realmente indispensável. São três conjuntos de documentos: 

(1) Comissão de Linhas Telegráficas e Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas

(2) Serviço Nacional de Proteção aos Índios

(3) Expedição Científica Roosevelt-Rondon.


*   *   *

Vale notar que também em 2016 o v. 1 da coleção acima foi publicado em edição facsimilar pela editora Carlini e Caniato, juntamente com a Secretaria de Estado de Cultura do Mato Grosso. Esse volume, cuja apresentação foi redigida por Paulo Pitaluga, está disponível aqui.

09 agosto 2019

Comentários sobre "O Brasil inevitável", de Mércio P. Gomes

Há duas semanas comprei este livro e há pouco terminei de ler vários capítulos, do grande antropólogo Mércio Pereira Gomes.
Mércio Pereira Gomes
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9rcio_Pereira_Gomes#/media/Ficheiro:MercioPereiraGomes.jpg
O Brasil inevitável é um livro realmente interessante e instigante, que merece ser lido e refletido.
Capa do livro
Fonte: https://obrasilinevitavel.home.blog/2019/03/16/lancado-o-livro-o-brasil-inevitavel-etica-mesticagem-e-borogodo/

O livro trata de política, história, antropologia, filosofia de maneira inteligente e original. Como o autor é antropólogo, suas vistas sobre o Brasil, isto é, sobre a formação e composição étnica e, principalmente, cultural do país iluminam as discussões políticas.
De qualquer maneira, quero comentar aqui dois aspectos mais gerais que me chamaram a atenção.
Por um lado, o autor segue uma tradição que remonta pelo menos a Darcy Ribeiro e que até os anos 1960 era muito forte: concepções de "projeto nacional", de considerar o Brasil como um único país (composto por vários grupos, claro está, mas, ainda assim, um só país) e que deve ter uma visão de longo prazo para orientar as ações presentes. Esse tipo de perspectiva foi deixado de lado a partir dos anos 1970 tanto pelos marxistas (interessados em explorar os conflitos de classe) quanto pelos pós-modernos (preocupados com as políticas identitárias e/ou com as concepções irracionalistas segundo as quais todo poder é podre e todo projeto político é irracional e visa apenas à dominação e à exploração). A falta de um "projeto de nação" é um dos motivos mais amplos que explicam porque o Brasil encontra-se no poço sem fundo em que está.
Por outro lado, aliás também remontando a uma concepção que passa por Darcy Ribeiro, o autor tem uma visão positiva, otimista do brasileiro. Não se trata de negar seus problemas, nem das dificuldades que enfrentamos, nem dos aspectos negativos de nossa história: nada disso. O autor reconhece com grande clareza todos esses problemas. Mas, em vez de limitar-se a isso, ele observa que há inúmeros aspectos positivos no Brasil e nos brasileiros - aspectos que justificam a possibilidade de o país "dar certo" (e, portanto, que dão sentido à concepção de um "projeto de país"). A história brasileira não é uma sucessão de crimes, de opressões, de dominações, de brutalidade e - em uma narrativa que tem sido larga e alegremente repetida - de autoritarismo inato; muito do que se afirma como negativo na história e na realidade brasileira tem que ser percebido, com urgência, de maneira diversa.
Todavia, sou obrigado a fazer um reparo ao livro, a apresentar um grave "porém". O autor elogia reiteradamente o grande Marechal Rondon - aliás, com toda a justiça. Ora, como se sabe, Rondon era positivista: é precisamente ao tratar do Positivismo que Mércio Gomes erra - e erra reiteradamente, infelizmente se limitando a repetir o senso comum de manuais. Nesse caso, não há escapatória; é necessário ignorar tudo o que Mércio Gomes fala sobre o Positivismo e buscar outras fontes.

Marechal Rondon em 1930
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ndido_Rondon#/media/Ficheiro:Marechal_Rondon.jpg
(Sacrificando um pouco a humildade, e considerando a multiplicidade de âmbitos em que se move Mércio Gomes - teoria social, antropologia brasileira, história das idéias etc. -, uma indicação útil a respeito do Positivismo é o meu livro Comtianas brasileiras.)

Aforismo político-internético

Considerando a crescente importância que as chamadas "redes sociais" têm sobre os debates e os relacionamentos contemporâneos, vale muito a pena prestarmos atenção às características dos relacionamentos que as "redes sociais" estabelecem.

