10 abril 2013

"Carolina do Norte quer independência religiosa dos EUA"

A matéria abaixo é bastante interessante e revela mais do que aparenta.

Antes da Guerra da Secessão dos Estados Unidos (1861-1865), a Carolina do Sul era um dos estados escravagistas, conservadores e contrários às liberdades. A sua presente proposta de autonomia estadual era típico do período anterior à guerra civil. 

Em outras palavras, os políticos sulcarolinos querem voltar quase 150 anos no tempo e fraturar, de novo, os EUA - mas agora não mais devido à escravidão dos negros, mas devido ao ultraclericalismo cristão.

O original do texto encontra-se disponível aqui.

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Notícias

6abril2013
IGREJA E ESTADO

Carolina do Norte quer independência religiosa dos EUA

Se depender dos políticos locais, a Carolina do Norte será oficialmente um estado cristão. O Legislativo estadual aprovou uma resolução declarando que o estado e todos os seus entes vinculados — incluindo a escolas públicas — são livres para aprovar quaisquer normas que quiserem relativas à religião. Políticos republicanos querem atribuir ao cristianismo o status de "religião oficial do estado".
Em outras palavras, a Carolina do Norte pretende declarar sua independência religiosa dos Estados Unidos, de acordo com o reverendo Barry Lynn, diretor executivo da organização "Americanos Unidos pela Separação da Igreja e Estado em Washington, D.C.".
Uma resolução conjunta das duas casas da Assembleia Legislativa do estado, chamada de "Lei da Defesa da Religião do Condado de Rowan", declara que "cada estado é soberano e pode determinar, de forma independente, como o estado aprova suas leis com respeito ao estabelecimento da religião".
De acordo com a rede CNN, a resolução também declara: "A Assembleia Geral da Carolina do Norte não reconhece decisões de tribunais federais que impedem o estado, suas escolas públicas ou quaisquer subdivisões políticas do estado de instituir leis relativas ao estabelecimento de religião".
O editor do jornal The Atlantic Monthly, Davide Graham, disse que a resolução da Carolina do Norte tenta reviver a teoria da "anulação" como direito dos estados. Segundo essa teoria, os estados podem anular leis federais às quais se opõem. De fato, os defensores da resolução dizem que as leis federais se aplicam à esfera federal, não aos estados.
Mas, há uma grande quantidade de decisões de tribunais federais que garantem a supremacia da Suprema Corte dos EUA sobre legislações estaduais, diz o reverendo Lynn. "Essa teoria foi um dos motivos da Guerra Civil Americana. Mas a guerra colocou um fim nessa história de que os direitos dos estados podem sobrepujar as leis federais", escreveu ele em artigo para o Washington Post.
Igreja e Estado
A resolução do Legislativo da Carolina do Norte teve origem em uma tentativa de alguns parlamentares de proteger o "direito" de comissários do condado de Rowan de terminar suas reuniões com a invocação "em nome de Jesus, amém". Uma residente processou o condado com a alegação de que esse costume indicava que os comissários privilegiavam os cristãos, em suas decisões, em detrimento dos demais cidadãos.
A separação entre a Igreja e o Estado é uma eterna pendenga entre cristãos e não cristãos nos Estados Unidos, com vários casos terminando, regularmente, nos tribunais. Alguns envolvem escolas, em duas frentes: uma se refere à oração obrigatória em sala de aula e a outra à proibição de professores ensinarem a alunos a teoria da evolução. Os cristãos querem que prevaleça o ensino do criacionismo.
Há casos também sobre monumentos cristãos e cruzes em órgãos públicos, com maior peso quando são colocados em tribunais, porque também podem indicar preferências religiosas.
Monumento de Roy Moore - 05/04/13 [Divulgação]
O ex-presidente da Suprema Corte de Alabama Roy Moore perdeu o cargo de ministro porque se recusou a cumprir uma decisão da Justiça Federal que ordenava a remoção de um monumento de 2,5 toneladas dos Dez Mandamentos (foto) do prédio do tribunal. Moore, que ficou conhecido como o "juiz dos Dez Mandamentos", foi reconduzido pelos eleitores do estado à Suprema Corte, nas últimas eleições.
A resolução da Carolina do Norte não deverá ter vida longa. Mas a discussão se perpetua no país, embora o conceito de separação entre a Igreja e o Estado tenha sido introduzido em 1802 por Thomas Jefferson. Em uma carta, ele escreveu: "o Legislativo não deve fazer qualquer lei com respeito ao estabelecimento de religião ou proibindo o seu livre exercício, construindo, portanto, uma parede de separação entre a Igreja e o Estado". O conceito foi adotado pela Constituição do país.
João Ozorio de Melo é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.
Revista Consultor Jurídico, 6 de abril de 2013  

Quanto o obscurantismo junta-se à intolerância produz crimes

O seguinte vídeo é estarrecedor. Ele não apenas evidencia que a teologia não produz a paz social nem é moralizante, como dizem seus defensores, como principalmente expõe as perigosas conseqüências sociais que os neo-evangélicos produzem com seus discursos. 

Sendo muito franco: trata-se da mais pura intolerância incentiva pelo mais profundo obscurantismo.

O vídeo encontra-se aqui: http://www.youtube.com/watch?v=K7KGj-aSPX0

01 abril 2013

Richard Dawkins: "Se não acreditamos em Thor, por que crer no deus cristão?"

Observações importantes e, no caso brasileiro, cada vez mais urgentemente necessárias.

O vínculo original da matéria encontra-se aqui.

