No dia 27 de Moisés de 172 (27.1.2026) retomamos as atividades da Igreja Positivista Virtual, com uma prédica em que realizamos a leitura comentada do Apelo aos Conservadores (em sua Segunda Parte - Postura dos positivistas em relação aos retrógrados).
Aproveitamos para fazer comentários sobre o livro de Rémi Brague, Europa, a via romana.
A prédica foi transmitida nos canais Positivismo (https://youtube.com/live/itm1a5TquMI) e Igreja Positivista Virtual (https://www.facebook.com/IgrejaPositivistaVirtual/videos/870992832477558/).
As anotações que serviram de base para a exposição oral encontram-se reproduzidas abaixo.
* * *
Leitura comentada do Apelo aos conservadores
(27
de Moisés de 172/27.1.2026)
1.
Abertura da prédica
2.
Datas e celebrações:
2.1.
Dia 22 de Moisés (22 de janeiro): transformação
de Benjamin Constant (1891 – 135 anos)
2.2.
Dia 28 de Moisés (28 de janeiro): nascimento de
Rosália Boyer (1764 – 262 anos)
2.3.
Dia 28 de Moisés (28 de janeiro): transformação
de Teófilo Braga (1924 – 102 anos)
3.
Já definimos a programação das prédicas de
Homero (fevereiro):
3.1.
Dia 27 de Moisés (27.1): apenas leitura
comentada do Apelo aos conservadores
3.2.
Dia 6 de Homero (3.2): a Humanidade como deusa
positiva
3.3.
Dia 13 de Homero (10.2): apenas leitura
comentada do Apelo aos conservadores
3.4.
Dia 20 de Homero (17.2): recesso de carnaval
3.5.
Dia 27 de Homero (24.2): alguns conceitos
elementares de política
4.
Mais Depoimentos
Positivistas:
4.1.
Hernani G. Costa (https://www.youtube.com/watch?v=nE0rUqZs52U)
4.2.
Sandra Fernandes (https://www.youtube.com/shorts/6-2pGEmvaNk)
4.3.
Vaida Norvilaite (https://www.youtube.com/watch?v=nWhQ6Z8vB_k
e https://www.youtube.com/watch?v=BIU2lvM1oEQ)
5.
Comentário sobre o livro Europa, a via romana, de Rémi Brague (Araçoiaba da Serra (São Paulo), ed. Mnēma,
2023 – mas com primeira edição em francês de 1992)
5.1.
Com grande freqüência, quando se fala na origem
do Ocidente, a referência é ao par Jerusalém-Atenas, dando a entender que o
Ocidente é cristão
5.1.1.
De maneira mais específica, essa concepção dá a
entender que o Ocidente é principalmente fruto da teologia cristã
5.1.2.
Além disso, concentrando-se na teologia cristã e
no par Jerusalém-Atenas, essa concepção desconsidera (ou despreza) a história
prévia e é extremamente inábil para incluir a história posterior à Idade Média
5.2.
Entretanto, como sabemos com investigações
históricas, sociológicas e filosóficas, o Ocidente surgiu graças à incorporação romana seguida pela civilização católico-feudal:
5.2.1.
Roma “fez a guerra para impor os hábitos da
paz”, realizando a transição da guerra de conquista para a guerra de defesa
5.2.2.
Roma criou uma gigantesca região com
uniformidade de hábitos (e hábitos pacíficos)
5.2.3.
Roma permitiu a realização da tríplice transição ocidental, com o
desenvolvimento da atividade prática (em Roma), antecedido pelo desenvolvimento
intelectual (na Grécia) e sucedido pelo desenvolvimento dos sentimentos (na
Idade Média, com a civilização católico-feudal)
5.2.4.
Roma estabeleceu a subordinação da inteligência
à atividade prática, a partir da inspiração dos sentimentos
5.2.5.
Roma também estabeleceu a subordinação da vida
privada à vida pública
5.2.6.
Em termos políticos, o desenvolvimento
católico-feudal consistiu na pluralidade
de países e na unidade religiosa,
além da transição da escravidão rumo ao
trabalho livre e da dignificação das
mulheres
5.2.7.
O aspecto especificamente feudal da Idade Média
desenvolveu a coordenação política
(na segunda e na terceira fase) e criou o ideal
cavalheiresco
5.2.8.
A Idade Média desenvolveu os sentimentos por
meio da pureza, graças à atuação da sabedoria prática do sacerdócio católico,
que tinha que lidar com os graves problemas lógicos, morais, intelectuais e
práticos da teologia cristã
5.2.9.
O catolicismo em particular foi importante
porque foi o instrumento teológico do desenvolvimento afetivo e político, com a
síntese que só poderia realizar-se com São Paulo (um cidadão romano de cultura
grega e origem judaica)
5.2.9.1.
Importa notar que São Paulo só fez o que fez
porque era romano, no sentido forte e profundo de que essa “romanidade” não era
um fato casual e secundário, mas uma condição moral e intelectual realmente
profunda, em que ele entendeu e absorveu as características da civilização
romana que indicamos acima, valeu-se delas e aplicou-as em sua síntese
religiosa
5.2.9.2.
Não é por acaso que foi São Paulo quem criou o
catolicismo (e que o catolicismo pretende-se, em termos etimológicos, como “universal”):
por um lado, nenhum outro apóstolo judeu fez ou pretendeu fazer o que São Paulo
fez; por outro lado, São Paulo direcionou sua ação e sua religião para o Império
Romano, rompendo com as limitações étnicas do judaísmo
5.3.
Os vários aspectos acima evidenciam, portanto,
que a vinculação do Ocidente a Jerusalém e Atenas é um exagero e uma
perspectiva agressivamente enviesada e particularista
5.4.