Assim, um pouco por brincadeira, um pouco a sério, proponho este aforismo "político-internético":

A rejeição ao "textão" é a manifestação mais clara do espírito que anima o "debate lacração".

05 agosto 2019

Verbetes na "Encyclopedia of Latin American Religions": Positivismo e laicidade

A editora Springer está prestes a publicar a Encyclopedia of Latin American Religions. Esse projeto está sendo organizado há alguns anos (pelo menos desde 2015) e agora em 2019 ele será finalmente publicado. O organizador geral é o antropólogo neerlandês Henri Gooren.


Pois bem: graças ao gentil convite do cientista social mexicano Roberto Blancarte (responsável por uma das seções da obra), contribuí com dois verbetes para a Enciclopédia: "Positivism in Brazil" ("Positivismo no Brasil") e "Laicity in Brazil" ("Laicidade no Brasil").

Adotando nos dois artigos uma perspectiva científica, isto é, objetiva, no caso do primeiro artigo defendi a concepção ortodoxa do Positivismo, segundo a qual o Positivismo é uma religião positiva - a Religião da Humanidade, cujos grandes expoentes no país foram Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes. O artigo pode ser lido sem formatação aqui.

No segundo artigo, apresentei um histórico da laicidade no Brasil, defendendo sua importância e sua validade atual. Ele pode ser lido sem formatação aqui.

24 julho 2019

50 anos da alunissagem

No dia 5 de Dante de 231 (20 de julho de 2019) comemorou-se um feito único e, de fato, até então impossível (embora não propriamente inimaginável): o cinqüentenário da alunissagem, isto é, da chegada do homem à Lua.

Homem na Lua

Não há dúvida de que esse feito foi um marco na história da Humanidade, devido a inúmeros motivos:

- ele foi a realização de um sonho antiquíssimo, com milênios de história e presente nas mais variadas civilizações (um uso filosófico disso pode ser lido no clássico de Fontenelle, Diálogo sobre a pluralidade dos mundos, indicado por Augusto Comte para leitura, na Biblioteca Positivista);

- o feito em si mesmo foi imenso: atravessar o espaço e pisar em nosso único satélite natural, nosso companheiro eterno em nosso percurso sideral;

- ele foi o coroamento de gigantescos, ou melhor, hercúleos esforços coletivos empreendidos para sua realização durante uma década: em recente relato, um dos três astronautas na missão da Apolo 11, Michael Collins, afirma que se envolveram 400.000 pessoas no projeto (!);

- embora em si mesma a alunissagem não traga nenhum benefício objetivo para o ser humano, a década que os Estados Unidos levaram para chegar à Lua resultou no desenvolvimento e no aprimoramento de inúmeras tecnologias úteis para o ser humano.

Há um aspecto adicional: a alunissagem deu-se no contexto da Guerra Fria, isto é, na disputa político-ideológica entre Estados Unidos e União Soviética, que marcou o mundo entre 1947 e 1989-1991. De modo mais específico, a década de 1960 caracterizou-se pela chamada détente, em que a disputa militar dos anos de Truman e, especialmente, Stálin, foi substituído pela disputa ideológica e econômica. 

A chamada "corrida espacial" tinha um aspecto acima de tudo simbólico e sua realização, embora tenha-se dado em meio à Guerra Fria, foi em si mesma uma disputa pacífica; em certo sentido, podemos mesmo fazer um paralelo da corrida espacial com as Olimpíadas, em que, desde a Grécia Antiga, as rivalidades militares são substituídas por e paralisadas em benefício da competição esportiva, de caráter pacífico. A frase proferida por Neil Armstrong, ao pisar em solo lunar, com justiça ficará para a história, indicando tratar-se de um feito de toda a Humanidade: "Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a Humanidade!".

Se, em definitivo, a corrida espacial foi vencida pelos estadunidenses, convém lembrar que os momentos iniciais foram vencidos pelos soviéticos, com o envio sucessivo e em primeiro lugar de satélite artificial, envio de animais ao espaço e envio de homens ao espaço - todas essas três realizações em órbita na Terra.

Os nomes da realização estadunidense são os do Presidente John Kennedy, que lançou a alunissagem como um desafio coletivo, e os dos astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins.

John Kennedy

Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Aldrin

Já os nomes soviéticos são do Primeiro-Ministro Nikita Kruschchov, da pequena cadela Laika (que morreu no espaço) e do cosmonauta Yuri Gagárin.