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ENTREVISTA DA 2ª - RICHARD DAWKINS
Se não acreditamos em Thor, por que crer no Deus cristão?
Para biólogo conhecido por teoria do 'gene egoísta', não se deve respeitar crenças que vão contra consensos na comunidade científica
RONALDO RIBEIROCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA, NA FILADÉLFIA (EUA)Fila dando volta no quarteirão. Parecia estreia de um filme de Hollywood.
Tudo para ver a palestra de Richard Dawkins, 72, talvez o ateu mais famoso do mundo, biólogo, tipo raro de intelectual híbrido que se comunica bem com o grande público e com os eruditos dos centros de pesquisa de ponta.
Dawkins alcançou notoriedade tanto nos círculos acadêmicos dos departamentos de biologia quanto no delicado debate público sobre o papel das religiões no mundo contemporâneo.
Após a publicação do livro "O Gene Egoísta", Dawkins ganhou evidência na academia ao deslocar o foco dos estudos em biologia evolutiva dos grupos e organismos para o estudo dos genes.
Segundo o biólogo, quanto mais parecidas duas espécies, maior a tendência de se comportarem de forma cooperativa -o que explicaria em parte tendências altruístas entre seres geneticamente semelhantes.
Ironicamente, tais pendores altruístas viriam do chamado "egoísmo dos genes", uma tendência biológica das espécies de quererem espalhar seus genes.
Dawkins atingiu o grande público ao atacar a noção de um criador do cosmos onisciente e onipotente.
No livro "O Relojoeiro Cego", Dawkins argumenta que a suposta perfeição da natureza e o aparente design que se observa no mundo podem ser explicados, ainda que parcialmente, por meio da biologia evolutiva.
Com "Deus, um Delírio", o cientista britânico nascido em Nairobi (Quênia) se tornou best-seller, ao ampliar suas críticas às religiões em geral e defender que não há necessidade de se conhecer o pensamento religioso ou ter qualquer conexão com entidades divinas para se viver uma vida moralmente digna e eticamente responsável.
Mais recentemente, o cientista tem-se dedicado a viajar o mundo para debater com autoridades religiosas. Boa parte do material gravado abastece os diversos documentários dos quais o cientista participou.
Figura polêmica, Dawkins tem provocado a admiração da comunidade leiga ao pregar o entusiasmo pelo pensamento livre e não dogmático; e também a ira de muitos líderes religiosos por sua crítica impiedosa ao criacionismo -tese que rejeita a evolução das espécies- e, ao mesmo tempo, sua apologia do ateísmo.
Apesar do pensamento sofisticado, agudo e ferino, Dawkins pareceu bastante áfavel, brincalhão e interessado nas ideias alheias.
Foi no dia seguinte à palestra de Dawkins para mais de 1.500 pessoas numa pequena sala sala da Universidade da Pensilvânia, no mês passado, que esse pop star do ateísmo no mundo concedeu à Folha a entrevista a seguir.
Folha - Deus existe?
Richard Dawkins - Nós não sabemos se fadas existem. Nós não levamos a sério a existência do deus nórdico Thor, ou de Zeus, ou de Dionísio ou de Shiva.
Até que tenhamos sérias evidências de que algum deles existiu ou exista, não perdemos tempo com isso. Por que deveria ser diferente com o Deus cristão ou com o judeu ou com o muçulmano?

Mesmo que alguém concorde com o que o sr. acaba de dizer, há milhares de fiéis pelo mundo. É possível explicar essa enorme propensão à fé?
Há experimentos em psicologia infantil que demonstram que crianças, quando indagadas sobre a existência de uma pedra pontiaguda em um ambiente, preferem a explicação que tenha causa e consequência claras.
Em outras palavras, preferem acreditar que a pedra é pontiaguda para que os animais daquele ambiente possam usá-la para se coçarem.
Não aceitam que a pedra pontiaguda se formou a partir de processos geológicos e da erosão através do vento e da água. Talvez muitos dos fiéis de hoje ainda retenham esta atitude infantil ao pensarem sobre o mundo.
Um outra hipótese é que a propensão à fé seja simplesmente um resquício do medo de se ficar só em um ambiente hostil. Nossos ancestrais viviam sob constante ameaça de serem atacados e mortos por animais selvagens.
Pode ser que nossa necessidade de criar fantasmas e divindades que vão nos punir esteja conectada com esse traço evolutivo presente em nossos primórdios.

O sr. diz que há uma tendência ao silêncio em relação às doutrinas religiosas dos outros, que as pessoas evitam debater sobre suas próprias crenças, e que esse fato é nocivo à sociedade. Não seria necessário simplesmente respeitar as diferentes crenças das pessoas?
Não devemos respeitar crenças que influenciam a vida de crianças e que vão contra conhecimento dado como consenso na comunidade científica.
Uma coisa é uma pessoa dizer que acredita em Papai Noel e manter esta crença dentro de sua família -ainda que eu considere uma pena para os filhos.
Quando algumas pessoas, contudo, começam a ensinar que a Terra tem apenas cerca de 10 mil anos, aí eu acho um absurdo e quero lutar contra isso.

Um novo papa acaba de ser eleito. Ele é argentino. É possível dizer que isso representa um avanço em termos políticos da fé no mundo em desenvolvimento?
Se pensarmos que haverá uma menor centralização política daqueles que determinam o futuro da Igreja Católica, sim, sem dúvida.

No Brasil, a Igreja Católica tem perdido fiéis para outras tradições protestantes. Alguns atribuem tal fenômeno à dinâmica dos rituais católicos, ainda bastante hierarquizados e tradicionais, se comparados às religiões protestantes.
Não conheço bem o contexto brasileiro, mas é possível imaginar que a não participação ativa dos fiéis nas missas católicas é um dos fatores que provavelmente têm contribuído para tal queda.
Explicando melhor, os rituais protestantes nos EUA são como shows, os participantes dançam, cantam, tocam instrumentos.
Suponho que no Brasil as missas ainda tenham um formato bastante tradicional e que provavelmente tenham pouco apelo social para conquistar seguidores jovens.