O autor do livro Europa, a via romana, Rémi Blague, é especialista em história
romana e medieval, estudando em particular as relações filosóficas entre
gregos, judeus e árabes
5.4.1.
Com esse livro, o autor pretendia afirmar que,
ao contrário da concepção estritamente cristã do Ocidente, Roma teve um papel de
certa importância na constituição do Ocidente
5.4.2.
Além disso, o autor apresenta algumas reflexões
sobre o conceito de “eurocentrismo”, indicando casos em que ele é aceitável como
crítica mas, também, inúmeros casos em que ele simplesmente não faz sentido e é
errado em vários sentidos
5.5.
Todavia, o autor padece de várias e graves
limitações, que no final comprometem de maneira fatal sua pretendida defesa de Roma:
(1) apesar de francês, ele mantém-se convictamente integrado ao universo
filosófico e moral alemão, com seu caráter antifrancês, de modo que ele é
militante da metafísica e do misticismo alemães, ignorando e mesmo desprezando
a positividade francesa; (2) além disso, ele é de fato católico (foi interlocutor
privilegiado do Papa Bento XVI) e, embora afirme a importância de Roma, ele não
a afirma a ponto de minar a centralidade do catolicismo; dessa forma, no final das
contas o que ele faz é apenas enfraquecer
um pouco a tese da primazia Jerusalém-Atenas, sem de fato pô-la em questão
5.5.1.
Essas limitações evidenciam-se, entre outros
aspectos, pela apreciação que ele faz de Roma: ele repete a tese (cristã) de
que Roma limitou-se a repetir e a disseminar a Grécia e a servir de base para a
disseminação do catolicismo; além disso, a única efetiva inovação de Roma seria
o Direito (além dos aspectos materiais do império: estradas, aqüedutos etc.)
5.6.
Em suma: apesar do que se propõe, o autor é
totalmente incapaz de realizar de verdade sua proposta
5.6.1.
Essa incapacidade, ou melhor, esse fracasso é
devido totalmente às fontes e às concepções que o autor adota – que, como
dissemos, são da metafísica e do misticismo alemães, além da teologia católica
5.6.2.
As limitações acima resultam em que o autor
ignora, ou melhor, despreza as concepções de Augusto Comte a respeito de Roma –
concepções que valorizam de verdade Roma para a constituição do Ocidente e que,
por outro lado, diminuem as concepções cristãs sobre a formação e sobre sua
própria importância para o Ocidente
5.6.3.
O que importa notar na valorização de Roma é, além
das contribuições efetivas centrais dessa civilização para a constituição do Ocidente,
também a continuidade histórica
5.6.4.
Por fim, devemos notar que o Positivismo estabeleceu
o Ocidente como “Ocidente”, isto é, como um conjunto histórico, filosófico e moral,
no lugar da “cristandade”, que é uma associação baseada em uma teologia passageira
6.
Leitura comentada do Apelo aos conservadores
6.1.
Antes de mais nada, devemos recordar algumas
considerações sobre o Apelo:
6.1.1.
O Apelo
é um manifesto político e dirige-se não a quaisquer pessoas ou grupos, mas a um
grupo específico: são os líderes políticos e industriais que tendem para a
defesa da ordem (e que tendem para a defesa da ordem até mesmo devido à sua
atuação como líderes políticos e industriais), mas que, ao mesmo tempo,
reconhecem a necessidade do progresso (a começar pela república): são esses os
“conservadores” a que Augusto Comte apela
6.1.2.
O Apelo,
portanto, adota uma linguagem e um formato adequados ao público a que se dirige
6.1.3.
Empregamos a expressão “líderes industriais” no
lugar de “líderes econômicos”, por ser mais específica e mais adequada ao
Positivismo: a “sociedade industrial” não se refere às manufaturas, mas à
atividade pacífica, construtiva, colaborativa, oposta à guerra
6.2.
Outras observações:
6.2.1.
Uma versão digitalizada da tradução brasileira
desse livro, feita por Miguel Lemos e publicada em 1899, está disponível no Internet Archive: https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores
6.2.2.
O capítulo em que estamos é a “Segunda Parte”,
cujo subtítulo é “Conduta dos conservadores em relação aos retrógrados”
6.3.
Passemos, então, à leitura comentada do Apelo aos conservadores!
7.
Exortações
7.1.
Sejamos altruístas!
7.2.
Façamos orações!
7.3.
Como Igreja Positivista Virtual, ministramos os
sacramentos positivos a quem tem interesse
7.4.
Para apoiar as atividades dos nossos canais e da
Igreja Positivista Virtual: façam o Pix da Positividade! (Chave Pix: ApostoladoPositivista@gmail.com)
8.
Término da prédica
Referências
- Augusto
Comte (franc.), Sistema de filosofia
positiva (Paris, Société Positiviste, 5e ed., 1893).
- Augusto
Comte (port.), Apelo aos conservadores
(Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1898): https://archive.org/details/augustocomteapeloaosconservadores.
- Augusto
Comte (port.), Catecismo positivista
(Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 4ª ed., 1934).
- Luís
Lagarrigue (esp.), A poesia positivista
(Santiago do Chile, 1890): https://archive.org/details/luis-lagarrigue-a-poesia-positivista-1890_202509.
- Raimundo
Teixeira Mendes (port.), As últimas
concepções de Augusto Comte (Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil,
1898): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-i
e https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-ultimas-concepcoes-de-augusto-comte-ii.
- Raimundo
Teixeira Mendes (port.), O ano sem par
(Rio de Janeiro, Igreja Positivista do Brasil, 1900): https://archive.org/details/raimundo-teixeira-mendes-o-ano-sem-par-portug._202312/page/n7/mode/2up.