Nikita Kruschov
Yuri Gagarin

Laika

O Google fez uma bela homenagem a esse feito, com um vídeo contendo um belo depoimento de Michael Collins; além disso, vários jornais fizeram séries de reportagens sobre o evento (as da Folha de S. Paulo podem ser lidas a partir daqui).

Uma bela história (mas também triste), meio ficcional, meio biográfica, da alegre cadela Laika foi escrita na forma de história em quadrinhos por Nick Abadzis (a versão brasileira pode ser comprada aqui).

Capa do livro-gibi Laika, de Nick Abadzis

22 julho 2019

300.000 visitas!

No primeiro semestre de 231 (2019) este blogue Filosofia Social e Positivismo bateu a marca de 300.000 visitas!

A evolução das marcas reforça a relevância do blogue e, de maneira muito mais importante, do Positivismo: ele iniciou-se em 2007; em 2015 atingiu 100.000 visitas; em 2017 chegou a 200.000 visitas e, no início de 2019, passou de 300.000 visitas. 

Além disso, esta é a publicação de n. 413. Como não se trata de um blogue jornalístico, mas voltado a reflexões sociais, políticas, filosóficas, científicas e históricas, cremos que temos tido uma audiência relevante e importante.

Assim, seguimos rumo às 400.000 visitas e a sempre mais!

Esclarecimento sobre a ausência de publicações em 231 (2019)

Caros leitores: 

Como o ano de 231 (2019) já se encontra avançado e até o momento a quantidade de publicações neste blogue Filosofia Social e Positivismo tem sido bastante reduzida, um pequeno esclarecimento faz-se necessário.

Em primeiro lugar, devemos notar que uma série de compromissos profissionais exigiram de nós uma atenção concentrada no primeiro semestre do ano, obrigando-nos a, lamentavelmente, deixar em segundo plano considerações mais amplas de caráter social.

Mas, em segundo lugar, desde a campanha eleitoral para Presidente da República no Brasil que teve curso em 2018 e a subseqüente eleição de Jair Bolsonaro para ocupar esse cargo, o país vem passando por um maremoto de notícias, concepções e mudanças de políticas públicas que conduzem a nação para a retrogradação. Estímulos ao militarismo, ao irracionalismo, à intolerância, ao servilismo internacional, à manipulação de estatísticas públicas, além de muitos outros problemas têm sido constantes desde outubro de 2018 e, ainda mais, a partir de janeiro de 2019. Isso gerou em nós um sobressalto constante, que virtualmente não teve fim desde o início do ano e que, portanto, dificulta sobremaneira a reflexão mais calma sobre a realidade nacional - que é, em última análise, um dos objetivos deste blogue.

Tal situação calamitosa confirma, a nosso ver, as profundas análises elaboradas por Augusto Comte no século XIX a respeito da dinâmica sociopolítica ocidental desde a Revolução Francesa e que foram sintetizadas na seguinte formulação: "enquanto o progresso for anárquico, a ordem será retrógrada". Os governos do PT, à frente dos autointitulados "progressistas", basearam-se em princípios equivocados, como as políticas identitárias, que consagram o mais brutal egoísmo grupal, corporativo e "étnico"; da mesma forma, foram incapazes de implementar um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social; também não se pode esquecer do saque sistemático de empresas públicas e da política também sistemática de divisão do país (na estratégia do "nós contra eles" e do "nunca antes neste país"), além do revanchismo político, do elogio a autoritarismos e totalitarismos de esquerda (que, por isso mesmo, seriam "progressistas") etc. 

Face a isso, os grupos "à direita" (isto é, conservadores, retrógrados, reacionários) obtiveram notável sucesso em campanhas de desinformação e de manipulação da opinião pública, baseando-se em mitos e nas mais baixas paixões políticos, nos mais odiosos preconceitos sociopolíticos. Deixando-se levar intelectualmente pelo ex-astrólogo cultor da desinformação Olavo de Carvalho (o que, por si só, já indica a indigência intelectual do atual governo) e baseando-se socialmente em seitas evangélicas ultraindividualistas, retrógradas e intolerantes; em grupos militaristas; em empresários contrários às garantias mínimas para populações desamparadas, o incompleto desenvolvimento intelectual (conforme ele mesmo admitiu) do atual Presidente da República dá livres asas à desorganização nacional.