Em sua obra, o sr. dá ênfase à possibilidade de qualquer um rejeitar crenças religiosas ou vivências espirituais e ainda assim ter uma vida plena e ética. Sem as religiões, onde é que encontraríamos códigos morais?
Suspeito que não encontramos regras morais nos ensinamentos religiosos. Se fosse esse o caso, nossa conduta moral não se alteraria praticamente a cada década. Seria estanque.
Pense que até bem recentemente nós considerávamos a escravidão como algo normal e que também as mulheres não deveriam participar dos processos democráticos.

E quanto ao que não conseguimos explicar? Não vem daí uma das "necessidades" da religião e da crença no "sobrenatural"?
Essa talvez seja uma das explicações que mais me aborrecem para se crer em uma deidade.
Eu gostaria que as pessoas não fossem preguiçosas, covardes e derrotistas o suficiente para dizer: "Eu não consigo explicar, portanto isso deve ser algo sobrenatural". A resposta mais correta e corajosa seria a seguinte: "Eu não sei ainda, mas estou trabalhando para saber".

Acabam de ser divulgados os primeiros resultados das pesquisas sobre índices de felicidade idealizados pelo governo do primeiro-ministro britânico, David Cameron. O sr. já investigou a relação entre religiosidade e felicidade?
Não vi os resultados ainda. Quanto à relação entre religiosidade e felicidade, ainda que eu não tenha estudado o assunto, é possível prever que tal correlação é mais um mito do que um fato.
Os países que apresentam melhores índices de desenvolvimento humano e, em tese, uma melhor condição para a existência da felicidade, são países com o maior número de ateus do mundo.
Seus cidadãos encontram bem-estar, alegria e consolo nas possibilidades sociais, culturais e intelectuais concretamente disponíveis em seus países, não em entes divinos.

28 março 2013

Fim da laicidade: entidades religiosas poderão questionar leis no STF

Essa notícia é altamente preocupante. Não se trata em absoluto de "democratizar as instituições políticas", mas de uma tentativa de assalto de instituições que devem permanecer distante das instituições políticas com o objetivo de combater o Estado laico, na forma e no conteúdo.

A audácia dos grupos retrógrados e reacionários aumenta a cada dia. A eleição do pastor Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados foi apenas a mais recente de suas ações. 

Habitualmente, apenas a Igreja Católica era tão ousada, a partir dos privilégios históricos que teve (até o início da República) e, a partir de 1930, ao chantagear o Estado brasileiro. A novidade agora é a união - extremamente oportunista - dos católicos com os evangélicos da estirpe do pastor Feliciano (e de Edir Macedo, Silas Malafaia e centenas de outros).

Há pessoas que consideram que a defesa das tiranias de Cuba e da Venezuela é a coisa mais importante do mundo. Há pessoas que conseguem defender a teocracia do Irã - ou melhor, as teocracias muçulmanas. 

Pois bem: o que há em comum entre Cuba, Venezuela, Irã, China, Coréia do Norte - e vários outros países, que têm trilhado caminhos semelhantes - é a doutrina oficial de Estado, é a imposição oficial de verdades a serem seguidas, é a existência do crime de heresia. 

A proposta abaixo busca um meio de (re)instituir no Brasil o crime de heresia, a partir do cristianismo. Logo será crime afirmar que o dilúvio e o jardim do éden são tão dignos de confiança quanto Atenas surgindo adulta da cabeça de Zeus. Que não haja dúvidas: é a batalha da cidadania, da liberdade e do esclarecimento contra o particularismo e o obscurantismo.

No fundo, o que está em sério e crescente perigo são as idéias de República (ou seja, de bem comum) e de cidadania no Brasil. Em nosso país, o público é a extensão do privado ou, então, é a ausência de leis: daí que ocorra o patrimonialismo, o mandonismo etc.; mas também que as vias públicas sejam sistematicamente sujas, que os carros parem acintosamente nas calçadas etc.

Por fim: os partidos políticos têm enorme responsabilidade nisso, ao encararem as teologias de maneira instrumental: são formas eficientes de dominação, de exploração e de obtenção de votos. Com a exceção dos partidos radicais de esquerda, todos os demais partidos, de todo o espectro político - à direita ou à esquerda - têm apoiado ou têm silenciado a respeito dessas práticas.

É necessário que a gritaria em torno do vil pastor Feliciano amplie-se, deixando de lado o seu caráter personalista e casuísta e assuma a defesa do Estado laico.

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O original da notícia encontra-se disponível aqui.

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PEC 99/11
CCJ aprova autorização para entidades religiosas questionarem leis no STF

   
Agência Câmara - 27/03/2013 - 11h49

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) aprovou nesta quarta-feira (27/3) a Proposta de Emenda à Constituição 99/11, batizada em Brasília de “PEC Evangélica”, que inclui as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal. Entre estas entidades estão, por exemplo, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, e a Convenção Batista Nacional.

A proposta do deputado João Campos (PSDB-GO) será analisada por uma comissão especial e, em seguida, votada em plenário, onde será votada em dois turnos e precisará da aprovação de três quintos dos deputados para passar ao Senado.

João Campos afirmou que a medida é uma “ampliação da cidadania e do acesso à Justiça”. “Alguns temas dizem respeito diretamente às entidades religiosas. A questão da imunidade tributária, por exemplo, assim como a liberdade religiosa e o ensino religioso facultativo, entre outros. Se tivermos em algum momento alguma lei que fere um desses princípios não teríamos como questionar isso no Supremo. Com a proposta, estamos corrigindo uma grave omissão em que o constituinte incorreu ao deixar essa lacuna”, argumentou o autor da PEC 99/11.

15 fevereiro 2013

Deputado propõe a imposição da religião nas cédulas

Nada como um deputado federal propondo uma medida tirânica com base em um odioso sofisma. Infelizmente esse indivíduo é 2° vice-Presidente da Câmara dos Deputados e membro do Comitê de Ética. Ou seja, é um perigo à nação e às liberdades públicas.

A matéria foi publicada no jornal eletrônico Última Instância em 14.2.2013; o vínculo original da notícia está aqui.

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PROJETO DE LEI NA CÂMARA

Frase 'Deus seja louvado' poderá ser obrigatória nas cédulas de reais

 
Da Redação - 14/02/2013 - 15h04

Em resposta à tentativa do MPF (Ministério Público Federal) de retirar das cédulas de reais a expressão “Deus seja louvado”, o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) quer tornar obrigatória a inscrição da frase no papel-moeda. Para tanto, o parlamentar propôs um projeto de lei — que já está em tramitação na Câmara — pretendendo evitar que os dizeres desapareçam.
“A expressão respeita a tradição cultural de nosso povo e não faz proselitismo de nenhuma agremiação religiosa. O respeito e o culto a um Ser supremo, que representa a divindade, está presente em todas as religiões”, anotou Fonte, na justificativa do PL 4710/12, assinada em novembro de 2012, menos de um mês após a iniciativa do MPF ter sido divulgada.
O deputado afirma ainda que há um “erro de interpretação” na posição da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo — autora da ação civil pública. No século XIX, na época do Brasil Império, a Constituição de 1824 dizia que a religião oficial do Estado brasileiro era o catolicismo. O imperador tinha, inclusive, a prerrogativa de nomear os bispos da Igreja Católica.
O parlamentar argumenta, então, que o Brasil passou a ser um Estado laico, secular ou não confessional, mas preservou, na Constituição de 1988 (artigo 216), o “respeito às tradições culturais e religiosas”.
“Vivemos em um mundo conturbado e precisamos cada vez mais ter gratidão ao Ser supremo que comanda nossas vidas. Não se pode perder o elo com a divindade que cada um acredita”, finaliza o parlamentar.
“Salve Oxossi”
“Imaginemos as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxossi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza, haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”. Assim argumentou o MPF, ao propor a retirada da frase das notas de real.
A procuradoria afirmou que, por ser um Estado laico, as instituições do país deveriam estar completamente desvinculadas de qualquer manifestação religiosa.
Em primeira instância, a Justiça Federal decidiu manter a expressão. Como a decisão foi apenas interlocutória, resta ainda o julgamento do mérito da matéria.
A inclusão da frase religiosa aconteceu em 1986, por determinação do então presidente José Sarney. Posteriormente, com o Plano Real, a frase foi mantida pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, supostamente por ser “tradição da cédula brasileira”.



13 fevereiro 2013

Revisão da literatura: Positivismo no Brasil

O artigo "De Positivismo e de positivistas: interpretações do Positivismo brasileiro", de Ângela Alonso, está finalmente disponível na rede (aqui - o vínculo baixará automaticamente um arquivo PDF).

É uma revisão geral da literatura sobre o Positivismo no Brasil, expondo e coordenando as várias interpretações filosóficas e sociológicas sobre ele - bem entendido que o foco da autora é sociológico, ou seja, ela procura entender quais os papéis desempenhados pelo positivistas no país (e não tanto a validade ou a correção das interpretações sobre a doutrina).

Artigo sobre filosofia das ciências de A. Comte

Artigo recém-publicado por estudantes de graduação e pós-graduação em Filosofia da Universidade São Judas Tadeu sobre a filosofia das ciências de Augusto Comte. Faz uma boa revisão da literatura e indica - corretamente - uma séria de problemas e equívocos no estudo (e, a partir daí, na interpretação) de Comte e do Positivismo.

Disponível aqui.

Positivismo no Rio Grande do Sul: realização da "república"

A matéria abaixo é uma nota lembrando que o Positivismo no Rio Grande do Sul foi o responsável pela instilação de uma moralidade pública voltada para o bem comum, rejeitando a corrupção, a demagogia e a hipocrisia. Em outras palavras, o Positivismo buscou realizar efetivamente a república, em um regime de liberdades.

Matéria publicada no "Jornal do Comércio", de Porto Alegre, em 7.2.2013. O vínculo original encontra-se aqui.

(A indicação dessa nota foi cortesia de meu amigo Afrânio Cappeli, positivista gaúcho e mantenedor do blogue PositivismoRS.)

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Bons tempos
Érik Ultrecht
Em um tempo não muito distante, existia no Estado uma política feita com honra e honestidade. O Rio Grande do Sul teve uma experiência, até bem sucedida, de ser governado por homens que se inspiravam na doutrina e religião positivista de Augusto Comte, que primava pela beleza de uma sociedade livre dos maus exemplos de corrupção, injustiça, preconceito e ódio. É claro que alguns atos de alguns homens daquela época foram reprováveis, como mortes e perseguições injustas, mas essas coisas também ocorrem nos dias de hoje para satisfazer interesses. Naquela época, a maioria dos homens que ocupavam o poder se sentia honrada em fazer política e eram honestos em suas ações, porque no passado os políticos honravam o seu ideal, o seu partido e a sua família.

Aqueles homens, influenciados pelo positivismo, construíram um Estado forte com políticos sérios, interessados no melhor para o Rio Grande e não para eles. Na virada do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, políticos que estavam no poder e na oposição disputavam, muitas vezes com derramamento de sangue, a honra de fazer política em nosso Estado. Os chimangos e maragatos, positivistas e federalistas do passado, queriam colocar seus nomes na história do Estado, buscavam unicamente a honra de governar. Hoje, nossos políticos querem unicamente a fama e a riqueza, esqueceram-se dos lemas “viver às claras” e “viver para outrem”, que norteavam as ações dos políticos do passado, em especial dos positivistas que governaram este Estado para o povo com responsabilidade. Aqueles eram bons tempos, que talvez não voltem mais.