Em outras palavras, aqueles que se denominam "progressistas" pautaram-se por princípios incapazes de levar adiante o efetivo progresso do país; contra isso, organizou-se com grande sucesso uma violenta reação que prega um conceito de ordem que, basicamente, é apenas o retorno a um passado mítico, intolerante, irracionalista e individualista.

Essas vistas de Augusto Comte foram expostas com grande clareza em sua obra política Apelo aos conservadores, de 1856. Nesse livro, o fundador do Positivismo evidencia e explica como é necessária e como é possível uma política que una de maneira profunda e duradoura a ordem ao progresso. Em outras palavas, é necessário unir esses dois termos, para transcender cada um deles tomados individualmente: trata-se de ordem E progresso, não apenas da ordem às custas do progresso, como querem os retrógrados (a "direita"), nem apenas do progresso contra qualquer ordem, como querem os ditos progressistas (a "esquerda").

Há uma tradução brasileira do Apelo, de 1899; ela é extremamente fiel à letra e ao espírito de Comte, mas, como é antiga, é de difícil acesso. Por outro lado, é possível ler em minha tese de doutorado ("O momento comtiano", defendida em 2010 e disponível aqui) uma exposição detalhada dos argumentos de Augusto Comte.

César Benjamin: "Amazônia: cuidado, frágil"

Nos últimos anos, o dono e editor da Editora Contraponto, César Benjamin, por estímulo da Fundação João Mangabeira, tem publicado uma série de estudos temáticos (ou melhor, "setoriais"), em que se dedica a refletir sobre aspectos da realidade nacional. O objetivo desses estudos é apresentar um panoramas dos setores estudados, com vistas a propor estratégias e planos de desenvolvimento nacional.

A seriedade e a profundidade com que são escritos, aliados à preocupação social e com o desenvolvimento do país, merecem que sejam difundidos e, acima de tudo, meditados e implementados.

O mais recente desses estudos intitula-se "Amazônia: cuidado, frágil" e foi publicado em abril de 2019. A sua leitura rapidamente evidencia o quanto esse tema em particular envolve o conjunto da nação e a necessidade de atenção aprofundada a seu respeito.

Todos os estudos de C. Benjamin publicados pela Fundação João Mangabeira evidenciam a possibilidade e a necessidade de que se reflita a respeito do desenvolvimento do Brasil, isto é, que se tenha de fato um projeto positivo de desenvolvimento e que se retome um certo otimismo sobre o futuro do país - otimismo que há anos, quando não décadas, não existe mais. Esse desenvolvimento, claro está, deve ser social e ambientalmente responsável e inclusivo, conjugando os esforços do Estado, da sociedade civil e também dos empresários. Em outras palavras, são propostas claramente alinhadas ao Positivismo.

Assim, para quem tiver interesse - e exortamos todos a que tenham interesse! -, ele está disponível aqui.


11 julho 2019

Agência Brasil: "Bolsonaro diz que indicará evangélico para STF"

O atual Presidente da República, como é amplamente sabido, é uma pessoa reacionária, grosseira, mesquinha e vingativa; entre as inúmeras demonstrações de sua incivilidade e de seu anti-republicanismo, podemos lembrar que nunca escondeu sua defesa da tortura como "política social".

Dito isso, a declaração indicada na matéria abaixo, em que o Presidente da República reitera uma observação feita diversas vezes antes, indica o quanto ele não entende (e não quer entender) os princípios da República e em particular o da laicidade, a despeito de ele presidir essa mesma República.

A República é laica e essa laicidade é a condição de todas as liberdades de que gozamos e de que queremos gozar. Não importa se um brasileiro em particular é candoblecista, satanista, católico, evangélico, ateu, muçulmano, agnóstico ou positivista: a laicidade há que ser preservada como um valor fundamental.

Além de cometer esse erro - esse crime, na verdade -, o Presidente da República evidencia que não entende (e não quer entender) que a obrigação fundamental dos ministros do Supremo Tribunal Federal é respeitar e aplicar a Constituição da República Federativa do Brasil atualmente em vigor, promulgada em 5 de outubro de 1988. A filiação religiosa dos ministros é completamente secundária nesse sentido; o respeito à Constituição obriga os ministros, como magistrados da República, a pôr em segundo plano suas convicções religiosas em benefício da Constituição caso haja conflito entre ambas.