Administrador de empresas

Revista "Ciência Hoje": "Evolução e religião"

Matéria publicada na "Ciência Hoje" n. 300, intitulada "Evolução e religião", apresentando os resultados parciais de uma pesquisa sobre a percepção de alunos do Ensino Médio a respeito da teoria da evolução. A ênfase dos autores, claro está, refere-se ao contraponto com as crenças religiosas dos estudantes.

(O vínculo baixará um arquivo PDF.)

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/300/pdf_aberto/evolucaoereligiao300.pdf/at_download/file

05 fevereiro 2013

Dois artigos sobre Comte: "Sete novas idéias" e "Corpo científico"

Dois artigos sobre Augusto Comte e o Positivismo, lidos recentemente, que apresentam de maneira clara perspectivas interessantes e atuais. São eles:

1) "The seven new thougths of the Positive Polity", escrito pelo positivista britânico John Henry Bridges, publicado em 1915 e disponível no portal Positivists.org (http://positivists.org/40.html). As "sete novas idéias" são: (1) a definição de Humanidade; (2) a proposição do método subjetivo; (3) a teoria cerebral; (4) a Moral como a ciência superior; (5) a sociocracia baseada na separação entre a Igreja e o Estado; (6) a afinidade entre o fetichismo e o Positivismo e (7) a prática social como sendo mais importante que a fé.

2) "Le Corps scientifique selon Auguste Comte", escrito pela pesquisadora francesa Annie Petit em 1990 e disponível aqui. Nele a autora apresenta as diversas concepções de ciência que Augusto Comte teve ao longo da vida, explicando-as em detalhe. Entre inúmeras outras conclusões, a autora demonstra (1) que o Positivismo não é um "cientificismo"; (2) que Comte não propunha um governo dos cientistas; (3) que, exceto em seus escritos de juventude, Comte não atribuía alta moralidade aos cientistas (bem ao contrário, aliás); (4) que a ciência não se justifica por si mesma; (5) que a epistemologia comtiana não é a mesma coisa que a "epistemologia positivista" (como entendida atualmente); (6) que os cientistas não podem ser alheios aos problemas sociais; (7) que a Sociologia e a Moral devem "revisar" as Ciências Naturais.

São dois artigos de pequena extensão, diretos e sistemáticos. Acima de tudo, são muito instrutivos. Vale a pena a leitura.

03 fevereiro 2013

Aumenta descrença em deus na Europa

Notícia publicada originalmente no Boletim IHU de 1.2.2013; disponível aqui.

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NOTÍCIAS » Notícias

“Os ateus também podem desenvolver valores sagrados”

“Deus provavelmente não existe. Então pare de se preocupar e aproveite a vida”. Em 2008, a campanha publicitáriada Associação Humanista Ateia na Inglaterra teve grande impacto em toda a Europa.

O número de não crentes aumenta, assim como aqueles que duvidam da existência de Deus. Quantos são os ateus? Eles também podem ter valores absolutos e uma espiritualidade? As respostas de Philippe Portier, diretor de estudos na Escola Prática de Altos Estudos e diretor do Grupo Sociedades, Religiões, Laicidades.

A entrevista é de Henrik Lindell e está publicada no sítio da revista francesa La Vie, 31-01-2013. A tradução é doCepat.

Eis a entrevista.

Podemos afirmar que o número de ateus está aumentando?

Sim. De modo geral, o número dos sem religião aumenta, tanto na França como em outros lugares da Europa. É uma certeza. Por sem religião entendo pessoas que se declaram sem afiliação. No interior desse grupo, a parte daqueles que se dizem sem Deus também está aumentando. No total, assistimos, portanto, a um distanciamento com a crença em Deus.

Quanto são eles?

Os números variam em função de questões específicas. Na França, 28% a 30% da população se diz sem Deus. Entre os jovens, entre 18 e 30 anos, a fração sobe para 35%.

E o número de agnósticos também está aumentando?

Sim, mas melhor que falar de agnosticismo, um termo que remete à filosofia do Iluminismo e a uma postura de dúvida do religioso, prefiro os termos possibilismo ou probabilismo. Para essas pessoas, probabilistas, Deus talvez exista. E esta zona cinzenta se desenvolve. É, talvez, a população mais importante. Eles são em torno de 35-40% da população.

E os crentes?

Haverá 25% a 30% que estão certos de que Deus existe. Mas para esses crentes, Deus não é sempre o mesmo. Não obedece necessariamente às regras da religião instituída.

Os ateus sempre têm o mesmo tipo de descrença?

Não. Entre aqueles que dizem “eu não creio em Deus” e aqueles que dizem não ter nenhuma crença espiritual, há uma brecha considerável. Ora, entre os europeus há muitas vezes um espiritualismo difuso, que não se identifica com o materialismo tradicional que está na origem do ateísmo. E nas pesquisas qualitativas feitas com ateus, encontramos muitas vezes a ideia de que o homem estaria dotado de um espírito. O que remete a uma possível ideia de um espírito que ultrapassaria os nossos próprios corpos.

Esse ponto, que é muito importante, permite distinguir dois grupos. Um primeiro, que se encontra do lado do materialismo e que é fortemente militante, por exemplo, na Livre Pensamento. Há também um ateísmo mais popular que desconfia das Igrejas, mas que não quer abraçar todos os pensamentos do ateísmo militante.

Os ateus também produzem crenças?

A questão é saber se o fato de se dizer ateu levará necessariamente a uma visão desprovida de qualquer significação religiosa. Na sociologia das religiões, há teses que se opõem. Segundo uma dessas teses, defendida por pesquisadores italianos, os ateus produzem significações religiosas. Mais precisamente, eles sacralizariam normas de existência que fazem duvidar da possibilidade de uma crítica. Assim, haveria uma religião civil e mesmo uma religião política para qualificar alguns valores que são promovidos pelos ateus fora de qualquer crença em Deus. Também podemos falar de um “monoteísmo de valores” a propósito das populações que erigem em valores sagrados o princípio da autonomia do sujeito, o que permite fundar sua própria existência.

Eles não são, portanto, relativistas o tempo todo?

Nota-se que entre os ateus alguns valores não são negociáveis. O que significa que não nos encontramos mais no relativismo absoluto. A título de exemplo, os direitos da consciência são absolutizados. Assim como os direitos da criança e da mulher. Esses valores não remetem a elementos sobrenaturais. Mas elas aparecem como valores sagrados não negociáveis para pessoas que recusam a crença em Deus.

É possível falar de uma religião laica?

A noção de “religião laica” remete a uma concepção muito particular da existência política. Nem todos os ateus a compartilham necessariamente. Mas tipicamente, os militantes de organizações como a União dos Ateus, a UniãoRacionalista ou a Federação Nacional do Livre Pensamento defendem um modelo de religião laica. Trata-se de um Estado que fixa normas de existência com uma escola que é exclusivamente laica. Esta religião pode desenvolver uma moral laica, difundida pela escola. Ela engloba, portanto, a sociedade em seu conjunto. Nesse sistema de religião laica não se procura necessariamente suprimir autoritariamente o fenômeno religioso. Ao contrário, quer-se privatizá-la de maneira rigorosa: a religião é expulsa para a esfera privada.

Mas nem todos os ateus compartilham esta visão restritiva da religião?

Muitos ateus comuns não somente não compartilham esta visão, como a ignoram! Eles simplesmente se afastam das instituições religiosas que lhes parecem representar um Deus autoritário. Ou seja, esses ateus também podem desenvolver valores sagrados fundados na autonomia do sujeito: os direitos da criança, a possibilidade de as mulheres escolherem sua própria existência, etc., sem que haja nisso necessariamente uma referência a um modelo de tipo laico. Pois alguns ateus são favoráveis a uma ética republicana pura. Os outros aderem antes a uma ética liberal extrema, em oposição à republicana.

Para os ateus, o indivíduo constrói sua própria existência, de maneira autônoma?

Sim e é por esta razão que eles são favoráveis às reformas sociais. Eles defenderam a contracepção e o aborto nos anos 1960 e 1970, depois a procriação assistida nos anos 1980. Hoje, eles são favoráveis à eutanásia e ao casamento gay. A questão de fundo é que defendem o fato de que o indivíduo deve poder construir sua própria existência de maneira autônoma.

Entre os crentes, o princípio da organização da vida não é o mesmo. Eles encontram uma referência em normas superiores. Eles cultivam a ideia de uma transcendência e de uma moralidade que foge à liberdade do sujeito. O que acaba por fundar uma visão que desconfia da evolução não controlada.

Os católicos têm a fama de serem majoritariamente de direita. Os ateus são mais de esquerda?

Quanto mais longe se estiver do polo religioso, mais se é ateu, mais se vota na esquerda. Quanto mais afastado da crença em Deus, mais se é favorável à evolução das legislações sociais. Outra correlação: quanto mais jovem for, mais se é aberto a reformas sociais. Ao contrário, quanto mais perto se estiver do polo religioso, portanto crente e membro de uma religião institucionalizada, mais se vota na direita.

Mas, atenção! Eu insisto novamente no desenvolvimento de zonas cinzentas, marcadas pela incerteza, que está em sintonia com a ultramodernidade. Nossa sociedade não é mais tão dividida que em outros tempos entre ateus militantes e católicos da certeza.

No entanto, há uma clivagem muito clara entre crentes e ateus em relação a temas sociais. Sim, sempre há uma militância ateia em oposição a uma militância religiosa. E nesse momento, dois campos dão o tom nos debates públicos. Eu vou usar o termo “guerra de culturas”. Mais precisamente, de um lado nós temos a cultura da autonomia do sujeito. Do outro, uma cultura da normatividade. E entre essas duas culturas, há diferenças muito importantes sobre a maneira de conduzir uma sociedade.

Qual polo predomina?

Predomina mais o polo ateu. A tendência dominante é a do relativismo e do afastamento das populações das normas religiosas. Isso não é necessariamente uma hostilidade para com as Igrejas, mas considera-se cada vez mais que os indivíduos podem levar sua existência como bem lhes aprouver. Esta secularização dos comportamentos e a autonomização das consciências é hoje mais importante que o outro polo, que, entretanto, resiste bem. Tem-se também a impressão de que o governo está se afastando cada vez mais do polo religioso. Eu diria que o atual governo pende para o lado do polo da não-crença e para o lado do princípio da autonomia, que é dominante.

Mas esse fato remete a processos de socialização diferentes. O primeiro, bem entendido, que os socialistas romperam, há muito tempo, qualquer relação com o polo religioso. E as classes médias bem formadas e bem representadas dos socialistas continuam a afastar esse governo do polo religioso e, portanto, de uma visão moral da lei.

O que muda com esse governo é que ele vai mais longe que em outros tempos na afirmação do princípio da autonomia. Eu recordo que as principais reformas sociais, até agora, foram votadas pela direita: a contracepção em 1967, o aborto em 1975, a bioética em 1994, a eutanásia em 2005. Agora o governo socialista propõe uma espécie de ruptura – a ponto de falar de “mudança de civilização” – em relação a questões como a filiação e a morte. É preciso levar em conta essas mudanças.

E as Igrejas? Elas reagem mais fortemente que antes?

Sim, é o outro elemento desta evolução. A Igreja católica intervém de maneira mais militante que no passado. Por quê? O corpo episcopal e os sacerdotes mudaram. Eles se tornaram mais identitários e estão mais apegados aos seus princípios morais. Eles sentem também que a sociedade, especialmente entre os probabilistas, não está segura da necessidade de desordenar a tal ponto as regras tradicionais da sociedade.