(Apesar disso, é importante notar que tanto o Presidente da República quanto muitos dos seus mais fervorosos apoiadores evangélicos primam por desrespeitar essa regra elementar da cidadania republicana, isto é, da cidadania.)

A notícia abaixo foi originalmente publicada pela Agência Brasil em 10.7.2019 aqui; não reproduzi toda a notícia porque há trechos, especialmente no final, que não dizem respeito ao tema da laicidade.

*   *  *



Bolsonaro diz que indicará evangélico para Supremo Tribunal Federal

Presidente participou de culto na Câmara dos Deputados


Publicado em 10/07/2019 - 10:32
Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil  Brasília


O presidente Jair Bolsonaro afirmou que indicará um ministro evangélico para o Supremo Tribunal Federal (STF), pois, para ele, a busca pelo “resgate dos valores familiares” deve estar presente em todos os poderes do país. “Entre as duas vagas que terei para indicar para o Supremo um deles será terrivelmente evangélico”, disse, durante sua participação em um culto da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, na manhã de hoje (10).
No mês passado, ao criticar a decisão do STF de criminalizar a homofobia como forma de racismo, Bolsonaro já havia sugerido a indicação de um evangélico para a Corte. Até 2022, o presidente da República poderá indicar nomes para pelo menos duas vagas, que serão aberta com a aposentadoria compulsória dos ministros Marco Aurélio e Celso de Mello.
Hoje, Bolsonaro elogiou a atuação dos parlamentares evangélicos nos últimos anos. “Vocês sabem o quanto a família sofreu nos últimos governos. Vocês foram decisivos na busca da inflexão do resgate dos valores familiares”, disse. “Quantos tentam nos deixar de lado dizendo que o Estado é laico. O Estado é laico mas nós somos cristãos. Ou para plagiar a minha querida Damares, nós somos terrivelmente cristãos”, disse, em referência à declaração da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.
[...]

16 janeiro 2019

Comemorações de 231 (2019)


Comemorações de 231 (2019)

N.
NOME
VIDA
Comemoração
CALENDÁRIO
J.-G.
1.              
1547-1619
400 anos de morte
9.Frederico
13.nov.
2.              
1619-1683
400 anos de nascimento
18.Frederico
22.nov.
3.              
1519-1572
500 anos de nascimento
8.Frederico
12.nov.
4.              
1519-1579
500 anos de nascimento
2.Gutenberg
14.ago.
5.              
1569-1631
450 anos de nascimento
2.Shakespeare
11.set.
6.              
765 ac-681 ac
2700 anos de morte
25.Moisés
25.jan.
7.              
1758-1819
200 anos de morte
20.Moisés
20.jan.
8.              
1452-1519
500 anos de morte
8.Dante
25.jul.
9.              
1618-1669
350 anos de morte
2.Shakespeare
11.set.
10.            
1606-1669
350 anos de morte
10.Dante
27.jul.
11.            
971 ac-931 ac
2950 anos de morte
24.Moisés
24.jan.
12.            
1736-1819
200 anos de morte
21.Gutenberg
2.set.

13.            
1804-1869
150 anos de morte
7.São Paulo
27.maio
14.            
1869-?
150 anos de nascimento
4.Dante
21.jul.
15.            
1819-1908
200 anos de nascimento
22.Gutenberg
3.set.
16.            
1856-1919
100 anos de morte
?
?
17.            
1869-1946
150 anos de nascimento
5.Dante
22.jul.

FONTE: Wikipédia; “Apêndice” de Apelo aos conservadores (autoria de Augusto Comte; Rio de Janeiro: Igreja Positivista do Brasil, 1899), organizado por Miguel Lemos; Comité des travaux historiques et scientifiques (http://cths.fr/)

NOTAS:

1.     As datas de vida foram pesquisadas na internet (basicamente na wikipédia), considerando que esse procedimento permitiria obter o que há de mais atualizado a respeito das diversas biografias; além disso, cotejaram-se essas datas com as disponíveis no “Apêndice” do Apelo aos conservadores.

2.     Letras maiúsculas em negrito: nomes de meses.

3.     Letras maiúsculas simples: chefes de semanas.

4.     Letras em itálico: tipos adjuntos, considerados titulares nos anos bissextos.

5.     Os artigos da Wikipédia foram selecionados basicamente em português, mas em diversos casos ou só havia em outra(s) língua(s) ou eram melhores em outra(s) língua(s) (espanhol, francês, inglês).