Comte como um dos autores mais perigosos

O texto abaixo apresenta Augusto Comte como um dos autores mais perigosos dos séculos XIX e XX - mais precisamente, o oitavo, ficando à frente de Nietzsche e Keynes, mas atrás de Marx, Hitler, Mao Tsé-Tung, Lênin e John Dewey. Essa lista - que na verdade é u'a mixórdia política e intelectual - foi elaborada em 2005 a partir de uma consulta a "intelectuais" e políticos "conservadores" estadunidenses.

Para os conservadores, a inclusão de Marx, Engels, Lênin, Mao Tsé-Tung e Hitler faz sentido: tais conservadores são de "direita" e, portanto, contrários à "esquerda". A inclusão específica de Hitler dá a impressão de serem contrários não somente ao comunismo, mas, de modo mais amplo, ao totalitarismo.

Já a inclusão de Comte, Keynes e Dewey avança em tal caracterização - ainda que seja necessário notar o o caráter compósito da lista -, sugerindo que não são apenas "conservadores", mas mais propriamente reacionários, pois Comte, Keynes e Dewey eram autores francamente favoráveis às liberdades individuais e coletivas. Comte é descrito como um antiteológico, Keynes como um apóstolo da intervenção do Estado na economia e Dewey, como um defensor de valores que foram aplicados nas gestões de Bill Clinton (o que isso quer dizer, precisamente, não está claro). 

Em outras palavras, os "conservadores" definem um perfil pró-mercado, pró-iniciativa privada, favorável à teologia e a uma educação voltada à inculcação de valores tradicionais - quem sabe, leitores ávidos de Milton Friedman, Friedrich Hayek e Ayn Rand. E eleitores de George W. Bush, Sarah Palin e Mitt Romney.

O original encontra-se publicado aqui.

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TEN MOST HARMFUL BOOKS OF THE 19TH AND 20TH CENTURIES

HUMAN EVENTS asked a panel of 15 conservative scholars and public policy leaders to help us compile a list of the Ten Most Harmful Books of the 19th and 20th Centuries. Each panelist nominated a number of titles and then voted on a ballot including all books nominated. A title received a score of 10 points for being listed No. 1 by one of our panelists, 9 points for being listed No. 2, etc. Appropriately, The Communist Manifesto, by Karl Marx and Friedrich Engels, earned the highest aggregate score and the No. 1 listing.
1. The Communist Manifesto

Authors: Karl Marx and Freidrich Engels
Publication date: 1848
Score: 74
Summary: Marx and Engels, born in Germany in 1818 and 1820, respectively, were the intellectual godfathers of communism. Engels was the original limousine leftist: A wealthy textile heir, he financed Marx for much of his life. In 1848, the two co-authored The Communist Manifesto as a platform for a group they belonged to called the Communist League. The Manifesto envisions history as a class struggle between oppressed workers and oppressive owners, calling for a workers’ revolution so property, family and nation-states can be abolished and a proletarian Utopia established. The Evil Empire of the Soviet Union put the Manifesto into practice.

2. Mein Kampf
Author: Adolf Hitler
Publication date: 1925-26
Score: 41
SummaryMein Kampf (My Struggle) was initially published in two parts in 1925 and 1926 after Hitler was imprisoned for leading Nazi Brown Shirts in the so-called “Beer Hall Putsch” that tried to overthrow the Bavarian government. Here Hitler explained his racist, anti-Semitic vision for Germany, laying out a Nazi program pointing directly to World War II and the Holocaust. He envisioned the mass murder of Jews, and a war against France to precede a war against Russia to carve out “lebensraum” (“living room”) for Germans in Eastern Europe. The book was originally ignored. But not after Hitler rose to power. According to the Simon Wiesenthal Center, there were 10 million copies in circulation by 1945.

3. Quotations from Chairman Mao
Author: Mao Zedong
Publication date: 1966
Score: 38
Summary: Mao, who died in 1976, was the leader of the Red Army in the fight for control of China against the anti-Communist forces of Chiang Kai-shek before, during and after World War II. Victorious, in 1949, he founded the People’s Republic of China, enslaving the world’s most populous nation in communism. In 1966, he published Quotations from Chairman Mao Zedong, otherwise known as The Little Red Book, as a tool in the “Cultural Revolution” he launched to push the Chinese Communist Party and Chinese society back in his ideological direction. Aided by compulsory distribution in China, billions were printed. Western leftists were enamored with its Marxist anti-Americanism. “It is the task of the people of the whole world to put an end to the aggression and oppression perpetrated by imperialism, and chiefly by U.S. imperialism,” wrote Mao.

4. The Kinsey Report
Author: Alfred Kinsey
Publication date: 1948
Score: 37
Summary: Alfred Kinsey was a zoologist at Indiana University who, in 1948, published a study called Sexual Behavior in the Human Male, commonly known as The Kinsey Report. Five years later, he published Sexual Behavior in the Human Female. The reports were designed to give a scientific gloss to the normalization of promiscuity and deviancy. “Kinsey’s initial report, released in 1948 . . . stunned the nation by saying that American men were so sexually wild that 95% of them could be accused of some kind of sexual offense under 1940s laws,” the WashingtonTimes reported last year when a movie on Kinsey was released. “The report included reports of sexual activity by boys–even babies–and said that 37% of adult males had had at least one homosexual experience. . . . The 1953 book also included reports of sexual activity involving girls younger than age 4, and suggested that sex between adults and children could be beneficial.”

5. Democracy and Education

Author: John Dewey
Publication date: 1916
Score: 36
Summary: John Dewey, who lived from 1859 until 1952, was a “progressive” philosopher and leading advocate for secular humanism in American life, who taught at the University of Chicago and at Columbia. He signed the Humanist Manifesto and rejected traditional religion and moral absolutes. In Democracy and Education, in pompous and opaque prose, he disparaged schooling that focused on traditional character development and endowing children with hard knowledge, and encouraged the teaching of thinking “skills” instead. His views had great influence on the direction of American education–particularly in public schools–and helped nurture the Clinton generation.

6. Das Kapital

Author: Karl Marx
Publication date: 1867-1894
Score: 31
Summary: Marx died after publishing a first volume of this massive book, after which his benefactor Engels edited and published two additional volumes that Marx had drafted. Das Kapital forces the round peg of capitalism into the square hole of Marx’s materialistic theory of history, portraying capitalism as an ugly phase in the development of human society in which capitalists inevitably and amorally exploit labor by paying the cheapest possible wages to earn the greatest possible profits. Marx theorized that the inevitable eventual outcome would be global proletarian revolution. He could not have predicted 21st Century America: a free, affluent society based on capitalism and representative government that people the world over envy and seek to emulate.

7. The Feminine Mystique

Author: Betty Friedan
Publication date: 1963
Score: 30
Summary: In The Feminine Mystique, Betty Friedan, born in 1921, disparaged traditional stay-at-home motherhood as life in “a comfortable concentration camp”–a role that degraded women and denied them true fulfillment in life. She later became founding president of the National Organization for Women. Her original vocation, tellingly, was not stay-at-home motherhood but left-wing journalism. As David Horowitz wrote in a review for Salon.com of Betty Friedan and the Making of the Feminine Mystique by Daniel Horowitz (no relation to David): The author documents that “Friedan was from her college days, and until her mid-30s, a Stalinist Marxist, the political intimate of the leaders of America’s Cold War fifth column and for a time even the lover of a young Communist physicist working on atomic bomb projects in Berkeley’s radiation lab with J. Robert Oppenheimer.”

8. The Course of Positive Philosophy
Author: Auguste Comte
Publication date: 1830-1842
Score: 28
Summary: Comte, the product of a royalist Catholic family that survived the French Revolution, turned his back on his political and cultural heritage, announcing as a teenager, “I have naturally ceased to believe in God.” Later, in the six volumes of The Course of Positive Philosophy, he coined the term “sociology.” He did so while theorizing that the human mind had developed beyond “theology” (a belief that there is a God who governs the universe), through “metaphysics” (in this case defined as the French revolutionaries’ reliance on abstract assertions of “rights” without a God), to “positivism,” in which man alone, through scientific observation, could determine the way things ought to be.

9. Beyond Good and Evil

Author: Freidrich Nietzsche
Publication date: 1886
Score: 28
Summary: An oft-scribbled bit of college-campus graffiti says: “‘God is dead’–Nietzsche” followed by “‘Nietzsche is dead’–God.” Nietzsche’s profession that “God is dead” appeared in his 1882 book, The Gay Science, but under-girded the basic theme of Beyond Good and Evil, which was published four years later. Here Nietzsche argued that men are driven by an amoral “Will to Power,” and that superior men will sweep aside religiously inspired moral rules, which he deemed as artificial as any other moral rules, to craft whatever rules would help them dominate the world around them. “Life itself is essentially appropriation, injury, overpowering of the strange and weaker, suppression, severity, imposition of one’s own forms, incorporation and, at the least and mildest, exploitation,” he wrote. The Nazis loved Nietzsche.

10. General Theory of Employment, Interest and Money

Author: John Maynard Keynes
Publication date: 1936
Score: 23
Summary: Keynes was a member of the British elite–educated at Eton and Cambridge–who as a liberal Cambridge economics professor wrote General Theory of Employment, Interest and Money in the midst of the Great Depression. The book is a recipe for ever-expanding government. When the business cycle threatens a contraction of industry, and thus of jobs, he argued, the government should run up deficits, borrowing and spending money to spur economic activity. FDR adopted the idea as U.S. policy, and the U.S. government now has a $2.6-trillion annual budget and an $8-trillion dollar debt.

Honorable Mention
These books won votes from two or more judges:
The Population Bombby Paul Ehrlich
Score: 22
What Is To Be Doneby V.I. Lenin
Score: 20
Authoritarian Personalityby Theodor Adorno
Score: 19
On Liberty
by John Stuart Mill
Score: 18
Beyond Freedom and Dignityby B.F. Skinner
Score: 18
Reflections on Violence
by Georges Sorel
Score: 18
The Promise of American Life
by Herbert Croly
Score: 17
The Origin of Speciesby Charles Darwin
Score: 17
Madness and Civilization
by Michel Foucault
Score: 12
Soviet Communism: A New Civilization
by Sidney and Beatrice Webb
Score: 12
Coming of Age in Samoa
by Margaret Mead
Score: 11
Unsafe at Any Speed
by Ralph Nader
Score: 11
Second Sexby Simone de Beauvoir
Score: 10
Prison Notebooks
by Antonio Gramsci
Score: 10
Silent Spring
by Rachel Carson
Score: 9
Wretched of the Earth
by Frantz Fanon
Score: 9
Introduction to Psychoanalysisby Sigmund Freud
Score: 9
The Greening of America
by Charles Reich
Score: 9
The Limits to Growthby Club of Rome
Score: 4
Descent of Manby Charles Darwin
Score: 2

The Judges
These 15 scholars and public policy leaders served as judges in selecting the Ten Most Harmful Books.
Arnold BeichmanResearch Fellow
Hoover Institution
Prof. Brad Birzer
Hillsdale College
Harry CrockerVice President & Executive Editor
Regnery Publishing, Inc.
Prof. Marshall DeRosa
Florida Atlantic University
Dr. Don DevineSecond Vice Chairman
American Conservative Union
Prof. Robert George
Princeton University
Prof. Paul Gottfried
Elizabethtown College
Prof. William Anthony Hay
Mississippi State University
Herb London
President
Hudson Institute
Prof. Mark Malvasi Randolph-Macon College
Douglas Minson
Associate Rector
The Witherspoon Fellowships
Prof. Mark Molesky Seton Hall University
Prof. Stephen Presser
Northwestern University
Phyllis Schlafly
President
Eagle Forum
Fred SmithPresident
Competitive Enterprise Institute